terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Pássaro Noturno

Ouço passos na escada
É noite e há silêncio
Fico quieto ouvindo os passos ritmados subindo a escada
É uma mulher que vem com sapato de salto alto

No silêncio noturno meu coração bate batidas aceleradas
Na noite silenciosa estou só
A vela bruxuleia sobre a mesa em cúmplice solidão

Ouço passos na escada
Prenúncio de minha derradeira noite de espera
É ela que vem para por fim aos meus dias solitários

Reconheço seus passos decididos
Vem com seu vestido negro
Balançando os quadris
Com uma expressão de desejo

Espero a campanhia tocar
Sei que é ela chegando
Com seus cabelos longos
Ligeiramente encaracolados
Com um sorriso suave para me acalmar

Continuo paralisado 
Atento aos leves passos subindo a escada
Na noite silenciosa e fria

A minha hora se aproxima
E os passos dela subindo a escada
Parecem não ter fim
Vem com os lábios cor de rosa
Olhos meigos
Elegante e sedutora

Deixarei que ela me conduza ao quarto
E me coloque sobre a cama com candura

Meus tristes dias logo logo terão fim
Pois ouço o toque de seus passos
Ecoando na escada
É ela finalmente chegando

Quando ela me tocar
Meu coração deixará de bater acelerado
Quando ela pousar seus doces lábios sobre os meus
Meu coração silenciará

É ela sim
Reconheço bem seus passos na escada
É ela que vem
Meu pássaro noturno.


J Estanislau Filho

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A Linha Levítica. Ou Leviana



Diz o Oráculo de Delfos: “À vista do que se delineia, até setembro o empresariado vai pedir a Dilma que tire Joaquim Levy do Ministério da Fazenda”. Por que setembro? Tento entender: até lá a recessão seria inevitável ao sabor da política monetarista que caracteriza a atual gestão da economia brasileira. A se considerar que a opção do País nesta atribulada situação é crescer e crescer, nada mais daninho do que a orientação levítica. Ou leviana?

O Oráculo, como se sabe, é originário da Grécia antiga, mas ao longo dos séculos deu para se encarnar em figuras distintas e devidamente influentes. Refiro-me, portanto, a alguém merecedor de respeito. Veremos o que veremos, embora o Oráculo não costume errar.

À indústria cabe protagonizar crescimento. O Conselheiro Acácio concorda. Seu êxito depende do mercado nacional e internacional, aquele que não se confunde com o Mercado, com M grande, já há décadas alçado à condição de Moloch global. Aquele é habitado por quem consome, este faz a felicidade de banqueiros e especuladores. Não há como enganar-se quanto ao fato de que Joaquim Levy está na Fazenda para agradar ao Mercado.

Falha gravíssima do primeiro mandato de Dilma Rousseff foi o descaso com que a indústria brasileira foi abandonada ao seu destino. Convém insistir no erro? Em um primeiro momento, não faltou quem se regozijasse quando a presidenta faz exatamente o que faria a turma da casa-grande caso ganhasse a eleição de outubro passado. Procuro interpretar o vaticínio oracular: com o tempo, e em meio ao recrudescer da crise, o empresariado irá render-se à voz da razão, a bem de todos. O almejado bem geral da Nação. Geral? Nem tanto, a turma do privilégio gostaria que tudo ficasse como está.

Em um país forçado à devoção do neoliberalismo, o investimento dará lugar ao rentismo no seu exercício mais desbragado. Outras as demandas recomendadas pelo momento difícil. Em primeiro lugar, esforço concentrado para renovar os objetivos do PAC em obras de infraestrutura, em um Brasil aflito por imperdoáveis crises, uma energética, outra hídrica, sem contar o desastre da administração tucana de São Paulo, a exibir o leito da Cantareira crestado como as secas das terras nordestinas de outros tempos.

Outro empenho decisivo diz respeito à recuperação do prestígio da Petrobras, quarta maior empresa petrolífera do mundo, hoje em risco insustentável vítima de escândalos que ferem a credibilidade do próprio Estado brasileiro. A ação exige, obviamente, determinação e firmeza, sem tergiversações, e muito menos leniência, na punição dos culpados e no reacerto das rotas.

O que preocupa é a mediocridade dos conselheiros da presidenta, enquanto a distância entre a própria e Lula repete neste momento as dimensões do primeiro mandato. Está certo, dirá o ex-presidente, sempre disposto a entender, desde a vitória de Dilma em 2010, a justa aspiração da criatura de afirmar independência em relação ao criador, dizer a que veio e deixar seu legado.

Lula também sublinhará jamais ter pressionado a favor da nomeação de qualquer ministro, embora seja do conhecimento até do mundo mineral não apreciar vários entre os mais chegados a Dilma. Resta ver o que acontecerá se os maus agouros vingarem. Ou seja, se a recessão chegar em um Brasil que não cresce. Qual haverá de ser, se assim for, a postura de Lula?

O Brasil carregou, por mais de um século, a tradição de votar em pessoas em lugar de partidos, aspecto de óbvia explicação em um país onde partidos, na acepção democrática, desde sempre não passaram de clubes recreativos fundados por senhores da casa-grande. Com o PT desenhou-se a possibilidade de uma mudança. Não foi mantida. No poder o PT portou-se como todos os demais, com a agravante de ter prometido para não cumprir.

Não está claro até que ponto Lula pode e quer empenhar-se para recolocar seu partido nos trilhos originais. Tampouco estão claras suas intenções na perspectiva de 2018. Nem lhe conviria, agora, uma definição. Certa é sua boa saúde, o que poderia contribuir para apresentar a candidatura na hora oportuna. Trágico para Dilma se ele surgisse como o salvador da pátria. Não menos trágico para a casa-grande. Para os moradores da mansão, e dos seus aspirantes, Lula é a ameaça de longe mais apavorante, com ou sem partido.


Mino Carta.

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2015/01/26/mino-sobre-lula-dilma-e-levy-2/

domingo, 25 de janeiro de 2015

Visionário



Sou um visionário, sonhador!
Corro atrás de um dente de ouro em bocas de cavalos.
Viajo em tapete voador
E entre nuvens e vales vejo o céu em intervalos.
Meu sorriso é largo.
Ao vê-la Dulcinea
Me sinto parco
E farto de ideal.
Eu te levarei ao altar
Para selar nosso pacto
Prometo te dar colar de âmbar
Pérolas e diamantes
Juro pelo meu fiel escudeiro
Ser teu eterno amante!



J Estanislau Filho

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A Dança das Folhas



A dança das folhas encanta os olhos do poeta
O sopro do vento dita o ritmo desse bailado
E as folhas fazem bonitas acrobacias no ar
E juntas enfeitam os solos dos dias outonais

As folhas na sua dança seguem em direção incerta
Saem voando todas desvairadas para tudo que é lado 
Nem sabem direito aonde realmente elas irão repousar 
Mas certamente elas terão seus caminhos individuais 

Na sua dança as folhas fazem com a natureza a sua festa 
E ilumina o coração de todo o transeunte apaixonado 
E deixa qualquer mortal com muita vontade de namorar

As folhas em sua dança se retiram de forma discreta
Deixam espaço para que um novo ciclo seja renovado
E os olhos do poeta mais uma vez vão se encantar


Fábio Brandão Caldeira

Escreve no Recanto das Letras.

Imagem: JEF

domingo, 11 de janeiro de 2015

NUDEZ PLENA...





Ela se despia da vida
Ela se despia da vergonha
Do rosto branco em olhos verdes

Ela se despía do medo
Escrevia tudo para ele fazer mais sucesso
Do romantisno ao parnasianismo tudo...

Ela se despia das vestes íntimas
À noite se entregava em pensamentos
E os segredos se misturavam em poções eróticas...

Eles só queriam silêncio para se amar longinquamente...

Luiza De M B L Michel

sábado, 10 de janeiro de 2015

UM HOMEM MAGRO

Era um homem magro, tão magro de quase não se enxergar. Os míopes tinham dificuldades maiores de notar a sua presença. Acontecia, muitas vezes, destas pessoas irem de encontro ao seu corpo, que os pedidos de desculpas foram, aos poucos, sendo substituídos por impropérios.
     Durante um tempo, a fim de evitar estes transtornos, ele quase não saia de casa, mas como não gostava de solidão, encontrou uma alternativa: passou a usar uma fita fosforescente no pescoço, para anunciar a sua passagem. Isto facilitou muito o seu cotidiano, mas além de magrelo, anoréxico, linha de anzol, minhoca e outros adjetivos, passaram a chamá-lo de homem-luz.
     No começo ele ficou aborrecido, mas depois passou a gostar e sentia-se feliz de assim ser identificado. Um ser que emana luz é um esplendor.A magreza proporcionava-lhe algumas vantagens: podia entrar e sair dos locais com facilidade; proteger-se do sol abrasador sob minúsculas sombras; esgueirar-se entre os interstícios; brincar de esconde-esconde com as crianças. Ficava aborrecido por não ser tratado com naturalidade. Viviam a perguntar-lhe porque era tão magro, se não se alimentava adequadamente, porque não procurava um tratamento... No início ele ficava irritado e respondia desaforadamente, mandando o curioso cuidar da sua própria vida, que não se preocupasse com ele, que a única pergunta razoável a que se propunha responder era, se era feliz. Ia logo adiantando que era.
     Declarar-se feliz constrangia seus inquiridores, que desistiam de novas perguntas. Ele percebeu, então, que a felicidade era uma coisa rara e incômoda. Percebeu, também, que poderia deixar um legado para a humanidade: para ser feliz é necessário que cada um aceite a sua condição. Mas num átimo pensou que isto levaria a um viés conservador. Reformulou sua teoria propondo a aceitar o que não pode ser mudado e mudar o que é necessário à felicidade.
     Satisfeito com a solução começou a pôr em prática o seu projeto: levar amor onde houvesse ódio, alegria onde houvesse tristeza, cura onde houvesse doença, paz em vez de guerra. Nas primeiras ações percebeu que a tarefa era árdua, precisava criar agentes multiplicadores. Mas fazia tudo com muita leveza, sem ansiedade, pois sabia que as boas sementes germinam e dão bons frutos. Atendia a todos com o coração cheio de amor, mas não tinha palavras só de consolo. Muitas vezes perdia a paciência com alguém que insistia em desconsiderar-se e pedia que voltasse a conversar com ele, quando se corrigisse.
     Após longos exercícios, ele aprendeu a levitar. As crianças ficavam admiradas vendo-o subir aos ares, empoleirando-se nos galhos das árvores e descendo ao chão suavemente. Chegaram a dizer que ele fazia isto por conta da sua magreza, ajudado pela força do vento. Ele respondia pacientemente, dizendo que qualquer um podia alçar voo. Precisava apena aprender a se concentrar. Através de muitos exercícios, ele conseguiu um dia voar cerca de dez minutos, fazendo mais de dez quilômetros a seiscentos e cinquenta e três pés de altura. Para a primeira experiência, ele escolheu um local deserto, com receios de despertar sentimentos incognoscíveis nas pessoas. A sensação que experimentou durante o voo foi a de não se ser prisioneiro de concupiscência, que se dissipou quando voltou a pisar em terra firme. Quis alçar novo voo, mas não teve forças. Retornou em silêncio, observando pequenos pontos negros nas alturas: urubus voando serenamente em círculos. Teve curiosidade em saber como eles podiam voar tão alto a ponto de desaparecerem no infinito.
     Este homem leve levava consigo o desejo de encontrar alguém para compartilhar a descoberta de um novo modo de viver. Por respeito ou por temor, as pessoas já não ousavam agredi-lo com palavras ou gestos, proporcionando-lhe uma vantagem: podia expor suas ideias e convencer alguns a segui-lo. No começo, não conseguiu convencer ninguém. Ao conjeturar sobre estas dificuldades, concluiu que havia falhas de comunicação, que o projeto precisava ser mais bem elaborado. Começou, então a trabalhar com crianças e em pouco tempo, algumas davam pequenos voos desequilibrados, mas era um sinal de que trilhava o caminho certo. Com elas descobriu que seria capaz de voar muito alto quando se despojasse inteiramente de sentimentos mesquinhos. Decidiu parar de se exibir em voos acrobáticos, mesmo para as crianças, pois o fazia por vaidade. Passou, então, ao nível delas. Precisava fazer se respeitar sem artifícios, levando uma vida normal com os seus semelhantes, sem, contudo, abrir mão do sonho de voar.
     Voltou à atividade de artesão, confeccionando pipas coloridas de  modelos variados: arraia, papagaio, pandorga, quadrado, que vendia em feiras públicas, à margem das rodovias e em eventos culturais nas cidades do interior, em especial no circuito da Estrada Real. Gostava muito de ambientes tranquilos, em contato com a natureza, por isso ia muitas vezes a Coronel Xavier Chaves ou a Bichinho visitar o amigo Berzé, para trocar ideias de artes. Só de ver os dois conversando sobre criatividade era uma alegria de encher o coração. Mas para alguns era uma conversa de malucos, não entendiam o que diziam. Às vezes o homem magro parecia ausente, via-se apenas uma faixa de luz circulando e  Berzé rabiscando umas figuras estranhas num papel, entregando para ele. Eles interagiam, como algum tempo depois ficou provado: os rabiscos do desenhista transformavam-se em maravilhosas pipas nas mãos do artesão.
     O homem magro, por mais que tentasse não era uma pessoa comum. Isto o incomodava um pouco, pois as pessoas o olhavam de um modo diferente e ele queria um olhar de igualdade. Certo dia em que nuvens pesadas ofuscavam o azul-celeste, pousou no frondoso pé de buriti do quintal de sua casa uma arara-azul. Ao sair para vê-la, encheu-se de alegria e em seguida encheu-se de preocupação. Porque uma ave rara, em vias de extinção migrava para a cidade? Precisava protegê-la e não sabia como. Ficou em silêncio profundo com receio de assustá-la. De repente, ela o viu observando e parou de comer e ficou a fitá-lo do alto do buritizeiro. Assim permaneceram durante alguns minutos, a ave e o homem não se moviam a ponto de ouvir o pulsar dos corações. Ele não querendo magoá-la e ela...queria o quê? Por fim ela entoou um canto sem tirar os olhos de sua direção e a bater as asas. E ele, na tentativa de estabelecer uma comunicação, pôs-se a grasnar de cócoras, dando pulos e batendo os braços, como se fossem asas. Quando voltou a si, encontrava-se perto das nuvens, acompanhado pela arara-azul.



J Estanislau Filho - do livro Filhos da Terra, página 157 - Edição do Autor - 2009 - Esgotado.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nascer no Cairo, ser fêmea de cupim





Rubem Braga


Conhece o vocábulo escardinchar? Qual o feminino de cupim? Qual o antônimo de póstumo? Como se chama o natural do Cairo?

O leitor que responder "não sei" a todas estas perguntas não passará provavelmente em nenhuma prova de Português de nenhum concurso oficial. Alias, se isso pode servir de algum consolo à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto cronista, seu semelhante e seu irmão.

Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu caro professor de Português, que eu não deveria confessar isso; que é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer o meu instrumento de trabalho, que é a língua.

Concordo. Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, apontando erros de Português. Um deles chegou a me passar um telegrama, felicitando-me porque não encontrara, na minha crônica daquele dia, um só erro de Português; acrescentava que eu produzira uma "página de bom vernáculo, exemplar". Tive vontade de responder: "Mera coincidência" — mas não o fiz para não entristecer o homem.

Espero que uma velhice tranquila - no hospital ou na cadeia, com seus longos ócios — me permita um dia estudar com toda calma a nossa língua, e me penitenciar dos abusos que tenho praticado contra a sua pulcritude. (Sabem qual o superlativo de pulcro? Isto eu sei por acaso: pulquérrimo! Mas não é desanimador saber uma coisa dessas? Que me aconteceria se eu dissesse a uma bela dama: a senhora é pulquérrima? Eu poderia me queixar se o seu marido me descesse a mão?).

Alguém já me escreveu também — que eu sou um escoteiro ao contrário. "Cada dia você parece que tem de praticar a sua má ação — contra a língua". Mas acho que isso é exagero.

Como também é exagero saber o que quer dizer escardinchar. Já estou mais perto dos cinqüenta que dos quarenta; vivo de meu trabalho quase sempre honrado, gozo de boa saúde e estou até gordo demais, pensando em meter um regime no organismo — e nunca soube o que fosse escardinchar. Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado ninguém; se o fiz, mereço desculpas, pois nunca tive essa intenção.

Vários problemas e algumas mulheres já me tiraram o sono, mas não o feminino de cupim. Morrerei sem saber isso. E o pior é que não quero saber; nego-me terminantemente a saber, e, se o senhor é um desses cavalheiros que sabem qual é o feminino de cupim, tenha a bondade de não me cumprimentar.

Por que exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua portuguesa uma série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma pessoa conta para "pegar" as outras? O habitante do Cairo pode ser cairense, cairei, caireta, cairota ou cairiri — e a única utilidade de saber qual a palavra certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas. Vocês não acham que nossos funcionários públicos já gastam uma parte excessiva do expediente matando palavras cruzadas da "Última Hora" ou lendo o horóscopo e as histórias em quadrinhos de "O Globo?".

No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as pessoas se entendam, ruas um instrumento de suplício e de opressão que ele, gramático, aplica sobre nós, os ignaros.

Mas a mim é que não me escardincham assim, sem mais nem menos: não sou fêmea de cupim nem antônimo do póstumo nenhum; e sou cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente — de Cachoeiro de Itapemirim!

Rio, novembro, 1951


Texto extraído do livro "Ai de Ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 197.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

POEMA PARA QUEM NÃO TEM PRESSA

como tudo passa tão depressa
a vida escorrendo entre os dedos
passa a coragem passa o medo...
correria no trabalho pressa no apego
o tempo urge
ruge em nossos ouvidos
time is money...

q vc ñ pd + pr
e ver a flor desabrochar
poesia curta conto mínimo

porque é preciso correr
não ver o sol não ver a lua
[estrelas nem pensar]
não perceber o mar...
amar pr q?

dinâmico dinâmica
dinamita homem bomba
bum bum bumba-meu-boi

o amor fugaz
ejaculação precoce
rápida prece
poema prolixo um lixo...

síntese perfeita
passa a vida
passa o próximo e a morte se aproxima
não perder o foco o máximo...

correr correr
correr correr correr
correr para crer
correr para vermos
"tá lá um corpo estendido no chão"...

sai da frente mané
vrummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
ronnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
papapapapapapapapapapapapapapa
pá!
cléclécléclécléclécléclé

compressa na cabeça com pressa
pressa à beça bessa
lima limão suco bom é da caixinha
acelera coração
compreensão
bummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmbatcumbum
zirigdumbatcumbumaxéparangolésambanopé
sabe Deus onde isso vai dar
dicotomia mia o gato mefistofélix
taniaorsiporquemchoras?
levi levita versos vide verso
o bebê bebe cólera jorge alves
fulana escamoteia a dor
do q ri suzaza?
alice reclama
tâniameneses contesta
olynda se aquieta
edna protesta
e clevane desaparece nesse mar de poetas...

lúcia reza cuidando das crias
carloslúciogontijo cria sucessivas poesias
esta sede seda corações e mentes
e não cede espaço para contemplar
celina menina de olhos atentos
lucília rosa dos ventos
flor enigmática
miguel pragmático
parabólika em órbita já não diz o que sente
será pressa será medo?
quero saber não quero
quero-quero
será doce val?
virou mulher a menina nayara
iara no breu ilustra poema...
o autor quer pressa
expressa seu intento
[afinal quem vai ler isto?]
e dayrell quer parar o tempo...


a morte virá de qualquer jeito
para todos os sujeitos
vrummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm


J Estanislau Filho





sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Discurso de Posse de Dilma Rousseff - para cobrarmos!





Senhoras e Senhores,
Volto a esta casa com a alma cheia de alegria, de responsabilidade e de esperança.
Sinto alegria por ter vencido desafios e honrado o nome da mulher brasileira.
O nome de milhões de guerreiras anônimas que, voltam a ocupar, encarnadas na minha figura, o mais alto posto de nossa grande nação.
Encarno outra alma coletiva que amplia ainda mais a minha responsabilidade e a minha esperança.
O projeto de nação que é detentor do mais profundo e duradouro apoio popular da nossa história democrática.
Este projeto de nação triunfou e permanece, devido aos grandes resultados que conseguiu até agora, e porque o povo entendeu que este é um projeto coletivo de longo prazo.
Este projeto pertence ao povo brasileiro e, mais que nunca, é para o povo e com o povo que vamos governar.
A partir do extraordinário trabalho iniciado pelo governo do presidente Lula e continuado por nós, temos hoje a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome.
Resgatamos 36 milhões da extrema pobreza, 22 milhões apenas em meu primeiro governo.
Nunca tantos brasileiros ascenderam às classes médias.
Nunca tantos brasileiros conquistaram tantos empregos com carteira assinada.
Nunca o salário mínimo e os demais salários se valorizaram por tanto tempo e com tanto vigor.
Nunca tantos brasileiros se tornaram donos de suas próprias casas.
Nunca tantos brasileiros tiveram acesso ao ensino técnico e à universidade.
Nunca o Brasil viveu um período tão longo sem crises institucionais.
Nunca as instituições foram tão fortalecidas e respeitadas, e nunca se apurou e puniu com tanta transparência a corrupção.
Em nossos governos, cumprimos o compromisso fundamental de oferecer, a uma população enorme de excluídos, os direitos básicos que devem ser assegurados a qualquer cidadão.
O direito de trabalhar, de alimentar a família, de educar e acreditar em um futuro melhor para seus filhos.
Isso que era tanto para uma população que tinha tão pouco, tornou-se pouco para uma população que conheceu, enfim, governos que a respeitam e que realmente se esforçam para protegê-la.
A população quis que ficássemos porque viu o resultado do nosso trabalho, compreendeu as limitações que o tempo nos impôs e concluiu que poderemos fazer muito mais.
O recado que o povo nos mandou não foi só de reconhecimento e confiança, foi também um recado de quem quer mais e melhor.
Por isso, a palavra mais repetida na campanha foi mudança, e o tema mais invocado foi reforma.
Por isso, eu repito hoje, nesta solenidade de posse: fui reconduzida à Presidência para continuar as grandes mudanças do país e não trairei este chamado.
O povo brasileiro quer mudanças, quer avançar, quer mais.
É isso que também quero!
É isso que vou fazer, com destemor mas com humildade, contando com o apoio desta Casa e com a força do povo.
Este ato de posse é, antes de tudo, uma cerimônia de reafirmação e ampliação de compromissos. É a inauguração de uma nova etapa neste processo histórico de mudanças sociais do Brasil.
Faço questão, também, de renovar, nesta Casa, meu compromisso de defesa permanente e obstinada da Constituição, das leis, das liberdades individuais, dos direitos democráticos, da mais ampla liberdade de expressão e dos direitos humanos.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras,
Em meu primeiro mandato, o Brasil alcançou um feito histórico: superamos a extrema pobreza.
Mas como eu disse – e sei que é expectativa de todos os brasileiros – o fim da miséria é só um começo.
Agora, é a hora de prosseguir com o nosso projeto, de perseguir novos objetivos. É hora de melhorar o que está bom, corrigir o que é preciso e fazer o que o povo espera de nós.
Sim, neste momento, ao invés de simplesmente garantir o mínimo necessário, temos que lutar para oferecer o máximo possível. Vamos precisar, governo e sociedade de paciência, coragem, persistência, equilíbrio e humildade para vencer os obstáculos. E venceremos
O povo brasileiro quer democratizar, cada vez mais a renda, o conhecimento e o poder.
O povo brasileiro quer educação, saúde, e segurança de mais qualidade.
O povo brasileiro quer ainda mais transparência e mais combate a todos os tipos de crimes, especialmente a corrupção – e quer que o braço da justiça alcance a todos de forma igualitária.
Eu não tenho medo de encarar estes desafios, até porque sei que não vou enfrentar esta luta sozinha.
Sei que conto com o apoio dos senhores e das senhoras parlamentares, legítimos representantes do povo neste Congresso Nacional.
Sei que conto com o apoio do meu querido vice-presidente, Michel Temer, parceiro de todas as horas.
Sei que conto com o esforço dos homens e mulheres do Judiciário.
Sei que conto com o forte apoio da minha base aliada, de cada liderança partidária de nossa base e com os ministros e ministras que estarão, a partir de hoje, trabalhando ao meu lado pelo Brasil.
Sei que conto com o apoio de cada militante do meu partido, o PT, e da militância de cada partido da base aliada, representados aqui pelo mais destacado militante e maior líder popular da nossa história, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sei que conto com o apoio dos movimentos sociais e dos sindicatos; e sei o quanto estou disposta a mobilizar todo povo brasileiro neste esforço para uma nova arrancada do nosso querido Brasil.
Assim como provamos que é possível crescer e distribuir renda, vamos provar que se pode fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados ou trair nossos compromissos sociais.
Vamos provar que depois de fazermos políticas sociais que surpreenderam o mundo, é possível corrigir eventuais distorções e torná-las ainda melhores.
É inadiável, também, implantarmos práticas políticas mais modernas e éticas e por isso mesmo mais saudáveis.
É isso que torna urgente e necessária a reforma política.
Uma reforma profunda que é responsabilidade constitucional desta Casa, mas que deve mobilizar toda a sociedade na busca de novos métodos e novos caminhos para nossa vida democrática. Reforma política que estimule o povo brasileiro a retomar seu gosto e sua admiração pela política.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Neste momento solene de posse é importante que eu detalhe algumas ações e atitudes concretas que vão nortear nosso segundo mandato.
As mudanças que o país espera para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia.
Isso, para mim, não é novidade.
Sempre orientei minhas ações pela convicção sobre o valor da estabilidade econômica, a centralidade do controle da inflação, o imperativo da disciplina fiscal e a necessidade de conquistar e merecer a confiança dos trabalhadores e dos empresários.
Mesmo em meio a um ambiente internacional de extrema instabilidade e incerteza econômica, o respeito a esses fundamentos econômicos nos permitiu colher resultados positivos.
Em todos os anos do meu primeiro mandato, a inflação permaneceu abaixo do teto da meta e assim vai continuar.
Na economia, temos com o quê nos preocupar, mas também temos o que comemorar.
O Brasil é hoje a 7ª economia do mundo, o 2º maior produtor e exportador agrícola, o 3º maior exportador de minérios, o 5º país que mais atrai investimentos estrangeiros, o 7º em acúmulo de reservas cambiais e o 3º maior usuário de internet.
Além disso, a dívida líquida do setor público é hoje menor do que no início do meu mandato.
As reservas internacionais estão em patamar histórico, na casa dos 370 bilhões de dólares.
Os investimentos estrangeiros diretos atingiram, nos últimos quatro anos, volumes recordes.
Mais importante: a taxa de desemprego está nos menores patamares já vivenciados na história de nosso país.
Geramos 5 milhões e 800 mil empregos formais em um período em que o mundo submergia em desemprego.
Porém queremos avançar ainda mais e precisamos fazer mais e melhor!
Por isso, no novo mandato vamos criar, por meio de ação firme e sóbria na economia, um ambiente ainda mais favorável aos negócios, à atividade produtiva, ao investimento, à inovação, à competitividade e ao crescimento sustentável. Combateremos sem tréguas a burocracia.
Tudo isso voltado para o que é mais importante e mais prioritário: a manutenção do emprego e a valorização do salário, muito especialmente, a política de valorização do salário mínimo que continuaremos assegurando.
Mais que ninguém sei que o Brasil precisa voltar a crescer.
Os primeiros passos desta caminhada passam por um ajuste nas contas públicas, um aumento na poupança interna, a ampliação do investimento e a elevação da produtividade da economia.
Faremos isso com o menor sacrifício possível para a população, em especial para os mais necessitados.
Reafirmo meu profundo compromisso com a manutenção de todos os direitos trabalhistas e previdenciários.
Temos consciência que a ampliação e a sustentabilidade das políticas sociais exige equidade e correção permanente de distorções e eventuais excessos.
Vamos mais uma vez derrotar a falsa tese que afirma existir um conflito entre a estabilidade econômica e o investimento social e em infraestrutura.
Ao falar dos desafios da nossa economia, faço questão de deixar uma palavra aos milhões de micro e pequenos empreendedores do Brasil.
Em meu primeiro mandato, aprimoramos e universalizamos o Simples e ampliamos a oferta de crédito para os pequenos empreendedores.
Quero, neste novo mandato, avançar ainda mais. Pretendo encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei criando um mecanismo de transição entre as categorias do Simples e os demais regimes tributários.
Vamos acabar com o abismo tributário que faz os pequenos negócios terem medo de crescer. Porque se o pequeno negócio não cresce, o país também não cresce.
Nos dedicaremos, ainda, a ampliar a competitividade do nosso país e das nossas empresas.
Daremos prioridade ao desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação, estimulando e fortalecendo as parcerias entre o setor produtivo e nossos centros de pesquisa e universidades.
Um Brasil mais competitivo está nascendo também, a partir dos maciços investimentos em infraestrutura, energia e logística.
Desde 2007, foram duas edições do Programa de Aceleração do Crescimento –o PAC-1 e o PAC-2– que totalizaram cerca de 1 trilhão e 600 bilhões de reais em investimentos em milhares de kms de rodovias, de ferrovias; em obras nos portos, terminais hidroviários e em aeroportos. Na expansão da geração e da rede de transmissão de energia. Em obras de saneamento e ligações de energia do Luz para Todos.
Com o Programa de Investimentos em Logística, demos um passo adiante, construindo parcerias com o setor privado, implementando um novo modelo de concessões que acelerou a expansão e permitiu um salto de qualidade de nossa logística.
Asseguramos a concessão de aeroportos e de milhares de km de rodovias e a autorização para dezenas de novos terminais portuários de uso privado.
Agora, vamos lançar o PAC 3 e o Programa de Investimento em Logística 2. Assim, a partir de 2015 iniciaremos a implantação de uma nova carteira de investimento em logística, energia, infraestrutura social e urbana, combinando investimento públicos e parcerias privadas.
Vamos o aprimorar os modelos de regulação, o mercado privado de crédito de longo prazo, as garantias para financiamento de projetos de grande vulto.
Reafirmo ainda meu compromisso de apoiar Estados e municípios na tão desejada expansão da infraestrutura de transporte coletivo em nossas cidades.
Está em andamento uma carteira de 143 bilhões de reais em obras de mobilidade urbana por todo o Brasil.
Assinalo que, neste novo mandato, daremos especial atenção à infraestrutura que vai nos conduzir ao Brasil do futuro: a rede de internet em banda larga.
Em 2014, em um esforço conjunto com este Congresso Nacional, demos ao Brasil uma das legislações mais modernas do mundo na área da internet, o Marco Civil da Internet.
Reitero aqui meu compromisso de, nos próximos quatro anos, promover a universalização do acesso a um serviço de internet em banda larga barato, rápido e seguro.
Quero reafirmar o compromisso de continuar reduzindo os desequilíbrios regionais, impulsionando políticas transversais e projetos estruturantes, especialmente no Nordeste e na região Amazônica. Foi decisivo mitigar o impacto desta prolongada seca no semi-árido nordestino, mas mais importante será a conclusão da nova e transformadora infraestrutura de recursos hídricos perenizando 1.000 km de rios, combinada com o importante investimento social em mais de um milhão de cisternas.
Senhoras e Senhores
Gostaria de anunciar agora o novo lema do meu governo.
Ele é simples, direto e mobilizador.
Reflete com clareza qual será a nossa grande prioridade e sinaliza para qual setor deve convergir o esforço de todas as áreas de governo.
Nosso lema será: Brasil, pátria educadora!
Trata-se de lema com duplo significado. Ao bradarmos “Brasil, pátria educadora” estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e sentimento republicano.
Só a educação liberta um povo e lhe abre as portas de um futuro próspero.
Democratizar o conhecimento significa universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis –da creche à pós-graduação; para todos os segmentos da população– dos mais marginalizados, os negros, as mulheres e todos os brasileiros.
Ao longo deste novo mandato, a educação começará a receber volumes mais expressivos de recursos oriundos dos royalties do petróleo e do fundo social do pré-sal.
Assim, à nossa determinação política se somarão mais recursos, mais investimentos.
Vamos continuar expandindo o acesso às creches e pré-escolas para todos, garantindo o cumprimento da meta de universalizar, até 2016, o acesso de todas as crianças de 4 e 5 anos à pré-escola.
Daremos sequência à implantação da alfabetização na idade certa e da educação em tempo integral.
Ênfase especial daremos ao ensino médio, buscando em parceria com os Estados efetivar mudanças curriculares e o aprimoramento da formação dos professores.
O Pronatec oferecerá, até 2018, 12 milhões de vagas para que nossos jovens, trabalhadores e trabalhadoras tenham mais oportunidades de conquistar melhores empregos e possam contribuir ainda mais para o aumento da competitividade da economia brasileira.
Darei especial atenção ao Pronatec Jovem Aprendiz, que permitirá às micro e pequenas empresas contratarem um jovem para atuar em seu estabelecimento.
Vamos continuar apoiando nossas universidades e estimulando sua aproximação com os setores mais dinâmicos da nossa economia.
O Ciência Sem Fronteiras vai continuar garantindo bolsas de estudo nas melhores universidades do mundo para 100 mil jovens brasileiros.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros.
O Brasil vai continuar como o país lider, no mundo, em políticas sociais transformadoras.
Aos beneficiários do Bolsa Família continuaremos assegurando o acesso às políticas sociais e a novas oportunidades de renda. Destaque será dado à formação profissional dos beneficiários adultos e à educação das crianças e dos jovens.
Com a terceira fase do Minha Casa Minha Vida contrataremos mais 3 milhões de novas moradias, que se somam às 2 milhões de casas entregues até 2014 e às 1 milhão e 750 mil moradias em construção, que serão entregues neste segundo mandato.
Na saúde, reafirmo nosso compromisso de fortalecer o SUS.
Sem dúvida, a marca mais importante de meu primeiro mandato foi a implantação do Mais Médicos, levando atendimento básico de saúde a 50 milhões de brasileiros que não tinham acesso, nas áreas mais vulneráveis do nosso país.
Persistiremos ampliando as vagas em graduação e em residência médica, para que cada vez mais jovens brasileiros possam se tornar médicos e assegurar atendimento ao povo brasileiro.
Neste segundo mandato, vou implantar o Mais Especialidades para garantir o acesso resolutivo e em tempo oportuno aos pacientes que necessitem de consulta com especialista, exames e os respectivos procedimentos.
Meus amigos e minhas amigas,
Assumo com todas as brasileiras e brasileiros o compromisso de redobrar nossos esforços para mudar o quadro da segurança pública em nosso País.
Instalaremos centros de comando e controle em todas as capitais, ampliando a capacidade de ação de nossas polícias e a integração dos órgãos de inteligência e das forças de segurança pública.
Reforçaremos as ações e a nossa presença nas fronteiras para o combate ao tráfico de drogas e de armas com o Programa Estratégico de Fronteiras.
Vou propor ao Congresso Nacional alterar a Constituição Federal, para tratar a segurança pública como atividade comum de todos os entes federados, permitindo à União estabelecer diretrizes e normas gerais válidas para todo o território nacional, para induzir políticas uniformes no país e disseminar a adoção de boas práticas na área policial.
Senhoras e senhores,
Investimos muito e em todo o País sem abdicar, um só momento, de nosso compromisso com a sustentabilidade ambiental do nosso desenvolvimento.
Um dado explicita este compromisso: alcançamos, nos quatro anos de meu primeiro mandato, as quatro menores taxas de desmatamento da Amazônia.
Nos últimos 4 anos, o Congresso Nacional aprovou um novo Código Florestal e implementamos o Cadastro Ambiental Rural – CAR. Vamos aprofundar a modernização de nossa legislação ambiental e, já a partir deste ano, nos engajaremos fortemente nas negociações climáticas internacionais para que nossos interesses sejam contemplados no processo de estabelecimento dos parâmetros globais de redução de emissões.
Nossa inserção soberana na política internacional continuará sendo marcada pela defesa da democracia, pelo princípio de não-intervenção e respeito à soberania das nações, pela solução negociada dos conflitos, pela defesa dos Direitos Humanos, pelo combate à pobreza e às desigualdades, pela preservação do meio ambiente e pelo multilateralismo.
Insistiremos na luta pela reforma dos principais organismos multilaterais, cuja governança hoje não reflete a atual correlação de forças global.
Manteremos a prioridade à América do Sul, América Latina e Caribe, que se traduzirá no empenho em fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Comunidade dos Países da América Latina e Caribe (CELAC), sem discriminação de ordem ideológica.
Da mesma forma será dada ênfase a nossas relações com a África, com os países asiáticos e com o mundo árabe.
Com os BRICS, nossos parceiros estratégicos globais –China, Índia, Rússia e África do Sul– avançaremos no comércio, na parceria científica e tecnológica, nas ações diplomáticas e na implementação do Banco de desenvolvimento e na implementação do acordo contingente de reservas.
É de grande relevância aprimorarmos nosso relacionamento com os Estados Unidos, por sua importância econômica, política científica e tecnológica, sem falar no volume de nosso comércio bilateral.
O mesmo é válido para nossas relações com a União Européia e com o Japão, com os quais temos laços fecundos.
Em 2016, os olhos do mundo estarão mais uma vez voltados para o Brasil, com a realização das Olimpíadas.
Temos certeza que mais vez, como na Copa, vamos mostrar a capacidade de organização dos brasileiros e, agora, numa das mais belas cidades do mundo o nosso Rio de Janeiro.
Brasileiros e Brasileiras,
Tudo que estamos dizendo, tudo que estamos propondo converge para um grande objetivo: ampliar e fortalecer a democracia, democratizando verdadeiramente o poder.
Democratizar o poder significa lutar pela reforma política, ouvir com atenção a sociedade e os movimentos sociais e buscar a opinião do povo para reforçar a legitimidade das ações do Executivo.
Democratizar o poder significa combater energicamente a corrupção.
A corrupção rouba o poder legítimo do povo. A corrupção ofende e humilha os trabalhadores, os empresários e os brasileiros honestos e de bem.
A corrupção deve ser extirpada.
O Brasil sabe que jamais compactuei com qualquer ilícito ou malfeito. Meu governo foi o que mais apoiou o combate à corrupção, por meio da criação de leis mais severas, pela ação incisiva e livre de amarras dos órgãos de controle interno, pela autonomia da Polícia Federal como instituição de Estado, e pela independência assegurada ao Ministério Público.
Os governos e a justiça estarão cumprindo os papéis que se espera deles se punirem exemplarmente os corruptos e corruptores.
A luta que vimos empreendendo contra a corrupção, e principalmente contra a impunidade de corruptos e corruptores, ganhará ainda mais força com um pacote de medidas que me comprometo a submeter à apreciação do Congresso Nacional ainda no primeiro semestre.
São cinco medidas: transformar em crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem justificativa ou não demonstrem a origem dos seus ganhos; modificar a legislação eleitoral para transformar em crime a prática de caixa 2; criar uma nova espécie de ação judicial que permita o confisco dos bens adquiridos de forma ilícita ou sem comprovação; alterar a legislação para agilizar o julgamento de processos envolvendo o desvio de recursos públicos; e criar uma nova estrutura no Poder Judiciário que dê maior agilidade e eficiência às investigações e processos movidos contra aqueles que possuem foro privilegiado.
Em sua essência, essas medidas têm o objetivo de garantir processos e julgamentos mais rápidos e punições mais duras, mas jamais poderão agredir o amplo direito de defesa e o contraditório.
Estou propondo um grande pacto nacional contra a corrupção, que envolve todas as esferas de governo e todos os núcleos de poder, tanto no ambiente público como no ambiente privado.
Senhoras e Senhores,
Como fiz na minha diplomação, quero agora me referir a nossa Petrobrás, uma empresa com 86 mil empregados dedicados e honestos que teve, lamentavelmente, alguns servidores que não souberam honrá-la, sendo atingidos pelo combate à corrupção.
A Petrobrás já vinha passando por um vigoroso processo de aprimoramento de gestão. A realidade atual só faz reforçar nossa determinação de implantar, na Petrobrás, a mais eficiente e rigorosa estrutura de governança e controle que uma empresa já teve no Brasil.
A Petrobrás é capaz disso e muito mais. Ela se tornou a maior empresa do mundo em capacitação técnica para a prospecção em águas profundas. Daí resultou a maior descoberta de petróleo deste início de século – as jazidas do pré-sal, cuja exploração, que já é realidade, vai tornar o Brasil um dos maiores produtores do planeta.
Temos muitos motivos para preservar e defender a Petrobrás de predadores internos e de seus inimigos externos.
Por isso, vamos apurar com rigor tudo de errado que foi feito e fortalecê-la cada vez mais.
Vamos, principalmente, criar mecanismos que evitem que fatos como estes possam voltar a ocorrer.
O saudável empenho da justiça de investigar e punir deve também nos permitir reconhecer que a Petrobrás é a empresa mais estratégica para o Brasil e a que mais contrata e investe no país.
Temos, assim, que saber apurar e saber punir, sem enfraquecer a Petrobrás, nem diminuir a sua importância para o presente e para o futuro.
Não podemos permitir que a Petrobrás seja alvo de um cerco especulativo dos interesses contrariados com a adoção do regime de partilha e da política de conteúdo local, que asseguraram ao nosso povo, o controle sobre nossas riquezas petrolíferas.
A Petrobrás é maior do que quaisquer crises e, por isso tem capacidade de superá-las e delas sair mais forte.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras,
O Brasil não será sempre um país em desenvolvimento.
Seu destino é ser um país desenvolvido e justo, e é este destino que estamos construindo.
Uma nação em que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades: de estudar, trabalhar, viver em condições dignas na cidade e no campo.
Um país que respeita e preserva o meio ambiente e onde todas as pessoas possam ter os mesmos direitos: à liberdade de informação e de opinião, à cultura, ao consumo, à dignidade, à igualdade independentemente de raça, credo, gênero ou sexualidade.
Dedicarei obstinadamente todos os meus esforços para levar o Brasil a iniciar um novo ciclo histórico de mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no fortalecimento de uma política econômica estável, sólida, intolerante com a inflação, e que nos leve a retomar uma fase de crescimento robusto e sustentável, com mais qualidade nos serviços públicos.
Assumo aqui um compromisso com o Brasil que produz e com o Brasil que trabalha.
Reafirmo também o meu respeito e a minha confiança no Poder Judiciário, no Congresso Nacional, nos partidos e nos representantes do povo brasileiro.
Reafirmo minha fé na política que transforma para melhor a vida do povo.
Peço aos senhores e as senhoras parlamentares que juntemos as mãos em favor do Brasil, porque a maioria das mudanças que o povo exige tem que nascer aqui, na grande casa do povo.
Meus amigos e minhas amigas,
Já estive algumas vezes perto da morte e destas situações saí uma pessoa melhor e mais forte.
Sou ex-opositora de um regime de força que provocou em mim dor e me deixou cicatrizes, mas que jamais destruiu em mim o sonho de viver num país democrático e a vontade de lutar e construir este sonho.
Por isso, me emociono ao dizer que sou uma sobrevivente.
Se me permitem, quero dizer mais: pertenço a uma geração vencedora.
Duas características que me aproximam do povo brasileiro – ele também, um sobrevivente e um vitorioso, que jamais abdica de seus sonhos.
Deus colocou em meu peito um coração cheio de amor pelas pessoas e por minha pátria.
Mas antes de tudo um coração valente que não tem medo da luta.
Um coração, sim, que dispara no peito com a energia do amor, do sonho e da esperança.
Um coração tão cheio de fé no Brasil que não tem medo de proclamar: vamos vencer todas dificuldades, porque temos a chave para isso.
Esta chave pode ser resumida num verso com sabor de oração:
“O impossível se faz já; só os milagres ficam para depois”.
Muito Obrigada.
Viva o Brasil! Viva o Povo Brasileiro!