terça-feira, 20 de junho de 2017

Flor Agreste




Firmeza da pele, unhas bem feitas, cabelos impecáveis, corpos esculpidos...
Há nas falas graciosidade, recato e também uma dose de futilidade.
Passeiam pelos salões e lugares bem frequentados.
São mulheres boas de se ver, não de se saborear...
Quero a mulher!
Aquela que faz eu esquecer o meu nome, meu endereço, que me deixa desatinado.
Quero aquela que tem sagacidade, a louca translúcida.
Envolvente e afiada como uma faca, que fala o que lhe vem a mente, que gargalha alto...
Quero a insubmissa,
a flor agreste, chapada de desejo.
Aquela que me faz perder o rumo com seus beijos.
Que não se enrubece, que não recua diante do meu olhar.
Aquela selvagem, sem domínio, segura de si. 
Quero essa despudorada que se esconde por aí.
Que passeia por qualquer esquina, que encara os revezes da vida,
que não se amofina.
Quero essa mulher em cima de mim,
como onda que se arrebenta na areia.
Quero essa sereia, esse canto blasfemado.
Esse sangue quente, que ferve os meus nervos, que me tira do eixo, salivando feito lobo.
Essa mulher que não se ausenta dos meus pensamentos e não me concede o adormecer em paz.
Minha gota de orvalho sublimado, quero mais! Quero você minha incerteza, que me escapa feito água corrente, 
beleza estuante, não sossego enquanto não estiveres em minhas mãos.
Quero você mulher, 
rainha dos meus sonhos, que me fascina...

Sou seu fiel peregrino em romaria, 
quero estar entre os seus eleitos, me conceda essa honraria.
Prometo cultuá-la noite e dia, até o meu derradeiro fim.






Erika de Almeida. 

17/06/17


Breves palavras sobre a autora

Erika de Almeida (Kika Men), é formada em Letras, estuda Psicanálise.  Amante das artes. 
Adora escrever poesias e pensamentos sobre a vida e seres humanos. "Somos atravessados pela palavra e consequentemente pela linguagem": 

[Linguagem é a sacanagem boa que a boca faz com as palavras. 
Kika Men]

[A poesia é um tecido feito com linhas de palavras e sons, bordado com sentimentos...
Kika Men]

2 comentários:

  1. A Erika nos leva a viajar com esse texto, cheio de nuances de uma poetisa que sabe nos dizer a que veio, e nos deleita com seus pensamentos de mulher contemporânea e sábia, adorei Stan!

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    1. Obrigado, Luiza, seu comentário engrandece o poema de Kika e blog. Sempre bem-vinda.

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