domingo, 27 de setembro de 2026

As mais importantes eleições da História do Brasil (por Céli Pinto)

Estamos a menos de duas semanas das Eleições Gerais no Brasil e são as mais significativas; não se trata de exagero, mas de uma condição muito transparente


Céli Pinto (*)



Costumamos dizer que, quando há eleições gerais, estamos escolhendo presidente, governadores e casas legislativas para os próximos quatro anos, o que parece óbvio. Nas eleições do próximo dia 4 de outubro, em primeiro turno, e no dia 25, em segundo, não se trata de uma escolha de governantes apenas, mas do futuro do país nas próximas décadas.

Não estaremos escolhendo entre o candidato A e o candidato B, mas entre uma escalada abrupta rumo ao totalitarismo colonizado e a continuidade da democracia. Isto tem de estar muito claro na cabeça de cada eleitor, de cada eleitora. Somos responsáveis pelo futuro deste país. Seremos acusados  pelas futuras gerações, com razão, se falharmos e o Brasil for entregue a abutres colonizados.


Os eleitores, as eleitoras, militantes ou não, jovens, adultos ou idosos têm muitas frustrações em relação ao governo do momento. De fato, poderia ter feito mais, principalmente se não tivesse um parlamento dedicado, quase exclusivamente, a tirar proveito em causa própria. Ainda assim, fez muito, não apesar do parlamento, mas justamente porque ele existe e foi possível negociar com ele, constrangê-lo na imprensa e nas redes sociais.


Só poderemos continuar fazendo isto e, ao mesmo tempo, lutar  para transformar a forma de fazer política no parlamento, assegurando que todos que quiserem falar possam falar, possam lutar politicamente, que instituições possam  investigar e serem investigadas. Assegurando  a total liberdade e lisura dos pleitos. E tudo isto só acontecerá se  assegurarmos a continuidade da democracia, mesmo que com muitos problemas.


Os eleitores, as eleitoras, os militantes, jovens, adultos de meia-idade ou idosos podem estar frustrados com o Supremo Tribunal Federal com razão. Há uma fragorosa indecência no comportamento deste bando de homens meio velhos, todos brancos. Da única mulher, que nem progressista é, não existe um único episódio contra seu comportamento como ente público.


Mas vivemos em uma democracia e só não fomos atropelados pela tentativa de melar as eleições de 2022 e, depois, de perdoar militares e assemelhados em um bem armado golpe de Estado, porque existem o Tribunal Superior Eleitoral e o Superior Tribunal Federal. E, ainda, só sabemos o que está acontecendo agora porque vivemos em uma democracia, onde  tudo pode ser  exposto.


O governo Trump está aprofundando a política imperialista a níveis assustadores, até para quem sempre soube do ethos colonizador dos Estados Unidos. A atual quadra do capitalismo abriu mão até de sua retórica pseudodemocrática para avançar, sem nenhum limite, sobre a autonomia e a soberania dos países do sul global, principalmente na América Latina.


Quando o presidente Lula disse, em sua fala na Sessão de Abertura da Assembleia Anual da ONU, que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, ele sabia o que estava dizendo. Ele, assim como muitos de nós, sabe que está se armando um golpe contra a soberania brasileira, liderado pela famiglia Bolsonaro e por seus mais óbvios financiadores. Todos seriam perdoados, caso o pior viesse a ocorrer, e o país seria levado à mais absurda miséria e esbórnia.


O momento é de gravidade absoluta. Circunstâncias como estas devem ser tratadas sem meias palavras, sem meias medidas. Se Lula ganhar as eleições, o paraíso não surgirá de uma hora para outra. Muitos continuarão enfrentando frustrações, mas posso assegurar que não tirarão a comida da boca do povo, nem o teto sobre suas cabeças, nem o fundamental atendimento do SUS, os remédios grátis, as cotas sociais e raciais na educação e para admissão no serviço público.


Se Lula ganhar as eleições, o Brasil não se tornará um paraíso sem violência nem os homens deixarão de matar as mulheres da forma estúpida como fazem hoje, como num passe de mágica, mas podem estar certos de que cada vez menos morrerão jovens pobres e negros, cada vez mais a polícia será  responsabilizada por assassinatos a granel.


O crime organizado será combatido, como está sendo agora, asfixiando o dinheiro das facções, prendendo os cabeças, muitos políticos inclusive. Não haverá chacinas espetaculosas promovidas por uma polícia cujo governador do Estado está sendo acusado de comprometimento com os chefes dos 122 mortos em outubro de 2025, no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro.


Votar em Lula nas próximas eleições não é votar em um mito ou em um salvador da pátria, é votar na segurança de que poderemos continuar nossas vidas, lutar para melhorá-las e para ter o poder de criticar, de reclamar, de ter uma imprensa verdadeiramente livre.


Votar em Lula significa que estaremos estancando o avanço da escalada abrupta rumo a um totalitarismo bestial, violento, sem lei, onde os direitos adquiridos das populações sofridas podem ser retirados com uma canetada, onde a violência se tornará o princípio que vigorará nas relações entre as autoridades e o povo. Onde haverá licença para ser misógino, racista, homofóbico, transfóbico e, ainda por cima, em nome de um Deus ou de um Jesus Cristo que nega toda ideia de igualdade e justiça.


Estamos, pois, de um lado, frente à continuidade da democracia, onde teremos espaço para lutar por um país mais justo, mais igual e mais livre; de outro lado, frente ao caos distópico de dimensões absolutamente trágicas.


Nunca estivemos tão em perigo, apesar de tantos riscos que já vivemos na história deste país.


(*) Professora emérita da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cientista política e historiadora.

sábado, 26 de setembro de 2026

A prosa de Matias de Jesus e os versos de Luciano Fraga

 






Entre mãos que moldam o barro e histórias que moldam a alma, nasce uma reflexão sobre a origem, pertencimento e identidade.
"Essa gente" é um mergulho nas memórias, nos encontros e nas marcas que deixamos por aqueles que nos formam.
Assim como o barro ganha forma no toque firme e cuidadoso do oleiro, cada experiência vivida esculpe o homem que somos.
Uma narrativa sensível sobre raízes, legado e transformação.


SOBRE O AUTOR



Matias de Jesus é um autor movido pelas memórias, pelas histórias simples e profundas que nasceram em seu cotidiano e das relações humanas.
Sua escrita revela identidade, pertencimento e a força das origens. 




O meu lugar é aqui,
bem dentro de mim,
território e encantos
e desencontros.
Confesso:
Vez em quando
dou minhas escapadas,
fujo de mim
e muitas vezes não sinto 
o menor desejo 
de retornar 
ao corpo atarantado



Assim
feito o prego
e o martelo,
quem é mais relevante,
a mensagem,
ou o mensageiro?
a metade,
ou o corpo
inteiro?

Matias de Jesus (sentado) e Luciano fraga


Luciano Fraga, Agrônomo, professor, nasceu no Recôncavo, em Muritiba, Bahia, ainda na adolescência mudou-se para Cruz das Almas, cidade que adotou.
É autor dos livros de poesia, Vaga-lumes, O Nome do Livro, Poemas Vacinados.
Atuou em alguns curtas, Malvir e Retomada (de Nelson M. Filho), produziu e dirigiu outros, Cura-me, Sumaúma, Lagartas de Fogo, Dona Conce, Padê intergaláctico e Sonho de Menino (Documentário).

Eu só, não sou Eu. A vida é a minha pré-ferida. 








Na noite de lançamento de O Cio do Silêncio, foi lançado Pássaros de Balaustradas em homenagem a Antônio Luiz Eloy Machado, falecido no dia 13 de novembro de 1994.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Haicai de Paulo Leminski








tudo dito,
nada feito,
fito e deito


viver é super difícil
o mais fundo
está sempre na superfície


acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo

Paulo Leminski

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Coisificada

 



Ofereço-me em sacrifício

                  ao santo mercado…

Ofereço

a minha face desiludida

meus peitos expostos

meu ventre bronzeado

                  meus cabelos

                            chapados

                                      rafiados 

 meu corpo

            Inflado

                  tatuado

                          modelado…

Ofereço-me

por qualquer moeda

ao santíssimo mercado …

Ofereço

a minha desrazão

    a minha alienação

       a minha estupidez

           a minha banalização…

Ofereço

          O meu sonho de consumo

               por qualquer proposta

                  de plano de pagamento…

Ofereço

a minha imagem programada…

Ofereço –me

       Ofereço-me

               ofereço-me coisificada…

Ofereço

           em sacrifício

               ao santíssimo mercado

                   a minha humanidade destroçada!


Ametista Nunes


Minibio  

 

AMETISTA NUNES de Salvador, Bahia, Brasil, Bel. em Direito e Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia, Professora Universitária, Poetisa e militante sociocultural. Vem de uma longa caminhada de luta pela arte, pela cultura, pela justiça. Fez parte da primeira antologia feminina publicada no Brasil(45mulheres), intitulada Palavra de Mulher, em 1980, entre outras antologias local, estadual e Internacional e tem o seu autoral Meu Grito, livro solo publicado em 1980. Ocupa a Cadeira nº 52 da AILB (Academia Internacional de Literatura Brasileira) em NY, integra o Grupo MIEL (Movimento de Escritores, Escritoras e Artistas pela Liberdade entre outras entidades latinas. Também participa da ASORBAEX(Espanha) e tem recebido homenagens desde o FSM de 2018, entre Mulheres que mudam o mundo ao título de Doctor Honoris Causa pela parceria Brasil-Alemanha. Integra ainda  o GTNM(Grupo Tortura Nunca Mais). CEBRAPAZ (Centro Brasileiro pela Paz),Vida Brasil, La Internacional de Escritores e Escritoras Insurgentes , entre outros .

terça-feira, 21 de julho de 2026

Três Poemas Feministas

 

 

Por Ali Cobby Eckermann






Dentro da minha mãe


Minha mãe é uma rocha de granito
que não consigo mais escalar nem contornar;
seu
peso é uma constante lembrança
de mim mesma.
Sento-me à sua sombra,
gaivotas aninham-se em seus olhos,
suas sombras, seu epitáfio.
Carrego
uma pedrinha dela no bolso.



Por De Rosarios Castellanos




As Misérias Alegres


Este lugar onde estou, como areia com rios,
há muito conhece as visitas do céu.
Uma procissão inteira de pássaros cruza meu rosto
e eu os sigo extasiado,
sem sentir as pedras que me atingem, me quebram, me rejeitam.
Caminho sem medir minha força ou passo.
Ah, mas alcançarei o mar e o céu voará além do meu alcance…




Por Maya Angelou




Mulher Fenomenal



Mulheres bonitas se perguntam onde reside meu segredo.
Não sou bonito nem tenho o corpo de uma modelo,
mas quando começo a contar,
elas acham que estou mentindo.

Digo:
Está ao alcance dos meus braços,
na largura dos meus quadris,
na firmeza dos meus passos,
na curva dos meus lábios.

Sou uma mulher
fenomenal.
Mulher fenomenal,
essa sou eu.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

gotas de desejo

 



1


dizer
te amo
exagero
o certo
te quero
perto
no abraço
no cheiro




2


dizer 
te adoro
não
claro
é demais
te desejo
almejo
beijo




3


prosa
a dois
ciúme
de rosa
crime
atroz
paz
entre nós




4


dizer
da alegria 
tê-la 
comigo 
poesia
estrela
persigo 
tão bela




5


desejo
bom
prosa
e som
amor
mulher
qualquer
cor




6


dizer
é o fim
amor
não 
acaba
assim
sem 
poesia




7


desejo
também
breu
luz
meu
coração
aprende
lição




8


desejo
ainda
Terra
linda
despoluída
sensualidade
beleza
vida


J Estanislau Filho


Imagens do acervo do autor

sábado, 4 de julho de 2026

O Voo do Poeta Lutador




Não é de ferro, é de fibra,
este homem que carrega o mundo
num peito que, embora sensível,
tem a têmpera de quem luta.


Ele ama a terra onde pisa,
o verde, o rio, o vento no rosto.
Defende a raiz e a brisa,
com a garra de quem vê o justo.


Da sua pena, a tinta vira aço,
escreve versos que são espadas
cortando o silêncio e o mofo,
iluminando as madrugadas.


Inteligência que não se cala,
alma de poeta, voz de trovão.
Mas no olhar, ele traz a calma
de quem busca a paz na razão.


E quando a injustiça aperta,
ele se agiganta, ele voa.
Livre como os pássaros que cantam,
norteando a vida, numa boa.


Não, ele não teme a altura.
Sua luta é sua poesia,
feita de coragem e ternura,
e da beleza de um novo dia.


Por tudo isso, eu o admiro,
neste mistério que ele encerra:
um coração que sabe ser lírico,
com os pés firmes nesta terra.



Ana Lúcia Gadelha


sábado, 27 de junho de 2026

a novidade




depois de longa ausência

      ela voltou

com a mesma elegância


com o brilho nos olhos

     toda contente

chegou com uma novidade


um sorriso confiante

      que a idade

suavizou seu semblante


afugentou dores e medos

      a felicidade

é o seu nome sem arremedo


J Estanislau Filho


domingo, 21 de junho de 2026

CONTO DE AMOR



Quando servi o Exército eu me tornei especialista em bombas. Sei fabricar qualquer tipo de bomba portátil, muito usada por terroristas. A bomba que eu estava fazendo tinha que ter efeito fulminante, para que a vítima nada sofresse. E antes da explosão, era necessário que fosse emitido um feixe de luz radiante que fizesse a vítima perceber a iminência da explosão.

A pessoa que eu queria matar era o meu filho João.

Minha mulher Jane estava grávida quando fui enviado ao exterior com um contingente do Exército a serviço das Nações Unidas. Fiquei ausente cerca de dois anos. Escrevia constantemente para Jane e ela respondia. Quando o meu filho nasceu e recebeu o nome de João, as cartas de Jane ficaram bem estranhas. Ela dizia que precisava falar comigo uma coisa muito séria, mas não sabia como. Eu respondia impaciente para ela dizer de qualquer maneira, mas ela persistia na falta de clareza, que cada vez piorava mais. Afinal, Jane deixou de responder minhas cartas.
Quando voltei da missão da ONU, corri para casa assim que desembarquei no aeroporto.

Jane abriu a porta para mim. Seu aspecto me surpreendeu. Estava envelhecida, pálida, parecia doente.

“Onde está o João?”, perguntei. Jane começou a chorar convulsivamente, apontando a porta do quarto onde ele estava.

Entrei no quarto, seguido de Jane.

João estava deitado no berço, um menino lindo, que ao me ver deu um sorriso. Peguei-o no colo. Então, tive uma surpresa que me deixou atônito. João só tinha uma perna e um braço, eram os únicos membros que possuía.

Jane estendeu-me um papel, todo amassado, uma receita médica onde estava escrito: esta criança sofre de focomelia, uma anomalia congênita que impede a formação de braços e pernas. Jane cuidava do João com o maior cuidado e com grande carinho. Mas ela definhava cada vez mais e morreu quando João tinha seis anos. Eu dei baixa no Exército para poder cuidar do meu filho. Quando eu perguntava se ele queria alguma coisa, ele dizia “Eu quero ir para a guerra”.

Sua deficiência física se agravava com a idade. Ele tinha 15 anos, mas não podia andar, estava impossibilitado de exercer as mínimas atividades físicas.

“Eu quero ir para a guerra, papai”, ele pediu mais uma vez.

Então decidi que ele iria à guerra. Foi quando preparei a bomba.

Com a bomba na mão eu disse: “Meu filho, você foi convocado para ir à guerra.”

“Obrigado, meu pai querido, eu te amo muito.”

Eu o amava mais ainda.

Coloquei a bomba na sua mão.

“Essa bomba vai explodir. É a guerra”, eu disse.

“É a guerra”, ele repetiu feliz.

Saí do quarto onde estava. Pouco depois vi o clarão.

João também viu esse clarão, feliz, antes da bomba explodir, matando-o.

Eu amava o meu filho.


 


Rubem Fonseca nasceu em 1925 e é um dos maiores escritores contemporâneos de língua portuguesa. Autor de 27 livros, entre suas principais obras estão as coletâneas de contos Lúcia McCartney e Feliz ano novo, além dos romances A grande arte e Agosto. A história publicada pelo Cândido faz parte do novo livro de contos do autor, Amálgama, que a editora Nova Fronteira lança este mês. O escritor vive no Rio de Janeiro (RJ).


Ilustração: André Ducci


Fonte: https://www.bpp.pr.gov.br/Candido/Pagina/Conto-Rubem-Fonseca

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Que Viagem!...

 


Por J Estanislau Filho



I


Antonia, apressada, começou arrumar as malas uns quinze dias antes da viagem. Três malas, uma maior e duas de mão, além de duas mochilas, para levarmos nas costas. Passaríamos dez dias no Perú, entre estradas e estadias. Mas foi Larissa quem acabou organizando, nos mínimos detalhes. Malas prontas. No dia da partida, Ricardo colocou as bagagens na caminhonete e rumamos ao aeroporto de Salvador, onde nos juntaríamos ao grupo. De Salvador, rumo a Guarulhos e Lima, no Perú. Tudo correu como planejado. 


II



A nossa guia nos recebeu no aeroporto de Lima e nos conduziu ao hotel em Miraflores, um bairro classe média. O grupo de cinco casais, cada casal com cinco malas grandes, três pequenas e três mochilas, totalizando... Deixa pra lá. Tinha mais malas que gente! Depois de instalados no hotel, saímos para um tour e o almoço. Antes passamos em uma casa de câmbio, para trocarmos alguns reais por soles, a moeda peruana. Muitos não precisavam, pois tinham cartões internacional. Almoçamos num restaurante, de frente para o oceano Pacífico. Antes do almoço, caminhamos pelo Malecón de Miraflores. Ah,  em Lima conhecemos um casal de Montes Claros, Minas Gerais. 


III



No segundo dia em Lima, fomos ao parque El Olivar e contemplamos uma visão panorâmica da Huaca Pucllana, um sítio arqueológico. Curtimos uma atmosfera colonial nos majestosos casarões e edifícios do século XV, e a icônica Plaza de San Martin,  no Centro Histórico. Na Plaza Mayor visitamos o Convento de Santo Domingo.  No terceiro dia visitamos o Parque del Amor. O Parque Kennedy é habitado por dezenas de gatos, que podem ser adotados. 


IV



Eis que é chagado o momento de voarmos  pra Cusco. No hotel, fomos orientados sobre a adaptação ao clima.  Pra início de conversa, um chá de coca foi servido, não aconselhado aos de pressão alta. Descansamos no hotel. Com o tempo livre, alguns e algumas do grupo fizeram breves caminhadas. Sentimos a diferença do clima. Em Cusco fizemos passeios e contemplamos lindas paisagens. Uma parada na fortaleza Sacrayuaman, de pedras gigantes, encaixadas pelos Incas; o Qenqo, labirinto em Quechua, formado por duas galerias subterrâneas, antigamente usadas em sacrifícios e mumificações. Tambomachay  é um local de culto à água. Vimos, por fora, a Fortaleza Vermelha de Pukapukara, de muros e terraços; fomos ao Templo do Sol. Finalizamos o tour conhecendo a Catedral de Cusco, uma das mais belas das Américas! Encerramos o passeio na Plaza de Armas. 


V



Chegou, finalmente, o dia de conhecer o Vale Sagrado dos Incas. O Taray é um mirante com vistas para o Vale. Em Pisac fomos à praça principal, multicolorida, com tecidos e tapetes expostos. Local de gastar uns soles em lembrancinhas. Em Urubamba, um almoço típico da ótima culinária peruana. Encerramos o passeio visitando o sítio arqueológico de Ollantaytabo, com tecnologia e da arquitetura Inca.  Depois de um rápido passeio pela cidade, partimos, de trem para  Águas Calientes, onde pernoitamos. No dia seguinte, a hora do bolo da cereja: Machu Picchu. Num trem panorâmico, com direito a participar, num vagão especial, de danças folclóricas, animado por um grupo local. Ricardo, que não é bobo, dançou ao som da música peruana. 


VI



Uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno, Machu Picchu, sob nossos pés e olhares atentos. Fomos num micro-ônibus por uma estrada em zigue-zague até a cidadela. Por cerca de duas horas nos conectamos nos mistérios desse Patrimônio da Humanidade. As imagens falam por si.


VII



Maras e Moray com Chinchero, nossa primeira parada, famosa por suas tradições têxteis. A jornada continua até as Salineras  de Maras e suas piscinas de sal. Em Moray a incrível engenharia Inca, com terraços agrícolas usados em experimentos avançados,  de onde partimos às 3h50 ao povoado de Llacto a 4.300 metros de altitude, onde tomamos o café da manhã. Quadriciclo e motos nos conduziram ao pé das Montanhas Coloridas, a mais de 5.200 metros de altitude. 













Crédito das imagens do acervo do autor