domingo, 13 de julho de 2014

OCUPE-SE DE POUCO PARA SER FELIZ

“Ocupe-se de pouco para ser feliz”. Foi essa a primeira frase de um livro de Demócrito, filósofo grego do século 5 a.C. O livro se chama sobre o Prazer, e não chegou à posteridade senão por citações de outros pensadores.
A palavra grega para tranquilidade da alma é euthymia, e sobre ela se debruçaram intensamente os sábios. A recomendação básica de Demócrito, sob diferentes enunciados, é encontrada sempre. Sobrecarregar a agenda eqüivale a sobrecarregar o espírito, e traz inevitavelmente angústia. Ninguém que tenha muitas tarefas, ou que se atribua muitas, pode ser feliz.
Um homem sábio da Antiguidade não abria nenhuma correspondência depois das quatro horas da tarde. Era uma forma de não encontrar mais nenhum motivo de inquietação no resto do dia, que ele dedicava a recuperar a calma que perdera ao entregar-se ao seu trabalho.
Se olharmos para nós, nos veremos com frequência abrindo mensagens no computador alta noite, e não raro nos perturbando por seu conteúdo. O único resultado disso é uma noite maldormida.
O fato é que fazemos muitas coisas desnecessárias. Coloque num papel as atividades de um dia. Depois veja o que realmente era preciso fazer e o que não era. Já fiz isto. A lista das inutilidades suplantou sempre a das ações imperiosas.
O imperador filósofo Marco Aurélio, do começo da Era Cristã, louvou a frase de Demócrito em suas clássicas Meditações. Acrescentou, com sagacidade, que devemos evitar não apenas os gestos inúteis, mas também os pensamentos desnecessários.
Marco Aurélio recomendava o formidável exercício de conduzir a mente, quando desviada, para pensamentos relevantes. Isso conseguido, à base de perseverança, controlamos a mente, esse cavalo selvagem, em vez de sermos controlados por ela.
Ninguém escreveu com tanta graça sobre o tema como Sêneca, pensador romano também dos primórdios da Era Cristã. Sêneca usou as expressões “agitação estéril” e “preguiça agitada” ao tratar dos atos que nos trazem apenas desassossego.
“É preciso livrar-se da agitação desregrada, à qual se entrega a maioria dos homens”, escreveu Sêneca. “Eles vagam ao acaso, mendigando ocupações. Suas saídas absurdas e inúteis lembram as idas e vindas das formigas ao longo das árvores, quando elas sobem até o alto do tronco e tornam a descer até embaixo, para nada. Quantas pessoas levam uma existência semelhante, que se chamaria com justiça de preguiça agitada?”
Agimos como formigas quase sempre, subindo e descendo sem razão o tronco das árvores, e pagamos um preço alto por isso: ansiedade, aflição, fadiga física e mental. Nossa agenda costuma estar repleta. É uma forma de fugir de nós mesmos, como escreveu sublimemente um poeta romano. O resultado é inquietação.
Eliminar ao menos algumas das tantas tarefas inúteis que nos impomos a cada dia é vital para a euthymia da qual falavam os sábios gregos. Quem busca a paz fará bem em refletir na frase com a qual Demócrito iniciou um livro que, tamanha era sua força, sobreviveu aos séculos, ainda que com base apenas em citações.

Paulo Nogueira - Diário do Centro do Mundo.

OS SICÁRIOS DA PLUTOCRACIA E A NEGAÇÃO DA DESIGUALDADE: Um artigo do Nobel Paul Krugman

O artigo abaixo, do americano Paul Krugman, Nobel de Economia, foi publicado no site unisinos.
Há algum tempo publiquei um artigo intitulado “Os ricos, a direita e os fatos” no qual descrevia os esforços para negar, obedecendo a motivos políticos, evidentemente, o forte aumento da desigualdade nos Estados Unidos, sobretudo nos níveis mais altos de de renda.
Provavelmente não surpreenderá ouvir que descobri um punhado de modelos estatísticos irregulares nas altas esferas.
Tampouco surpreenderá saber que quase nada mudou. Os desconfiados de plantão não apenas continuam a negar a evidência, como também insistem em espalhar os mesmos argumentos desprestigiados: a desigualdade não está de fato aumentando; bem, é verdade, está aumentando sim, mas isso não faz diferença porque temos muita mobilidade social; de qualquer forma é boa, e qualquer um que insinue que isso é um problema é um marxista.
O que talvez os surpreenda é o ano em que publiquei este artigo: 1992.
O que me leva à última disputa intelectual, provocada por um artigo de Chris Giles, redator-chefe de economia do The Financial Times, desafiando a credibilidade do livro de Thomas Piketty, intitulado O Capital no Século XXI, que foi um sucesso de vendas. Giles afirma que o trabalho de Piketty comete “uma série de erros que distorcem suas descobertas”, e que, de fato, não há provas claras de que a concentração da riqueza esteja aumentando. E, como quase todos os que têm acompanhado estas polêmicas durante anos, disse a mim mesmo: “Aqui estamos outra vez”.
Como era de se esperar, Giles não saiu bem visto do debate provocado. Os supostos erros eram, na realidade, a margem de ajustes de dados normal em qualquer pesquisa baseada em diferentes fontes. E a afirmação crucial de que não há nenhuma tendência clara que aponte para uma maior concentração da riqueza estava apoiada em uma conhecida falácia, uma comparação de peras e maçãs, sobre a qual especialistas já haviam alertado há muito tempo, e que eu identifiquei no mencionado artigo de 1992.
Correr o risco de dar muitas informações, está é a questão. Temos duas fontes de dados, tanto sobre a renda como sobre a riqueza: as enquetes, nas quais se pergunta às pessoas sobre suas finanças; e os dados fiscais. Os resultados das pesquisas são úteis para manter um controle sobre os pobres e a classe média, mas subestimam, evidentemente, as rendas mais altas e a riqueza, de uma maneira geral, porque é difícil entrevistar uma quantidade suficiente de multimilionários. Por isso, os estudos sobre o 1%, o 0,1%, e os demais, se baseiam principalmente nos dados fiscais. No entanto, a crítica publicada no The Financial Times comparava cálculos antigos de concentração de riqueza baseados em dados fiscais com cálculos recentes de pesquisas, o que causa uma distorção imediata que impede a identificação de uma tendência ascendente.
Em resumo, esta última tentativa de desacreditar a ideia de que nos transformamos em uma sociedade muitíssimo mais desigual ficou desprestigiada por si só. Era de se esperar. Há tantos indicadores independentes que mostram um forte aumento da desigualdade, desde os preços nas alturas dos imóveis de mais alto padrão até o auge dos mercados de bens de luxo, que qualquer afirmação de que a desigualdade não está aumentando tem que estar baseada quase que à força em uma análise errônea dos dados.
No entanto, a negação da desigualdade persiste, praticamente pelas mesmas razões pelas quais persiste a negação sobre a mudança climática: há grupos poderosos muito interessados em negar os fatos, ou pelo menos em criar uma sombra de dúvida. De fato, podem ter certeza de que a afirmação de que “todos os números de Piketty estão errados” será repetida até o infinito, embora seja rapidamente derrubada ao ser analisada de perto.
A propósito, não estou acusando Giles de ser um sicário da plutocracia, embora existam alguns autoproclamados especialistas que se encaixem nessa definição. E não há ninguém cujo trabalho esteja acima de qualquer crítica. Mas quando se trata de assuntos com peso político, os detratores do consenso têm que estar conscientes de si mesmos; precisam se perguntar se na verdade procuram a honestidade intelectual ou se o que estão fazendo na realidade é atuar como duendes da preocupação, céticos profissionais das crenças liberais (Por incrível que pareça, na direita não há duendes que desacreditem as crenças conservadoras. É curioso como a coisa funciona).
Portanto, isto é o que necessitam saber. Sim, a concentração tanto de renda como de riqueza nas mãos de poucas pessoas aumentou enormemente no decorrer das últimas décadas. Não, os destinatários dessas rendas e proprietários dessa riqueza não são um grupo em constante transformação: as pessoas deslocam-se com bastante frequência da base do 1% para o topo do seguinte percentual e vice-versa, mas isso de passar de mendigo a milionário e de milionário a mendigo ocorre raramente (a desigualdade da renda média ao longo de vários anos não está muito abaixo da desigualdade em um ano determinado). Não, os impostos e as ajudas não mudam significativamente o panorama; na verdade, desde a década de 1970, os grandes cortes de impostos na camada mais alta fizeram com que a desigualdade depois dos impostos aumentasse mais depressa do que a desigualdade antes dos impostos.
Esta imagem incomoda a alguns porque favorece as exigências populistas de impostos mais altos para os ricos. Mas as boas ideias não necessitam ser vendidas sob falsos pretextos. Se o argumento contra o populismo apoia-se em afirmações falsas sobre a desigualdade, devemos considerar a possibilidade de que os populistas tenham razão.

sábado, 12 de julho de 2014

PERDER, GANHAR, VIVER...

Perder, Ganhar, Viver

Carlos Drummond de Andrade.

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmuIas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…

Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.

Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.

Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças, o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.

E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Capitalismo e a Plutocracia



Publicado originalmente no Politico.

No início deste ano, a maneira mais confiável para um bilionário aparecer nas manchetes era comparar a sugestão de aumento de impostos com a Alemanha nazista. Ultimamente, porém, a mudança mais interessante na política da plutocracia tem sido mais gentil.
Haverá mais analogias a Hitler, é claro, mas um outro grupo entre o super-ricos está começando a ir no sentido oposto. Alguns plutocratas aceitam a evidência de que o capitalismo não está mais funcionando para a classe média, e estão tentando descobrir o que fazer sobre isso.
Agora não é apenas George Soros, o bilionário de fundos especulativos, que alegremente se descreve como um traidor da classe e que tem se preocupado com as deficiências do que ele chama de fundamentalismo do livre mercado por décadas. Entre os plutocratas, esta perspectiva outrora radical está se popularizando.
Pôde-se ver isso em Londres, no final de maio, em uma conferência sobre “capitalismo inclusivo”. Nos graciosos salões dourados do Guildhall, a sede histórica da cidade, um dos dois centros do mundo das finanças, os investidores internacionais que controlam 30 trilhões de dólares em capital – um terço do total global – se reuniram para discutir, como disse Paul Polman, CEO da Unilever, “a ameaça capitalista ao capitalismo”.
Polman e Lynn Forester de Rothschild, organizadora da conferência, escreveram em um ensaio introdutório que o capitalismo “muitas vezes provou ser disfuncional em aspectos importantes. Muitas vezes incentiva uma visão estreita, contribui para grandes disparidades entre os ricos e os pobres e tolera o tratamento irresponsável de capital ambiental. Se esses custos não podem ser controlados, o apoio para o capitalismo pode desaparecer”.
Isso foi apenas a abertura. A discussão iniciou com Fiona Woolf, a prefeita do distrito financeiro da cidade de Londres, que alertou que o capitalismo precisa ser “para todos, e não apenas para uns poucos privilegiados”. Em seguida foi oPríncipe Charles - sim, aquele príncipe Charles - que falou que o triunfalismo do capitalismo quando a União Soviéticaentrou em colapso tinha sido um erro e que “o trabalho a longo prazo do capitalismo é de servir as pessoas, e não o contrário”.
O discurso de abertura da manhã foi feito por Christine Lagarde, diretora executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela citou tanto a previsão de Karl Marx de que o capitalismo “carregou as sementes de sua própria destruição”, e a caracterização do Papa Francisco sobre a crescente desigualdade como “a raiz do mal social”. Ela pronunciou-se contra a reação favorita dos centristas sobre o aumento das desigualdades, “que, em última instância devemos nos preocupar com a igualdade de oportunidades, não a igualdade de resultados”. O problema, disse a senhora Lagarde, é que essa oportunidade nunca poderá ser igual em uma sociedade profundamente desigual. Ela pediu mais sistemas tributários progressivos e maior uso do imposto sobre a propriedade.
Estas prescrições podem ser naturalmente esperadas dos populistas que levaram Bill de Blasio à prefeitura de Nova York após 12 anos de reinado plutocrático de Mike Bloomberg ou dos partidários de Elizabeth Warren, a senadora liberal de Massachusetts. Mas elas vieram da diretora executiva do FMI, cuja organização tem sido a vilã na visão de mundo do movimento anti-globalização, o cérebro diabólico da “doutrina de choque” da plutocracia para dominar o planeta.
Essa narrativa ainda está bem viva - Lagarde recusou um convite para ser palestrante no início deste ano no Smith College depois que alunos e professores reclamaram que ela não deveria ter sido convidada porque o FMI era “um sistema corrupto” que alimenta a opressão e o abuso de mulheres em todo o mundo.
No Guildhall, o dia terminou com o discurso do orador principal da noite, um dos arquitetos e fiscalizadores do capitalismo global, Mark Carney, governador do Banco da Inglaterra. Ele disse que o aumento da desigualdade de renda era real e internacional: “No seio das sociedades, praticamente sem exceção, a desigualdade de resultados, tanto dentro de uma geração como intergeracionalmente, tem comprovadamente aumentado”. Ele refutou o argumento centrista popular que isso tem a ver com meritocracia: “Agora é a hora de ser famoso ou de ter sorte”. E ele avisou, com uma linguagem forte, que o sistema capitalista estava em risco: “Assim como qualquer revolução come seus filhos, o fundamentalismo de mercado sem controle pode devorar o capital social essencial para o dinamismo de longo prazo do próprio capitalismo”.
O espetáculo de plutocratas comendo risoto porcini em uma mansão georgiana e lamentando os excessos do capitalismo clama pela ironia de Tom Wolfe - um comentarista britânico foi nessa direção ao satirizar que a reunião teria sido mais apropriadamente chamada de um encontro sobre o “capitalismo exclusivo”.
Mas esse foi precisamente o ponto – e por que a conferência, e a tendência mais ampla é parte da questão. A maior parte da conferência “Capitalismo Inclusivo” não foi registrada, mas os participantes foram nominalmente convidados da plutocracia global, incluindo Eric Schmidt, presidente executivo da Google, Stephen Schwarzman, co-fundador e CEO da Blackstone, e os CEOs das companhias UBS, GlaxoSmithKline, Dow Chemical e Honeywell.
Há outros sinais dessa mudança. As finanças sociais, que levam em conta os objetivos sociais e ambientais, está se movendo de um nicho pequeno para a maioria – 1 trilhão de dólares foram investidos em fundos de financiamentos sociais nos Estados Unidos em 2012, um aumento de cinco vezes de 202 bilhões de dólares em 2007. Sallie Krawcheck, uma ex-executiva sênior do Citigroup e do Bank of America, em junho abriu um fundo de índice focado em empresas com um maior número de mulheres em cargos superiores e em seus conselhos de administração. Ela disse que o objetivo é ter um impacto social e ao mesmo tempo ganhar um retorno de investimento justo. Alguns outros líderes empresariais, em indústrias que não são consideradas como tendo muita consciência social, estão começando a apoiar políticas públicas que elevariam seus custos no curto prazo. Eles incluem o CEO do McDonalds, que em um discurso pouco notado, em maio ûltimo, disse que o “McDonald’s vai ficar bem” se o salário mínimo subir.

sábado, 5 de julho de 2014

EU TE AMO

o pássaro que prepara
o ninho, leva no coração
o que a amada espera:
amor sem medida, afeição,
o silêncio cúmplice da ternura,
a pureza do amor, sem explicação.

não carece explicar o amor,
eu te amo, simples assim
como o desabrochar da flor,
como o lume das estrelas, enfim,
eu te amo com o ardor
do sol sobre o nosso jardim.

eu te amo sem arremedo,
eu te amo sem os grilhões
dos simulacros, dos arremedos,
como a cachoeira aos borbotões,
acariciando nossos corpos com seus dedos,
enquanto recebemos afagos das mãos.

eu te amo com certeza
oh flor que causa espanto,
tamanha a sua beleza,
capaz de abrir sorriso calar o pranto,
pois esta é a nossa maior riqueza:
natureza, pra você este meu canto.

J Estanislau Filho

leia mais em

www.recantodasletras/autores/jestanislaufilho

quinta-feira, 3 de julho de 2014

MEU FIM





O som rouco da bomba d'água
rompe a noite, acorda cadáveres na hora morta
e nas trevas do meu jardim
uma orquídea desenxavida espalha raízes em meu corpo
num amplexo deuteragonista.


Plantígrados, aprendizes canhestros

da antropofagia ocupam meu sono
e os vejo desventrar-me avidamente
para depois partirem com as bocas lambuzadas,
risos vermelhos noite adentro.


A clepsidra anuncia a chegada

de um coral de moscas incognoscíveis,
enquanto em meu último estertor tento
acender o antracito e um circunlóquio...
último esforço na tentativa de evitar as exéquias.


J Estanislau Filho.

Este poema integra Palavras de Amor, meu livro do poemas
editado pelo selo Biblioteca 24 horas.

www.biblioteca24horas.com

terça-feira, 8 de abril de 2014

Estrela Estrelas

Imagem: acervo de J Estanislau Filho


O amor que fora meu
não sei onde mora
estrela estrelas tirem de mim esse breu
onde estará o meu amor nessa hora?

Nenhuma flor um ramo uma hera
onde a brisa se escondeu?

Sob árvores desfolhadas
chorei cântaros
não ouvi os pássaros
no calor de derreter metais
estrela estrelas ouçam meus tristes ais...

Não as vejo cadentes
nem ouço seus estalos
estrela estrelas
como vê-las?
solitários são meus dias...

Milhões de estrelas virão
no inverno verão
estações fazer-me companhia...

Luzes piscam no céu
a natureza muda muda o véu...

Sou o sol
estrela maior nesse itinerário
nunca mais sol-itário.

sábado, 25 de janeiro de 2014

A Mão que Bate é a Mesma que Afaga


erguer a mão contra o irmão
amigo, amante
qualquer semelhante

erguer a voz contra os animais
contra os santos contra deus
seja crente seja ateu

erguer a mão e a voz
contra tudo contra todos
oh deus pai e mãe poderosos
tenham piedade de nós

o pai não ouve a prece
talvez porque parece
feito à nossa imagem e semelhança

filho da mesma insensatez
que a mãe seja a esperança.


J Estanislau Filho

Da série Poemas Excluídos - 27/07/1993

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

BREVE RETROSPECTIVA 2013




Seres humanos interessantes
                         No mínimo -
                         Enigmáticos
                         Irmãos -
                         O máximo.

Cada um querendo atenção
Às vezes atento às vezes não.
Uma foto aqui outra acolá.
Um causo um poema
Riso lágrima comentário
Uma solução um problema
Neste painel diário...
Amor e paz
Ódio tristeza indignação
Ou um tanto faz!

Seres humanos diversos
Unidos dispersos
Bondade maldade
Alegria iniquidade...

Postagens apontam personalidades
Princípios preferências
Discordâncias aquiescências...

Em nome do pai, da mãe e do filho
Amém
Ao que a cada um convém:
Proteção aos animais
Amigos bastam os virtuais
Etílico nem sempre é demais...

A humanidade não tem saída: grita alguém
E os políticos são todos iguais.
Que nem os dedos das mãos? Indaga fulano.
Asco - farinha do mesmo saco!
Completa sicrano.

Um quer ter
Outro ser
Amar foder
Ir para o céu...
Carro moto iate casar de véu...

Todos queremos saúde e educação
Casa comida e roupa lavada
Dilma é a solução
Dilma é a culpada!

Alguém pede calma
Outro diz: é carma!

E a rede Globo mente
A Band propaga
A economia está doente
Juros altos bolsa em baixa
Joaquim Barbosa para a Presidência
Sobre trensalão silencia
Helicóptero não é avião!

Mensaleiros presos
Mensaleiros soltos
Moedeiros falsos
E uma cortina de fumaça
Embaçando corações e mentes
Crianças brincam
Fazem pirraças
Adolescentes fazem planos...

Luz para todos!
Oremos
Nos templos e nos terreiros
Ora ora hora de ação afro-brasileiros.

A cada ano um feliciano
Habemus papa franciscano...

Adeus Mandela
Bem-vindos cubanos
E o sorriso do banguela...

Desfile nas passarelas
Moda que vai
Moda que vem
Tudo vai mal tudo vai bem...

Há uma crise mundial
Mas aqui temos emprego e pré-sal.

Valha-nos Deus
Cristãos assassinando Zé Dirceu!

Nos televisores a mesma novela
E a mesma ladainha
Na cartilha dos evangélicos
Espíritas esotéricos:
Aborto um horror um pavor
"Sai deste corpo Satanás"
E sou eu o psicodélico...

Realismo fantástico
Realismo mágico
Antônio Torres na ABL
Tomando chá com FH
Me faz corar a pele!

A seleção bateu a Espanha
Na bola e na manha.
Conquistamos medalhas no esporte e na educação
E o povo foi às ruas em manifestações
Mascarados ou não praticaram depredações.

Finalizando este breve retrospectiva
Vejo boas as perspectivas
Para 2014:
Inflação sobre controle
Empregos em níveis decentes
Domésticas contentes...

Ano de copa
Eleições e promessas
Que a nossa Democracia madureça.

J Estanislau Filho