sábado, 21 de fevereiro de 2026

Nunca antes lavaram tanto dinheiro da direita



Imagem: Google


Por Moisés Mendes 


Essas quatro informações sobre lavagem de dinheiro, com envolvimento de gente da direita, estão nas capas dos jornais dessa sexta-feira. Quem quiser, pode procurar mais que irá achar.


1. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), e sua esposa, Vanessa, estão sendo investigados por suspeita de lavagem de dinheiro em Andorra, um principado europeu tradicionalmente conhecido por ser um paraíso fiscal. Com informações do Metrópoles.


2. Rubens Menin, dono do canal CNN Brasil e da Rádio Itatiaia de Minas Gerais, é sócio do banqueiro Daniel Vorcaro desde 2023 na SAF (Sociedade Anônima de Futebol) do Atlético Mineiro. O Atlético está sob suspeita de lavagem de dinheiro. Menin, como chefe do conselho administrativo e maior acionista da empresa que controla o clube de Belo Horizonte, foi quem levou o proprietário do já liquidado Banco Master para ser um dos donos da controladora do time.


3. A Polícia Federal prendeu Victor Aielo, proprietário da concessionária de luxo Aielo Motors, de São Paulo, acusado de ser operador de lavagem de dinheiro de uma organização criminosa investigada por fraudes financeiras. A empresa movimentava dinheiro sujo com a venda de carros teria feito transações que somam mais de R$ 11 milhões com o Antônio Carlos Camilo Antunes, o famoso Careca do INSS.


4. A influenciadora e musa da escola de samba Gaviões da Fiel, Natacha Horana Silva, foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que atuava na Faria Lima com fintechs do mercado financeiro.


Fonte: https://www.blogdomoisesmendes.com.br/nunca-antes-lavaram-tanto-dinheiro-da-direita/

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Será que vai chover?



Acordei ao som do alarme do celular às seis, com o coração batendo sossegado.  A paz invadira os meus sentidos. Abri a janela e vi o sol,  que surgia. O dia prometia calor intenso. Meus pensamentos voltaram para os meus parentes e pessoas queridas. Apesar da distância, que nos separa, os vínculos não foram rompidos.  Vez em quando a gente se fala pela câmera. Aos mais íntimos não falta uma mensagem de bom dia. Até com os conservadores,  tem um olá, tudo bem?  Na verdade, com alguns é uma reaproximação. Nos afastamos por divergências ideológicas,  assim que a extrema direita chegou ao poder da república. O distanciamento, pelo menos num primeiro momento, foi inevitável.  As conversas ficaram tensas.  Agora as coisas estão começando a fluir, numa distensão. O campo progressista, majoritário, dialoga com os conservadores, com cautela.  



     Acordei assim, disposto ao amor e ao perdão. Desisti de entender porque pessoas tão próximas, que pensava conhecer, tornaram-se raivosas. Feitas as exceções de praxe, parentes, amigas e amigos não são racistas, homofóbicos, nazistas, menos ainda. Tempos atrás tentei trazê-los à realidade, mas me diziam que o cego era eu. Contrapunham com argumentos sofistas, numa inversão de valores. Para preservar a relação, a opção foi não falarmos de política, coisa difícil, pois tudo é política, inclusive não falar. Em nossos encontros a gente conversa sobre temas irrelevantes, cantamos parabéns, bebemos e comemos.  E quando o assunto acaba, a gente olha para o céu e pergunta: Será que vai chover?





J Estanislau Filho  



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Memórias De Uma Tarde De Chuva

Imagem: Google


Ele era feito de terra e silêncio. Mãos grossas, pele queimada pelo sol, corpo viril marcado pelo peso dos dias, olhos tristes trazendo a solidão das madrugadas. Trazia o cheiro do mato, mãos rudes e fortes, sorriso largo, boca sensual. Não se podia supor a delicadeza que se escondia em seus sentimentos, o fogo contido, o coração que ardia de amor em segredo
Ela, mulher linda e delicada, criada entre varandas largas, janelas altas, finas sedas e ornada com joias. O coração inquieto se sentia atraído pelo que não lhe pertencia. Trazia nos olhos uma fome antiga, inexplicável. Quando o via passar, chapéu na cabeça, roupas rudes, passos firmes, sentia o corpo estremecer num desejo sem lógica e sem razão.
Naquela tarde a chuva veio de repente. Ela, que amava a chuva, saiu pelo campo. Parecia que algo a chamava, que precisava ir de encontro ao seu destino. Ele vinha por ali sem nem saber o porquê. Caminhava sem rumo. Um chamado pulsava nele.
A chuva caía fina, quase um sussurro do céu. O campo se abria diante deles como um altar verde. A relva se curvava exalando um perfume úmido e antigo. Parecia que todo aquele cenário tinha sido criado para aquele instante. Ele vinha com passos firmes, ela surgia entre os arbustos atendendo a um misterioso chamado.
Pararam a poucos passos um do outro. O silêncio pulsava. A água escorria pelos cabelos dela e desenhava caminhos na pele. A blusa fina colada ao corpo a tornava  irresistivelmente sensual. O olhar dele era denso, carregado de desejo contido por muito tempo. Ela olhava seu corpo viril e definido e estremecia de sutis vontades. Parecia haver entre eles algo mais profundo, um reconhecimento que atravessava a carne e tocava a alma.
Ele se aproximou devagar para não quebrar o encanto. A mão dele tocou o rosto dela e um arrepio lhe percorreu o corpo. A pele eriçou e ele sentiu. Ela fechou os olhos permitindo e o corpo tocou o dele. A chuva os envolvia formando um invisível véu. As bocas se encontraram num beijo quente, profundo e demorado. Era fome e reverência, pecado e oração.
Seus corpos responderam e se entregaram sentindo o mundo desaparecer e tornando-se o centro do universo. As mãos dele deslizavam com firmeza e cuidado, explorando curvas, caminhando territórios encantados. Ela se achegou ao corpo dele implorando em silêncio. A respiração se tornou descompasso, o coração pulava no peito. A chuva escorria entre os dois misturando-se ao calor que emanava deles. Frio e fogo. Céu e carne.
Ele a puxou para si, corpos colados. A força de seus braços a deixava refém daquele momento. Ela sentiu-se tomada, cercada, desejada. O encontro era pleno, elétrico, íntimo. Cada movimento era um convite, cada toque uma vertigem. Ele beijou seu pescoço e ela gemeu baixo e era quase uma oração. Ela se deixou conduzir afagando os cabelos dele, pedindo mais, pedindo tudo e muito mais. O mundo parou para olhar aquele momento que valia uma vida.
E ali no meio do campo encharcado, sob a chuva mansa eles se entregaram obedecendo a uma força maior. Não era apenas desejo. Era memória, espírito. Os corpos se entendiam com uma linguagem que dispensava palavras. Cada toque de pele era um selo, cada suspiro soava como um juramento. Eles dançavam a dança do amor sem pressa, mas com firmeza e uma vontade delirante. Ela sentia-se atravessada por algo divino e profano. Ele sentia-se escolhido O tempo não existia. A terra os sustentava, o céu os testemunhava, a chuva os consagrava.
Ao se entregarem um ao outro com urgência e devoção sentiram que dois mundos se tocavam, o da carne e o do invisível. O amor ali era intenso, sagrado, infinito e inevitável. E quando enfim repousaram abraçados,  a chuva continuava a cair, mansa constante, cúmplice. Como se os abençoasse.
Muito mais tarde se despediram, deram as costas e voltaram para casa.
Seguiram suas vidas. Tomaram seus rumos. Viveram o que lhe cabia nesta vida.
Nas tardes de chuva, os dois, cada um em seu canto, ativavam suas memórias de pele e de alma e se lembravam daquele dia em que tiveram um encontro de corpo e alma que valeu por toda uma vida…
Quem sabe um dia em outro mundo, em outra vida, em outra dimensão se reencontrariam para sempre?

 

Nádia Gonçalves