sábado, 26 de agosto de 2017

Um novo regime?

Um novo regime?


André Singer, na Folha

As comparações entre 1964 e 2016 devem ser feitas com cuidado. No primeiro caso houve o golpe de Estado clássico do século 20: tomada do poder violento pelas Forças Armadas e supressão das liberdades democráticas. No segundo, usaram-se as próprias regras democráticas. Foi um golpe por dentro, parlamentar, por isso, preservando, até aqui as liberdades básicas de expressão, reunião e organização.

Não obstante grandes diferenças, o sentido geral dos movimentos guarda semelhança. Trata-se de apear do governo e bloquear, tanto quanto possível, a alternativa popular realmente existente no Brasil. Depois, implantar, sem necessidade de consultar as urnas (pois não ganharia), um programa de natureza liberal forte.

As propostas de parlamentarismo e semipresidencialismo, recentemente levadas à consideração do público na forma de balões de ensaio, dão passo adiante no intento golpista. Caso aprovadas, fariam a transição do que foi, por ora, uma mudança de governo para uma mudança de regime, de consequências bem mais duradouras. Tanto o parlamentarismo quanto o semipresidencialismo esvaziariam a eleição presidencial —a começar pela de 2018—, retirando o núcleo de soberania popular existente na democracia brasileira.

A reflexão sobre as vantagens relativas do parlamentarismo e do presidencialismo precisa ser feita à luz não de suas características, por assim dizer, técnicas abstratas, mas da história concreta do país. Convém lembrar que o PT, tal como o PSDB, tinha como bandeira original o parlamentarismo. No entanto, o processo efetivo, entre 1989 e 2014, mostrou que os pleitos presidenciais são os momentos em que, apesar das distorções do dinheiro e do marketing, o eleitorado expressa uma vontade majoritária a respeito dos rumos nacionais.

O lulismo —cuja existência fica mais uma vez comprovada pela caravana de Lula no Nordeste soube se constituir enquanto polo popular do sistema, dando vida às regras da Constituição de 1988, tal como o getulismo o fez depois de 1946. O fato de o lulismo ser de natureza conciliadora —o que explica a aliança com o PMDB e Joaquim Levy na Fazenda— confunde alguns analistas. O lulismo não é propriamente de esquerda, mas é profundamente popular.

Preservar o núcleo democrático representado por eleições livres e competitivas à Presidência da República, nas quais o lulismo tenha plena chance de disputar, vencer e exercer o poder é a tarefa do momento. Alterar o sistema de governo agora completaria o golpe de 2016, adiando sine die a construção democrática brasileira. A essência da democracia é deixar que as maiorias formem-se livremente, aceitando os seus desígnios. É o que está em jogo no momento. 

fonte>  http://www.tijolaco.com.br/blog/

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Como me Tornei Socialista

Pode-se dizer que me tornei um socialista de maneira similar à dos pagãos teutônicos ao cristianismo – à força. Não apenas eu não procurava o socialismo na época da minha conversão, mas lutava contra ele. Eu era demasiado jovem e inexperiente, não sabia nada de coisa alguma e, apesar de nunca ter ouvido falar de uma escola de pensamento chamada “individualismo”, cantava o hino dos fortes com todo o meu coração.
Isso porque eu próprio era forte. Por forte quero dizer que tinha boa saúde e músculos rijos, ambas características que podem ser facilmente explicadas. Vivi minha infância nos ranchos da Califórnia, vendendo jornais nas ruas de uma próspera cidade do Oeste e passei minha juventude nas águas saturadas de ozônio da Baía de San Francisco e do Oceano Pacífico. Amava a vida a céu aberto, desempenhando as tarefas mais difíceis. Sem aprender nenhum ofício, mas pulando de emprego em emprego, observava o mundo e gostava dele em todos os sentidos. Deixe-me repetir: esse otimismo existia por que eu era forte e saudável, nunca experimentando dores nem debilidades, nunca sendo recusado por um patrão por não aparentar estar em boas condições físicas, sempre capaz de obter trabalho nas minas de carvão, como marinheiro ou como trabalhador braçal de qualquer espécie.
Por tudo isso, exultante em minha juventude, capaz de me defender bem, tanto no trabalho como nas brigas, eu era um feroz individualista. E isso era muito natural. Eu era um vencedor. Por conseguinte, considerava o jogo, da forma como era jogado, muito apropriado para HOMENS. Ser HOMEM significava escrever em letras maiúsculas no meu coração. Arriscar-me como homem, lutar como homem, fazer o trabalho de homem (mesmo que com o salário de menino) – essas eram coisas que me tocavam profundamente e ficavam gravadas em mim como nenhuma outra. E eu olhava adiante as amplas paisagens de um futuro nebuloso e interminável, em direção ao qual – jogando o que eu considerava um jogo de homens –, continuaria a viajar com uma saúde inquebrantável sem acidentes, e com os músculos sempre vigorosos. Como digo, esse futuro era interminável. Podia ver-me apenas avançando pela vida sem fim como uma das feras louras de Nietszche, perambulando lascivamente e triunfando pela simples superioridade e força.
Quanto aos desafortunados, aos doentes, aos que sofrem, aos velhos e aos aleijados, devo confessar que raramente pensava neles, a não ser que vagamente achasse que estes, salvo acidentes, poderiam ser tão bons quanto eu e trabalhar igualmente tão bem, se realmente o desejassem. Acidentes? Bem, eles representavam o DESTINO, também soletrado com letras maiúsculas, e não havia modo de se esquivar do DESTINO. Napoleão sofreu um acidente em Waterloo, mas isso não tirou meu desejo de ser outro Napoleão. Além disso, o otimismo, vindo de um estômago que podia digerir pedaços de ferro moído e de um corpo que florescera de uma vida dura, não me permitia considerar que acidentes tivessem qualquer relação, mesmo que remota, com minha personalidade gloriosa. Espero ter deixado claro que eu tinha orgulho de ser um daqueles seres eleitos da Natureza. A dignidade do trabalho era para mim a coisa mais impressionante do mundo. Sem ter lido Carlyle ou Kipling, formulei um evangelho do trabalho que varriam os deles “no chinelo”. O trabalho era duro. Era a santificação ou a salvação. O orgulho que sentia depois de um dia de trabalho árduo e bem feito seria algo incompreensível para os demais. Ë quase inconcebível para mim quando penso nisso agora. Nunca um capitalista explorou um escravo do salário tão fiel quanto eu. Embromar ou ludibriar o homem que me pagava o salário era um pecado, primeiro contra mim mesmo, e depois contra ele. Para mim era um crime que vinha logo atrás da traição, mas tão ruim quanto.
Resumindo, meu individualismo entusiasta era dominado pela ética ortodoxa burguesa. Eu lia os jornais burgueses, ouvia os pregadores burgueses e repetia plenitudes sonoras dos políticos burgueses. E não duvido que – se outros eventos não tivessem mudado minha trajetória -, viesse a me transformar num fura-greves profissional (um dos heróis do reitor Eliot), e tivesse minha cabeça e minha capacidade de trabalho irremediavelmente esmagadas por um porrete nas mãos de algum sindicalista militante.
Por essa época, voltando de uma viagem que durara sete meses, e logo após ter completado dezoito anos de idade, pus na cabeça a ideia de que iria vagabundar. Em vagões de passageiros ou compartimentos de carga, desbravei meu caminho pela vasta região Oeste, onde os homens trabalhavam duro e os empregos procuravam as pessoas, até os congestionados centros operários da região Leste, onde os homens tinham pouco valor e davam tudo que tinham para conseguir trabalho. E nesta nova aventura de fera loura, comecei a ver a vida de um ângulo novo e totalmente diferente. Eu havia descido da condição de proletário para o que os sociólogos chamam de “porção submersa”, e comecei a descobrir a maneira como aquela porção submersa era recrutada.
Lá encontrei todo tipo de homens, muitos dos quais haviam sido algum dia tão bons e tão feras louras quanto eu: marinheiros, soldados, operários, todos estropiados, comidos e desfigurados pelo trabalho, pelas agruras e pelos acidentes e dispensados por seus patrões como cavalos velhos. Com eles mendiguei nas ruas, pedi comida nas portas dos fundos das casas e senti frio em vagões de trens e parques da cidade, ouvindo as histórias de vidas, que começavam sob auspícios tão favoráveis como os meus, com estômagos e corpos iguais ou melhores do que os meus, e que terminavam ali, diante de meus olhos, arruinados, no fundo do Abismo Social.
E enquanto eu ouvia, meu cérebro começava a funcionar. A mulher das ruas e o homem da sarjeta se tornaram muito próximos de mim. Vi a imagem do Abismo Social vividamente, como se fosse algo concreto. Eu os observava lá no fundo do abismo, um pouco acima deles, agarrando-me às paredes escorregadias com todo o suor e a força de minhas unhas. E confesso que um medo terrível se apoderou de mim. E se acabasse minha força? E quando me tornasse incapaz de trabalhar lado a lado com os homens fortes que ainda estavam por nascer? Aí, então, fiz um juramento. Era algo mais ou menos assim: Todos os dias tenho trabalhado até a exaustão com meu corpo e apesar do número de dias que trabalhei, cheguei bem próximo do fundo do Abismo. Deverei sair dele, mas não com os músculos do meu corpo. Não vou nunca mais trabalhar como trabalhei e que Deus me fulmine se um dia eu der de mim mais do que o meu corpo pode dar. E desde então tenho me dedicado a fugir do trabalho duro.
A propósito, enquanto vagabundava por umas 10.000 milhas pelos Estados Unidos e Canadá, entrei na cidade de Niágara Falis, fui pego por um policial à caça de multas, tive negado o direito de me declarar culpado ou inocente, fui imediatamente sentenciado a trinta dias de prisão por não ter residência fixa ou meio aparente de subsistência, algemado e acorrentado a um grupo em situação similar, despachado para Buffalo e registrado na penitenciária do condado de Erie; meu cabelo e meu incipiente bigodinho foram raspados, fui vestido com o uniforme de prisioneiro, vacinado compulsoriamente por um estudante de medicina que praticava em pessoas como nós, obrigado a marchar em fila e a trabalhar sob a vigilância de guardas armados com rifles Winchester – tudo isso por ter me lançado em aventuras ao estilo das feras louras. Para mais detalhes, esta testemunha declara-se muda, embora se possa desconfiar que seu exultante patriotismo tenha se evaporado um pouco e vazado por alguma fresta no fundo de sua alma – pelo menos, desde que passou por essa experiência, já se deu conta de que se interessa muito mais por homens, mulheres e criancinhas do que por linhas geográficas imaginárias.
Voltando a minha conversão. Acho que aparentemente meu individualismo feroz foi efetivamente extraído de mim e foi-me inculcada outra coisa, de forma igualmente eficaz. Mas, assim como eu havia sido um individualista sem saber, era agora um socialista sem saber, ou seja, um socialista não científico. Eu havia renascido, mas não havia sido rebatizado, e andava à toa por aí, tentando descobrir o que de fato era. Voltei para a Califórnia e abri os livros. Não me recordo quais abri primeiro. Este é um detalhe sem importância, de qualquer forma. Eu já era isso, seja lá o que isso fosse, e com a ajuda dos livros descobri que isso era ser socialista. Desde aquele dia abri muitos livros, mas nenhum argumento econômico  nenhuma demonstração lúcida da lógica e da inevitabilidade do socialismo me afeta tão profundamente e tão convincentemente como o dia em que vi pela primeira vez os muros do Abismo Social se erguerem à minha volta e me senti escorregando, escorregando, para as ruínas que se amontoavam lá no fundo.


Jack London, 1903.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Dois Poemas de Pablo Neruda





O Vento na Ilha

O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.

Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama galopando
para me levar para longe.

Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite

descansarei, amor meu.

Pablo Neruda

Tuas Mãos

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.

Pablo Neruda

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

OS POBRES



Para Luis Inácio Lula da Silva

Estamos em todos os becos, vielas, cortiços, palafitas
Como estamos em torres, naves, subterrâneos, trilhas
Ou em bancos, tribunais, igrejas, palácios, aeroportos
Como estávamos desde muito antes de antigamente em pirâmides
E ainda um dia certamente estaremos nas salinas radioativas de Marte
Somos sempre a maioria absoluta
No teatro de operações ocupamos imenso espaço referencial, somos
OS POBRES !

Somos a chamada grande massa populacional
Negros, quase brancos, mestiços, mamelucos, brasilíndios, afrogente
E sonhamos, construímos, somamos, geramos
Em campos, cidades, favelas, exércitos, núcleos sociais
Somos a humanagente
Somos OS POBRES !

Já não somos tão gado marcado
Ultrapassamos as barreiras do redil inumano
Fugimos do curral das vis aparências hostis
No Brasil, agora, pobres viajam, têm carro, celular, casa; passeiam de avião...
Assustam os insensíveis que têm desconhecimento histórico de riquezas injustas
Somos a maioria absoluta da população
Brasileirinhos e brasileiríssimos
Estivemos por centena de anos no bico do corvo como o joio social
Mas sobrevivemos
Nós somos OS POBRES !

Podemos fazer faculdades, erguer nossa casa, usufruir tecnologias
Não precisamos mais vender as nossas férias para não passar fome
Não precisamos mais verter o nosso sangue para ter o que comer
Nem mendigar um prato de comida, um pedaço de pão
Nossos filhos, nossos amores; perante a historia - que é remorso
Sabem que tudo foi revisitado – com um operário padrão
Que se construiu presidente e elegeu como Seres Humanos, cidadãos
OS POBRES!

Estamos na escala da inclusão social
Milhões saíram da amargura da miséria absoluta
Temos três refeições por dia
Finalmente alguém pensou em nós - os excluídos, os descamisados, os Sem Teto, Sem Terra, Sem Amor pátrio
Temos muito amor para dar
E não vamos dar a nossa cota de dor aos que nos vitimaram, nos marcaram: eles não suportariam...
Nem daremos nossa taxa de trevas no historial de nosso sangue lavrado
Somos o Brasil também agora
A cara, a cor, a coragem, a música, o futebol, o significante e o significado; o sujeito do próprio processo:
SOMOS O POVO !

Um homem público que veio do povo para o povo
Finalmente, depois de mais de 500 anos
Nos proveu, nos pensou, reparou em nós e nos estendeu a mão pública
Abriu as portas do palácio para o povo
Para os órfãos das ruas de amargura
Que país era esse, que era só rico para os ricos
E não era rico também para o restante carente da população sempre expropriada?
Agora é um país de todos para todos
O POVO
Do qual todo poder emana e em seu nome deve ser exercido.

Sobrevivemos. As mãos lanhadas. Os olhos tristes. A fome, a fome!
Sobrevivemos, Pátria Mãe
Comemos o pão que o diabo amassou.
Índios mortos: milhões
Negros escravos e mortos: milhões
Operários como ovelhas tosquiadas pela máquina insana do lucro a qualquer preço, a qualquer custo
Sobrevivemos para contar a história e somos também agora sujeitos da história
A nossa presença foi reconhecida
Somos os POBRES
Somos o POVO !

O Brasil já não está mais deitado em berço esplêndido
Nós nos levantamos, coragem irmãos, coragem
Subimos nos ombros de um gigante metalúrgico para enxergar mais longe
Cá estamos, irmãos, cá estamos em lágrimas
E finalmente reconhecidos na identidade sagracial de uma nação emergente
Em terra que emana leite, pão e mel

Ainda há muito o que fazer, conquistar, buscar democracia social
Tardou a justiça que finalmente começou e viça
O metalúrgico operário aleijado pela máquina nos resgatou
Governou para todos
Governou para o povo
Somos pobres mais temos deveres – e direitos.
A esperança venceu o medo, a mentira, a hipocrisia, a opressão social histórica

A pátria amada ouve o brado retumbante
O povo tomou a direção da barca
Os pobres em ascensão social
Somos a maioria e somos reconhecidos, temos alma e coração
Os braços fortes, a braveza como voto de luz
Não somos mais peças de reposição para riquezas injustas, lucros impunes, propriedades roubos (como em Samparaguai do neoliberalismo-câncer, do neoescravismo da terceirização e das privatizações-roubos)
Sofridos mas vitoriosos, deixaremos um país melhores para os nossos descendentes
A Nação Brasil agora tem um Povo para chamar de seu
Salve Limpo Pendão da Esperança – Salve limpo perdão da esperança...
Pátria Amada
BRASIL! 



Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, SP, Brasil

Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos, Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.portas-lapsos.zip.net
Poema da Série: “Verás Que Um Filho Teu Não Foge à Luta”
Autor do livro GOTO, O Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, Romance, editora www.clubedeautores.com.br

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Deputados que votaram contra e a favor da corrupção em 02-08-17


Abaixo, confira os nomes dos 263 deputados que votaram ‘sim’ a favor do relatório que arquiva a denúncia contra Michel Temer. Em seguida, os parlamentares que pediram a abertura das investigações

OS 263 DEPUTADOS QUE SALVARAM MICHEL TEMER:

Marx Beltrão - PMDB AL
Cícero Almeida - PMDB AL
Fabio Reis - PMDB SE
Andre Moura - PSC SE
Ricardo Teobaldo - Podemos PE
Mendonça Filho - DEM PE
Luciano Bivar - PSL PE
Jorge Côrte Real - PTB PE
Fernando Monteiro - PP PE
Eduardo da Fonte - PP PE
Hugo Motta - PMDB PB
Danilo Forte - PSB CE
Pr. Marco Feliciano - PSC SP
Nelson Marquezelli - PTB SP
João Campos - PRB GO
Bonifácio de Andrada - PSDB MG
Hermes Parcianello - PMDB PR
Hélio Leite - DEM PA
Elcione Barbalho - PMDB PA
Beto Salame - PP PA
Osmar Terra - PMDB RS
Darcísio Perondi - PMDB RS
Abel Mesquita Jr.- DEM RR
Edio Lopes - PR RR
Hiran Gonçalves - PP RR
Jhonatan de Jesus - PRB RR
Maria Helena -  PSB RR
Remídio Monai - PR RR
Alceu Moreira - PMDB RS
Cajar Nardes - PR RS
Covatti Filho - PP RS
José Fogaça - PMDB RS
José Otávio Germano - PP RS
Mauro Pereira - PMDB RS
Renato Molling - PP RS
Ronaldo Nogueira - PTB RS
Sérgio Moraes - PTB RS
Yeda Crusius - PSDB RS
Celso Maldaner - PMDB SC
Cesar Souza - PSD SC
João Paulo Kleinübing - PSD SC
João Rodrigues - PSD SC
Marco Tebaldi -  PSDB SC
Mauro Mariani PMDB SC
Rogério Peninha Mendonça - PMDB SC
Ronaldo Benedet - PMDB SC
Valdir Colatto - PMDB SC
André Abdon - PP AP
Cabuçu Borges - PMDB AP
Jozi Araújo - Podemos AP
Vinicius Gurgel - PR AP
Delegado Éder Mauro PSD PA
Francisco Chapadinha - Podemos PA
José Priante - PMDB PA
Josué Bengtson - PTB PA
Júlia Marinho - PSC PA
Lúcio Vale - PR PA
Nilson Pinto - PSDB PA
Simone Morgado - PMDB PA
Wladimir Costa - SD PA
Alex Canziani - PTB PR
Alfredo Kaefer - PSL PR
Dilceu Sperafico - PP PR
Edmar Arruda - PSD PR
Evandro Roman - PSD PR
Giacobo - PR PR
João Arruda - PMDB PR
Luiz Carlos Hauly - PSDB PR
Luiz Nishimori - PR PR
Nelson Meurer - PP PR
Nelson Padovani - PSDB PR
Sergio Souza - PMDB PR
Takayama - PSC PR
Toninho Wandscheer - Pros PR
Carlos Marun - PMDB MS
Elizeu Dionizio - PSDB MS
Geraldo Resende - PSDB MS
Tereza Cristina - PSB MS
Alfredo Nascimento - PR AM
Arthur Virgílio Bisneto - PSDB AM
Átila Lins - PSD AM
Pauderney Avelino - DEM AM
Sabino Castelo Branco PTB AM
Silas Câmara - PRB AM
Lindomar Garçon - PRB RO
Lucio Mosquini - PMDB RO
Luiz Cláudio - PR RO
Marinha Raupp - PMDB RO
Nilton Capixaba - PTB RO
Alexandre Baldy - Podemos GO
Célio Silveira - PSDB GO
Daniel Vilela - PMDB GO
Giuseppe Vecci - PSDB GO
Heuler Cruvinel - PSD GO
Jovair Arantes - PTB GO
Lucas Vergilio - SD GO
Magda Mofatto - PR GO
Pedro Chaves - PMDB GO
Roberto Balestra - PP GO
Thiago Peixoto - PSD GO
Alberto Fraga - DEM DF
Izalci Lucas - PSDB DF
Laerte Bessa - PR DF
Rogério Rosso - PSD DF
Ronaldo Fonseca - Pros DF
Flaviano Melo - PMDB AC
Jéssica Sales - PMDB AC
Carlos Henrique Gaguim - Podemos TO
Dulce Miranda - PMDB TO
Josi Nunes - PMDB TO
Lázaro Botelho - PP TO
Prof. Dorinha Rezende - DEM TO
Adilton Sachetti - PSB MT
Carlos Bezerra - PMDB MT
Ezequiel Fonseca - PP MT
Fabio Garcia - PSB MT
Nilson Leitão -  PSDB MT
Professor Victório Galli - PSC MT
Rogério Silva - Pros MT
Antonio Bulhões - PRB SP
Baleia Rossi PMDB SP
Beto Mansur - PRB SP
Bruna Furlan - PSDB SP
Celso Russomanno - PRB SP
Dr. Sinval Malheiros - Podemos SP
Eli Corrêa Filho - DEM SP
Evandro Gussi-  PV SP
Fausto Pinato - PP SP
Goulart - PSD SP
Guilherme Mussi - PP SP
Herculano Passos - PSD SP
Jorge Tadeu Mudalen - DEM SP
Marcelo Aguiar - DEM SP
Marcelo Squassoni - PRB SP
Marcio Alvino - PR SP
Miguel Lombardi - PR SP
Milton Monti - PR SP
Missionário José Olimpio - DEM SP
Paulo Freire - PR SP
Paulo Maluf - PP SP
Paulo Pereira Da Silva - SD SP
Ricardo Izar - PP SP
Roberto Alves - PRB SP
Roberto de Lucena - PV SP
Vinicius Carvalho - PRB SP
Walter Ihoshi - PSD SP
Aluisio Mendes - Podemos MA
André Fufuca - PP MA
Cleber Verde - PRB MA
Hildo Rocha - PMDB MA
João Marcelo Souza - PMDB MA
José Reinaldo - PSB MA
Junior Marreca - PEN MA
Juscelino Filho - DEM MA
Pedro Fernandes - PTB MA
Sarney Filho - PV MA
Victor Mendes - PSD MA
Aníbal Gomes - PMDB CE
Domingos Neto - PSD CE
Genecias Noronha - SD CE
Gorete Pereira - PR CE
Macedo - PP CE
Moses Rodrigues - PMDB CE
Paulo Henrique Lustosa - PP CE
Vaidon Oliveira - DEM CE
Alexandre Valle - PR RJ
Altineu Côrtes - PMDB RJ
Aureo - SD RJ
Celso Jacob - PMDB RJ
Cristiane Brasil - PTB RJ
Ezequiel Teixeira - Podemos RJ
Francisco Floriano - DEM RJ
Julio Lopes - PP RJ
Leonardo Picciani - PMDB RJ
Marcelo Delaroli - PR RJ
Marco Antônio Cabral - PMDB RJ
Marcos Soares - DEM RJ
Paulo Feijó - PR RJ
Pedro Paulo - PMDB RJ
Roberto Sales - PRB RJ
Rosangela Gomes - PRB RJ
Simão Sessim - PP RJ
Soraya Santos - PMDB RJ
Walney Rocha - PEN RJ
Zé Augusto Nalin - PMDB RJ
Lelo Coimbra - PMDB ES
Marcus Vicente - PP ES
Átila Lira - PSB PI
Heráclito Fortes - PSB PI
Iracema Portella - PP PI
Júlio Cesar - PSD PI
Maia Filho - PP PI
Paes Landim - PTB PI
Beto Rosado - PP RN
Fábio Faria - PSD RN
Felipe Maia - DEM RN
Rogério Marinho - PSDB RN
Walter Alves - PMDB RN
Ademir Camilo - Podemos MG
Aelton Freitas - PR MG
Bilac Pinto - PR MG
Brunny - PR MG
Caio Narcio - PSDB MG
Carlos Melles - DEM MG
Dâmina Pereira - PSL MG
Delegado Edson Moreira - PR MG
Diego Andrade - PSD MG
Dimas Fabiano - PP MG
Domingos Sávio - PSDB MG
Fábio Ramalho - PMDB MG
Franklin - PP MG
Jaime Martins - PSD MG
Leonardo Quintão - PMDB MG
Luis Tibé - PTdoB MG
Luiz Fernando Faria - PP MG
Marcelo Aro - PHS MG
Marcos Montes - PSD MG
Marcus Pestana - PSDB MG
Mauro Lopes - PMDB MG
Misael Varella - DEM MG
Newton Cardoso Jr - PMDB MG
Paulo Abi-Ackel - PSDB MG
Raquel Muniz - PSD MG
Renato Andrade - PP MG
Renzo Braz - PP MG
Rodrigo de Castro - PSDB MG
Saraiva Felipe - PMDB MG
Tenente Lúcio - PSB MG
Toninho Pinheiro - PP MG
Zé Silva - SD MG
Antonio Imbassahy - PSDB BA
Arthur Oliveira Maia - PPS BA
Benito Gama - PTB BA
Cacá Leão - PP BA
Claudio Cajado - DEM BA
Elmar Nascimento - DEM BA
Erivelton Santana - PEN BA
João Carlos Bacelar - PR BA
José Carlos Aleluia - DEM BA
José Carlos Araújo - PR BA
José Rocha - PR BA
Lucio Vieira Lima - PMDB BA
Márcio Marinho - PRB BA
Mário Negromonte Jr. - PP BA
Pastor Luciano Braga - PRB BA
Paulo Azi - DEM BA
Roberto Britto - PP BA
Aguinaldo Ribeiro - PP PB
André Amaral - PMDB PB
Benjamin Maranhão - SD PB
Efraim Filho - DEM PB
Roberto Góes - PDT AP
Osmar Bertoldi - DEM PR
Rômulo Gouveia - PSD PB
Adalberto Cavalcanti - PTB PE
Augusto Coutinho - SD PE
Bruno Araújo - PSDB PE
Fernando Filho - PSB PE
Marinaldo Rosendo PSB PE
Sebastião Oliveira - PR PE
Zeca Cavalcanti - PTB PE
Arthur Lira - PP AL
Maurício Quintella Lessa - PR AL


OS 227 DEPUTADOS QUE PEDIRAM A ABERTURA DAS INVESTIGAÇÕES:




Paulão PT AL
JHC PSB AL
Laercio Oliveira SD SE
João Daniel PT SE
Fábio Mitidieri PSD SE
Adelson Barreto PR SE
Tadeu Alencar PSB PE
Pastor Eurico PHS PE
Luciana Santos PCdoB PE
Gonzaga Patriota PSB PE
Danilo Cabral PSB PE
Wellington Roberto PR PB
Damião Feliciano PDT PB
Waldenor Pereira PT BA
Valmir Assunção PT BA
Uldurico Junior PV BA
Sérgio Brito PSD BA
Paulo Magalhães PSD BA
Nelson Pellegrino PT BA
Jutahy Junior PSDB BA
Josias Gomes PT BA
José Nunes PSD BA
Jorge Solla PT BA
João Gualberto PSDB BA
Irmão Lazaro PSC BA
Fernando Torres PSD BA
Félix Mendonça Júnior PDT BA
Daniel Almeida PCdoB BA
Caetano PT BA
Bebeto PSB BA
Bacelar Podemos BA
Antonio Brito PSD BA
Alice Portugal PCdoB BA
Afonso Florence PT BA
Weliton Prado PMB MG
Subtenente Gonzaga PDT MG
Stefano Aguiar PSD MG
Reginaldo Lopes PT MG
Patrus Ananias PT MG
Padre João PT MG
Margarida Salomão PT MG
Marcelo Álvaro Antônio PR MG
Luzia Ferreira PPS MG
Lincoln Portela PRB MG
Leonardo Monteiro PT MG
Laudivio Carvalho SD MG
Júlio Delgado PSB MG
Jô Moraes PCdoB MG
George Hilton PSB MG
Gabriel Guimarães PT MG
Eros Biondini Pros MG
Adelmo Carneiro Leão PT MG
Zenaide Maia PR RN
Rafael Motta PSB RN
Antônio Jácome Podemos RN
Silas Freire Podemos PI
Rodrigo Martins PSB PI
Assis Carvalho PT PI
Sergio Vidigal PDT ES
Paulo Foletto PSB ES
Norma Ayub DEM ES
Helder Salomão PT ES
Givaldo Vieira PT ES
Evair Vieira de Melo PV ES
Dr. Jorge Silva PHS ES
Carlos Manato SD ES
Wadih Damous PT RJ
Sóstenes Cavalcante DEM RJ
Sergio Zveiter PMDB RJ
Otavio Leite PSDB RJ
Miro Teixeira Rede RJ
Marcelo Matos PHS RJ
Luiz Sérgio PT RJ
Luiz Carlos Ramos Podemos RJ
Laura Carneiro PMDB RJ
Jean Wyllys PSOL RJ
Jandira Feghali PCdoB RJ
Jair Bolsonaro PSC RJ
Hugo Leal PSB RJ
Glauber Braga PSOL RJ
Felipe Bornier Pros RJ
Deley PTB RJ
Chico D’Ângelo PT RJ
Chico Alencar PSOL RJ
Celso Pansera PMDB RJ
Cabo Daciolo PTdoB RJ
Benedita Da Silva PT RJ
Arolde de Oliveira PSC RJ
Alessandro Molon Rede RJ
Vitor Valim PMDB CE
Ronaldo Martins PRB CE
Odorico Monteiro PSB CE
Luizianne Lins PT CE
Leônidas Cristino PDT CE
José Guimarães PT CE
José Airton Cirilo PT CE
Chico Lopes PCdoB CE
Cabo Sabino PR CE
Ariosto Holanda PDT CE
André Figueiredo PDT CE
Zé Carlos PT MA
Weverton Rocha PDT MA
Waldir Maranhão PP MA
Rubens Pereira Júnior PCdoB MA
Luana Costa PSB MA
Eliziane Gama PPS MA
Deoclides Macedo PDT MA
Vitor Lippi PSDB SP
Vicentinho PT SP
Vicente Candido PT SP
Vanderlei Macris PSDB SP
Valmir Prascidelli PT SP
Tiririca PR SP
Silvio Torres PSDB SP
Sérgio Reis PRB SP
Roberto Freire PPS SP
Ricardo Tripoli PSDB SP
Renata Abreu Podemos SP
Pollyana Gama PPS SP
Paulo Teixeira PT SP
Miguel Haddad PSDB SP
Major Olimpio SD SP
Luiza Erundina PSOL SP
Luiz Lauro Filho PSB SP
Lobbe Neto PSDB SP
Keiko Ota PSB SP
José Mentor PT SP
João Paulo Papa PSDB SP
Jefferson Campos PSD SP
Izaque Silva PSDB SP
Ivan Valente PSOL SP
Flavinho PSB SP
Eduardo Cury PSDB SP
Eduardo Bolsonaro PSC SP
Carlos Zarattini PT SP
Carlos Sampaio PSDB SP
Capitão Augusto PR SP
Arnaldo Faria De Sá PTB SP
Arlindo Chinaglia PT SP
Andres Sanchez PT SP
Ana Perugini PT SP
Alex Manente PPS SP
Ságuas Moraes PT MT
Irajá Abreu PSD TO
César Halum PRB TO
Rocha PSDB AC
Leo de Brito PT AC
César Messias PSB AC
Angelim PT AC
Alan Rick PRB AC
Erika Kokay PT DF
Augusto Carvalho SD DF
Rubens Otoni PT GO
Marcos Abrão PPS GO
Flávia Morais PDT GO
Fábio Sousa PSDB GO
Mariana Carvalho PSDB RO
Marcos Rogério DEM RO
Expedito Netto PSD RO
Hissa Abrahão PDT AM
Conceição Sampaio PP AM
Zeca Do Pt PT MS
Vander Loubet PT MS
Mandetta DEM MS
Dagoberto Nogueira PDT MS
Zeca Dirceu PT PR
Sandro Alex PSD PR
Rubens Bueno PPS PR
Leopoldo Meyer PSB PR
Leandre PV PR
Enio Verri PT PR
Assis Do Couto PDT PR
Aliel Machado Rede PR
Zé Geraldo PT PA
Beto Faro PT PA
Janete Capiberibe PSB AP
Pedro Uczai PT SC
Jorginho Mello PR SC
Jorge Boeira PP SC
Geovania de Sá PSDB SC
Esperidião Amin PP SC
Décio Lima PT SC
Carmen Zanotto PPS SC
Pompeo de Mattos PDT RS
Pepe Vargas PT RS
Paulo Pimenta PT RS
Onyx Lorenzoni DEM RS
Maria Do Rosário PT RS
Marcon PT RS
Marco Maia PT RS
Luis Carlos Heinze PP RS
Jose Stédile PSB RS
Jerônimo Goergen PP RS
Carlos Gomes PRB RS
Bohn Gass PT RS
Afonso Motta PDT RS
Afonso Hamm PP RS
Carlos Andrade PHS RR
Antonio Carlos Mendes Thame PV SP
Danrlei de Deus Hinterholz PSD RS
Heitor Schuch PSB RS
Henrique Fontana PT RS
João Derly Rede RS
Mara Gabrilli PSDB SP
Professora Marcivania PCdoB AP
Arnaldo Jordy PPS PA
Edmilson Rodrigues PSOL PA
Joaquim Passarinho PSD PA
Christiane De Souza Yared PR PR
Delegado Francischini SD PR
Diego Garcia PHS PR
Moisés Diniz PCdoB AC
Nilto Tatto PT SP
Orlando Silva PCdoB SP
Luiz Couto PT PB
Pedro Cunha Lima PSDB PB
Veneziano Vital do Rêgo PMDB PB
André de Paula PSD PE
Betinho Gomes PSDB PE
Daniel Coelho PSDB PE
Jarbas Vasconcelos PMDB PE
Silvio Costa PTdoB PE
Wolney Queiroz PDT PE
Jony Marcos PRB SE
Valadares Filho PSB SE
Givaldo Carimbão PHS AL
Ronaldo Lessa PDT AL

ABSTENÇÕES:

Alexandre Leite DEM SP
Rodrigo Pacheco PMDB MG

AUSENTES:

Pedro Vilela PSDB AL
João Fernando Coutinho PSB PE
Wilson Filho PTB PB
Giovani Cherini PR RS
Shéridan PSDB RR
Marcos Reategui PSD AP
Luciano Ducci PSB PR
Osmar Serraglio PMDB PR
Reinhold Stephanes PSD PR
Delegado Waldir PR GO
Rôney Nemer PP DF
Vicentinho Júnior PR TO
Gilberto Nascimento PSC SP
Raimundo Gomes De Matos PSDB CE
Alexandre Serfiotis PMDB RJ
Dejorge Patrício PRB RJ
Marcelo Castro PMDB PI
Eduardo Barbosa PSDB MG
Ronaldo Carletto PP ES

domingo, 30 de julho de 2017

DE BECCARIA A FOUCAULT: ASPECTOS POR DETRÁS DA SENTENÇA QUE CONDENA LULA À PRISÃO






Por Nathaly Conceição Munarini Otero*

Analisando a fundamentação da sentença sob a ótica beccariana e foucaultiana da punição, partindo-se das estruturas normativas punitivistas dos séculos passados, sobretudo do século XVI até meados do XVIII, é possível identificar uma pessoalidade muito significativa em relação à decisão do então magistrado Sérgio Moro no processo que condenou Lula à prisão. É sabido que a ânsia por punição em nosso país é uma característica muito presente no sistema penal, sobretudo acerca de casos envolvendo pessoas públicas. A mídia completa este cenário, fomentando a necessidade de ver na prisão todos aqueles que são acusados de algum crime, ainda que tudo indique que sejam inocentes.

Neste sentido, no que tange à imparcialidade do juiz, demonstra-se imprescindível que o mesmo evite manter contato com a mídia a respeito dos temas concernentes nos processos que atua, por assim dizer, seria um acordo de cordialidade com a própria Justiça, muito antes que com as partes no processo envolvidas. Aos magistrados não cabe o direito “[…] de prender discricionariamente os cidadãos, de tirar a liberdade ao inimigo sob pretextos frívolos, e, por conseguinte de deixar livres os que eles protegem, mau grado todos os indícios do delito.” (BECCARIA, 2015, p.30)

A sentença proferida pelo magistrado Sérgio Moro, num primeiro momento e como bem alegou à defesa de Luís Inácio Lula da Silva, é tendenciosa. Em sede de inquérito policial, a defesa de maneira muito clara e concisa, apresentou a exceção de suspeição, instituto presente no artigo 95 do Código de Processo Penal, que foi negada, também em fase recursal.

O Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julgou improcedente o pedido de suspeição, entendeu razoável o envolvimento do juiz frente à operação Lava Jato e que não quebrou a imparcialidade do magistrado a ampla cobertura jornalística nas investigações, manifestações de opinião pública do magistrado (favoráveis ou contrárias), estar em pesquisas eleitorais que não tenha anuído ou ter publicado artigo em revista cientifica a respeito da Operação Mãos Limpas na Itália.

Sob o ponto de vista jurídico, há que se falar numa deficiência argumentativa, pois resta claro que o magistrado, por diversas vezes, discursou sobre a operação em questão, além de pousar para fotos ao lado de adversários políticos do réu Luiz Inácio Lula da Silva, bem como tornou-se uma celebridade, por assim dizer, em nosso país e internacionalmente.

É impossível não questionar o liame entre a imparcialidade de uma autoridade que se submete a tais condutas, à uma intenção pessoal de expor um acusado, no qual trata-se do ex-presidente, em que na mesma proporção possui popularidade e é bem quisto pelo povo, principalmente os mais humildes, que sofrem de uma tremenda impopularidade e ódio na classe média e rica. É impossível não pensar na família e o constrangimento destes. É impossível não lembrar que em meio ao turbulento processo sempre entregue em primeira mão à Globo, a esposa de Lula, dona Marisa Letícia vem a falecer. É inocente pensar que o princípio da imparcialidade do juiz fora respeitado nas linhas de uma sentença judicial baseada em convicções e, nas suas entrelinhas, pautada num intenso clamor social. E é justamente sobre este clamor social o segundo ponto a ser tratado aqui.

Na análise foucaultiana da punição, o clamor do povo, é por si só, muitas e muitas vezes a sentença antecipada de uma conduta supostamente delituosa. Por assim dizer, o povo decide antes se o acusado é culpado ou não. Aliás, o estigma que um acusado carrega, ultrapassa até mesmo uma sentença absolutória, ele é a marca eterna de uma culpa projetada por uma plateia de espectadores que julgam com o juiz. O Brasil e o mundo já sabiam a sentença de Moro, antes mesmo de ser prolatada. Não por estar repleta de provas, mas no cotidiano da vida o próprio juiz deixava escapar seu animus nas capas das revistas, manchetes e jornais, rádios, entrevistas e até como lidava com a fama, mesmo sendo um juiz e, não, um ator Global.

Tratando-se da punição de uma sentença à época de um sistema penal arcaico, o suplício das masmorras do século XVI era uma tortura corporal ao apenado, na qual o sofrimento por este supostamente causado a outrem, era reproduzido em seu corpo, às vistas do público. Nos rituais de suplícios, a presença do povo é requisito imprescindível. Suplício secreto, não é suplício. É preciso envolver o povo, ainda que ele pouco entenda das leis e do crime. “Procurava-se dar o exemplo não só suscitando a consciência de que a menor infração corria sério risco de punição; mas provocando um efeito de terror pelo espetáculo do poder tripudiando sobre o culpado.” (FOUCAULT, 2013, p.56).

Passados os séculos, no presente caso podemos perceber a inquietação jurídica pautada por intenções pessoais de um magistrado parcial, na qual o suplício dá lugar a um julgamento midiático. Da apresentação da denúncia processual feita numa coletiva aberta à mídia, num hotel e com o apoio de um Power-Point ilustrado à sua sentença sendo divulgada à imprensa de forma mais célere que para o advogado da parte mostra que há algo diferente neste julgamento. Quando Lula alega perseguição e parcialidade, há uma enxurrada de argumento de que o mesmo não está acima da lei e que deve ser julgado como qualquer brasileiro, mas da celeridade à forma como o processo é apresentado à sociedade é totalmente diferente dos processos que envolvem quaisquer brasileiros. Quem dera se o judiciário fosse tão célere como os processos que trazem Luiz Inácio Lula da Silva.

Quais às intenções em expor um réu, que apesar dos pesares, tem um amplo apoio popular? Há uma certa obscuridade quando pensamos em como certas conversas grampeadas entre Lula e seus familiares, advogados e companheiros foram divulgadas sem quaisquer respaldos jurídicos, sem falar em uma coação coercitiva assinada por um juiz na qual já havia sido informado que o réu se demonstrava solícito quanto à seus depoimentos.

A mídia utilizada para corromper um processo é o que nos causa maior espanto. A lógica da punição amparada por uma comoção social que é alimentada por inverdades, faz parte do cenário penal há séculos. Junto ao sentenciante terá uma carga elevada de moralidade pública. “Assim que o crime for cometido, e sem perda de tempo, virá a punição, traduzindo em ações o discurso da lei e mostrando que o Código, que liga as ideias, liga também as realidades. A junção imediata no texto, deve sê-lo nos atos.” (FOULCAULT, 2013, p. 106)

Expor um acusado para que seja julgado pelo povo é uma lógica perversa que perpetua há séculos no sistema penal mundial. O interrogatório, é se não, um meio de escrachar o ser humano, muito mais do que obter verdades honrosas assinadas a termo. As audiências televisionadas que envolviam Lula e suas testemunhas, eram também dias de julgamentos em todo o Brasil. Na república que guarda como fundamento a dignidade da pessoa humana é preciso ter redobrado cuidado com o interrogatório. É um meio difícil de se aproximar do conhecimento da verdade “[…] por isso os juízes não devem recorrer a ela sem refletir. Nada é mais equívoco. Há culpados que têm firmeza suficiente para esconder um crime verdadeiro…; e outros, inocentes, a quem a força dos tormentos dez confessar crimes que não eram culpados. (FOULCAULT, 2013, p. 41).

A masmorra moderna corre o risco de se repetir por meio da opinião pública. Conjugada por um só verbo: punir. Sem antes averiguar-se, sem antes ouvir. E ainda que o devido processo legal seja respeitado, a ânsia por condenar é o que movimenta parte dos poderes tomados por vinganças políticas. “O clamor público, a fuga, as confissões particulares, o depoimento de um cúmplice do crime, as ameaças que o acusado pode fazer, seu ódio inveterado ao ofendido, um corpo de delito existente, e outras presunções semelhantes, bastam para permitir a prisão de um cidadão. Tais indícios devem, porém, ser especificados de maneira estável pela lei, e não pelo juiz, cujas sentenças se tornam um atentado à liberdade pública quando não são simplesmente a aplicação particular de uma máxima geral emanada do código de leis.” (BECCARIA, 2015, p.31)

A sentença, desprovida de argumentação sólida e como já falado anteriormente, recheada de convicção, é um documento que empurra mais um ser humano à punição injusta. Indo ao encontro das alegações finais, resta claro que Lula é vítima de uma perseguição política numa “guerra jurídica” ou de “lawfare”, “com apoio de parcela expressiva da mídia, bem como, uma gama de direitos individuais, foram violados, por meio de uma devassa na vida privada dele e de seus familiares.

Em uma das capas da revista Isto é, fora colocado o Juiz Sérgio Moro em posição de adversário, “lutando” contra Lula[1]. Isso demonstra o parágrafo da defesa, de modo que, uma revista amplamente assinada no Brasil, teve total liberdade de colocar um magistrado como opositor de um réu. Para além do baixo comprometimento da mídia com a democracia, o que assusta é um juiz de primeira instância que ao julgar um ex-presidente, sabendo que sua decisão pode interferir drasticamente no cenário político do país, não toma as medidas cabíveis para evitar que sua imagem seja amplamente divulgada para, nitidamente, prejudicar o réu.

Pergunta-se, quando um juiz pode tornar-se parte de um processo? Opinar sobre ele em canais e em redes sociais, palestrar, ainda que indiretamente, sobre uma operação tão complexa? Qual o ponto de conexão entre a parcialidade de uma autoridade, a opinião pública e uma condenação já esperada por boa parte da população?

Na dita sentença, o presente juiz Sérgio Moro guarda parte dela para se defender das imputações da conduta de compactuar diversas vezes com a imprensa: “Em ambiente de liberdade de expressão, cabe à imprensa noticiar livremente os fatos. O sucessivo noticiário negativo em relação a determinados políticos, não somente em relação ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parece, em regra, ser mais o reflexo do cumprimento pela imprensa do seu dever de noticiar os fatos do que alguma espécie de perseguição política a quem quer que seja. Não há qualquer dúvida de que deve-se tirar a política das páginas policiais, mas isso se resolve tirando o crime da política e não a liberdade da imprensa.” Este é o entendimento dele que contraria a imparcialidade posta na constituição. Como um juiz pode defender uma imprensa em um processo crime tão relevante, na qual um dos réus foi escrachado por esta mesma imprensa?

Reflexões como estas norteiam o sistema punitivista há vários séculos. O julgamento de uma conduta, muitas vezes tem mais a dizer sobre o julgador, do que sobre o julgado. “O poder levou os juízes a julgar coisa bem diversa do que crimes: foram levados em suas sentenças a fazer coisa diferente de julgar; e o poder de julgar foi, em parte, transferido a instâncias que não são as dos juízes da infração.”(FOCAULT, 2013, p.25)

A tríade punitiva amplamente instalada em um processo baseado em convicções, opiniões políticas e perseguições. Não é só um ser humano que perde a oportunidade de um julgamento justo, é a Justiça, que sendo obstruída do seu caminho natural de equidade acima de tudo, é colocada a postos de anseios pessoais e ardilosos.

É na lógica beccariana de Justiça, que fica claro entender um sistema criminal injusto e covarde. A jurisprudência criminal tem afastado da ideia de justiça e aproximado da força e do poder. Como se nela residisse a solução do problema criminal. O suplício é a prisão que detém o acusado. “[…] é porque, finalmente, as forças que defendem externamente o trono e os direitos da nação estão separadas das que mantêm as leis no interior, quando deveriam estar estreitamente unidas. (BECCARIA 2015, p.31).”

Quem perde é a Justiça. E quem ganha?

[1] FERREIRA, Wilson. A construção do super-herói amoral nas capas de “Veja” e “IstoÉ”. Disponível em: Acessado em: 29/07/2017

* da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados.

Artigo publicado originalmente no Brasil 247

Fonte: http://www.ocafezinho.com/2017/07/29/de-beccaria-a-foucault-uma-analise-da-sentenca-de-sergio-moro/






sábado, 29 de julho de 2017

Flor Agreste



Firmeza da pele, unhas bem feitas, cabelos impecáveis, corpos esculpidos...
Há nas falas graciosidade, recato e também uma dose de futilidade.
Passeiam pelos salões e lugares bem frequentados.
São mulheres boas de se ver, não de se saborear...
Quero a mulher!
Aquela que faz eu esquecer o meu nome, meu endereço, que me deixa desatinado.
Quero aquela que tem sagacidade, a louca translúcida.
Envolvente e afiada como uma faca, que fala o que lhe vem a mente, que gargalha alto...
Quero a insubmissa,
a flor agreste, chapada de desejo.
Aquela que me faz perder o rumo com seus beijos.
Que não se enrubece, que não recua diante do meu olhar.
Aquela selvagem, sem domínio, segura de si. 
Quero essa despudorada que se esconde por aí.
Que passeia por qualquer esquina, que encara os revezes da vida,
que não se amofina.
Quero essa mulher em cima de mim,
como onda que se arrebenta na areia.
Quero essa sereia, esse canto blasfemado.
Esse sangue quente, que ferve os meus nervos, que me tira do eixo, salivando feito lobo.
Essa mulher que não se ausenta dos meus pensamentos e não me concede o adormecer em paz.
Minha gota de orvalho sublimado, quero mais! Quero você minha incerteza, que me escapa feito água corrente, 
beleza estuante, não sossego enquanto não estiveres em minhas mãos.
Quero você mulher, 
rainha dos meus sonhos, que me fascina...

Sou seu fiel peregrino em romaria, 
quero estar entre os seus eleitos, me conceda essa honraria.
Prometo cultuá-la noite e dia, até o meu derradeiro fim.






Erika de Almeida. 

17/06/17


Breves palavras sobre a autora

Erika de Almeida (Kika Men), é formada em Letras, estuda Psicanálise.  Amante das artes. 
Adora escrever poesias e pensamentos sobre a vida e seres humanos. "Somos atravessados pela palavra e consequentemente pela linguagem": 

[Linguagem é a sacanagem boa que a boca faz com as palavras. 
Kika Men]

[A poesia é um tecido feito com linhas de palavras e sons, bordado com sentimentos...
Kika Men]