sábado, 17 de dezembro de 2016

Confissão do Itabirense





Alguns anos vivi em Itabirinha.
Principalmente quase morri em Itabirinha.
Uma tora de madeira me seguia, enquanto eu rolava morro abaixo.
Fui salvo pela Pedra da Boneca,
Que se ergue bela, imponente.
Foi ela quem retardou a velocidade do tronco.
Por isso sou de pedra.
Coração mole.
Eu a vi pela primeira vez da carroceria do caminhão, quando mudávamos para Itabirinha.
Foi um baque.
A gratidão que tenho pela vida vem da Pedra.
Com ela aprendi que as dúvidas não serão dissipadas.
É a dúvida que me impulsiona.
A Pedra da Boneca me ensinou, que nem sempre a menor distância de um ponto a outro é uma reta.
Ainda hoje é ela quem me faz lembrar a nudez macia de Auxiliadora e de seus seios juvenis, duros como a Pedra.
Dos nossos desarvorados beijos nas tardes quentes de Itabirinha.
Hoje sou letra solta no alfabeto.
Itabirinha não é apenas uma fotografia na parede.
Como a Pedra da Boneca, cravada em meu coração.
Mas não dói!






Foi durante a releitura de algumas poesias de Carlos de Drummond de Andrade, especialmente Confidência do Itabirano, que me veio a ideia de escrever sobre meus dias em Itabirinha. Uma coincidência: Itabirinha, diminutivo de Itabira. Drummond o poeta maior, eu o poeta menor.








Confissão do Itabirense fecha o livro Estrelas (poesias), que tem ainda A Moça do Violoncelo (contos de mistérios). São dois livros em um, com duas capas e orelhas em papel laminado. 176 páginas. A publicação não tem fins lucrativos. Saiba como receber o seu exemplar, entrando em contato com o autor, pelo e-mail: jestanislaufilho@gmail.com ou pelo zap 32 - 9 99630023


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Fazenda onde se ‘brinca’ de ter escravos reproduz o sonho dos batedores de panelas. Por Sacramento



Revelada pela reportagem do The Intercept, a Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, oferece aos visitantes a oportunidade de viajar no tempo. Por valores que cabem no orçamento de quem bate panela no conforto da varanda gourmet, pode-se pular da democracia moribunda dos tempos atuais para o cotidiano da elite escravocrata do século XIX.

Segundo a matéria, a atual proprietária e descendente dos antigos donos da fazenda recebe os turistas em trajes de tempos em que os acepipes do café da tarde vinham do cruel e doloroso trabalho escravo.

Pelo visto o sofrimento negro não deixou amargor nos quitutes nem peso na consciência dos anfitriões e dos visitantes que pagam entre R$ 45 e R$ 65 para serem servidos por mulheres fantasiadas de escravas.

Em um vídeo em que apresenta a fazenda, a proprietária e herdeira Elizabeth Dolson veste-se de sinhá e indica sem o mínimo sinal de consternação as ruínas da senzala. Minutos depois, no interior da casa grande, apresenta um instrumento de tortura exposto sobre a mobília.

“Viramundo. É para castigar os escravos. As mãos vinham aqui, os pés e trancavam com isso”, explica Dolson com a mesma naturalidade com que mostra os móveis centenários feitos em madeira de lei.

No final do vídeo, em uma suntuosa sala de jantar, a herdeira comenta vida de riquezas e gastos nababescos dos seus antepassados. “Viver numa fazenda a 14 horas do Rio de Janeiro, é … ‘vamos fazer festa, vamos gastar dinheiro, nós temos!’ Então, para mim, eu faria o mesmo, faria exatamente a mesma coisa”.

É aquele Brasil imortalizado nas instalações da Fazenda Santa Eufrásia que os militantes em camisas amarelo-canário-CBF querem de volta. Um país onde o trabalho árduo de muitos sustenta a opulência de poucos.

Para eles não interessam os 150 mil estudantes negros que o sistema de cotas inseriu no ensino superior entre os anos de 2013 e 2015. Muito menos a redução de 73% no índice de mortalidade infantil entre os anos de 1990 e 2015.

Na realidade, esses revoltados querem apenas a manutenção dos seus privilégios e viver como os barões e sinhás do passado. Talvez seus desejos se realizem. Com a bagunça institucional que se instala no país, é possível que os indicadores sociais voltem a índices do Brasil Império.

Só não devem se iludir. É improvável que na mesa de jacarandá da Casa Grande tenha espaço para todos eles.

Marcos Sacramento


SOBRE O AUTOR

Marcos Sacramento, capixaba de Vitória, é jornalista. Goleiro mediano no tempo da faculdade, só piorou desde então. Orgulha-se de não saber bater pandeiro nem palmas para programas de TV ruins.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/fazenda-onde-se-brinca-de-ter-escravos-reproduz-o-sonho-dos-batedores-de-panelas-por-sacramento/

domingo, 27 de novembro de 2016

Fidel, por Eduardo Galeano.





Tradução de Eric Nepomuceno


"Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade. 
E nisso seus inimigos têm razão. 
Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. 
E nisso seus inimigos têm razão. 
Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes. 
E nisso seus inimigos têm razão. 
Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo. 
E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho. 
E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. 
Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar. 
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta. 
E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha."


(Do livro “Espelhos, uma história quase universal”)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Mauro Satayana: Lula fugiu com a piscina do Alvorada debaixo do braço?




Publicado por Mauro Santayana em seu blog.



Surreal e kafquiana, para dizer o mínimo, a nova investigação em curso para saber se a Odebrechet teria “beneficiado” Lula fazendo, de graça, consertos na piscina do Palácio do Alvorada.

“Beneficiado”, como? Lula, agora, virou dono do Palácio do Alvorada? Se a construtora consertou a piscina do palácio, ótimo. Ela arrumou e valorizou o patrimônio público. Nesse caso, qual foi o prejuízo para o erário?

Ou o Sr. Luis Inácio, já acusado antes – sem provas – de “roubar” crucifixos, faqueiros “fakes”, cujas fotos foram tiradas de um site de leilões dos EUA, etc, saiu com a piscina debaixo do braço, quando deixou de ser Presidente da República?

Ou mandou consertá-la para cometer outros crimes, quem sabe para fazer um “test-drive” nos emblemáticos – e caríssimos, ostentatórios – pedalinhos do sítio de Atibaia?

No afã de encontrar crimes que possam ser atribuídos ao ex-presidente da República, os responsáveis pelo “caso” tem que ter um mínimo de bom-senso e de sentido de proporção, para não passar ao mundo a impressão de que estão simplesmente forçando a barra para criar mais um de uma longa série de factoides políticos, ou simplesmente procurando, com microscópio eletrônico, pêlo em cabeça de ovo para incriminar o ex-presidente da República.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

CARTA ABERTA* A EXCELENTÍSSIMA MINISTRA CARMEN LÚCIA





Mui Digníssima Presidenta do STF

“A justiça é o pão do povo.

Às vezes bastante, às vezes pouca.

Às vezes de gosto bom, às vezes de gosto ruim,

Quando o pão é pouco, há fome.

Quando o pão é ruim,

há descontentamento”.

Bertolt Brecht – Poema O Pão do Povo.

A democracia no Brasil é um processo complexo e contraditório. Frágil democracia, tantas vezes abalada por golpes e contragolpes ao longo das últimas décadas. Não sou daqueles que afirmam, categoricamente, que o golpe trocou a farda pela toga, mas não escondo minha decepção com a omissão e o silêncio diante de tantos abusos e seletividade que vivemos nos dias atuais.

O golpe além de ferir de morte a democracia é reafirmação de privilégios, castas que, pela força do dinheiro, com a proteção da mídia e com compromissos corporativos, sentiram-se  ameaçadas diante dos novos tempos.

Essa crise que vive o Brasil não absolve, a priori, ninguém de responder por seus protagonismos  ou cumplicidades. O legislativo, o executivo, o MP, os TCU e também o judiciário são formados por homens e mulheres que reproduzem nos seus ofícios as relações de poder que emergem da sociedade.

As críticas são sempre bem-vindas. Nos limites da lei, por óbvio. Mas não devemos constranger os que se animam a falar, a criticar, a denunciar privilégios, salários abusivos, vantagens indevidas e abusos de poder, que não podem ser escondidos ou protegidos.

Imagine, Vossa Excelência, se, quando acusam um vereador de corrupto, eu me sentisse atingido? Se, quando um deputado fosse acusado, eu me ofendesse? Se, quando um senador fosse denunciando, todo Poder Legislativo se sentisse acuado?

Não devemos encorajar o silêncio das vozes, sejam quais forem, em nosso país.

Também não podemos permitir que predomine no Brasil a ideia de que determinados escalões da República sejam intocáveis, especialmente que permaneçam imunes a avaliações e críticas figuras que têm por função servir a sociedade brasileira. Estimular isso é, também, desencorajar o papel fiscalizador da sociedade.

Reações que buscam frear ou impedir críticas a essas figuras públicas, desprovidas de um rigoroso cuidado, jogarão nosso país de volta a tempos em que se apostava na falta de informação e no cerceamento da liberdade de expressão como melhores alternativas de controle da população e proteção das autoridades.

Não creio que esse seja o melhor caminho. Prefiro luzes da democracia para que toda denúncia seja apurada. Sem paixões corporativas. Sem medo de revirar as entranhas do que está escondido, do que “deve” ser evitado! Mais do que nunca, a democracia pede luzes. Não apague essa chance.

*Paulo Pimenta.

Brasília, 25/10/2016.

sábado, 22 de outubro de 2016

arrepios


                                                         

















                                                              teus pelos arrepiam              
                                                          quando sussurro em teus ouvidos
                                                          palavras mágicas de desejos             
                                                              e ao tocar teus lábios perco os sentidos!


                                                          liberta dos grilhões do medo 
                                                      mulher com a libido agitada
                                                         montas sobre meu dorso
                                                sedenta de prazer...


Imagem: La Dolce Vita




                                    Está no ar meu último lançamento: dois livros em um

                             O poema acima não integra Estrelas, livro de poemas inéditos

                              Para adquirir entre em contato: jestanislaufilho@gmail.com

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Feliz Aniversário


ACRÓSTICO AO ESCRITOR JOSÉ ESTANISLAU FILHO





J atos de silêncios maduros
O nde ficara tanto talento
S e em torrente de sabedoria
E le transmite paz e harmonia

E assim giram tantas atenções
S ob seus títulos poéticos
T ao somente o que se sente
A visa a alma de quem só cala
N ada lhe passa tão friamente
I nstante dourado ao seu lado
S úbita forma duma paisagem
L iteralmente apaixonado em arte 
A chama acesa dum coração grandioso
U ma concessão de gratidão no olhar

F ácil gostar de jeito espirituoso
I nvade as vidas com uma literatura 
L ida no entendimento de toda mente
H ino inspirador de canção amorosa
O seu múltiplo desejo de sempre estar... 



Luiza De Marilac  Bessa Luna Michel

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Governo mente: saúde perderá bilhões com a PEC 241

(Tabela do estudo técnico feito pela Câmara com as perdas na saúde)

O governo ilegítimo de Michel Temer mente aos brasileiros ao dizer que a PEC 241, proposta de emenda constitucional que prevê um teto dos gastos públicos pelos próximos 20 anos, já apelidada de PEC do Fim do Mundo, não trará cortes na saúde e educação. Estudos técnicos elaborados pela própria Câmara dos Deputados condenam a PEC justamente pelas perdas que se acumularão em ambos os setores. Na saúde, as perdas chegarão a nada menos que 63 bilhões de reais em 2025, último ano analisado pelos consultores da Câmara. Se aprovada, a PEC valerá até 2037.
A PEC do Fim do Mundo passou hoje em primeira votação no plenário da Câmara, mas ainda terá que passar por mais uma votação na antes de seguir para o Senado, onde também será votada duas vezes. Em relação à saúde, o parecer técnico indica que a PEC 241 implicará menos 2,8 bilhões de reais aplicados na saúde pública já em 2017 e 7,4 bilhões de reais a menos em 2018; o valor salta para 23,9 bilhões em 2019 e, em 2025, último ano calculado pelo estudo, a perda nos gastos públicos com a saúde chega a 63 bilhões de reais. Quem perderá com isso? Os ricos, que têm seus planos de saúde privados, ou a população mais pobre do país?
Com a educação é a mesma coisa: se a PEC do Fim do Mundo for aprovada, o Brasil não chegará nem mesmo a atingir o piso de 18% de gastos com a MDE (Manutenção e Desenvolvimento do Ensino) previstos na Consituição Federal. O artigo 212 da Constituição determina que, anualmente, a União aplique em despesas com a MDE no mínimo 18% da receita líquida de transferências (receita de impostos deduzida de transferências constitucionais a Estados e Municípios).
Mas, “com a aplicação do mecanismo da PEC 241, haveria redução dos recursos aplicados à educação de tal modo que nem a aplicação efetiva em MDE atingiria o piso constitucional de 18%”, diz o estudo técnico da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara. A perda não será sentida em 2017, mas a partir de 2018,  “a qual se acentuaria rapidamente nos exercícios seguintes”.
A área técnica da Câmara também criticou a duração do novo regime fiscal de 20 anos. “Parece excessiva”, escreveram os analistas. A Procuradoria Geral da República também já se posicionou contra a PEC 241 em um parecer onde defende que é “inconstitucional”. O procurador Rodrigo Janot avisou que pretende pedir o arquivamento do texto caso ele seja aprovado.
“A PEC 241 institui o Novo Regime Fiscal pelos próximos 20 anos, prazo longo o suficiente para limitar, prejudicar, enfraquecer o desempenho do Poder Judiciário e demais instituições do Sistema de Justiça e, nesse alcance, diminuir a atuação estatal no combate às demandas de que necessita a sociedade, entre as quais o combate à corrupção, o combate ao crime, a atuação na tutela coletiva, a defesa do interesse público”, diz o comunicado da Procuradoria, que pede a redução do regime para 10 anos com revisão na metade do tempo.
Se a PEC 241 for aprovada, o pessoal que foi para as ruas com cartazes pedindo “educação e saúde padrão Fifa” no máximo terá “educação e saúde padrão jogo de várzea”. As panelas, no entanto, continuam silenciosas.



Fonte: http://www.socialistamorena.com.br/governo-mente-saude-perdera-bilhoes/ 


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                                                             CONTOS DE MISTÉRIO

                                                                        POESIAS


sábado, 15 de outubro de 2016

As três acusações a Espinoza







Espinosa fez bem de não publicar seus livros em vida, as pessoas ainda não estavam preparadas para aquilo que tinha a dizer. Prova disso são as três principais acusações que fizeram a ele depois que suas ideias foram publicadas postumamente. Espinosismo era uma acusação séria, muitos tinham que tomar cuidado para não deixarem seus pensamentos confundirem-se com o do filósofo holandês.

Materialismo, imoralismo e ateísmo, são estas as três acusações ao nosso filósofo tão mal compreendido e tão pouco lido. Não que sejam inteiramente mentiras, mas a forma como são expressas retiram toda a beleza da vida e da obra deste grande pensador. Façamos justiça com a memória de Espinosa, expliquemos melhor por que seus detratores assim o acusaram:

Materialismo: Espinosa nada contra a corrente de tudo que estava sendo dito em seu tempo. Enquanto todos falavam de espírito, mente, razão, glândula pineal, ele nos diz: “mas nós nem sabemos ainda o que pode o corpo!”. Quanta ignorância, não sabemos nem ao menos o que fazer com este objeto tão caluniado que carregamos de um lado para o outro e fingimos não ser nós. O corpo é a base de tudo, o corpo é o chão de onde brotam os pensamentos. Não há mais um modelo filosófico onde a alma deve dominar os instintos e comandar as pulsões; agora o corpo pensa, reflete, julga. A consciência torna-se efeito, quebra-se a hierarquia mente-corpo. Quebrar com este domínio é deixar de lado o primeiro objeto metafísico que nos aprisiona. A mente é efeito, é ideia do corpo. Seria então materialista uma acusação, ou um elogio?

Imoralista: esta acusação é muito séria, e difícil de se entender. Seria Espinosa um hedonista vulgar, amante das bebedeiras, frequentador de prostíbulos? Seria o filósofo um cruel facínora, um perigoso delinquente? Espinosa não acusa… talvez por isso o tenham chamado de imoral; ele quer compreender para poder agir, não para julgar e condenar. A Ética desarticula todos os sistemas morais ao fazer uma matemática dos afetos. Como eles funcionam? Como fazê-los funcionar de modo que gerem muito mais felicidades e bons encontros ao invés de tristezas e maus-encontros? Espinosa não escreve para instituir a Lei: não há linha que não possa ser cruzada. Há apenas o bom-jeito e o mau-jeito. “Se você fizer isso é provável que aconteça isso“, tudo está resumido no modo como você se relaciona. O ignorante julga, culpabiliza, acusa, sofre as consequências; o sábio entende, decifra, mede, e age. Se exite uma Lei, esta é a de Deus, não dos homens, mas Deus confunde-se com a natureza, então não há como desobedecê-lo, tudo que fazemos é sua vontade, só temos que aprender o melhor jeito de fazê-lo então.

Ateu: Espinosa não era ateu, ou era, isso depende do ponto de vista. Em toda sua obra, Deus confunde-se com a natureza: não é um velho barbudo sentado em um trono. Deus age por sua mais absoluta vontade, extrema firmeza, sem a mínima hesitação, mas ele é a própria natureza se manifestando, inclusive em nós! Espinosa traz deus para o plano real, para a horizontalidade das relações.

"Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, /Como quem abre os olhos e vê, /E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, /E amo-o sem pensar nele, /E penso-o vendo e ouvindo, /E ando com ele a toda a hora” (Alberto Caeiro).

Espinosa se afasta de todos aqueles que tiram Deus deste mundo, pois só assim é possível julgar esta realidade que se manifesta completamente. Sua ética é um refletir sobre a felicidade, como alcançar a satisfação? Como viver bem? Certamente não é refletindo no pecado e no sacrifício na cruz.

Espinosa é um grande filósofo que nos quer ver agir, compreender para agir. Sua filosofia nos joga no mundo, mas ao mesmo tempo nos prepara para vivê-lo em toda sua plenitude, em toda sua potência; nos faz afirmar o aqui e agora, como apenas um verdadeiro filósofo faria. Existem muito padres que fingem ser filósofos, e é muito fácil de achá-los, basta perguntar-lhes o que acham de Espinosa.



Fonte: https://razaoinadequada.com/2014/06/05/as-tres-acusacoes-a-espinosa/


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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

apocalipse






coisa ruim dos infernos
nascido do esperma
do príncipe das trevas
universo em chamas
dor e gemidos eternos

come o que o consome
liberta o que o aprisiona
comida que não mata fome
vem dos quintos ser medonho
corroendo o cérebro
sugando o leito das artérias
há um cão danado: todos a ele
exposta a matéria
tão dura quanto mole

caos não tem singular
tão pesada a carga
raio ultra a violentar
o doce que amarga
cavaleiros do apocalipse
tão longe tão distante
não haverá explosão
silêncio e derretimento.




Da série: Escatologia 



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sábado, 8 de outubro de 2016

As imagens de um fotógrafo amador

                                            Lalá, Geralda e Lúcia- praça da matriz - Coroas
                                                            Imagem: autor desconhecido
                                              Trapezista - Circo Globo em tur em Coroas
                                                          imagem: jef - câmera Sony
 
                                            Pombal-Inst  . Chico Mendes - Ritápolis - MG
                                                                      Imagem: jef
                                          O Manacá da Serra sob minha janela Imagem: jef
                                                  Paisagem de Coroas - Imagem: jef
                                                                Cortina - Imagem: jef
                                          Regina no restaurante João e Maria - Imagem: jef
                                                               Tiradentes-MG

As imagens de um fotógrafo amador

                                            Lalá, Geralda e Lúcia- praça da matriz - Coroas
                                                            Imagem: autor desconhecido
                                              Trapezista - Circo Globo em tur em Coroas
                                                          imagem: jef - câmera Sony
 
                                            Pombal-Inst  . Chico Mendes - Ritápolis - MG
                                                                      Imagem: jef
                                          O Manacá da Serra sob minha janela Imagem: jef
                                                  Paisagem de Coroas - Imagem: jef
                                                                Cortina - Imagem: jef
                                          Regina no restaurante João e Maria - Imagem: jef
                                                               Tiradentes-MG

Canção Final




                Pegando uma carona na poesia do nosso poeta maior, para divulgar a poesia de um poeta menor
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Canção Final





Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.




Carlos Drummond de Andrade




quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Flagrantes de um fotógrafo amador

                                                     Tempo de oração - imagem jef
                                                Lenha para o alambique - imagem: jef
                                                   Imagem: jef - trilhas de Coroas-MG
                                                        Imagem: jef - missa aculturada -
                                                            Cel. Xavier Chaves-MG


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Serpentes


























Jerusa chegou em casa e foi logo desabafando:
       - Honestamente, a Flaviana é uma tremenda de uma chata. Que coisa!
Agora deu para implicar comigo por causa de minhas músicas. Ah, porque você coloca o som alto, Jerusa. Saco! Tem razão o Isaías de dizer que ela é uma serpente peçonhenta!
      - Também acho - concordou Suzana -, mas não se esqueça, o Isaías bem que bate as asinhas pra ela!
      - Será? O Isaías é tão demodé! Niilista. Não sei como a Maga aguenta.
      - Tem gosto pra tudo neste mundo, miga. Mas ele tem charme. É um intelectual, fi-ló-so-fo! Disse Suzana, com ironia.
    - Inteligente ele é sim. Às vezes fico com pena da Maga. Isaías não tem limites. Ele confunde liberdade com libertinagem - completou Jerusa, tomando as dores de Maga.
      - A Maga é uma bruxa, sabe se defender. Quero ver você se defender da serpente aí do lado.
     - Ah, melhor esquecer a Flaviana, melhor deixarmos as serpentes em paz. Mas que o Isaías bate as asinhas pra ela, ah, isso bate. A Maga que não abra os olhos.
    - Faz o seguinte, Jerusa - sugeriu Suzana -, coloca um cd do Chico, a Flaviana gosta de sertanejo universitário.
    - Boa ideia! Mas devagar com a serpente, porque ela pica. Brincadeira, a serpente do lado não é venosa. Vou coar um café. E pode ir me contando as novidades...



Da série Outras Espécies - esta coletânea não integra A Moça do Violoncelo.
Imagem: google




Serpentes

o que são

As serpentes são répteis pertencentes à ordem Squamata. São também conhecidas como cobras e apresentam como principal característica a ausência de pernas, que perderam durante o processo evolutivo.

- Algumas espécies de serpentes são peçonhentas, ou seja, possuem a capacidade de produzir veneno, através de glândulas na boca. Estas serpentes venenosas injetam o veneno nas presas, usando dentes inoculadores (específicos para tal tarefa)

Existem no Brasil, aproximadamente, setenta espécies de serpentes venenosas (peçonhentas). Muitas delas são extremamente perigosas, pois o veneno pode até levar uma pessoa à morte.

Curiosidades:

- A maior serpente do mundo é a píton, cujo comprimento pode atingir até 10 metros. Porém, a maior serpente venenosa do mundo é a surucucu, que pode atingir até quatro metros e meio de comprimento. Tem como habitat as florestas da Amazônia e a Mata Atlântica.

Fonte: http://www.todabiologia.com/zoologia/serpentes.htm















Está no ar A Moça do Violoncelo (contos de mistério) - Estrelas (poesias). Dois livros em um. Aos interessados façam contato por e-mail:

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Mais fotografias de um fotógrafo amador...

                                                              Visão parcial da praça
                                                     Coroas (Cel. Xavier Chaves-MG)
                                                                      Imagem: jef
                                                          Casa de adobe em Bichinho
                                                            Prados-mg - imagem: jef
                                                 
                                                  Mano Lalá e Helena - no Alambique
                                                        Bichinho - Prados - MG
                                                                  imagem: jef



                            Hoje tem espetáculo
                  Circo mambembe em Coroas - MG
                                   imagem: jef      

                                             Copa do Mundo na rua do meio - Coroas-MG
                                                                    Imagem: JEF
    

Fotografias de fotográfo amador


Itacarezinho
Itacaré-ba
Imagem: jef


                                                                  Valença - ba
                                                                  Imagem: jef
                                                                   Vila da Passarela
                                                                        Itacaré-ba
                                                                      Imagem: jef
                                              Visão do barco, rumo a Morro de São Paulo
                                                                      Valença-ba
                                                                      Itacaré-ba        
                                                                    Imagem: jef
                                                No barco, rumo a Morro de São Paulo-ba
                                                                    Imagem: gt    
           
 
                                                            Morro de São Paulo - ba
                                                                    Imagem: jef