Te acalma, minha loucura!
Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados!
Este som de serra de afiar as facas
não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias…
Estas molas a gemer no quarto ao lado
Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia
O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema…
As chaminés espumam pros meus olhos
As hélices do adeus despertam pros meus olhos
Os tamancos e os sinos me acordam depressa na madrugada
[feita de binóculos de gávea
e chuveirinhos de bidê que escuto rígida nos lençóis de pano
– Ana Cristina Cesar, em “Poética”. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
Leitura livre, faço as minhas conexões, releio para desvendar outras tantas. Adoro tudo q foge de padrões, provoca, abre espaço ao leitor. Precoce o talento e a passagem.
ResponderExcluirGrato 🙏
ExcluirParabéns por trazer coisa boa de se ler. Abraço, amigo. Maria do Carmo
ResponderExcluirGratidão 🙏
ExcluirPoema para ler e reler muitas vezes, cada vez com acréscimos de significados.
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