quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Yolanda





Do poeta de Electra a triste ária
Teve o dom de salvar da morte certa
De Atenas a muralha milenária.

Milton



Yolanda foi o que podia ser chamado de belzebu em forma de gente. O primeiro sinal foi, quando ao nascer, mordeu a mão do médico, que registrou o fenômeno em seu prontuário.

Ao terceiro dia do nascimento, a menina, que nasceu com tênues pelos ao redor do órgão genital, balbuciava as primeiras palavras, para desespero dos pais. A família trancou a filha a sete chaves. No primeiro mês de nascimento começou a rolar de um lado a outro da cama e engatinhou. Fome insaciável, após sugar todo o leite dos seios da mãe, mordia-os, irritada, pois os primeiros dentes nasceram prematuramente. Já no terceiro mês de vida deu os primeiros passos, derrubando objetos, enfiando dedo nas tomadas. Com menos de cinco meses, foi encontrada sobre o vaso, pernas abertas, acariciando a vagina, despudoradamente. Apesar do crescimento precoce, Yolanda seria uma adulta de estatura baixa, menos de um metro e meio, como será esclarecido adiante.

Os pais estavam desarvorados. Mas ao completar um ano, a garota, que tinha um corpo delineado, aquietou-se. Um fenômeno, que chamava a atenção de quem a visse. Pequenos seios redondos e salientes; coxas torneadas, bumbum avantajado. Um caso digno de estudos científicos, que não foi possível, por conta do receio dos pais. A partir dos sete anos transformou-se, de certa maneira em uma criança normal. Ia à escola regularmente, gostava de chocolates, brincava de boneca... Porém esse bom comportamento iria terminar por volta dos nove anos, quando um certo tio, em visita à irmã, não resistiu aos encantos da garota.
Os pais de Yolanda não poderiam imaginar que um parente próximo ousaria molestar a criança. Mas enganaram-se. De volta à casa, ficaram pasmados com a cena: O tio tombado sobre a cama, sem a cabeça. É isso, caro leitor e caríssima leitora: Yolanda lutou bravamente, para se defender e foi além: Com a navalha do pai e um único golpe no pescoço, a cabeça do tio caiu feito fruta podre no piso do quarto. Cama e piso cobertos de sangue. Mas onde estava a cabeça? Onde estava a garota? Os pais chamaram-na. Não houve resposta. Vasculharam todos os aposentos e nada de encontrar a filha.

A mãe lembrou de não ter averiguado o sótão. Lá estava a garota, segurando a cabeça do tio com uma das mãos, enquanto com a outra, perfurava-lhe os olhos com uma agulha. A mãe foi a primeira a abraçar a filha, seguida do pai. Yolanda soltou a cabeça, que rolou sobre o piso, como num filme de terror.

A polícia foi chamada e as investigações foram iniciadas. Yolanda começou um tratamento psicológico, mas em pouco tempo recebeu alta, sem que o psicólogo diagnosticasse alguma sequela. Não parecia ter ficado traumatizada com o acontecimento. Continuou estudando, tornou-se uma bela moça, compassiva, alegre, comunicativa, mas evitava os adultos. Entre os doze e dezesseis anos, pelo menos três corpos de homens foram encontrados sem as cabeças, nas adjacências da casa da garota, mas as mortes jamais foram esclarecidas. No bairro, muitos desconfiam da jovem.

Só aos dezessete anos deu seu primeiro beijo e se apaixonou por um homem mais velho que ela vinte dois anos e sete meses. Abandonou definitivamente a escola, para se casar. Teve filhos, educados com zelo.



Aos cinquenta e oito anos, Yolanda resolveu dar um novo rumo em sua vida. A pequena estatura era um estorvo. Depois de um ano de terapia, descobriu que o único motivo de ter estacionado em um metro e quarenta e oito de altura, foi resultado de um bloqueio, provocado pelo trágico evento na infância. Descobriu, também, ser portadora do complexo de Electra.



Imagens: Google




Um conto que integra a coletânea do livro abaixo:



Editoração eletrônica: Fernando Estanislau

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O QUE A VIDA SIGNIFICA PARA MIM






Nasci na classe trabalhadora. Cedo descobri o entusiasmo, a ambição e os ideais; e satisfazê-los tornou-se o problema da minha infância. Meu ambiente era cru, áspero e rude. Não via nenhuma perspectiva ao meu redor, por isso, o melhor era olhar para cima. Meu lugar na sociedade era nos fundos. Aqui a vida não oferecia nada, além de sordidez e miséria, tanto para o corpo como para o espírito. Por aqui corpo e espírito andavam famintos e atormentados.

Acima de mim se erguia o imenso edifício da sociedade e, em minha mente, a única saída era para cima. Logo resolvi subir. Lá em cima, os homens vestiam ternos pretos e camisas engomadas e as mulheres usavam vestidos lindos. Havia também coisas boas para comer e muita fartura. Abundância para o corpo. Depois havia as coisas do espírito. Acima de mim, eu sabia, havia despojamento do espírito, pensamentos puros e nobres e uma vida intelectual intensa. Eu conhecia tudo isto porque lera romances na biblioteca Seaside, nos quais, com exceção dos vilões e dos aventureiros, todos os homens e mulheres tinham pensamentos puros, falavam uma linguagem bonita e realizavam ações generosas. Em resumo, assim como eu aceitava o nascer do Sol, aceitava que acima de mim estava tudo o que era fino, nobre e belo, tudo o que dá decência e dignidade à vida, tudo o que faz a vida valer a pena e recompensa um homem por seu sofrimento e esforço.

Mas não é muito fácil para um homem ascender e sair da classe trabalhadora - especialmente se está cheio de ambições e ideais. Eu vivia num rancho na Califórnia, e era duro descobrir o caminho para subir. Cedo quis saber qual a taxa de juros do dinheiro aplicado, e preocupava meu cérebro de criança a compreensão das virtudes e excelências desta notável invenção do homem, os juros compostos. Mais tarde conheci os níveis de salário praticados para trabalhadores de todas as idades, e o custo de vida. Com todos estes dados, conclui que, se começasse imediatamente, trabalhasse e poupasse até os cinquenta anos, poderia parar de trabalhar e desfrutar de uma pequena porção das delícias e maravilhas que estariam a meu alcance um pouco acima na sociedade. E, claro, decidi não me casar, ao mesmo tempo em que me esquecia inteiramente de considerar esta grande causa da catástrofe no universo da classe trabalhadora - a doença.

Mas a vida que havia em mim exigia mais que uma pobre existência de restos e de escassez. Aos dez anos de idade, tornei-me jornaleiro nas ruas da cidade e descobri uma nova perspectiva. Tudo ao meu redor estava impregnado da mesma sordidez e desgraça, e acima de mim existia ainda o mesmo paraíso, esperando para ser conquistado. Mas o caminho para subir era diferente. Era o mundo dos negócios. Por que poupar meus ganhos e investir em papéis do governo quando, comprando dois jornais por cinco centavos, num piscar de olhos, podia vendê-los por dez e dobrar meu capital? O mundo dos negócios era para mim o meio de subir na vida, e eu me via como negociante quadrado e bem-sucedido.

Ai das visões! Quando tinha dezesseis anos me chamavam de “príncipe”. Este título me foi dado por uma gangue de assassinos e ladrões, que me chamavam de “O príncipe dos piratas de água doce”.

Naquele tempo eu tinha galgado o primeiro degrau no mundo dos negócios. Era um capitalista. Possuía um barco e uma tripulação completa de piratas de água doce. Tinha começado a explorar meus semelhantes. Toda uma equipe estava sob meu comando. Como capitão e dono, ficava com dois terços do dinheiro e dava à tripulação o outro terço, embora eles trabalhassem tão duro quanto eu e arriscassem tanto quanto eu suas vidas e sua liberdade.

Este degrau foi o último que subi no mundo dos negócios. Uma noite, participei de um assalto a pescadores chineses. Suas linhas e redes valiam dólares e centavos. Era um roubo, claro, mas era este precisamente o espírito do capitalista. O capitalismo toma os bens de seus semelhantes a título de reembolso, traindo a confiança ou comprando senadores e juizes de tribunais superiores. Eu era apenas mais grosseiro. Essa era a única diferença. Eu usava um revólver.

Mas, naquela noite, minha equipe agiu como aqueles incompetentes que o capitalista está acostumado a fulminar, sem dúvida porque estes incompetentes aumentam os custos e reduzem os lucros. Minha quadrilha fez as duas coisas. Por falta de cuidado, tocou fogo na vela principal, destruindo-a totalmente. Não houve lucro aquela noite, e os pescadores chineses ficaram mais ricos pelas redes e linhas que não pagamos. Eu estava arruinado, sem condições sequer de pagar sessenta e cinco dólares por uma nova vela principal. Deixei meu barco ancorado e saí num barco de piratas na baía para uma viagem de saques pelo rio Sacramento. Enquanto estava fora, outro bando de piratas da baía saqueou meu barco. Roubaram tudo, até mesmo as âncoras; e mais tarde, quando recuperei o casco abandonado, obtive apenas vinte dólares por ele. Tinha descido o primeiro degrau galgado, e nunca mais tentei o caminho dos negócios.

Desde então fui implacavelmente explorado por outros capitalistas. Tinha força física, e eles faziam dinheiro com isso enquanto que, apesar do meu esforço, eu levava uma vida banal. Fui marinheiro, estivador e grumete. Trabalhei em fábricas de enlatados, indústrias e lavanderias. Cortei grama, limpei tapetes e lavei janelas. E não ganhava nunca o produto inteiro do meu trabalho. Olhava para a filha do dono da fábrica de enlatados, em sua carruagem, e sabia que eram meus músculos que ajudavam a empurrar aquela carruagem em seus pneus de borracha. Via o filho do industrial indo para a escola e sabia que era em parte a minha força que ajudava a pagar seu vinho e suas boas amizades.

Mas não ficava ressentido com isso. Fazia parte do jogo. Eles eram a força. Muito bem, eu era forte. Podia cavar um lugar entre eles e fazer dinheiro com a força de outros homens. Não tinha medo do trabalho. E quanto mais duro, melhor, mais me agradava. Gostaria de me entregar ao trabalho, trabalhar mais do que nunca e, eventualmente, me tornar um pilar da sociedade.

E a essa altura, com a sorte que eu gostaria de ter, descobri um patrão com a mesma mentalidade. Eu estava querendo trabalhar, e ele estava mais que querendo que eu trabalhasse. Pensei que estava aprendendo um ofício. Na realidade, havia substituído dois homens. Pensei que ele estava fazendo de mim um eletricista; de fato, estava ganhando, comigo, cinquenta dólares a mais por mês. Os dois homens que eu substituíra recebiam quarenta dólares por mês cada um, enquanto eu fazia o trabalho dos dois por trinta dólares.

Este patrão me fez trabalhar até a morte. Um homem pode adorar ostras, mas ostras demais vão deixá-lo enfastiado. E assim foi comigo. O excesso de trabalho me deixou doente. Eu não queria mais ver trabalho. Abandonei o emprego. Tornei-me um vagabundo, mendigando de porta em porta, perambulando pelos EUA e suando sangue em favelas e prisões.

Eu nascera na classe operária, e agora, aos dezoito anos, estava abaixo do ponto em que tinha começado. Caíra nos porões da sociedade, jogado no subterrâneo da miséria sobre o qual não é agradável nem digno falar: estava no fosso, no abismo, no esgoto humano, no matadouro, na capela mortuária da nossa civilização. Esta é a parte do edifício social que a sociedade prefere esquecer. A falta de espaço me leva aqui a ignorá-la, e devo dizer apenas que as coisas que vi lá me deram um medo terrível.

Estava apavorado até a alma. Vi a nu a complicada civilização em que vivia. A vida era uma questão de abrigo e de comida. Para conseguir abrigo e comida os homens vendem coisas. O comerciante vende seus sapatos, o político vende seu humanismo e o representante do povo, com exceções, é claro, vende sua credibilidade, enquanto quase todos vendem sua honra. As mulheres também, nas ruas ou na sagrada relação do casamento, estão prontas a vender seus corpos. Todas as coisas são mercadorias, todas as pessoas são compradas e vendidas. A primeira coisa que o trabalhador tem para vender é a força física. A honra do operariado não tem preço no mercado. O operariado tem músculos e somente músculos para vender.

Mas há uma diferença, uma diferença vital. Sapatos, credibilidade e honra têm como se renovar. Constituem estoques imperecíveis. Mas os músculos, estes não se renovam. Quando um comerciante vende seus sapatos, repõe o estoque. Mas não há como repor o estoque de energia do trabalhador. Quanto mais vende sua força, menos sobra para si. A força física é sua única mercadoria, e a cada dia seu estoque diminui. No fim, se não morreu antes, vendeu tudo e fechou as portas. Está arruinado fisicamente e nada lhe restou senão descer aos porões da sociedade e morrer na miséria.

Aprendi, ainda, que o cérebro também é uma mercadoria, ainda que diferente dos músculos. Um vendedor do cérebro está apenas no começo quando tem cinquenta ou sessenta anos, e seus produtos atingem preços mais altos do que nunca. Mas um operário está esgotado e alquebrado com quarenta e cinco ou cinquenta anos. Eu tinha estado nos porões da sociedade e não gostava do lugar para morar. Os canos e bueiros eram insalubres e o ar, ruim para respirar. Se não podia morar no andar de luxo da sociedade, podia, pelo menos, tentar a mansarda. Ela existia, a comida lá era escassa, mas pelo menos o ar era puro. Assim, resolvi não vender mais meus músculos e me tornar um vendedor de cérebro.

Começou então uma frenética perseguição ao conhecimento. Voltei para a Califórnia e mergulhei nos livros. Como me preparava para ser um mercador da inteligência, achei que devia me aprofundar em Sociologia. Assim, eu descobri, num certo tipo de livros, formulados cientificamente, os conceitos sociológicos simples que eu tinha tentado descobrir por mim mesmo. Outras grandes mentes, antes que eu tivesse nascido, tinham elaborado tudo que eu havia pensado e muitas coisas mais. Eu descobri que era um socialista.

Os socialistas eram revolucionários, porque lutavam para derrubar a sociedade do presente e tirar dela material para construir a sociedade do futuro. Eu, também, era um socialista e revolucionário. Liguei-me a grupos de trabalhadores e intelectuais revolucionários, e pela primeira vez entrei na vida intelectual. Aí descobri mentes aguçadas e cabeças brilhantes. Encontrei cérebros fortes e atentos, além de trabalhadores calejados; pregadores de mente muito aberta em seu cristianismo para pertencer a qualquer congregação de adoradores do dinheiro; professores torturados na roda da subserviência universitária à classe dominante e dispensados porque eram ágeis com o conhecimento que se esforçavam por aplicar às questões maiores da Humanidade.

Descobri, também, uma fé calorosa no ser humano, um idealismo apaixonante, a suavidade do despojamento, renúncia e martírio - todas as esplêndidas e comoventes qualidades do espírito. Naquele meio, a vida era honesta, nobre e intensa. Naquele meio, a vida se reabilitava, tornava-se maravilhosa. E eu estava alegre por estar vivo. Mantinha contato com grandes almas que punham o corpo e o espírito acima de dólares e centavos, e para quem o gemido fraco de crianças famintas das favelas vale mais do que toda a pompa e circunstância da expansão do comércio e do império mundial. Tudo à minha volta era nobreza de propósitos e heroísmo; meus dias e noites eram de sol e de estrelas brilhantes; tudo calor e frescor, como o Santo

Graal, o próprio Graal do Cristo, o ser humano caloroso, conformado e maltratado, mas pronto para ser resgatado e salvo no final, sempre ardente e resplandecente, diante de meus olhos.

E eu, pobre tolo, julgava ser aquilo apenas uma amostra das delícias de viver que eu deveria descobrir acima de mim na sociedade. Tinha perdido muitas ilusões desde os dias em que lera os romances da biblioteca Seaside, no rancho da Califórnia. E estava destinado a perder muitas das ilusões que me restavam.

Como mercador da inteligência, fui um sucesso. A sociedade abriu suas portas para mim. Entrei direto no andar de luxo; mas meu desencanto foi rápido. Sentei-me para jantar com os senhores da sociedade e com as esposas e mulheres dos donos da sociedade. As mulheres se vestiam muito bem, admito; mas para minha ingênua surpresa percebi que eram feitas do mesmo barro que todas as outras mulheres que eu tinha conhecido lá embaixo, nos porões. A esposa do coronel e Judy O’Grady eram irmãs sob suas peles e seus vestidos.

Não foi isto, porém, mas seu materialismo, o que mais me chocou. É verdade que estas mulheres lindas, ricamente vestidas tagarelavam sobre singelos ideais e pequenos moralismos; mas, ao contrário do teor de sua conversa mole, a tônica da vida que levavam era materialista. E como eram egoístas sentimentalmente. Contribuíam de todas as formas para pequenas caridades e se informavam sobre a realidade, mas, o tempo todo, os alimentos que comiam e as belas roupas que vestiam eram comprados com os lucros manchados pelo sangue do trabalho infantil, do trabalho exaustivo e mesmo da prostituição. Quando mencionei tais fatos, esperando em minha inocência que aquelas irmãs de Judy O’Grady arrancassem fora de uma vez suas sedas e joias tingidas de sangue, ficaram furiosas e excitadas, e leram para mim pregações sobre o desperdício, a bebida e a depravação inata que causavam toda a miséria nos porões da sociedade. Quando disse que não podia perceber bem qual era a falta de economia, a intemperança e a depravação de crianças quase famintas de seis anos que faziam trabalhar doze horas por noite numa fiação de algodão sulista, aquelas irmãs de Judy O’Grady atacaram minha vida pessoal e me chamaram de “agitador” - embora isto, na verdade, reforçasse meus argumentos.

Não me dei melhor com os senhores da sociedade. Esperava encontrar homens honestos, nobres e vivos cujos ideais fossem honestos, nobres e vivos. Andei com homens que estavam nos lugares mais altos - os pregadores, os políticos, os homens de negócios, professores e editores. Comi carne com eles, tomei vinho com eles, andei de automóvel com eles e estudei com eles. É verdade, encontrei muitos que eram honestos e nobres; mas, com raras exceções, não estavam vivos. Realmente acredito que poderia contar as exceções com os dedos das minhas mãos. Quando não estavam mortos pela podridão moral, atolados na vida suja, eram apenas a morte insepulta - como múmias bem preservadas, mas não vivas. Neste sentido, poderia especialmente citar professores que conheci, homens que vivem de acordo com o decadente ideal universitário, “a perseguição sem paixão da inteligência sem paixão”.

Conheci homens que invocavam o nome do Príncipe da Paz em seus discursos contra a guerra e que botaram nas mãos dos Pinkertons rifles que abateram grevistas em suas próprias fábricas. Encontrei homens incoerentes, indignados com a brutalidade de lutas de boxe e pugilismo, e que, ao mesmo tempo, participavam da adulteração de alimentos que a cada ano matam mais bebês do que qualquer Herodes de mãos rubras jamais havia matado.

Em hotéis, clubes, casas e vagões de luxo, em cadeiras de navios a vapor, conversei com capitães de indústria e me espantou como eram pouco viajados nos domínios do intelecto. Por outro lado, descobri que sua inteligência para negócios era excepcionalmente desenvolvida. Descobri também que sua moralidade, quando há negócios envolvidos, nada vale.

O delicado, destacado e aristocrático cavalheiro era um testa de ferro de corporações que secretamente roubavam viúvas e órfãos. Este cavalheiro, que colecionava edições de luxo e era patrocinador especial da literatura, pagou chantagem a um chefão político de queixo duro e sobrancelhas escuras da máquina municipal. Este editor, que publicou propaganda de medicamentos licenciados e não ousou divulgar a verdade em seu jornal sobre os mesmos medicamentos, com medo de perder o anunciante, me chamou de canalha demagogo porque lhe disse que sua economia política era antiquada e sua biologia, contemporânea de Plínio.

Este senador fora a ferramenta e escravo, o pequeno fantoche de uma máquina indecente e ignorante de um chefão político; assim eram o governador e seu juiz no Tribunal de Justiça; e todos os três tinham passes para viajar de graça na estrada de ferro. Este homem, falando seriamente sobre as belezas do idealismo e a bondade de Deus, acabara de trair seus camaradas numa questão de negócios. Aquele outro, pilar da igreja e grande contribuinte de missões no exterior, obrigava as garotas de suas lojas a trabalhar dez horas por dia por um salário de fome e, portanto, encorajava diretamente a prostituição. Este homem, que dá dinheiro à universidade, comete perjúrio em tribunais por causa de dólares e centavos. E o grande magnata da estrada de ferro quebrou sua palavra de cavalheiro e cristão quando admitiu abatimentos secretos para um de dois capitães de indústria empenhados numa luta de morte.

Era a mesma coisa em todo lugar, crime e traição, traição e crime - homens que estavam vivos não eram honestos nem nobres; homens que eram honestos e nobres não estavam vivos. E havia uma grande massa sem esperanças, nem nobre nem viva, mas simplesmente honesta. Esta não podia errar, positiva ou deliberadamente; mas errava de maneira passiva e ignorante ao concordar com a imoralidade generalizada e com os lucros que ela produz. Se fosse nobre e viva, não seria ignorante, e teria se recusado a dividir os lucros do crime e da traição.

Percebi que não gostava de viver no andar de luxo da sociedade. Intelectualmente era aborrecido. Moralmente e espiritualmente, eu me sentia enojado. Lembrava-me de meus intelectuais e idealistas, meus pregadores sem hábito, professores desempregados e trabalhadores honestos com consciência de classe. Lembrava meus dias e noites de sol e estrelas brilhando, quando a vida era uma maravilha doce e selvagem, um paraíso espiritual de aventuras não-egoístas e um romance ético. E diante de mim, sempre resplandecente e excitante, vislumbrava o Sagrado.

Então, voltei à classe operária, na qual havia nascido e à qual pertencia. Não me preocupava mais em subir. O imponente edifício da sociedade não reserva delícias para mim acima da minha cabeça. São os alicerces do edifício que me interessam. Lá, contente de trabalhar, de ferramenta na mão, ombro a ombro com intelectuais, idealistas e operários com consciência de classe, reunindo uma força sólida agora para fazer mais uma vez o edifício inteiro balançar. Algum dia, quando tivermos mais mãos e alavancas para trabalhar, vamos derrubá-lo, com toda sua vida podre e sua morte insepulta, seu egoísmo monstruoso e seu materialismo estúpido. Então vamos limpar os porões e construir uma nova moradia para a espécie humana, onde não haverá andar de luxo, na qual todos os quartos serão claros e arejados, e onde o ar para respirar será limpo, nobre e vivo.

Esta é a minha perspectiva. Vejo à frente um tempo em que o homem deverá caminhar para alguma coisa mais valiosa e mais elevada que seu estômago, quando haverá maiores estímulos para levar os homens à ação do que o incentivo de hoje, que é o incentivo do estômago. Conservo minha crença na nobreza e na excelência da Humanidade. Acredito que a doçura e o despojamento espiritual vão superar a gula grosseira dos dias de hoje. E, no fim de tudo, minha fé está na classe trabalhadora. Como diz um francês: “A escada do tempo está sempre ecoando com um tamanco subindo e uma bota engraxada descendo”.

Jack London 

sábado, 26 de agosto de 2017

Um novo regime?

Um novo regime?


André Singer, na Folha

As comparações entre 1964 e 2016 devem ser feitas com cuidado. No primeiro caso houve o golpe de Estado clássico do século 20: tomada do poder violento pelas Forças Armadas e supressão das liberdades democráticas. No segundo, usaram-se as próprias regras democráticas. Foi um golpe por dentro, parlamentar, por isso, preservando, até aqui as liberdades básicas de expressão, reunião e organização.

Não obstante grandes diferenças, o sentido geral dos movimentos guarda semelhança. Trata-se de apear do governo e bloquear, tanto quanto possível, a alternativa popular realmente existente no Brasil. Depois, implantar, sem necessidade de consultar as urnas (pois não ganharia), um programa de natureza liberal forte.

As propostas de parlamentarismo e semipresidencialismo, recentemente levadas à consideração do público na forma de balões de ensaio, dão passo adiante no intento golpista. Caso aprovadas, fariam a transição do que foi, por ora, uma mudança de governo para uma mudança de regime, de consequências bem mais duradouras. Tanto o parlamentarismo quanto o semipresidencialismo esvaziariam a eleição presidencial —a começar pela de 2018—, retirando o núcleo de soberania popular existente na democracia brasileira.

A reflexão sobre as vantagens relativas do parlamentarismo e do presidencialismo precisa ser feita à luz não de suas características, por assim dizer, técnicas abstratas, mas da história concreta do país. Convém lembrar que o PT, tal como o PSDB, tinha como bandeira original o parlamentarismo. No entanto, o processo efetivo, entre 1989 e 2014, mostrou que os pleitos presidenciais são os momentos em que, apesar das distorções do dinheiro e do marketing, o eleitorado expressa uma vontade majoritária a respeito dos rumos nacionais.

O lulismo —cuja existência fica mais uma vez comprovada pela caravana de Lula no Nordeste soube se constituir enquanto polo popular do sistema, dando vida às regras da Constituição de 1988, tal como o getulismo o fez depois de 1946. O fato de o lulismo ser de natureza conciliadora —o que explica a aliança com o PMDB e Joaquim Levy na Fazenda— confunde alguns analistas. O lulismo não é propriamente de esquerda, mas é profundamente popular.

Preservar o núcleo democrático representado por eleições livres e competitivas à Presidência da República, nas quais o lulismo tenha plena chance de disputar, vencer e exercer o poder é a tarefa do momento. Alterar o sistema de governo agora completaria o golpe de 2016, adiando sine die a construção democrática brasileira. A essência da democracia é deixar que as maiorias formem-se livremente, aceitando os seus desígnios. É o que está em jogo no momento. 

fonte>  http://www.tijolaco.com.br/blog/

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Como me Tornei Socialista

Pode-se dizer que me tornei um socialista de maneira similar à dos pagãos teutônicos ao cristianismo – à força. Não apenas eu não procurava o socialismo na época da minha conversão, mas lutava contra ele. Eu era demasiado jovem e inexperiente, não sabia nada de coisa alguma e, apesar de nunca ter ouvido falar de uma escola de pensamento chamada “individualismo”, cantava o hino dos fortes com todo o meu coração.
Isso porque eu próprio era forte. Por forte quero dizer que tinha boa saúde e músculos rijos, ambas características que podem ser facilmente explicadas. Vivi minha infância nos ranchos da Califórnia, vendendo jornais nas ruas de uma próspera cidade do Oeste e passei minha juventude nas águas saturadas de ozônio da Baía de San Francisco e do Oceano Pacífico. Amava a vida a céu aberto, desempenhando as tarefas mais difíceis. Sem aprender nenhum ofício, mas pulando de emprego em emprego, observava o mundo e gostava dele em todos os sentidos. Deixe-me repetir: esse otimismo existia por que eu era forte e saudável, nunca experimentando dores nem debilidades, nunca sendo recusado por um patrão por não aparentar estar em boas condições físicas, sempre capaz de obter trabalho nas minas de carvão, como marinheiro ou como trabalhador braçal de qualquer espécie.
Por tudo isso, exultante em minha juventude, capaz de me defender bem, tanto no trabalho como nas brigas, eu era um feroz individualista. E isso era muito natural. Eu era um vencedor. Por conseguinte, considerava o jogo, da forma como era jogado, muito apropriado para HOMENS. Ser HOMEM significava escrever em letras maiúsculas no meu coração. Arriscar-me como homem, lutar como homem, fazer o trabalho de homem (mesmo que com o salário de menino) – essas eram coisas que me tocavam profundamente e ficavam gravadas em mim como nenhuma outra. E eu olhava adiante as amplas paisagens de um futuro nebuloso e interminável, em direção ao qual – jogando o que eu considerava um jogo de homens –, continuaria a viajar com uma saúde inquebrantável sem acidentes, e com os músculos sempre vigorosos. Como digo, esse futuro era interminável. Podia ver-me apenas avançando pela vida sem fim como uma das feras louras de Nietszche, perambulando lascivamente e triunfando pela simples superioridade e força.
Quanto aos desafortunados, aos doentes, aos que sofrem, aos velhos e aos aleijados, devo confessar que raramente pensava neles, a não ser que vagamente achasse que estes, salvo acidentes, poderiam ser tão bons quanto eu e trabalhar igualmente tão bem, se realmente o desejassem. Acidentes? Bem, eles representavam o DESTINO, também soletrado com letras maiúsculas, e não havia modo de se esquivar do DESTINO. Napoleão sofreu um acidente em Waterloo, mas isso não tirou meu desejo de ser outro Napoleão. Além disso, o otimismo, vindo de um estômago que podia digerir pedaços de ferro moído e de um corpo que florescera de uma vida dura, não me permitia considerar que acidentes tivessem qualquer relação, mesmo que remota, com minha personalidade gloriosa. Espero ter deixado claro que eu tinha orgulho de ser um daqueles seres eleitos da Natureza. A dignidade do trabalho era para mim a coisa mais impressionante do mundo. Sem ter lido Carlyle ou Kipling, formulei um evangelho do trabalho que varriam os deles “no chinelo”. O trabalho era duro. Era a santificação ou a salvação. O orgulho que sentia depois de um dia de trabalho árduo e bem feito seria algo incompreensível para os demais. Ë quase inconcebível para mim quando penso nisso agora. Nunca um capitalista explorou um escravo do salário tão fiel quanto eu. Embromar ou ludibriar o homem que me pagava o salário era um pecado, primeiro contra mim mesmo, e depois contra ele. Para mim era um crime que vinha logo atrás da traição, mas tão ruim quanto.
Resumindo, meu individualismo entusiasta era dominado pela ética ortodoxa burguesa. Eu lia os jornais burgueses, ouvia os pregadores burgueses e repetia plenitudes sonoras dos políticos burgueses. E não duvido que – se outros eventos não tivessem mudado minha trajetória -, viesse a me transformar num fura-greves profissional (um dos heróis do reitor Eliot), e tivesse minha cabeça e minha capacidade de trabalho irremediavelmente esmagadas por um porrete nas mãos de algum sindicalista militante.
Por essa época, voltando de uma viagem que durara sete meses, e logo após ter completado dezoito anos de idade, pus na cabeça a ideia de que iria vagabundar. Em vagões de passageiros ou compartimentos de carga, desbravei meu caminho pela vasta região Oeste, onde os homens trabalhavam duro e os empregos procuravam as pessoas, até os congestionados centros operários da região Leste, onde os homens tinham pouco valor e davam tudo que tinham para conseguir trabalho. E nesta nova aventura de fera loura, comecei a ver a vida de um ângulo novo e totalmente diferente. Eu havia descido da condição de proletário para o que os sociólogos chamam de “porção submersa”, e comecei a descobrir a maneira como aquela porção submersa era recrutada.
Lá encontrei todo tipo de homens, muitos dos quais haviam sido algum dia tão bons e tão feras louras quanto eu: marinheiros, soldados, operários, todos estropiados, comidos e desfigurados pelo trabalho, pelas agruras e pelos acidentes e dispensados por seus patrões como cavalos velhos. Com eles mendiguei nas ruas, pedi comida nas portas dos fundos das casas e senti frio em vagões de trens e parques da cidade, ouvindo as histórias de vidas, que começavam sob auspícios tão favoráveis como os meus, com estômagos e corpos iguais ou melhores do que os meus, e que terminavam ali, diante de meus olhos, arruinados, no fundo do Abismo Social.
E enquanto eu ouvia, meu cérebro começava a funcionar. A mulher das ruas e o homem da sarjeta se tornaram muito próximos de mim. Vi a imagem do Abismo Social vividamente, como se fosse algo concreto. Eu os observava lá no fundo do abismo, um pouco acima deles, agarrando-me às paredes escorregadias com todo o suor e a força de minhas unhas. E confesso que um medo terrível se apoderou de mim. E se acabasse minha força? E quando me tornasse incapaz de trabalhar lado a lado com os homens fortes que ainda estavam por nascer? Aí, então, fiz um juramento. Era algo mais ou menos assim: Todos os dias tenho trabalhado até a exaustão com meu corpo e apesar do número de dias que trabalhei, cheguei bem próximo do fundo do Abismo. Deverei sair dele, mas não com os músculos do meu corpo. Não vou nunca mais trabalhar como trabalhei e que Deus me fulmine se um dia eu der de mim mais do que o meu corpo pode dar. E desde então tenho me dedicado a fugir do trabalho duro.
A propósito, enquanto vagabundava por umas 10.000 milhas pelos Estados Unidos e Canadá, entrei na cidade de Niágara Falis, fui pego por um policial à caça de multas, tive negado o direito de me declarar culpado ou inocente, fui imediatamente sentenciado a trinta dias de prisão por não ter residência fixa ou meio aparente de subsistência, algemado e acorrentado a um grupo em situação similar, despachado para Buffalo e registrado na penitenciária do condado de Erie; meu cabelo e meu incipiente bigodinho foram raspados, fui vestido com o uniforme de prisioneiro, vacinado compulsoriamente por um estudante de medicina que praticava em pessoas como nós, obrigado a marchar em fila e a trabalhar sob a vigilância de guardas armados com rifles Winchester – tudo isso por ter me lançado em aventuras ao estilo das feras louras. Para mais detalhes, esta testemunha declara-se muda, embora se possa desconfiar que seu exultante patriotismo tenha se evaporado um pouco e vazado por alguma fresta no fundo de sua alma – pelo menos, desde que passou por essa experiência, já se deu conta de que se interessa muito mais por homens, mulheres e criancinhas do que por linhas geográficas imaginárias.
Voltando a minha conversão. Acho que aparentemente meu individualismo feroz foi efetivamente extraído de mim e foi-me inculcada outra coisa, de forma igualmente eficaz. Mas, assim como eu havia sido um individualista sem saber, era agora um socialista sem saber, ou seja, um socialista não científico. Eu havia renascido, mas não havia sido rebatizado, e andava à toa por aí, tentando descobrir o que de fato era. Voltei para a Califórnia e abri os livros. Não me recordo quais abri primeiro. Este é um detalhe sem importância, de qualquer forma. Eu já era isso, seja lá o que isso fosse, e com a ajuda dos livros descobri que isso era ser socialista. Desde aquele dia abri muitos livros, mas nenhum argumento econômico  nenhuma demonstração lúcida da lógica e da inevitabilidade do socialismo me afeta tão profundamente e tão convincentemente como o dia em que vi pela primeira vez os muros do Abismo Social se erguerem à minha volta e me senti escorregando, escorregando, para as ruínas que se amontoavam lá no fundo.


Jack London, 1903.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Dois Poemas de Pablo Neruda





O Vento na Ilha

O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.

Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama galopando
para me levar para longe.

Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite

descansarei, amor meu.

Pablo Neruda

Tuas Mãos

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.

Pablo Neruda

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

OS POBRES



Para Luis Inácio Lula da Silva

Estamos em todos os becos, vielas, cortiços, palafitas
Como estamos em torres, naves, subterrâneos, trilhas
Ou em bancos, tribunais, igrejas, palácios, aeroportos
Como estávamos desde muito antes de antigamente em pirâmides
E ainda um dia certamente estaremos nas salinas radioativas de Marte
Somos sempre a maioria absoluta
No teatro de operações ocupamos imenso espaço referencial, somos
OS POBRES !

Somos a chamada grande massa populacional
Negros, quase brancos, mestiços, mamelucos, brasilíndios, afrogente
E sonhamos, construímos, somamos, geramos
Em campos, cidades, favelas, exércitos, núcleos sociais
Somos a humanagente
Somos OS POBRES !

Já não somos tão gado marcado
Ultrapassamos as barreiras do redil inumano
Fugimos do curral das vis aparências hostis
No Brasil, agora, pobres viajam, têm carro, celular, casa; passeiam de avião...
Assustam os insensíveis que têm desconhecimento histórico de riquezas injustas
Somos a maioria absoluta da população
Brasileirinhos e brasileiríssimos
Estivemos por centena de anos no bico do corvo como o joio social
Mas sobrevivemos
Nós somos OS POBRES !

Podemos fazer faculdades, erguer nossa casa, usufruir tecnologias
Não precisamos mais vender as nossas férias para não passar fome
Não precisamos mais verter o nosso sangue para ter o que comer
Nem mendigar um prato de comida, um pedaço de pão
Nossos filhos, nossos amores; perante a historia - que é remorso
Sabem que tudo foi revisitado – com um operário padrão
Que se construiu presidente e elegeu como Seres Humanos, cidadãos
OS POBRES!

Estamos na escala da inclusão social
Milhões saíram da amargura da miséria absoluta
Temos três refeições por dia
Finalmente alguém pensou em nós - os excluídos, os descamisados, os Sem Teto, Sem Terra, Sem Amor pátrio
Temos muito amor para dar
E não vamos dar a nossa cota de dor aos que nos vitimaram, nos marcaram: eles não suportariam...
Nem daremos nossa taxa de trevas no historial de nosso sangue lavrado
Somos o Brasil também agora
A cara, a cor, a coragem, a música, o futebol, o significante e o significado; o sujeito do próprio processo:
SOMOS O POVO !

Um homem público que veio do povo para o povo
Finalmente, depois de mais de 500 anos
Nos proveu, nos pensou, reparou em nós e nos estendeu a mão pública
Abriu as portas do palácio para o povo
Para os órfãos das ruas de amargura
Que país era esse, que era só rico para os ricos
E não era rico também para o restante carente da população sempre expropriada?
Agora é um país de todos para todos
O POVO
Do qual todo poder emana e em seu nome deve ser exercido.

Sobrevivemos. As mãos lanhadas. Os olhos tristes. A fome, a fome!
Sobrevivemos, Pátria Mãe
Comemos o pão que o diabo amassou.
Índios mortos: milhões
Negros escravos e mortos: milhões
Operários como ovelhas tosquiadas pela máquina insana do lucro a qualquer preço, a qualquer custo
Sobrevivemos para contar a história e somos também agora sujeitos da história
A nossa presença foi reconhecida
Somos os POBRES
Somos o POVO !

O Brasil já não está mais deitado em berço esplêndido
Nós nos levantamos, coragem irmãos, coragem
Subimos nos ombros de um gigante metalúrgico para enxergar mais longe
Cá estamos, irmãos, cá estamos em lágrimas
E finalmente reconhecidos na identidade sagracial de uma nação emergente
Em terra que emana leite, pão e mel

Ainda há muito o que fazer, conquistar, buscar democracia social
Tardou a justiça que finalmente começou e viça
O metalúrgico operário aleijado pela máquina nos resgatou
Governou para todos
Governou para o povo
Somos pobres mais temos deveres – e direitos.
A esperança venceu o medo, a mentira, a hipocrisia, a opressão social histórica

A pátria amada ouve o brado retumbante
O povo tomou a direção da barca
Os pobres em ascensão social
Somos a maioria e somos reconhecidos, temos alma e coração
Os braços fortes, a braveza como voto de luz
Não somos mais peças de reposição para riquezas injustas, lucros impunes, propriedades roubos (como em Samparaguai do neoliberalismo-câncer, do neoescravismo da terceirização e das privatizações-roubos)
Sofridos mas vitoriosos, deixaremos um país melhores para os nossos descendentes
A Nação Brasil agora tem um Povo para chamar de seu
Salve Limpo Pendão da Esperança – Salve limpo perdão da esperança...
Pátria Amada
BRASIL! 



Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, SP, Brasil

Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos, Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.portas-lapsos.zip.net
Poema da Série: “Verás Que Um Filho Teu Não Foge à Luta”
Autor do livro GOTO, O Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, Romance, editora www.clubedeautores.com.br

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Deputados que votaram contra e a favor da corrupção em 02-08-17


Abaixo, confira os nomes dos 263 deputados que votaram ‘sim’ a favor do relatório que arquiva a denúncia contra Michel Temer. Em seguida, os parlamentares que pediram a abertura das investigações

OS 263 DEPUTADOS QUE SALVARAM MICHEL TEMER:

Marx Beltrão - PMDB AL
Cícero Almeida - PMDB AL
Fabio Reis - PMDB SE
Andre Moura - PSC SE
Ricardo Teobaldo - Podemos PE
Mendonça Filho - DEM PE
Luciano Bivar - PSL PE
Jorge Côrte Real - PTB PE
Fernando Monteiro - PP PE
Eduardo da Fonte - PP PE
Hugo Motta - PMDB PB
Danilo Forte - PSB CE
Pr. Marco Feliciano - PSC SP
Nelson Marquezelli - PTB SP
João Campos - PRB GO
Bonifácio de Andrada - PSDB MG
Hermes Parcianello - PMDB PR
Hélio Leite - DEM PA
Elcione Barbalho - PMDB PA
Beto Salame - PP PA
Osmar Terra - PMDB RS
Darcísio Perondi - PMDB RS
Abel Mesquita Jr.- DEM RR
Edio Lopes - PR RR
Hiran Gonçalves - PP RR
Jhonatan de Jesus - PRB RR
Maria Helena -  PSB RR
Remídio Monai - PR RR
Alceu Moreira - PMDB RS
Cajar Nardes - PR RS
Covatti Filho - PP RS
José Fogaça - PMDB RS
José Otávio Germano - PP RS
Mauro Pereira - PMDB RS
Renato Molling - PP RS
Ronaldo Nogueira - PTB RS
Sérgio Moraes - PTB RS
Yeda Crusius - PSDB RS
Celso Maldaner - PMDB SC
Cesar Souza - PSD SC
João Paulo Kleinübing - PSD SC
João Rodrigues - PSD SC
Marco Tebaldi -  PSDB SC
Mauro Mariani PMDB SC
Rogério Peninha Mendonça - PMDB SC
Ronaldo Benedet - PMDB SC
Valdir Colatto - PMDB SC
André Abdon - PP AP
Cabuçu Borges - PMDB AP
Jozi Araújo - Podemos AP
Vinicius Gurgel - PR AP
Delegado Éder Mauro PSD PA
Francisco Chapadinha - Podemos PA
José Priante - PMDB PA
Josué Bengtson - PTB PA
Júlia Marinho - PSC PA
Lúcio Vale - PR PA
Nilson Pinto - PSDB PA
Simone Morgado - PMDB PA
Wladimir Costa - SD PA
Alex Canziani - PTB PR
Alfredo Kaefer - PSL PR
Dilceu Sperafico - PP PR
Edmar Arruda - PSD PR
Evandro Roman - PSD PR
Giacobo - PR PR
João Arruda - PMDB PR
Luiz Carlos Hauly - PSDB PR
Luiz Nishimori - PR PR
Nelson Meurer - PP PR
Nelson Padovani - PSDB PR
Sergio Souza - PMDB PR
Takayama - PSC PR
Toninho Wandscheer - Pros PR
Carlos Marun - PMDB MS
Elizeu Dionizio - PSDB MS
Geraldo Resende - PSDB MS
Tereza Cristina - PSB MS
Alfredo Nascimento - PR AM
Arthur Virgílio Bisneto - PSDB AM
Átila Lins - PSD AM
Pauderney Avelino - DEM AM
Sabino Castelo Branco PTB AM
Silas Câmara - PRB AM
Lindomar Garçon - PRB RO
Lucio Mosquini - PMDB RO
Luiz Cláudio - PR RO
Marinha Raupp - PMDB RO
Nilton Capixaba - PTB RO
Alexandre Baldy - Podemos GO
Célio Silveira - PSDB GO
Daniel Vilela - PMDB GO
Giuseppe Vecci - PSDB GO
Heuler Cruvinel - PSD GO
Jovair Arantes - PTB GO
Lucas Vergilio - SD GO
Magda Mofatto - PR GO
Pedro Chaves - PMDB GO
Roberto Balestra - PP GO
Thiago Peixoto - PSD GO
Alberto Fraga - DEM DF
Izalci Lucas - PSDB DF
Laerte Bessa - PR DF
Rogério Rosso - PSD DF
Ronaldo Fonseca - Pros DF
Flaviano Melo - PMDB AC
Jéssica Sales - PMDB AC
Carlos Henrique Gaguim - Podemos TO
Dulce Miranda - PMDB TO
Josi Nunes - PMDB TO
Lázaro Botelho - PP TO
Prof. Dorinha Rezende - DEM TO
Adilton Sachetti - PSB MT
Carlos Bezerra - PMDB MT
Ezequiel Fonseca - PP MT
Fabio Garcia - PSB MT
Nilson Leitão -  PSDB MT
Professor Victório Galli - PSC MT
Rogério Silva - Pros MT
Antonio Bulhões - PRB SP
Baleia Rossi PMDB SP
Beto Mansur - PRB SP
Bruna Furlan - PSDB SP
Celso Russomanno - PRB SP
Dr. Sinval Malheiros - Podemos SP
Eli Corrêa Filho - DEM SP
Evandro Gussi-  PV SP
Fausto Pinato - PP SP
Goulart - PSD SP
Guilherme Mussi - PP SP
Herculano Passos - PSD SP
Jorge Tadeu Mudalen - DEM SP
Marcelo Aguiar - DEM SP
Marcelo Squassoni - PRB SP
Marcio Alvino - PR SP
Miguel Lombardi - PR SP
Milton Monti - PR SP
Missionário José Olimpio - DEM SP
Paulo Freire - PR SP
Paulo Maluf - PP SP
Paulo Pereira Da Silva - SD SP
Ricardo Izar - PP SP
Roberto Alves - PRB SP
Roberto de Lucena - PV SP
Vinicius Carvalho - PRB SP
Walter Ihoshi - PSD SP
Aluisio Mendes - Podemos MA
André Fufuca - PP MA
Cleber Verde - PRB MA
Hildo Rocha - PMDB MA
João Marcelo Souza - PMDB MA
José Reinaldo - PSB MA
Junior Marreca - PEN MA
Juscelino Filho - DEM MA
Pedro Fernandes - PTB MA
Sarney Filho - PV MA
Victor Mendes - PSD MA
Aníbal Gomes - PMDB CE
Domingos Neto - PSD CE
Genecias Noronha - SD CE
Gorete Pereira - PR CE
Macedo - PP CE
Moses Rodrigues - PMDB CE
Paulo Henrique Lustosa - PP CE
Vaidon Oliveira - DEM CE
Alexandre Valle - PR RJ
Altineu Côrtes - PMDB RJ
Aureo - SD RJ
Celso Jacob - PMDB RJ
Cristiane Brasil - PTB RJ
Ezequiel Teixeira - Podemos RJ
Francisco Floriano - DEM RJ
Julio Lopes - PP RJ
Leonardo Picciani - PMDB RJ
Marcelo Delaroli - PR RJ
Marco Antônio Cabral - PMDB RJ
Marcos Soares - DEM RJ
Paulo Feijó - PR RJ
Pedro Paulo - PMDB RJ
Roberto Sales - PRB RJ
Rosangela Gomes - PRB RJ
Simão Sessim - PP RJ
Soraya Santos - PMDB RJ
Walney Rocha - PEN RJ
Zé Augusto Nalin - PMDB RJ
Lelo Coimbra - PMDB ES
Marcus Vicente - PP ES
Átila Lira - PSB PI
Heráclito Fortes - PSB PI
Iracema Portella - PP PI
Júlio Cesar - PSD PI
Maia Filho - PP PI
Paes Landim - PTB PI
Beto Rosado - PP RN
Fábio Faria - PSD RN
Felipe Maia - DEM RN
Rogério Marinho - PSDB RN
Walter Alves - PMDB RN
Ademir Camilo - Podemos MG
Aelton Freitas - PR MG
Bilac Pinto - PR MG
Brunny - PR MG
Caio Narcio - PSDB MG
Carlos Melles - DEM MG
Dâmina Pereira - PSL MG
Delegado Edson Moreira - PR MG
Diego Andrade - PSD MG
Dimas Fabiano - PP MG
Domingos Sávio - PSDB MG
Fábio Ramalho - PMDB MG
Franklin - PP MG
Jaime Martins - PSD MG
Leonardo Quintão - PMDB MG
Luis Tibé - PTdoB MG
Luiz Fernando Faria - PP MG
Marcelo Aro - PHS MG
Marcos Montes - PSD MG
Marcus Pestana - PSDB MG
Mauro Lopes - PMDB MG
Misael Varella - DEM MG
Newton Cardoso Jr - PMDB MG
Paulo Abi-Ackel - PSDB MG
Raquel Muniz - PSD MG
Renato Andrade - PP MG
Renzo Braz - PP MG
Rodrigo de Castro - PSDB MG
Saraiva Felipe - PMDB MG
Tenente Lúcio - PSB MG
Toninho Pinheiro - PP MG
Zé Silva - SD MG
Antonio Imbassahy - PSDB BA
Arthur Oliveira Maia - PPS BA
Benito Gama - PTB BA
Cacá Leão - PP BA
Claudio Cajado - DEM BA
Elmar Nascimento - DEM BA
Erivelton Santana - PEN BA
João Carlos Bacelar - PR BA
José Carlos Aleluia - DEM BA
José Carlos Araújo - PR BA
José Rocha - PR BA
Lucio Vieira Lima - PMDB BA
Márcio Marinho - PRB BA
Mário Negromonte Jr. - PP BA
Pastor Luciano Braga - PRB BA
Paulo Azi - DEM BA
Roberto Britto - PP BA
Aguinaldo Ribeiro - PP PB
André Amaral - PMDB PB
Benjamin Maranhão - SD PB
Efraim Filho - DEM PB
Roberto Góes - PDT AP
Osmar Bertoldi - DEM PR
Rômulo Gouveia - PSD PB
Adalberto Cavalcanti - PTB PE
Augusto Coutinho - SD PE
Bruno Araújo - PSDB PE
Fernando Filho - PSB PE
Marinaldo Rosendo PSB PE
Sebastião Oliveira - PR PE
Zeca Cavalcanti - PTB PE
Arthur Lira - PP AL
Maurício Quintella Lessa - PR AL


OS 227 DEPUTADOS QUE PEDIRAM A ABERTURA DAS INVESTIGAÇÕES:




Paulão PT AL
JHC PSB AL
Laercio Oliveira SD SE
João Daniel PT SE
Fábio Mitidieri PSD SE
Adelson Barreto PR SE
Tadeu Alencar PSB PE
Pastor Eurico PHS PE
Luciana Santos PCdoB PE
Gonzaga Patriota PSB PE
Danilo Cabral PSB PE
Wellington Roberto PR PB
Damião Feliciano PDT PB
Waldenor Pereira PT BA
Valmir Assunção PT BA
Uldurico Junior PV BA
Sérgio Brito PSD BA
Paulo Magalhães PSD BA
Nelson Pellegrino PT BA
Jutahy Junior PSDB BA
Josias Gomes PT BA
José Nunes PSD BA
Jorge Solla PT BA
João Gualberto PSDB BA
Irmão Lazaro PSC BA
Fernando Torres PSD BA
Félix Mendonça Júnior PDT BA
Daniel Almeida PCdoB BA
Caetano PT BA
Bebeto PSB BA
Bacelar Podemos BA
Antonio Brito PSD BA
Alice Portugal PCdoB BA
Afonso Florence PT BA
Weliton Prado PMB MG
Subtenente Gonzaga PDT MG
Stefano Aguiar PSD MG
Reginaldo Lopes PT MG
Patrus Ananias PT MG
Padre João PT MG
Margarida Salomão PT MG
Marcelo Álvaro Antônio PR MG
Luzia Ferreira PPS MG
Lincoln Portela PRB MG
Leonardo Monteiro PT MG
Laudivio Carvalho SD MG
Júlio Delgado PSB MG
Jô Moraes PCdoB MG
George Hilton PSB MG
Gabriel Guimarães PT MG
Eros Biondini Pros MG
Adelmo Carneiro Leão PT MG
Zenaide Maia PR RN
Rafael Motta PSB RN
Antônio Jácome Podemos RN
Silas Freire Podemos PI
Rodrigo Martins PSB PI
Assis Carvalho PT PI
Sergio Vidigal PDT ES
Paulo Foletto PSB ES
Norma Ayub DEM ES
Helder Salomão PT ES
Givaldo Vieira PT ES
Evair Vieira de Melo PV ES
Dr. Jorge Silva PHS ES
Carlos Manato SD ES
Wadih Damous PT RJ
Sóstenes Cavalcante DEM RJ
Sergio Zveiter PMDB RJ
Otavio Leite PSDB RJ
Miro Teixeira Rede RJ
Marcelo Matos PHS RJ
Luiz Sérgio PT RJ
Luiz Carlos Ramos Podemos RJ
Laura Carneiro PMDB RJ
Jean Wyllys PSOL RJ
Jandira Feghali PCdoB RJ
Jair Bolsonaro PSC RJ
Hugo Leal PSB RJ
Glauber Braga PSOL RJ
Felipe Bornier Pros RJ
Deley PTB RJ
Chico D’Ângelo PT RJ
Chico Alencar PSOL RJ
Celso Pansera PMDB RJ
Cabo Daciolo PTdoB RJ
Benedita Da Silva PT RJ
Arolde de Oliveira PSC RJ
Alessandro Molon Rede RJ
Vitor Valim PMDB CE
Ronaldo Martins PRB CE
Odorico Monteiro PSB CE
Luizianne Lins PT CE
Leônidas Cristino PDT CE
José Guimarães PT CE
José Airton Cirilo PT CE
Chico Lopes PCdoB CE
Cabo Sabino PR CE
Ariosto Holanda PDT CE
André Figueiredo PDT CE
Zé Carlos PT MA
Weverton Rocha PDT MA
Waldir Maranhão PP MA
Rubens Pereira Júnior PCdoB MA
Luana Costa PSB MA
Eliziane Gama PPS MA
Deoclides Macedo PDT MA
Vitor Lippi PSDB SP
Vicentinho PT SP
Vicente Candido PT SP
Vanderlei Macris PSDB SP
Valmir Prascidelli PT SP
Tiririca PR SP
Silvio Torres PSDB SP
Sérgio Reis PRB SP
Roberto Freire PPS SP
Ricardo Tripoli PSDB SP
Renata Abreu Podemos SP
Pollyana Gama PPS SP
Paulo Teixeira PT SP
Miguel Haddad PSDB SP
Major Olimpio SD SP
Luiza Erundina PSOL SP
Luiz Lauro Filho PSB SP
Lobbe Neto PSDB SP
Keiko Ota PSB SP
José Mentor PT SP
João Paulo Papa PSDB SP
Jefferson Campos PSD SP
Izaque Silva PSDB SP
Ivan Valente PSOL SP
Flavinho PSB SP
Eduardo Cury PSDB SP
Eduardo Bolsonaro PSC SP
Carlos Zarattini PT SP
Carlos Sampaio PSDB SP
Capitão Augusto PR SP
Arnaldo Faria De Sá PTB SP
Arlindo Chinaglia PT SP
Andres Sanchez PT SP
Ana Perugini PT SP
Alex Manente PPS SP
Ságuas Moraes PT MT
Irajá Abreu PSD TO
César Halum PRB TO
Rocha PSDB AC
Leo de Brito PT AC
César Messias PSB AC
Angelim PT AC
Alan Rick PRB AC
Erika Kokay PT DF
Augusto Carvalho SD DF
Rubens Otoni PT GO
Marcos Abrão PPS GO
Flávia Morais PDT GO
Fábio Sousa PSDB GO
Mariana Carvalho PSDB RO
Marcos Rogério DEM RO
Expedito Netto PSD RO
Hissa Abrahão PDT AM
Conceição Sampaio PP AM
Zeca Do Pt PT MS
Vander Loubet PT MS
Mandetta DEM MS
Dagoberto Nogueira PDT MS
Zeca Dirceu PT PR
Sandro Alex PSD PR
Rubens Bueno PPS PR
Leopoldo Meyer PSB PR
Leandre PV PR
Enio Verri PT PR
Assis Do Couto PDT PR
Aliel Machado Rede PR
Zé Geraldo PT PA
Beto Faro PT PA
Janete Capiberibe PSB AP
Pedro Uczai PT SC
Jorginho Mello PR SC
Jorge Boeira PP SC
Geovania de Sá PSDB SC
Esperidião Amin PP SC
Décio Lima PT SC
Carmen Zanotto PPS SC
Pompeo de Mattos PDT RS
Pepe Vargas PT RS
Paulo Pimenta PT RS
Onyx Lorenzoni DEM RS
Maria Do Rosário PT RS
Marcon PT RS
Marco Maia PT RS
Luis Carlos Heinze PP RS
Jose Stédile PSB RS
Jerônimo Goergen PP RS
Carlos Gomes PRB RS
Bohn Gass PT RS
Afonso Motta PDT RS
Afonso Hamm PP RS
Carlos Andrade PHS RR
Antonio Carlos Mendes Thame PV SP
Danrlei de Deus Hinterholz PSD RS
Heitor Schuch PSB RS
Henrique Fontana PT RS
João Derly Rede RS
Mara Gabrilli PSDB SP
Professora Marcivania PCdoB AP
Arnaldo Jordy PPS PA
Edmilson Rodrigues PSOL PA
Joaquim Passarinho PSD PA
Christiane De Souza Yared PR PR
Delegado Francischini SD PR
Diego Garcia PHS PR
Moisés Diniz PCdoB AC
Nilto Tatto PT SP
Orlando Silva PCdoB SP
Luiz Couto PT PB
Pedro Cunha Lima PSDB PB
Veneziano Vital do Rêgo PMDB PB
André de Paula PSD PE
Betinho Gomes PSDB PE
Daniel Coelho PSDB PE
Jarbas Vasconcelos PMDB PE
Silvio Costa PTdoB PE
Wolney Queiroz PDT PE
Jony Marcos PRB SE
Valadares Filho PSB SE
Givaldo Carimbão PHS AL
Ronaldo Lessa PDT AL

ABSTENÇÕES:

Alexandre Leite DEM SP
Rodrigo Pacheco PMDB MG

AUSENTES:

Pedro Vilela PSDB AL
João Fernando Coutinho PSB PE
Wilson Filho PTB PB
Giovani Cherini PR RS
Shéridan PSDB RR
Marcos Reategui PSD AP
Luciano Ducci PSB PR
Osmar Serraglio PMDB PR
Reinhold Stephanes PSD PR
Delegado Waldir PR GO
Rôney Nemer PP DF
Vicentinho Júnior PR TO
Gilberto Nascimento PSC SP
Raimundo Gomes De Matos PSDB CE
Alexandre Serfiotis PMDB RJ
Dejorge Patrício PRB RJ
Marcelo Castro PMDB PI
Eduardo Barbosa PSDB MG
Ronaldo Carletto PP ES