terça-feira, 21 de julho de 2026

Três Poemas Feministas

 

 

Por Ali Cobby Eckermann






Dentro da minha mãe


Minha mãe é uma rocha de granito
que não consigo mais escalar nem contornar;
seu
peso é uma constante lembrança
de mim mesma.
Sento-me à sua sombra,
gaivotas aninham-se em seus olhos,
suas sombras, seu epitáfio.
Carrego
uma pedrinha dela no bolso.



Por De Rosarios Castellanos




As Misérias Alegres


Este lugar onde estou, como areia com rios,
há muito conhece as visitas do céu.
Uma procissão inteira de pássaros cruza meu rosto
e eu os sigo extasiado,
sem sentir as pedras que me atingem, me quebram, me rejeitam.
Caminho sem medir minha força ou passo.
Ah, mas alcançarei o mar e o céu voará além do meu alcance…




Por Maya Angelou




Mulher Fenomenal



Mulheres bonitas se perguntam onde reside meu segredo.
Não sou bonito nem tenho o corpo de uma modelo,
mas quando começo a contar,
elas acham que estou mentindo.

Digo:
Está ao alcance dos meus braços,
na largura dos meus quadris,
na firmeza dos meus passos,
na curva dos meus lábios.

Sou uma mulher
fenomenal.
Mulher fenomenal,
essa sou eu.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

gotas de desejo

 



1


dizer
te amo
exagero
o certo
te quero
perto
no abraço
no cheiro




2


dizer 
te adoro
não
claro
é demais
te desejo
almejo
beijo




3


prosa
a dois
ciúme
de rosa
crime
atroz
paz
entre nós




4


dizer
da alegria 
tê-la 
comigo 
poesia
estrela
persigo 
tão bela




5


desejo
bom
prosa
e som
amor
mulher
qualquer
cor




6


dizer
é o fim
amor
não 
acaba
assim
sem 
poesia




7


desejo
também
breu
luz
meu
coração
aprende
lição




8


desejo
ainda
Terra
linda
despoluída
sensualidade
beleza
vida


J Estanislau Filho


Imagens do acervo do autor

sábado, 4 de julho de 2026

O Voo do Poeta Lutador




Não é de ferro, é de fibra,
este homem que carrega o mundo
num peito que, embora sensível,
tem a têmpera de quem luta.


Ele ama a terra onde pisa,
o verde, o rio, o vento no rosto.
Defende a raiz e a brisa,
com a garra de quem vê o justo.


Da sua pena, a tinta vira aço,
escreve versos que são espadas
cortando o silêncio e o mofo,
iluminando as madrugadas.


Inteligência que não se cala,
alma de poeta, voz de trovão.
Mas no olhar, ele traz a calma
de quem busca a paz na razão.


E quando a injustiça aperta,
ele se agiganta, ele voa.
Livre como os pássaros que cantam,
norteando a vida, numa boa.


Não, ele não teme a altura.
Sua luta é sua poesia,
feita de coragem e ternura,
e da beleza de um novo dia.


Por tudo isso, eu o admiro,
neste mistério que ele encerra:
um coração que sabe ser lírico,
com os pés firmes nesta terra.



Ana Lúcia Gadelha