quarta-feira, 3 de maio de 2017

Vitórias e impactos da estrondosa Greve Geral




Francisco Fonseca*


No espectro político há consenso de entidades que estão no largo espectro de centro às esquerdas quanto à necessidade de unidade para derrotar os golpistas
A greve – efetivamente – geral ocorrida no dia 28 de abril é o ponto de culminância do conjuntos de lutas, mobilizações, manifestações e indignações as mais diversas que se desenvolvem no Brasil desde antes do desfecho do golpe de Estado consumado em 31 de agosto de 2016. Mas é também – e sobretudo – o início da organização sistêmica e cada vez mais unificada das forças sociais, políticas e, porque não dizer, éticas dos trabalhadores e grupos sociais que finalmente perceberam que “corrupção” e “impeachment” foram cortinas de fumaça cujo objetivo central era e é liquidar o Estado Social e Trabalhista, instituindo a ditadura do Capital sobre o Trabalho, o que inclui a destruição da própria democracia política, embora envernizada de “legalidade”.

A crescente unidade dos trabalhadores que, muito além de o setor de transportes ter sido paralisado, aderiu ostensivamente tanto à paralisação como às manifestações que tiveram por objetivo protestar contra o desmonte dos direitos sociais e trabalhistas, assim como denunciar a ilegitimidade do “governo” Temer, cujos índices de popularidade beiram a zero. Igualmente, a chamada “Opinião Pública” – conceito fugidio e utilizado à exaustão pela grande imprensa e pelos conservadores – tem demonstrado seu brutal descontentamento a ponto ostentar índices entre 80% e 97% de oposição às chamadas “reformas” sociais (PEC 55), previdenciária e trabalhista.

No espectro político – partidário, sindical e de associações civis e mesmo internacionais – há crescente consenso de entidades que estão no largo espectro de centro às esquerdas quanto à necessidade de unidade para derrotar os golpistas que estão no Poder Executivo, em grande parte do Parlamento, no PSDB e em setores majoritários do PMDB, entre outros que patrocinaram o golpe de Estado, entre os quais o Poder Judiciário, transformado em partido político.

Nesse sentido, a primeira vitória da estrondosa e heroica greve do marcante dia 28 de abrilde 2017, que já se inscreveu como uma das maiores greves da história brasileira, é a capacidade organizativa dos trabalhadores e de suas organizações, com o amplo apoio de um sem-número de entidades, tais como partidos de esquerda, CNBB, OAB, magistrados do Trabalho, Vaticano, imprensa internacional, além de inúmeros “inocentes úteis” que foram capturados pelo massacre ideológico da grande mídiapor meio do “passa moleque” das “pedaladas fiscais” e da “corrupção do PT”, e agora se deram conta do que estava e está em jogo.

No campo do golpismo, é interessante também observar um conjunto de contradições: o racha do PSB quanto às reformas trabalhista e previdenciária; a deserção, mesmo que tópica quanto à destruição dos direitos trabalhistas e previdenciárias, dos golpistas de primeira hora, isto é o Partido Solidariedade e a Força Sindical, ambos capitaneados por um dos mais obtusos desestabilizadores e golpistas: o deputado Paulinho, agora ameaçados de extinção. Esses partidos “desertores” já influenciaram a aprovação, no limite do quórum necessário, da “reforma” trabalhista, aprovada recentemente na Câmara de Deputados, o que aponta para eventual derrota da “reforma” previdenciária devido ao isolamento quase absoluto dos Poderes Executivo e de grande parte do Legislativo quanto à legitimidade democrática. Já no Senado, a oposição aberta capitaneada por Renan Calheiros quanto a ambas as reformas e sobretudo as críticas – mesmo que dúbias – quanto ao “governo” Temer representam potencial fraturas à agenda reacionária do Executivo.

No campo dos “Partidos do Judiciário”, há de se destacar as derrotas sofridas pelo “Partido da Lava Jato” quanto à aprovação pelo Congresso da lei de “Abuso de Autoridade”, e da igualmente significativa desmoralização da delação de Leo Pinheiro, conhecida como “delação de encomenda”, dadas suas fragilidades e ausência completa de fatos comprobatórios, apesar de toda pressão sofrida pelo delator para dar visão dos fatos que então negara. Nesse sentido, tal delação confirma as dos Odebrecht no sentido ostensivo de inocentar Lula. Tais episódios se juntam à “Lista de Fachin”, que compromete todo o PSDB, Temer e seu ministério, e cerca de metade do Congresso Nacional. Todos esses aspectos corroem a credibilidade deste Partido sem voto, como o é a Lava Jato, no bojo da progressiva descrença no Poder Judiciário: Ministérios Públicos, PGR, Tribunais Regionais, STF e outros. Há de se destacar também a sucessão de Janot na Procuradoria Geral República, com possíveis impactos na coalização golpista, da qual a própria PGR é ator proeminente e, por fim, a progressiva quebra da imagem de Sérgio Moro como “imparcial”, “técnico” e “justiceiro” tendo em vista um sem-número de inconstitucionalidades cometidas – sobejamente conhecidas e em julgamento pela ONU – contra membros do PT, notadamente Lula, empresários, pessoas e instituições escolhidas, eximindo inteiramente partidos como o PSDB, o próprio Temer e o Sistema Globo, entre outros.

Dados esses fatores, o depoimento de Lula, remarcado estrategicamente por Sérgio Moro para o dia 10 de maio, em razão, tudo indica, de não ter provas e por tentar desmobilizar o intenso apoio popular a Lula no dia do depoimento em Curitiba, com tudo que o cerca, desde já implica vitória de Lula, reforçando sua inocência,popularidade e intenção de votos! Afinal, trata-se de disputa política de um político togado sem voto (Moro) com um político popular tarimbado e sobretudo com muitos apoios e votos: Lula.

Pode-se dizer, portanto, que a greve geral do 28 de abril tem peso crucial nas deserções e rachas no Congresso Nacional, no campo do golpismo, reitere-se, o que implica outra vitória dos trabalhadores unificados. Mesmo nos partidos sem voto, caso do Judiciário, a mobilização dos trabalhadores e de seus aliados é a única força política capaz, nesse momento de Estado de Exceção,de produzir mudanças de correlação de forças nas instituições que, comprometidas com a desestabilização e o golpismo, só voltarão minimamente a atuar em conformidade à Constituição e ao Estado de Direito Democrático por meio da pressão vigorosa das ruas.

É fundamental observar nesse processo que, segundo estudo do Diretoria de Análise de Políticas Pública (DAPP) da FGV, que monitora a repercussão das principais narrativas nas redes sociais, o apoio à greve geral não apenas hegemonizou o debate nas redes como, sobretudo, se impôs com muita folga comparativamente às narrativas pró impeachment, representando virada significativa de opinião no universo digital (o estudo se encontra no seguinte endereço: http://www.poder360.com.br/wp-content/uploads/2017/04/DAPPReport-GreveGeral-Final.pdf). Mais ainda, o estudo demonstrou, como aliás a greve em si intrinsecamente o demonstrara, a insignificância da grande mídia comercial quanto ao seu silêncio ensurdecedor especificamente no tocante à greve, isto é, seu boicote ostensivo. Em outras palavras, embora o oligopólio midiático, após ser derrotado em seu intuito contra-informativoanti greve, procurou, como sempre, a criminalizar os grevistas, os sindicatos e as bandeiras da greve, utilizando-se para tanto de parceria inconstitucional e imoral – trata-se de imoralidade política – com a Polícia Militar sob comando de governadores reacionários, caso de Alckmin. Em outras palavras, infiltrações de direitistas, da própria Polícia Militar e de outros grupos tiveram por objetivo produzirtumulto, violência e intimidação com os objetivos centrais de divulgar imagens criminalizantes à greve e a seus organizadores, e intimidar manifestantes. Dessa forma, tenta-se produzir a velha narrativa da “baderna”, do “vandalismo”, da “greve política” (como se toda greve não fosse intrinsecamente política!), “partidária”, “desestabilizadora”, entre outros tantos bordões sobejamente conhecidos do Partido da Imprensa Golpista, cada vez mais articulado aos Partidos do Judiciário e ao PSDB como representantes das elites e do rentismo.

Portanto, a greve geral do dia 28 de abril superou os boicotes midiáticos e os constrangimentos de governadores e prefeitos e outras autoridades cuja marca é o autoritarismo, o conservadorismo e a participação ativa no golpe, casos dos inomináveis Alckmin, Dória e tantos e tantos outros. Aliás, um dos objetivos específicos do “Partido da Lava Jato” foi atuar para eleger Dória em São Paulo, tendo em vista o caráter estratégico da capital paulista no tabuleiro nacional. Embora eleito com cerca de 1/3 dos votos válidos, tendo portanto perdido para o conjunto dos outros candidatos e sobretudo para os votos brancos e nulos e abstenções, tornando-se o prefeito com menor legitimidade – embora dentro das regras vigentes –, sua eleição simboliza os objetivos da coalização golpista do PSDB com os Partidos do Judiciário, alavancados pela mídia, como se sabe.

A greve geral é, dessa forma, o divisor de águas da política brasileira nesse momento histórico de destruição da política, da economia nacional, da sociedade e do Estado de Direito, mas trata-se da política das ruas, dos trabalhadores e de suas organizações sindicais e dos partidos de esquerda.
Esta greve terá seu segundo ato no dia Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, que referendará as vitórias da greve geral. Mais ainda, trata-se, tudo indica, da primeira de uma série de greves e rebeliões democráticas que – somente elas – poderão barrar a desestruturação dos direitos sociais e trabalhistas e enxovalhar os golpistas do Executivo e do Legislativo, além de enquadrar democraticamente o Judiciário, retirando-lhe paulatinamente seu caráter partidário.

Trata-se de um longo processo, finalmente iniciado com as grandes vitórias conseguidas com a estrondosa greve geral que paralisou o país apesar dos poderes formais e informais que, reitere-se, procuraram por todos os meios boicotar, silenciar, constranger e impedir a manifestação legítima dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

A greve geral deu o seu recado: não passarão! Com isso, um novo Brasil pode estar se reconstituindo!

* Francisco Fonseca é professor de ciência política da FGV/Eaesp e PUC/SP


Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Vitorias-e-impactos-da-estrondosa-Greve-Geral/4/38034

domingo, 26 de março de 2017

Nunca te Esquecerei, Teresa



Imagem: Nômades Digitais



Nunca te esquecerei, Teresa. Tu és flor única de meu jardim. Para sempre serás. Quando me trazias os bolinhos de chuva eu me sentia um menino. Eles saciavam a minha larica. Quando eu roçava a língua nos biquinhos de teus seios, podia sentir os arrepios. Pulavas como uma gazela, com gemidos suaves. Lembras quando fomos ao Jardim Botânico e me mostravas as joaninhas coloridas? Tinhas um sorriso exuberante. Eu, inebriado te fotografava em todos os ângulos. Sei que me admoestavas por amor, quando eu me excedia com álcool e fumo. Tu sabias que eu gostava de embarcar em umas viagens alucinógenas. Por que nunca embarcaste comigo, minha flor? Reconheço, este prazer gera conflitos. Mas tu, mais que ninguém, sabes do meu amor. Te amo e te amarei. E as noites que passamos abraçados ao som de Led Zeppelim, olhando o teto, rindo à toa? Sabias que eram exatos cento e doze tijolos a lage do nosso quarto? E os azulejos do banheiro, tu te lembras? Uma noite eu estava sentado no vaso e me levaste bolinhos de chuva. E uma bandeja de pó. Insisti para cheirar, e mais uma vez recusaste. Por que nunca fumaste unzinho comigo, amor? Minha querida, olhos de fazer inveja a Monalisa. A tua mania de implicar por eu gostar de ouvir Carole King. "Como pode gostar desta voz de taquara rachada, alguém que curte Led Zeppelim e Jimi Hendrix?". Dizias assim, enquanto dava piparotes em minhas bochechas. Nunca te esquecerei, Teresa. Dos lábios finos. Dentes brancos. Como ficavas irritada quando te chamava de baixinha da bunda grande. E sempre atirava em meu rosto risos de rosas. Dançávamos ao som de Perez Prado, a cerejeira não é rosa não, hum! Era muito divertido. Hum...E os nossos passeios nos trilhos da Central? Os banhos em Copacabana, a praia mais linda do mundo. Na passagem de ano, os fogos de artifício. Naquele ano, confesso, exagerei. Cheirei muito. Suportaste a minha alucinação desmesurada. Abusaste do espumante naquela noite, a ponto de eu ter de estender o lençol nas areias. Velei teu sono. Foi a nossa melhor passagem de ano. Como te esquecer Teresa? Chamaste-me de louco ao fazer ligação direta naquele carro chique e irmos à baía da Guanabara em alta velocidade. Oh minha meiga flor. Sabias do meu ciúme e da promessa que te fiz se te encontrasse com outro homem. É com o coração partido, que enterro teu corpo aqui, neste esplêndido jardim. Durma em paz. Nunca te esquecerei, Teresa. Meu eterno amor.







Este mini-conto está em meu livro A Moça do Violoncelo - página 29
Editoração eletrônica: Fernando Ferreira.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Deixe de bobeira, companheira. Sou eu







Estava eu lendo as mensagens que recebo inbox (são inúmeras e não dou conta de responder todas) quando vejo a de uma moça dizendo que trabalha no Instituto Lula e gostaria de conversar comigo sobre um texto que escrevi cujo link para quem não viu segue aqui:

https://elikatakimoto.com/…/24/prometo-nao-tocar-no-assunto/

A moça que se chama Gabriella pediu meu telefone. Dei uma estalqueada de leve nela para saber com quem estava conversando e se poderia fornecer meu número. Vi várias fotos no perfil dela com o Lula. Quem tira foto com o Lula não pode ser má pessoa, pensei. Quem acreditou e acredita nele torce para que a desigualdade social diminua, fica feliz em ver negros em universidades e pessoas saindo da linha da miséria. Então, concluí, ela tem cara de quem vai fazer um bom uso do meu telefone e do meu voto de confiança.

Em menos de cinco minutos o telefone tocou.

– Elika, Gabriella do Insititulo Lula. Um minuto que vou transferir sua ligação.

– Ok. – respondi pacientemente.

– Alô, Elika. Oi, querida. Aqui quem fala é o Lula.

Abre parêntese.

Não sei o que você pensa a respeito dessa figura histórica, mas uma coisa é fato: quem estava do outro lado do telefone foi o presidente mais amado do Brasil cuja vida se confunde com a luta de toda uma geração de brasileiros que sonha com um país socialmente mais justo.

Não convém enumerar todos os prêmios e condecorações que ele recebeu não somente aqui como em vários outros países. A título de exemplo, no Brasil, Lula recebeu a medalha de ordem do Mérito Militar, Naval, Aeronáutica, a Ordem do Cruzeiro do Sul, do Rio Branco, a ordem do Mérito Judiciário e da Ordem Nacional do Mérito. Recebeu da UNESCO, em 2008 o Prêmio da Paz; em 2009 foi destacado como O Homem do Ano nos jornais Le Monde e o El País. Em 2012 recebeu o prêmio de Estadista Global em Davos na Suíça. Mas há N outros que não citarei para a postagem não virar uma biografia dele.

O que quero dizer a vocês é que eu estava falando com um homem que mudou o destino de muitos brasileiros e no qual votei em todas as vezes em que ele se candidatou para presidente por acreditar no projeto que ele apresentou.

Não estou dizendo que quem me ligou foi o homem mais honesto do Brasil, mas sem dúvida, o homem que proibiu em seu governo a palavra “gasto” quando o assunto era Educação e Saúde. O responsável pelo Brasil ter saído do mapa da fome e por hoje ter nas salas de aula do meu CEFET, negros e pessoas carentes cujo destino foi mudado por uma oportunidade. Como disse no meu texto supra citado “Se ganharam os cotistas com a oportunidade, ganhamos muito mais os professores por entender que capacidade intelectual nada tem a ver com a nota de uma prova de seleção e mais ainda enriqueceram os outros alunos por testemunhar o esforço de quem vive em outra realidade.”

Fecha parêntese.

– Mas o quê? Como?! Lula!!! Não acredito!!!!!

– Acredite, querida. Estou te ligando porque quero te parabenizar e agradecer por esse texto maravilhoso que você escreveu.

– Mas quem me garante que não é um imitador? No Brasil inteiro tem gente que imita o Lula!

– Deixe de bobeira, companheira. Sou eu.

Daí, meu povo, eu saí de mim. Meu coração acelerou. Se fosse o Fernando Henrique me ligando eu ia ficar feliz porque tenho umas coisas para dizer para ele. Mas Lula?! Meodeos. Não queria deixar a emoção estragar aqueles minutos. Pensei: “aproveite esse momento, Elika. Fale, pergunte… agarre a oportunidade. Quantas pessoas você acha que recebe uma ligação do Lula?”, refleti e tentei me acalmar.

– Presidente, – assim o chamei no impulso – eu quero lhe dizer que quem merece ser parabenizado por tudo não sou eu e sim você. Em nome de todos os brasileiros que hoje comem, se vestem e estudam, eu quero dizer: muito obrigada, Lula. E receba todo meu sentimento pelo falecimento de Dona Marisa.

– Obrigada, companheira. Mas quero te dizer umas coisas. Eu não sou de sair ligando para todo mundo. Mas seu texto me tocou muito. Percebi sinceridade nele inteiro e sua angústia com tudo o que está acontecendo. Liguei para te abraçar, agradecer e dizer para continuar sendo quem você é porque você é uma pessoa maravilhosa demais.

Ah gente… sinto muito. Chorei como um bezerro com ele do outro lado da linha e soluçando falei:

– Presidente, eu não quero deixar passar essa oportunidade e preciso te fazer uma pergunta. O nosso país anda esquisito, você viu pelo meu texto que ando sofrendo pressão para deixar de falar sobre política, todo dia uma notícia desse governo que vai de encontro ao projeto de diminuição da desigualdade social… Eu não tenho vontade de desistir de lutar porque sou dessas, meu presidente, de insistir nos sonhos. Mas, por vezes, lutamos apenas para não deixar o inimigo nos abater sem que resistamos, ainda que a morte seja certa. Isso posto: Lula, como você vê o futuro do nosso país? Sua luta está sendo movida pela esperança de ainda tocar para frente o seu projeto ou apenas para ter uma morte política digna?




A resposta veio imediata:

– Companheira, acredite que há muita coisa boa para acontecer. Estou animado e muito otimista.

E me disse muito mais coisas que acho que não convém falar aqui. Frases boas de serem ouvidas, sabe? Dessas que dá vontade da gente fazer muito mais do que anda fazendo pelo próximo.

Enfim, gente. É isso. Lula me ligou, disse que sou maravilhosa e trouxe a força que me faltava para continuar lutando por uma sociedade mais justa.

Felicidade é pouco. O que sinto não tem nome.

Vou ali agora enfartar e já volto.

Zerei a vida…



Fonte: https://elikatakimoto.com/  

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Não há nada mais bonito do que seio de mulher




MOTE

Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher


Na vida tem coisa bela
Melhor é na natureza
Tem até a cinderela
Mostrando sua proeza
Na bíblia está escrito
Como melhor lhe couber
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(2)

Inventaram sutiã
Que aperta e desconforta
Mas a fêmea cidadã
Agora tá mais disposta
Então ganhando no grito
Jogou num canto qualquer
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(3)

Tem o peito miudinho
Até também o gigante
Que tratado com carinho
Deixa o sujeito ofegante
Causando muito delito
Enquanto sobrevier
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(4)

Já amassei muita mama
E mordi cada mamilo
Mas então criei a fama
Parecia com esquilo
O peito é meu favorito
Habilidade requer
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(5)

E mesmo de silicone
Merece muito beijinho
Se brincar agente come
E morde até o biquinho
Sem o cara estar aflito
Se ela se dispuser
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(6)

Ela logo se arrepia
De prazer naquele toque
Sendo gostosa não chia
Espera que o amor brote
Sou homem de gabarito
Gosto também de aluguer
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(7)

Lamber também é gostoso
Deixa a danada fogosa
Logo eu que sou manhoso
Sou amante duma prosa
E quando sou favorito
Logo que me convier
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher









(8)

Quem não gosta duma língua
Traquina e bem afiada
Ninguém quer morrer à míngua
Por falta duma chupada
De carinho necessito
É ruim se não me der
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(9)

O peito é coisa sagrada
Merecedor de carinho
É quem salva a meninada
Que precisa do leitinho
Mas é nele que me excito
Até mesmo onde couber
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(10)

Quem não gosta de mamar
Pegar, beijar e morder,
Para a fêmea arretar
E até se contorcer
Só se for meio esquisito
E se ela o detiver
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(11)

Conheci uma garota
Lá pras bandas do sertão
Muitas vezes quase rota
Tinha peitos de rojão
Um grandão, outro restrito,
Para quem se dispuser
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(12)

Mais parecia espanhola
Pelo seu jeito bondoso
Não entrava na cachola
Cada seio bem frondoso
Tinha seu modo expedito
E os dava de colher
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(13)

Era grande a sensação
No lugar onde morava
Cada peito um mamão
Todo mundo murmurava
Isso era muito esquisito
Muito cuidado requer
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(14)

Então se fez um concurso
Pra saber da campeã
Foi enorme seu percurso
Duma bela cidadã
Daquele tronco bendito
Mas digam o que disser
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

(15)

Ganhou uma tal garota
Com seus quase quinze anos
Aplaudiu toda patota
Alguns até bem insanos
Comemorando esquisito
Na base do bem me quer
Não há nada mais bonito
Do que seio de mulher

Ansilgus
Escritor e poeta do Recanto das Letras.






Imagens: Google



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Quando os Sinos Tocam







A rosa do tempo

Rosa rara de fevereiro
De alguns janeiros
Rosa de luz interior
Rosa pele de algodão, 
Rosa  doce canção

Rosa doce canção, rosa do tempo
Rosa amor de anjo, amor em forma de canção
Rosa em flores ausentes
Beija-flor carente, elegante sempre
Fina expressão

Fina expressão,de rosa
Rosa  em pétalas secretas,
Infelizes  em seu coração
Se não fosse o vento forte,
Oportuno na situação
Não teria provocado tristeza
Augúrio de uma ocasião


Oportuno da ocasião,
Vento triste e insolente,
Destruidor de sonhos em cores
Colibri teria pousado nas  flores
Extraindo o néctar da rosa 
E permaneceria  morando no  coração.


Eliane Auer













Estações



Já não tenho falso sabor da juventude
Não tenho a energia de insistir que tenho razão
Já não sou inocente como fui quando jovem

Tenho a carência da criança que pede colo
Tenho o perfume das pétalas secas
O sabor da fruta madura

Sinto o orvalho da madrugada
O calor do abraço
O cheiro de terra molhada

Sinto o cansaço e a incerteza 
De que nada se apaga com o tempo

Tenho inverno em mim
Tenho dias de primavera em meu coração
Tenho sonhos contidos de outono
Alegrias de sol de verão.

Eliane Auer* 

* Escreve no Recanto das Letras. Faça contato e peça o seu exemplar.





Vozes do infinito


Imagem: Google






Lamentável os desvios da mente indolente
Escoam os versos que fogem do pensamento
Na solidão incansável cheguei a te recriar
Ilusão de uma mente cansada, penso em parar
E com o tempo tudo se desfaz, é preciso lembrar.
Delírios ou imaginação? Em constante movimento
Desvairada eloquência unir-se com a demência
Lembranças insiste em ficar, volto a impermanência.


Maria Mendes*



*A poeta e escritora Maria Mendes escreve no site Recanto das Letras 








sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

lua negra









ela mexe a mecha dos cabelos
como se fossem novelos
de linhas negras.
os dedos são agulhas
que mergulham íntegras
nos fios do novelo
interagindo com minhas retinas presas
sobre seu corpo sem regras
numa imagem surpresa.

lua negra sobre a cama
numa noite quente
dá vexame a quem não ama





Imagem: Erika Januza - google

sábado, 14 de janeiro de 2017

Guerra Híbrida: a nova guerra do século 21 no Brasil











Nos manuais estadunidenses as ações não-convencionais contra “forças hostis” a Washington. A centralidade do Pré-Sal no impeachment. Como os super-ricos cooptam a velha classe média.



Pepe Escobar*

O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida

Revoluções coloridas nunca são demais. Os Estados Unidos, ou o Excepcionalistão, estão sempre atrás de atualizações de suas estratégias para perpetuar a hegemonia do seu Império do Caos.

A matriz ideológica e o modus operandi das revoluções coloridas já são, a essa altura, de domínio público. Nem tanto, ainda, o conceito de Guerra Não-Convencional (UW, na sigla em inglês).

Esse conceito surgiu em 2010, derivado do Manual para Guerras Não-Convencionais das Forças Especiais. Eis a citação-chave: “O objetivo dos esforços dos EUA nesse tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de potências hostis, desenvolvendo e apoiando forças de resistência para atingir os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. […] Num futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerras irregulares (IW, na sigla em inglês)”.

“Potências hostis” são entendidas aqui não apenas no sentido militar; qualquer país que ouse desafiar um fundamento da “ordem” mundial centrada em Washington pode ser rotulado como “hostil” – do Sudão à Argentina.

As ligações perigosas entre as revoluções coloridas e o conceito de Guerra Não-Convencional já desabrocharam, transformando-se em Guerra Híbrida; caso perverso de Flores do Mal. Revolução colorida nada mais é que o primeiro estágio daquilo que se tornará a Guerra Híbrida. E Guerra Híbrida pode ser interpretada essencialmente como a Teoria do Caos armada – um conceito absoluto queridinho dos militares norte-americanos (“a política é a continuidade da guerra por meios linguísticos”). Meu livro Império do Caos, de 2014, trata essencialmente de rastrear uma miríade de suas ramificações.

Essa bem fundamentada tese em três partes esclarece o objetivo central por trás de uma Guerra Híbrida em larga escala: “destruir projetos conectados transnacionais multipolares por meio de conflitos provocados externamente (étnicos, religiosos, políticos etc.) dentro de um país alvo”.

Os países do BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) – uma sigla/conceito amaldiçoada no eixo Casa Branca-Wall Street – só tinham de ser os primeiros alvos da Guerra Híbrida. Por uma miríade de razões, entre elas: o plano de realizar comércio e negócios em suas próprias moedas, evitando o dólar norte-americano; a criação do banco de desenvolvimento dos BRICS; a declarada intenção de aumentar a integração na Eurásia, simbolizada pela hoje convergente “Rota da Seda”, liderada pela China – Um Cinturão, Uma Estrada (OBOR, na sigla em inglês), na terminologia oficial – e pela União Econômica da Eurásia, liderada pela Rússia (EEU, na sigla em inglês).

Isso implica em que, mais cedo do que tarde, a Guerra Híbrida atingirá a Ásia Central; o Quirguistão é o candidato ideal a primeiro laboratório para as experiências tipo revolução colorida dos Estados Unidos, ou o Excepcionalistão.

No estágio atual, a Guerra Híbrida está muito ativa nas fronteiras ocidentais da Rússia (Ucrânia), mas ainda embrionária em Xinjiang, oeste longínquo da China, que Pequim microgerencia como um falcão. A Guerra Híbrida também já está sendo aplicada para evitar o estratagema da construção de um oleoduto crucial, a construção do Ramo da Turquia. E será também totalmente aplicada para interromper a Rota da Seda nos Balcãs – vital para a integração comercial da China com a Europa Oriental.

Uma vez que os BRICS são a única e verdadeira força em contraposição ao Excepcionalistão, foi necessário desenvolver uma estratégia para cada um de seus principais personagens. O jogo foi pesado contra a Rússia – de sanções à completa demonização, passando por um ataque frontal a sua moeda, uma guerra de preços do petróleo e até mesmo uma (patética) tentativa de iniciar uma revolução colorida nas ruas de Moscou. Para um membro mais fraco dos BRICS foi preciso utilizar uma estratégia mais sutil, o que nos leva à complexidade da Guerra Híbrida aplicada à atual, maciça desestabilização política e econômica do Brasil.

No manual da Guerra Híbrida, a percepção da influência de uma vasta “classe média não-engajada” é essencial para chegar ao sucesso, de forma que esses não-engajados tornem-se, mais cedo ou mais tarde, contrários a seus líderes políticos. O processo inclui tudo, de “apoio à insurgência” (como na Síria) a “ampliação do descontentamento por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo” (como no Brasil). E conforme cresce a insurreição, cresce também a “intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para a rebelião.” Esse, em resumo, tem sido o caso brasileiro.

Precisamos do nosso próprio Saddam.

Um dos maiores objetivos estratégicos do Excepcionalistão é em geral um mix de revolução colorida e Guerra Híbrida. Mas a sociedade brasileira e sua vibrante democracia eram muito sofisticadas para métodos tipo hard, tais como sanções ou a “responsabilidade de proteger” (R2P, na sigla em inglês).

Não por acaso, São Paulo tornou-se o epicentro da Guerra Híbrida contra o Brasil. Capital do estado mais rico do Brasil e também capital econômico-financeira da América Latina, São Paulo é o nódulo central de uma estrutura de poder interconectada nacional e internacionalmente.

O sistema financeiro global centrado em Wall Street – que domina virtualmente o Ocidente inteiro – não podia simplesmente aceitar a soberania nacional, em sua completa expressão, de um ator regional da importância do Brasil.

A “Primavera Brasileira” foi virtualmente invisível, no início, um fenômeno exclusivo das mídias sociais – tal qual a Síria, no começo de 2011.

Foi quando, em junho de 2013, Edward Snowden revelou as famosas práticas de espionagem da NSA. No Brasil, a questão era espionar a Petrobras. E então, num passe de mágica, um juiz regional de primeira instância, Sérgio Moro, com base numa única fonte – um doleiro, operador de câmbio no mercado negro – teve acesso a um grande volume de documentos sobre a Petrobras. Até o momento, a investigação de dois anos da Lava Jato não revelou como eles conseguiram saber tanto sobre o que chamaram de “célula criminosa” que agia dentro da Petrobras.

O importante é que o modus operandi da revolução colorida – a luta contra a corrupção e “em defesa da democracia” – já estava sendo colocada em prática. Aquele era o primeiro passo da Guerra Híbrida.

Como cunhado pelos Excepcionalistas, há “bons” e “maus” terroristas causando estragos em toda a “Siraq”; no Brasil há uma explosão das figuras do corrupto “bom” e do corrupto “ruim”.

O Wikileaks revelou também como os Excepcionalistas duvidaram da capacidade do Brasil de projetar um submarino nuclear – uma questão de segurança nacional. Como a construtora Odebrecht tornava-se global. Como a Petrobras desenvolveu, por conta própria, a tecnologia para explorar depósitos do pré sal – a maior descoberta de petróleo deste jovem século 21, da qual as Grandes Petrolíferas dos EUA foram excluidas por ninguém menos que Lula.

Então, como resultado das revelações de Snowden, a administração Roussef exigiu que todas as agências do governo usassem empresas estatais em seus serviços de tecnologia. Isso poderia significar que as companhias norte-americanas perderiam até US$ 35 bilhões de receita em dois anos, ao ser excluídos de negociar na 7ª maior economia do mundo – como descobriu o grupo de pesquisa Fundação para a Informação, Tecnologia & Inovação (Information Technology & Innovation Foundation).

O futuro acontece agora.

A marcha em direção à Guerra Híbrida no Brasil teve pouco a ver com as tendências políticas de direita ou esquerda. Foi basicamente sobre a mobilização de algumas famílias ultra ricas que governam de fato o país; da compra de grandes parcelas do Congresso; do controle dos meios de comunicação; do comportamento de donos de escravos do século 19 (a escravidão ainda permeia todas as relações sociais no Brasil); e de legitimar tudo isso por meio de uma robusta, embora espúria tradição intelectual.

Eles dariam o sinal para a mobilização da classe média. O sociólogo Jesse de Souza identificou uma freudiana “gratificação substitutiva”, fenômeno pelo qual a classe média brasileira – grande parte da qual clama agora pela mudança do regime – imita os poucos ultra ricos, embora seja impiedosamente explorada por eles, através de um monte de impostos e altíssimas taxas de juros.

Os 0,0001% ultra ricos e as classes médias precisavam de um Outro para demonizar – no estilo Excepcionalista. E nada poderia ser mais perfeito para o velho complexo da elite judicial-policial-midiática do que a figura de um Saddam Hussein tropical: o ex-presidente Lula.

“Movimentos” de ultra direita financiados pelos nefastos Irmãos Kock pipocaram repentinamente nas redes sociais e nos protestos de rua. O procurador geral de justiça do Brasil visitou o Império do Caos chefiando uma equipe da Lava Jato para distribuir informações sobre a Petrobras que poderiam sustentar acusações do Ministério da Justiça. A Lava Jato e o – imensamente corrupto – Congresso brasileiro que depôs a presidenta Dilma sem culpa, revelaram-se uma coisa só.

Àquela altura, os roteiristas estavam seguros de que a infra-estrutura social para a mudança de regime já havia produzido uma massa crítica anti-governo, permitindo assim o pleno florescimento da revolução colorida. O caminho para um golpe soft estava pavimentado – sem ter sequer de recorrer ao mortal terrorismo urbano (como na Ucrânia). O problema era que, se o golpe soft falhasse – como parece ser pelo menos possível, agora – seria muito difícil desencadear um golpe duro, estilo Pinochet, através da UW, contra a administração sitiada de Roussef; ou seja, executando finalmente a Guerra Híbrida Total.

No nível socioeconômico, a Lava Jato seria um “sucesso” total somente se fosse espelhada por um abrandamento das leis brasileiras que regulam a exploração do petróleo, abrindo-a para as Grandes Petrolíferas dos EUA. Paralelamente, todos os investimentos em programas sociais teriam de ser esmagados.

Ao contrário, o que está acontecendo agora é a mobilização progressiva da sociedade civil brasileira contra o cenário de golpe branco/golpe soft/mudança de regime. Atores cruciais da sociedade brasileira estão se posicionando firmemente contra a ilegalidade, da igreja católica aos evangélicos; professores universitários do primeiro escalão; governadores estaduais; massas de trabalhadores sindicalizados e trabalhadores da “economia informal”; artistas; intelectuais de destaque; juristas; a grande maioria dos advogados; e por último, mas não menos importante, o “Brasil profundo” que elegeu Rousseff legalmente, com 54,5 milhões de votos.

A disputa não chegará ao fim até que se ouça o canto de algum homem gordo do Supremo Tribunal Federal. Certo é que os acadêmicos brasileiros independentes já estão lançando as bases para pesquisar a Lava Jato não como uma operação anti-corrupção simples e maciça; mas como estudo de caso final da estratégia geopolítica dos Exceptionalistas, aplicada a um ambiente globalizado sofisticado, dominado por tecnologia da informação e redes sociais. Todo o mundo em desenvolvimento deveria ficar inteiramente alerta – e aprender as relevantes lições, já que o Brasil está fadado a ser visto como último caso da Soft Guerra Híbrida.

Autor: Pepe Escobar

Tradução: Vinícius Gomes Melo e Inês Castilho – Fonte: Pravda.ru












Fonte: http://operamundi.uol.com.br/dialogosdosul/guerra-hibrida-a-nova-guerra-do-seculo-21-no-brasil/14012017/

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

BACTÉRIAS






Lamentações 3:5
Ele me sitiou e me cercou
de amargura e de pesar.


Cortar as unhas grossas dos pés, tornara-se um momento de reflexão filosófica de Isaías. Um ritual, na maioria das vezes, amargo. Por isso adiado ao máximo. Só as cortava, quando era alvo dos olhares acintosos de Flaviana e Jerusa, ou quando a Maga reclamava das ranhuras em suas pernas. Irritou-se, certa vez com a Regina, que ao ver suas unhas, disse, com uma sonora gargalhada: - Vai precisar de uma makita pra cortar os cascos.
  Ao cutucar as bactérias que se espalham sob as unhas, lembra que seu corpo, um dia será alimento de vermes. Que elas estão ali, alojadas, à espera do seu último estertor, para dar início à comilança. Neste segundo sábado de um dezembro chuvoso, meditava sobre se a "essência precede a existência". Concordou que Sartre interpretara corretamente, pois, o homem precisa existir primeiro, descobrir-se no mundo, para em seguida se definir. Mas como definir o homem, se o nada é indefinível!

“Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” *

  Ao cortar as unhas, seu ego virava uma bola murcha e lamentava-se consigo, resmungava, pois, perante as pessoas, jamais admitia fraquezas. Nestas horas, o homem do meio-dia transformava-se no homem da zero hora...

Da série: Outras Espécies


* Fernando Pessoa






Sobre bactérias


"(...) As bactérias são os seres vivos mais antigos na natureza "(evidências encontradas em rochas de 3,8 bilhões de anos).

"(...) Elas são microscópicas, unicelulares, sem núcleos e sem clorofila e se reproduzem por divisão binária

"(...) uma única bactéria pode gerar cinco milhões de outras num período de apenas onze horas.

"(...) Na indústria alimentícia, inclusive, algumas bactérias são usadas na preparação de comidas ou bebidas fermentadas

"(...) Entre milhares de outras, as principais doenças causadas por bactérias são: a tuberculose, a hanseníase (lepra), a difteria, a coqueluche, a pneumonia bacteriana, a sinusite bacteriana, a escarlatina, o tétano, a leptospirose, o tracoma, a gonorreia ou blenorragia, a sífilis, a meningite (...)"

Fonte: www.abc.med.br ›


LIVRO, UM PRESENTE INTELIGENTE!


Está no ar o meu último lançamento: Estrelas (poesias) junto com A Moça do Violoncelo (contos de suspense). Dois livros em um. 176 páginas, duas capas em papel laminado, orelhas. Textos inéditos. Aos interessados, façam contato com o autor. Uma edição sem fins lucrativos.

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Capa e editoração eletrônica: Fernando Estanislau