quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Outras Espécies

J Estanislau Filho

Revisão: Táuria de Oliveira Gomes

Dedicatória:
 
aos defensores e defensoras da causa animal


Sumário


Prisioneiro de axolotle
Um dinossauro em minha vida
O corvo
Pardais carnívoros
Formigas
Baratas
O canário
O rato
O abraço do jacaré
Centopeia
Libélula endêmica
A estratégia da aranha
O lobo
Bêbados, equilibristas e borboletas
Andorinhas e urubus
A Maga e o Joel
Zika virus
Cansado de ser escorpião
Banho de cachoeira
O leão
Morcegos
A Maga e o Isaías se desententem. Metafisicamente
Amigas inseparáveis
Os elefantes são vegetarianos
A toca do lobo
O papagaio bipolar
Beija-flor
Serpentes
Karen e os carrapatos
O grilo de Flora
As moscas
Bactérias
Joaninhas
Cães e gatos
A noite é dos vaga-lumes
Casa de João-de-Barro
Seriema xavierense
Aventura na Serra do Retiro
O voo da águia
Jacus
A hora dos ruminantes
Burro de carga
Mosquitos morrem cedo

Outras Espécies

Minicontos






Prisioneiro de axolotle


Imagem: Mundo Educação - UOL




Despertei sob o olhar de ouro de axolotle, fixado diretamente em meus olhos, como se pretendesse vazá-los. Ainda entorpecido, não o percebi de imediato. Esfreguei-os com os punhos cerrados e perguntei, o que está fazendo aqui?. Senti, obscuramente, que ele se esforçava para me passar uma mensagem.Inteiramente desperto, vi-o afastar-se, com andar desengonçado. Então me lembrei de tê-lo visto no aquário da rua da Bahia, com os olhos e bocas colados no vidro, pedindo-me para libertá-lo daquela prisão.
  Talvez tenha vindo me agradecer. Compreendi a necessidade de sair da minha clausura.


Pesquisa:

Uma rara salamandra mexicana com capacidade de regenerar partes de seu corpo está sendo geneticamente modificada e poderá um dia ajudar humanos com amputações. O axolotl, também conhecido como salamandra mexicana, tem 15 centímetros e está quase extinta em seu único habitat, os poluídos canais que passam pela Cidade do México.
Mas, o animal e a sua curiosa aparência, quase sorridente, está se reproduzindo com facilidade em laboratórios. Ele tem a capacidade de regenerar membros amputados, pele, órgãos, parte do cérebro e até a medula. Outros animais têm a capacidade de regeneração, mas apenas a salamandra mexicana consegue recriar tantas partes do corpo, e tantas vezes durante sua vida. No laboratório em que é conduzido o estudo, um axolotl que teve a perna arrancada por outra salamandra começa a recriar sua perna, com dedos e tudo.


Um dinossauro em minha vida




Imagem: CNN


Meti tudo que necessitava dentro da caminhoneta: comida e água; barraca e saco de dormir; anzóis, espingarda e munições entre outros artigos necessários, para viver um ano, conforme prometera ao ambientalista Jacinto Flores, no interior da floresta Amazônica. Não esqueci de levar algumas garrafas de vinho e cachaça Quintas do Jacuba. Com a cara e a coragem, dei adeus à selva de pedra, sob a orientação da médica cubana, que me aplicou algumas vacinas contra doenças tropicais. Dias de aventuras desafiadoras me aguardavam. Cinco meses depois de instalado próximo às margens do Solimões, ouvi um uns pisados fortes e o agito de folhas aproximando-se da barraca. Ergui, com a espingarda em punho. Um dinossauro se aproximou. Eles não foram extintos, conforme se dizia. Apontei a espingarda e ele sorriu. Ao abaixar a arma o animal, com mais de três metros de altura, por três de comprimento me lambeu o rosto com sua língua enorme e áspera. Fui ao chão. Então ele se abaixou, e meneou a cabeça, mostrando o lombo, para eu montar. Dei-lhe o nome de Jacinto, em homenagem ao meu amigo ambientalista. Fiz passeios maravilhosos montado em seu dorso.
Só percebi em que tinha me metido ao retornar à selva de pedra, um ano depois da estadia na floresta de matas: Jacinto queria porque queria vir comigo. O que fazer? Deixei a caminhonete na floresta e pulei em seu dorso, rumo à cidade.
Tive de reformar o apartamento, para que Jacinto vivesse confortavelmente. Tive ainda de enfrentar a fúria dos condôminos. A dificuldade maior foi alimentá-lo cotidianamente com uma tonelada de folhas. Outro problema era na hora de sairmos do apartamento, para o passeio diário. Por fim, tivemos de mudarmos para um pequeno sítio, pois os moradores impetraram uma ação na Justiça, que me obrigou a retirar Jacinto do apartamento.


Pesquisa:

Os primeiros fósseis de dinossauros encontrados no Brasil datam de 1897.[carece de fontes] Trata-se de pegadas fossilizadas descobertas na localidade de Passagem das Pedras, próximo ao município de Sousa (PB), pelo agricultor Anísio Fausto da Silva,[carece de fontes] que acreditava tratarem-se de rastros de boi e ema.

Fonte: Google





O corvo


Imagem: Google


Sobre o muro de meu tugúrio, olhou-me com olhar lúgubre. Sabia que viria a qualquer momento. Já algum tempo em meu sono fizera morada. Num voo torto pousou sobre a estante, entre obras raras. Pôs-se a bicar um livro e grasnar. - O que queres de mim, ave de mal agouro? Sem rodeios respondeu-me: - Tens aqui a resposta, teu paraíso não existe mais. Num átimo respondi: - Nunca procurei paraíso, oh ave sem juízo.

- "No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise."* - Retrucou, bicando livro, pela décima vez. - Minha liberdade é mais importante que qualquer causa - Respondi sem titubear, e completei:

- "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?" **


O corvo insistia em bicar o livro escolhido e grasnar. Fiz ouvidos moucos e levantei-me, para tomar uma xícara de café, não me interessa o mundo em chamas. Se se matam, se se morrem. Absorto em meus pensamentos, esqueci o corvo, que parara de grasnar, seguindo-me com seu olhar de trezentos e sessenta graus. Sorvo o café em meu sossego. Perscruto o ambiente. Acendo o charuto sob o conforto da poltrona. - Responda-me ave atrevida, que sabes tu da vida?

"Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera". ***


Mais um trago de café e uma baforada em meu charuto, olho o teto transparente; casa limpa. Jussara vem uma vez por semana e deixa tudo brilhando. Ela sempre tentava um diálogo, que terminava num monólogo. Nas faxinas seguintes, entrava e fazia o seu trabalho, sem me dirigir uma palavra. Ao final da faxina, colocava-se diante de mim, para receber o soldo. Volto na próxima sexta, Seu Arnóbio. E lá se ia Jussara, balançando os
quadris.
- Você é um egoísta da pior espécie - observou o corvo. Poderia amar Jussara. Talvez ela te queira. Até quando ficará aí, na companhia dessa estante repleta de livros, que não lê mais? Sua vida não tem sentido.
- Quem lhe disse que busco um sentido pra vida, ave enxerida?
- Sua liberdade é uma farsa. É verdadeiramente livre quem compromete a liberdade por uma causa. Jussara é uma boa causa.
- Minha causa é o meu charuto; meu vinho, ave astuta.
- Continue mentindo para si - insistia o corvo -, e deixe Jussara escapar.
Nas noites silenciosas e só, eu sempre pensava em Jussara. Em seu jeito de puxar prosa; de insinuar-se. Ante a minha indiferença, abandonou os decotes em que deixava à mostra o colo de ébano, trocara os vestidos curtos em que eu observava discretamente suas coxas torneadas, por calças largas.

"A vontade, se não quer, não cede,
é como a chama ardente,
que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la". ***


- Digo mais - continuou o corvo -, Jussara é a causa que irá tirá-lo dessa letargia. Será um estímulo, que o levará a se comprometer por causas sociais.
- Não me interessa pra onde vai a humanidade!
- Por quê mente para si? - Interrogou-me como se soubesse a resposta
- Quem é você para me julgar, ave invasiva?
O corvo grasnou um grasnado irônico e apenas olhou-me de viés. Bicou vários livros da estante e alçou voo.

"À tua noite, deixa-me comigo..."
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo"
"Pluma que lembre essa mentira tua."
"Tira-me ao peito essas fatais"
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais". ****


Enchi a taça de vinho e liguei pra Jussara.
- Hoje não posso, Arnóbio, tenho compromisso.
Queria saber o tipo de compromisso, mas não perguntei. Durante alguns segundos, houve um silêncio, quebrado por Jussara:
- Estarei aí às oito em ponto, na quarta-feira. Respondi com um obrigado e desliguei.



*Dante Alighieri:
** Edgar Allan Poe
*** Dante Alighieri
**** Edgar Allan Poe



Pesquisa:

Há quem diga que a inteligência dessas aves equivalha a dos chimpanzés e dos golfinhos.

Não é à toa que Edgar Allan Poe dedicou um de seus poemas mais importantes a um corvo misterioso que repetia a palavra “nevermore” ao longo do texto

Além de ter a capacidade de imitar a voz humana e os sons de outros animais, os corvos também usam a linguagem corporal de maneira sofisticada para se comunicar.

Tendo poucos predadores, eles chegam a viver 17 anos na natureza e até 40 anos em cativeiro.

Na França, acreditava-se que os corvos eram as almas de padres e freiras perversos. Para os alemães, as aves eram a reencarnação das almas condenadas e, às vezes, representavam o próprio Diabo.

E algumas tribos nativas da América adoravam o corvo como uma deidade, além de o descreverem como um “pregador de peças” que estaria envolvido na criação do mundo.

Os corvos são extremamente brincalhões

Quando um corvo perde uma batalha, ele é consolado por seus colegas.

Quando seus filhotes atingem a adolescência, eles deixam o lar e formam “gangues” com outros corvos da mesma idade


Fonte: http://www.megacurioso.com.br/animais/39743-10-fatos-sobre-os-corvos-que-vao-deixar-voce-fascinado.htm


Pardais carnívoros


O homem encontrava-se encostado a um poste de luz, quando um bando de pardais amarraram-no com fios resistentes de fibra de sisal.
Com uma rapidez inominável, o bando volteou os fios ao poste, imobilizando o cidadão. Em seguida, puseram-se a bicá-lo. Primeiro devoraram seus pés. E o homem respirava. Em seguida as pernas e os braços.
Aos poucos foi se formando uma multidão de pessoas, que observavam o espetáculo.
Enquanto bicavam o corpo do homem, os pardais cantavam, atraindo mais pardais. O homem continuava respirando, mesmo quando os pardais começaram a abrir sua barriga com bicadas cada vez mais famintas e ferozes. A sua respiração enfraquecia. A multidão observava com o misto de prazer e compaixão.
Mesmo depois de ter o olho perfurado e comido, o homem continuava respirando, mas baixinho.
Quando se imaginava o homem em seus últimos estertores, pois os pardais arrancaram-lhe o coração e fugiram com ele no bico, o homem se desvencilhou dos fios que o prendia e caminhou silenciosamente pelas ruas com destino a...

Pesquisa:

O pardal é originário da Europa e foi trazido de Portugal para o Rio de Janeiro, em 1906. Foi também levado para outros países e o sucesso da sua expansão foi tal, que é mesmo considerada a espécie de ave terrícola mais amplamente distribuída no mundo. É um pássaro atento e desconfiado, resistindo bem às perseguições e sempre ocupando novas áreas. Para expandir-se geograficamente conta também com a colaboração dos seres humanos que os conduzem através de embarcações, estrada de ferro e de rodagem.

Fonte: Google



Formigas

Imagem: JSV Biologia das formigas





No começo eram poucas, andando em fileiras pela pia da cozinha. Não dei importância. Elas sempre aparecem de tempos em tempos. É sazonal, pensei.
No terceiro dia elas aumentaram em tamanho e quantidade. Resolvi seguir o itinerário delas. Entravam em um pequeno orifício na parede e desapareciam. Melhor deixá-las quietas, a natureza sabe o que faz, anuí.
Ao acordar na manhã seguinte, levei um susto: a cozinha estava tomada por elas. Impossibilitado de preparar o café, pois além da cozinha, sobre o fogão formou-se uma montanha delas. Não tive dúvidas, peguei um frasco de inseticida aerosol e apliquei sobre elas. Depois de mortas, juntei-as em vários sacos plásticos e atirei ao lixo. Apliquei o veneno no orifício, na esperança de matar a rainha, pois, uma vez morta, todo o formigueiro morre junto. O dia passou sereno, apesar de a cada hora aplicar mais veneno no orifício, pois algumas formigas teimavam em sair e vadiar pela pia.
Anoiteceu. Enquanto eu dormia elas me atacaram e arrastaram meu corpo, em minúsculos pedaços, para dentro do formigueiro.


Pesquisa:

O mundo dos insetos é predominante entre todas as espécies sobre a face da terra. E quem domina esse vasto e estranho mundo formado por pequenos seres, são as formigas.
Pertencem à ordem Hymenoptera, o mesmo grupo das vespas e das abelhas. As formigas são insetos sociais que vivem juntos em colônias. Todas as espécies se agrupam em uma única família chamada de família Formicidade. Mesmo assim, as diferenças entre as diversas espécies são acentuadas, variando desde a formiga comum até as rurais especializadas em cortar folhas e outras partes vegetais para garantir a própria sobrevivência.

Fonte: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/formiga.htm



Baratas


Gregor Samsa sentiu-se um verme ao acordar e perceber ter errado as horas. Ah, quantas horas erramos durante a vida! Gregor sentia-se um animal asqueroso. Sobre seu corpo, maçãs apodreciam.
De repente entrou no bueiro, pelo ralo. E se viu rodeado de baratas. Não fora reprimido. Gregor Samsa fora aceito na comunidade das baratas. Podia caminhar pelos esgotos; escombros; cemitérios.
Agora precisava proteger-se dos escorpiões.



Pesquisa:

Embora causem nojo e possam transmitir algumas doenças, as baratas domésticas não tem veneno.
São mais de 4.000 espécies de baratas, mas apenas 1% delas são domésticas.

As baratas domésticas são atraídas para dentro das casas pelos restos de comida.
Vítimas preferidas de algumas vespas, as vezes tornam-se encubadeiras delarvas de vespa.
Uma barata nunca é "só uma barata".
Em 150 dias, uma única fêmea de barata consegue botar cerca de 320 ovos.

Fonte> http://www.ninha.bio.br/biologia/baratas.html


O canário


Imagem: G1



Quando eu era criança, admirava os filhos dos meeiros (*), que plantavam lavouras nas terras do meu pai.
Estes meninos, que por causa da vida precária tornavam-se adultos cedo, tinham como lazer prender passarinhos: coleiros, garrinchas e, principalmente, canários. Mais exatamente, canário-chapinha. Bom de canto e de briga em rinhas.
Um destes rapazes, filho de um meeiro, deu-me de presente uma gaiola e um alçapão, que ele mesmo construíra, com a madeira macia de umbaúbas e varinhas de taquaras, com um canário nela.     Ele me explicou como deveria fazer, para atrair uma fêmea ao macho: - Coloque a gaiola, com o alçapão armado com fubá ou canjiquinha dentro, em um galho de árvore, lá no mato, distante da casa. Atraída pelo canto mavioso do macho, a fêmea viria e, ao entrar no alçapão, para se alimentar, ficaria presa. Assim eu teria um casal de canários.
Assim fiz. Escolhi uma árvore bonita, à beira de um riacho de águas cristalinas e lá deixei o canário, com canjiquinha e água, para seduzir a amada.
Eu era uma criança distraída e hoje, idoso, ainda sou. "O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído" ** me segue, como um mantra.
Depois de uma semana ou mais, lembrei-me do canário lá no galho da árvore. Corri, com o coração querendo pular pra fora.
A gaiola estava lá. O alçapão vazio. Ele não conseguira atrair a fêmea. Dentro da gaiola meu canário estava deitado, de barriga para cima. Morrera de fome e sede. As lágrimas escorreram em minha face.
Desde este dia, jurei nunca mais prender pássaros.



* Diz-se do Agricultor que trabalha em terras pertencente a outra pessoa e reparte com o dono da terra o resultado da produção. O proprietário das terras fornece sementes, adubos, etc.

** Trecho de uma canção dos Titãs.

Pesquisa:

O canário-da-terra-verdadeiro ou canário-da-terra, (nome científico: Sicalis flaveola L.), também é conhecido no Brasil como canário-da-horta, canário-da-telha, canário-do-campo, canário-chapinha, canário-do-chão, coroinha e cabeça-de-fogo[2] é uma espécie de ave da família Emberizidae.[3]

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Can%C3%A1rio-da-terra-verdadeiro

O rato




Ao se levantar naquela manhã chuvosa e preparar o café, Arnóbio constatou, que um roedor entrara na casa, pois a batata-doce da cesta estava roída; havia fezes no chão, que indicava ser de rato. Pelo tamanho da desordem, não parecia ser mais que um. Procurou atrás do armário e da geladeira, dentro do fogão e em outros orifícios. Nenhum sinal. Melhor assim, pensou Arnóbio, talvez tenha ido embora. Jogou fora a batata roída e cozinhou a intacta.

Quando tomava o café, o rato passou correndo, Arnóbio levantou rapidamente, pegou a vassoura e a desferiu no roedor, mas errou o alvo e quebrou o cabo. Nessa altura, o rato não poderia sair de dentro da casa, pois Arnóbio trancara portas e janelas, mas não conseguiu encontrá-lo. Voltou a tomar o café, que esfriava na mesa, enquanto pensava no que fazer. Sentiu um gosto estranho ao morder a batata; desistiu de comê-la. Então teve uma ideia: foi a uma loja de produtos veterinários e comprou um veneno, uns rolinhos rosas, segundo o vendedor, fatais. Ao retornar, inspecionou novamente a casa e nenhum sinal do rato. Bicho escroto, não vai escapar dessa, disse Arnóbio em pensamento.

Ao anoitecer, escondeu os alimentos em locais seguros, e colocou o veneno com pedacinhos de queijo numa tampa plástica reciclável, debaixo da mesa. Antes das vinte duas horas, foi pra cama. Ao acordar na manhã seguinte, viu que o animal comera o veneno todo. Agora sim, te peguei, seu escroto, disse em voz alta, como se fosse para o rato escutar.

Na noite seguinte, repetiu a operação, mas esqueceu uma laranja sobre a pia e ao acordar, viu que fora roída, e o veneno

ingerido. O rato continuava vivo e atuante. E assim sucedeu durante uma semana. O rato sobrevivia. Comprou veneno mais forte, escondia os alimentos e o animal devorava e desaparecia. Arnóbio revirou os móveis e nada de encontrar o não humano. Não se desesperou, sabia que de uma forma ou de outra o rato não escaparia, pois não tinha água nem comida, só veneno, com a casa trancada. Até que numa noite acordou com um barulho na cozinha. Desceu as escadas e encontrou o rato abrindo com as patas, o armário da despensa. Um rato do tamanho descomunal. Pelo tamanho que adquira, ele não poderia mais se esconder nos vãos da casa. Agora o humano e o não humano dividem o espaço.



Pesquisa:

Rato é o nome pelo qual são chamados os mamíferos roedores da família Muridae, ordem Rodentia. Essa família é composta por aproximadamente 650 espécies, que são classificadas em torno de 5 ou 6 subfamílias e cerca de 140 gêneros.

Fonte: http://www.infoescola.com/mamiferos/ratos/



O abraço do jacaré

Jogava o anzol com isca (pedacinhos de minhocas) no rio, imediatamente a linha ziguezagueava, eu puxava a vara, para fisgar o peixe e o anzol voltava vazio. Enquanto isso as horas passavam e Arnóbio me lançava um olhar irônico, como quem diz "aproveite para pensar em Sócrates e Platão", talvez por eu insistir em entender os eventos e os ventos que sopram sob a linha do Equador, onde o sol brônzea epidermes de seres humanos e desumanos; nesta hora eu pensava mesmo em Maga, que sempre me levava ao zoológico para ver o jacaré Josué de olhos e garras abertos para me abraçar. Aproveitei o silêncio à beira rio, já que Arnóbio saíra à procura de um local (não se justificava procurar moita, para se esconder, pois não havia uma viva alma, além de nós e de outras espécies, que respeitam a natureza), para fazer suas necessidades fisiológicas, voltei às minhas lucubrações filosóficas à cerca do sentido da existência, enquanto lá, no zoológico, Josué me esperava para o abraço fatal.


Pesquisa:

*  Os jacarés e os caimões (ou caimães) são répteis da ordem Crocodylia, que é dividida em três famílias: Gavialidae, Alligatoridae,Crocodylidae.
Jacarés pertencem à família Alligatoridae e são animais muito parecidos com os crocodilos, dos quais se distinguem pela cabeça mais curta e larga e pela presença de membranas interdigitais nos polegares das patas traseiras. Com relação à dentição, o quartodente canino da mandíbula inferior encaixa num furo da mandíbula superior, enquanto que nos crocodilos sobressai para fora, quando têm a boca fechada.[1] O tamanho de um jacaré pode variar de sessenta centímetros (jacaré-anão) até 5,5 metros (jacaré-açu), podendo pesar de três a quinhentos quilos.

Fonte: Wikipedia



Centopeia

Imagem: Wikipédia



Com inúmeras pernas corria como se fugisse de um predador, mas era tão somente seu modo de caminhar: ora por estreitas passagens; ora a céu aberto, aparentemente sem destino. Na caminhada, devorou uma mosca em segundos e após o banquete lambia a sobra, sob a sombra de um arbusto. Em seguida, aninhou-se nas folhas secas da mangueira, para o repouso merecido, enquanto a imagem da lua tremulava no lago cristalino.
Após observar o comportamento da centopeia, a Maga entrou na choupana e preparou bolinhos-de-chuva, à espera de Isaías, que fora visitar o Lima, sempre bêbado e vociferando contra tudo e contra todos. Cônscia da demora do parceiro, enroscou-se sob o lençol, ardendo de desejos. E consumou o ato que a devorava, com o dedo úmido. Ao levantar o lençol vislumbrou a centopeia caminhando, como sempre, apressada, pelas paredes da casa. Voltou a cobrir-se, sem dar a mínima à peçonhenta.
Após alimentar-se dos insetos que desfilavam nas paredes, a centopeia retornou à caverna, para convencer seus amigos de que há vida em profusão no mundo externo
.

Pesquisa:

 * As centopeias possuem de 15 a 190 pares de pernas.
 - O sistema digestivo desta espécie é completo, ou seja, começa pela boca e termina no ânus.
 - Excretam ácido úrico por um sistema chamado de Túbulos de Malphigi.
- A maioria das espécies tem vida noturna.
- Habitam regiões tropicais e temperadas do planeta.
- As larvas de centopeia são parecidas com os adultos.

Características principais: 

Peso: em média de 20 a 30 gramas.
Tamanho: em média 20 cm.
Cor: marrom-amarelado com faixas pretas e patas amarela

Fonte: http://www.suapesquisa.com/mundoanimal/centopeia.htm



Libélula endêmica

Imagem: Wikipédia



A lua invade o pequeno lago de águas cristalinas e sua luz tremula no banho da libélula endêmica, no topo da Serra São José. Jerusa segura a Maga pelas mãos, amparando-a em aclives e declives. É que Maga não está acostumada com trilhas herméticas, ainda mais à noite sob a luminosidade lunar, que de tão intensa, embaralha as vistas da companheira de Jerusa.
As aventureiras param e repousam sobre uma rocha, para melhor observar a natureza. Encantam-se com a libélula endêmica que surge de repente, para molhar o bumbum e fazer a lua tremular no lago de águas diáfanas.
Ali, elas passam a noite, vendo e ouvindo os movimentos noturnos da natureza. Ao amanhecer, o sol surge em seu esplendor, convidando Maga e Jerusa a um banho benfazejo, na companhia das libélulas.


Pesquisa:

* O Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José abrange áreas dos municípios de Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Prados e Coronel Xavier Chaves, em Minas Gerais, tendo como área total, 3.717,00 ha. A RVS Libélulas da Serra de São José é composta por um grande paredão rochoso com áreas de vegetação que abrangem formações de Mata Atlântica, Campos Rupestres e Cerrado. É um dos grandes tesouros naturais do Estado de Minas Gerais. O bloco rochoso da Serra de São José tem aproximadamente 12 km de extensão, com cerca de 1,2 km de largura, predominado por quartzitos.

Fonte: Wikipedia


A estratégia da aranha


Depois de uma caminhada, com o suor saindo pelos poros, depararam com um caramanchão abandonado, no meio da vegetação do cerrado. A Maga e o Isaías foram pesquisar o entorno, enquanto Arnóbio fixava as redes nos mourões. Maga ouvira o som de água de cachoeira e rumou para lá. Uma cachoeira, era tudo de que precisa naquela manhã, que se aproximava da tarde ensolarada. Isaías a seguiu como cão de guarda, pois estava certo de que ela, sozinha, seria capaz de provocar uma hecatombe.
Deitado com os olhos fixo no teto de folhas de coqueiros, Arnóbio observava, atento, uma aranha estática em sua teia bem traçada. Afastou o pensamento de Isaías, que sempre discutia com Maga por qualquer motivo, como o de ela apertar o tubo de creme dental pelo meio. Uma mosca enroscou-se na teia, imediatamente a aranha se atirou sobre ela, inoculando paralisantes das quelíceras, ato contínuo envolvendo a vítima num emaranhado de tênues linhas, para em seguida retornar à posição de origem. Mas não teve tempo, outro inseto, desta vez bem maior e mais forte, caiu na armadilha e enquanto lutava para se livrar das amarras, a aranha, hábil e ágil tecia tênues fios sobre o inseto, que se debatia. Esforço em vão. Mais alimento estocado.
A estratégia da aranha produzia resultados, enquanto a de Isaías não surtia efeito algum sobre Maga, que neste momento se jogara, inteiramente nua nas águas da cachoeira.




Pesquisa:

Teias de Aranha

Algumas aranhas constroem teias. Os fios dessas teias, constituídos de seda, são produzidos em glândulas especiais, localizadas no abdômen da aranha.
As teias são usadas como armadilha para capturar os pequenos animais, na maioria insetos, de que se alimentam essas aranhas, que os matam com as quelíceras.

Fonte: Google


O lobo


Francisca sentia arrepios, o corpo tremia toda vez que o lobo uivava no alto da morro. Quando ouviu pela primeira vez indagou a Maga o que é Isto? - Isto o quê, Fran? - Uai, você não ouviu? Ouça... E o lobo uivou de novo e uivo ecoou no vale. Francisca descobriu então que mais ninguém, além dela ouvia o chamado do lobo. Toda noite de lua cheia ele uivava e Francisca agora sabia que ele a chamava. Seu corpo se contraia, esquentando a pele e o desejo de ir ao seu encontro escapava de seu controle.
Na sétima lua cheia, Xica aguardava, com um misto de desejo e medo, decidida a subir o morro. E o lobo não uivou. Sentiu um aperto no peito, uma tristeza. Acostumara-se ao uivo, que liberava a fêmea no cio. Esperou, ansiosa. Conferiu as horas. Faltavam cinco minutos para a meia-noite, quando o uivo pungente ecoou, fazendo o coração da mulher disparar. Não teve dúvidas. Vestiu-se de rendas e "langeries" e foi ao encontro do inevitável.



Pesquisa:

Nome popular: Lobo
Nome Científico: Canis lupus
Hábitos alimentares: Caçador - carnívoro. Com a expansão humana e destruição de seu habitat as matilhas são forçadas a invadir áreas agrícolas para cariar e então são cruelmente mortos
Habitat: América do Norte, Europa e Ásia, em todos habitats do Hemisfério Norte, exceto em florestas tropicais e desertos áridos

Fonte: terra.com

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), é o maior canídeo sul-americano e se distribui pelo Cerrado e pradarias da região central do continente. Sua população está ameaçada pela redução e fragmentação de seu habitat devido à expansão agropecuária e urbana.

Fonte: caliandradocerrado.com.br


Bêbados, equilibristas e  borboletas

Imagem: Google



Você está bêbado, disse Isaías, para Arnóbio, que respondeu: - Bêbado sim mas da loucura humana, da qual não faço parte, pois meu reino não é deste mundo... Você sim, bebe que nem gambá! Beber e catar piolhos é o que fazemos de melhor. E ouvir música, acrescentou, enquanto o etílico molhava o sofá da Maga.
A Flora, meu caro Arnóbio, não gosta de música - continuou Isaías -, aliás, não sei do que ela gosta. Ela sempre me pede... Não, não pede mais, no começo pedia, agora ordena que eu abaixe o som. Reclama, como pode isso, que a música não a deixa pegar o sono. Ora bolas, quem não gosta de música, pode gostar do quê mais? A Flora é um enigma a ser decifrado e eu não sou Édipo. Eu me equilibro entre o desejo e o receio. Parece uma borboleta ao sair com o fone no ouvido, ouvindo noticiários, só pode, ou receitas de culinária. Rádio só presta para ouvir música, acho que ela coloca o fone no ouvido como álibi, para não falar comigo, com ninguém. Borboleta ou crisálida, não sei.
A Maga, pressentindo que Isaías se exaltava, ela conhecia bem suas reações depois do terceiro copo, entrou na conversa, colocando panos:- Isaías, também pudera, estas músicas que você ouve são um porre. Duas ou três, tudo bem, mas quem aguenta David Bowie, Lou Reed, Chico Buarque, Alice Cooper o tempo todo? Ah coloca um Luan Santana, ela vai adorar - concluiu com uma sonora gargalhada, para, em seguida acrescentar: - Arnóbio, você está realmente bêbado. Este homem não aguenta nada, duas cervejas, veja como está vermelho.
Como se não ouvira Maga, disse balançando o copo: - Sublimação, gente. Su-bli-ma-ção, acrescentou com um sorriso de lado. Ela sublimou o sexo, sendo chata, aborrecida. Ah o sorriso de lado de Arnóbio sempre fora uma incógnita, que só se esclarecia parcialmente quando as borboletas saíam do casulo. Passava dias alimentando as lagartas. - Por acaso, criar borboletas não é uma forma de sublimar? Inquiriu Isaías, para se vingar das ironias feitas a Flora. No íntimo a desejava com ardência. Ela surgia em seus sonhos como uma borboleta multicolorida.
Arnóbio agora se equilibrava entre as palavras do bêbado Isaías e a ironia da Maga. - A vida é... ah, deixa pra lá. Deixemos a Flora, falemos dos piolhos dos pombos, das pirâmides do Egito, melhor, silenciemos... Coloca Edit Piaf... Elza Soares... Foi uma noite de etílico, bêbados equilibrando-se em asas de borboletas.



Andorinhas e urubus

A Maga chegou em casa e encontrou Isaías esparramado na poltrona. Não verificou se dormia. Foi para a cozinha monologando um dicionário de palavras incompreensíveis. Ela gostava de dizer tudo na lata.
-  O que aconteceu, mulher?  Perguntou Isaías, sem se levantar
-  Estou pensando umas coisas, filosofando.
- Assim? Que língua é esta? Esperanto? A Maga olhou em volta, sentou-se ao lado de Isaías e foi direta: - A gente precisa se separar. - Acho que não, Maga. Para quê? Temos as nossas diferenças, mas no geral nos damos bem. Sejamos práticos, de boa. A Maga pousou o queixo nas mãos, disposta a escutar.
- Então me convença!
- É o seguinte, passei o dia filosofando, como você, e me veio uma ideia sobre andorinhas e urubus.
- Meu Deus, lá vem uma fábula! Exclamou a Maga, sem esconder o desânimo.
- O Urubu é um injustiçado - prosseguiu Isaías -, tido como ave de mau agouro, que absurdo!, tem muito a nos ensinar. Com quem você acha que Santos Dumont inventou de brincar de voar? Com os urubus, Maga. Não foi com as andorinhas, que voam baixo. Caçam alimentos no ar, isto é legal. Mas os urubus enxergam longe, têm faros aguçados e sabem a hora de alçarem voos e de aterrissar. As andorinhas são frágeis, batem nas paredes e perecem. Urubus ascendem pelas térmicas, economizam energias. As fêmeas põem dois ovos de uma vez. Para concluir, não gastemos energia com separação, minha andorinha!
- Está bem, meu urubu, venha tomar um café. Mas continuo achando que está na hora de você arrumar as malas ou alçar voo, as térmicas estão quentes.



Pesquisa:

Andorinhas

As andorinhas são um grupo de aves passeriformes. A família destaca-se dos restantes pássaros pelas adaptações desenvolvidas para a alimentação aérea. As andorinhas caçam insectos no ar e para tal desenvolveram um corpo fusiforme e asas relativamente longas e pontiagudas.

Urubus

Como alimentam-se de carne em estado de putrefação, são extremamento importantes para o equilíbrio ecológico, pois evitam a disseminação de doença.
A ascensão dessas aves ocorre nas correntes térmicas (de ar
quente) que se elevam do solo. É por isso que os Urubus, nas primeiras horas da manhã, evitam voar. Simplesmente esperam
que as correntes de ar quente comecem a se formar, para subirem. Têm olfato desenvolvido, para localizar mais facilmente o alimento. Uma utilização perfeita dos movimentos da atmosfera para facilitar a vida.

Fonte: Google



A Maga e o Joel


A Maga domou o Joel. Este é o nome do seu sapo de estimação, que pula de um canto ao outro da casa. Quando Joel resolve dar umas voltas pelo quintal da chácara, a domadora precisa ir atrás. Maga trabalha em um projeto de harmonizar o ambiente. Os resultados têm sido promissores. Pelo menos uma cascavel fez amizade com Joel. Acariciam-se.
A Maga está trocando o Isaías pelo Joel, ironiza Regina, já observaram como ele não esconde o desprezo pelo sapo, que até ganhou de presente uma pequena bacia de plástico! A Maga troca a água diariamente para ele se refrescar. Joel come insetos e faz cocô na bacia, por isso a Maga troca a água e a joga nas rosas. - O cocô do Joel é um excelente adubo, Arnóbio, misturado na água então, veja como as rosas estão lindas, o Isaías resmunga, faz cara de tacho, como se estes seres maravilhosos não merecessem cuidados, mas não ligo, você sabe como o Isaías é, cheio de dedos, afirma a Maga.
Arnóbio evita opinar, meneia a cabeça num sinal sem significados. Sabe que nas relações de casal não se deve meter a colher. Hoje de caras viradas, amanhã lábios colados.



Pesquisa:

Os sapos podem ficar mais tempo longe da água que as rãs e pererecas.
Possuem a pele rugosa e os membros posteriores mais curtos que os demais anuros, bem como uma concentração de glândulas de veneno nas laterais da cabeça.
Não existe mecanismo ejetor, se o animal for capturado, o veneno escorrerá na forma de um líquido leitoso.
São comumente encontrados nas cidades sob postes de iluminação a espera de insetos atraídos pela luz.
Existem cerca de 4.800 espécies de sapos.

Fonte: Google



Zika Vírus

Isaías interrompeu a conversa com a Maga, com a desculpa de que precisava sair, pois marcara entrevista com a agente de saúde, para saber dos procedimentos de combate à Zika Vírus.* - Você pode estar grávida, Maga..., dissera antes de ganhar a rua.
"É sempre assim" - refletia a Maga - "toda vez que vamos discutir a relação, ele arruma uma desculpa. Covarde! Desde quando Isaías se preocupa  com estas coisas? As baratas tomam conta da casa; as formigas fazem a festa; mosquitos e pernilongos nunca o incomodaram. Tudo bem, ele instalou um mosquiteiro em nossa cama... Isaías está mais para chickungunya**, isso sim!".
Enquanto a Maga conjecturava sobre as desculpas de Isaías, ele entrava em uma flora à procura de uma orquídea.
- Quero uma vanda, igualzinha a da minha amiga Suzana - disse à florista. Mas antes preciso de uma informação: como faço para me proteger do Zika Vírus?
- Moço, eu sou florista, melhor consultar uma agente de saúde, um médico.
- Desculpa, está certa, vou consultar a Karen.
Após escolher a orquídea, retornou. A Maga se encontrava sentada na poltrona. Olhou Isaías com a vanda e fez cara de paisagem.
- Veja, não é linda? Igualzinha a da Suzana Barbi. É pra você.
- Seu safado - respondeu a Maga -, acabei de fazer um café. Mas não pense que esqueci da nossa conversa. Aedes aegypti em minha companhia, nem morta!



Pesquisa:


* O que é a febre por Vírus Zika?

É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias.

Fonte: www.saude.gov.br

** Chikungunya

Febre, dor nas juntas, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo...É dengue! – você logo pensa. Mas atenção: pode ser outra doença, ainda pouco conhecida no Brasil, a febre Chikungunya.
Mas que doença é essa? Ela é causada pelo um vírus Chikungunya (CHIKV) e foi descrita pela primeira vez em 1952, durante uma epidemia na Tanzânia, no continente africano. Desde então, a doença foi identificada em mais de quarenta países da Ásia, África, Europa e América, incluindo o Brasil.

Fonte: http://www.invivo.fiocruz.br


Cansado de ser escorpião


"O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia". Albert Camus (1913-1960).

- Chega um ponto em que o cansaço toma conta. A busca de um sentido para a vida se esgota. Acho que é isto que acontece com os escorpiões. Entediados, eles se matam - Isaías filosofava, enquanto a Maga bailava ao som de Natalie, na voz Charles Asnavour.
- Quer que eu prepare uma dose letal? A Maga responde, sem parar de bailar.
- Não seja tão pragmática - retruca Isaías.
- A vida é bela, melhor mudar de assunto, Isaías.
- Ontologia, Maga! Entender o sentido da vida. E da morte. Há morte afinal? A filosofia, a ciência, a fé. Deus...
- Não meta Deus neste seu empirismo ontológico.
- Se de repente uma pessoa enjoa da vida.
A Maga para de dançar, olha Isaías e faz cara de egípcia.
- Deus tem mais o que fazer, Isaías. Não sei de nada.
- Sei que você não sabe. Ninguém sabe. Eis a questão. De qualquer modo a humanidade é como os escorpiões, se autodestrói, não com uma picada, mas com bombas, agrotóxicos, drogas...
- Chiclete não - interveio a Maga -, nunca vi falar de alguém que morreu por mascar chiclete. Po-lí-ti-ca Isaías é o que mais mata.
- Depende. Ela também salva. Mas no capitalismo a política cria parasitas, desigualdades sociais. Como precisa se expandir, avança sobre os recursos naturais, destruindo o ecossistema, concentrando a riqueza nas mãos de poucos. Escorpiões sobreviverão às hecatombes, Maga. Não quero debater ideologia com você, que acredita que os mortos levantam. Ah, melhor silenciar, esta conversa vai dar em nada. O nada, o ser e o nada. É isso. Como diria T. S. Eliot, o mundo não acabará com uma explosão, acabará com um suspiro.
- Mas antes que ele acabe, quem acabou mesmo foi o gás. Faça o favor, filósofo, de providenciar, senão não teremos almoço.



Pesquisa:

"ESPÉCIES: Foram descritas cerca de 1.400 espécies distribuídas em seis ou sete famílias, sendo a família Buthidae a mais importante

Distribuição: Os escorpiões são animais de terra firme, habitando as regiões quentes e temperadas da Terra (...)

Habitat: Os escorpiões vivem sob pedras, madeiras, troncos podres, alguns enterram-se no solo úmido da mata, outros na areia do deserto (...)

Alimentação: São animais carnívoros e de hábitos noturnos, alimentando-se principalmente de insetos e de aranhas, podendo também ocorrer o canibalismo, principalmente em cativeiro (...)

Reprodução: Antes do acasalamento, o macho e a fêmea se agarram pelas pinças, fazendo estranha dança. Quando tudo termina a fêmea freqüentemente come o macho (...)"

História e Surgimento: São animais antigos e provavelmente os primeiros a habitarem a terra

Fonte: http://www.saudeanimal.com.br/escorpiao.htm -

Adaptação livre.

Evolutiva e biologicamente o suicídio em outros animais, não incluindo o ser humano, é inexistente (...)"

Suicídio: encontrando-se encurralado em um círculo de fogo, mesmo que pareça, ele não usa seu ferrão como tentativa de suicídio, o que de fato acontece é que, devido a alta temperatura o animal acaba ficando agitado, perdendo o controle de sua cauda ocasionando os movimentos desordenados e acaba morrendo desidratado por consequência do calor provocado pelas chamas do fogo (...)"

Fonte: dariodabiologia. com - Livre adaptação.


Banho de cachoeira


Imagem: Cachoeira do Moinho-Milho Verde-MG 


A chuva dera uma trégua. Aproveitaram para subir a serra, onde as cachoeiras jorram águas cristalinas. Arnóbio estacionou o carro ao pé da montanha, mochila nas costas e deram início à subida. A Maga ama a natureza. Com muito custo e palavras pensadas, Arnóbio convencera o Isaías a ir. - A Maga me dá nos nervos com a sua euforia disparatada, Arnóbio. - Esquece a Maga, Isaías, vamos ouvir o canto dos pássaros, o barulho das águas. Na primeira cachoeira, Isaías irritou-se com o discurso de Maga, exaltando a beleza das flores. - Menos, Maga, menos!
Em seguida Isaías levantou-se e foi pesquisar o entorno. Sempre que podia afastava-se do grupo, para ficar sozinho.
Arnóbio observava os movimentos da Maga, que abria os braços diante da queda d'água. Em seguida tirou a roupa e se atirou no lago. Mergulhou e voltou à tona. Convidou Arnóbio a fazer o mesmo. Nadaram juntos, esbarraram-se. - Onde o Isaías está? Uma pergunta de retórica, uma desculpa, para se afastar, pois sentira um odor exalar-se de Arnóbio. - Saiu por aí Maga. Deve estar sob os pés de alguma árvore, com lucubrações ontológicas.
Isaías retornou e fez um gesto enigmático ao ver a Maga e Arnóbio, que se enxugavam e riam. - Rindo de quê? - perguntou, mas não ouviu a resposta. "Seria um desastre total se Jerusa tivesse vindo. Certamente ela e a Maga estariam dialogando com seres invisíveis".
Ao retornarem, a Maga não parava de exaltar as maravilhas da natureza. Arnóbio sorria em sinal de apoio. Isaías, que preferiu o banco de trás, observou que Arnóbio, ao mudar a marcha, roçava a mão nas coxas de Maga.



Pesquisa:


A Serra de São José está localizada entre os municípios de São João del-Rei, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Prados. Caracteriza-se por ser uma formação de quartzito (de fino a grosso) e meta-pelito, apresentando, ainda, dois diques: meta-basito e diabásio. Grandes blocos, chamados de Pontões, compõem o lugar, além dos vários blocos de pedra espalhados por todo o local. O quartzito é explorado na Mineração Ômega (Tiradentes). Com altitude máxima de aproximadamente 1300m, uma área rica em cachoeiras (na borda oeste) e responsável pela produção da água magnesiana e radioativa.

Fonte: Wikpedia.


O leão

Sou rei da selva não. Nem as leoas são rainhas. Na selva não tem monarquia. Isso tudo é invenção humana. A gente vive em paz. Quando estou com fome, vou à caça. É da minha natureza, como é da natureza da cobra me picar, ou das pulgas sugarem meu sangue e perturbarem meu repouso.


Pesquisa:

Classificação:

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Gênero: Panthera
Espécie: P. leo

Informações e características:

- O leão é um mamífero felino de grande porte.
- Podemos encontrar leões, principalmente, nas savanas africanas. Existem também, embora em pouca quantidade, alguns leões habitando na região noroeste da Índia.
- O leão macho possui juba e é peludo, enquanto a fêmea possui menor quantidade de pelos. A cor da pelagem dos leões varia entre o amarelo escuro e o marrom.
- São animais carnívoros e caçadores. Alimentam-se principalmente de carne de zebras, gnus, veados, búfalos, javalis e até mesmo elefantes. Podem comer até 30 quilos de carne em apenas uma única refeição.
- Os machos costumam viver sozinhos ou liderar grupos compostos por até 40 fêmeas.
- Existem várias espécies de leões, sendo as mais conhecidas: leão-sul-africano, leão-do-atlas, leão-congolês, leão-etíope, leão-asiático e leão-somaliano.

Fonte: www.todabiologia.com/zoologia/leao.htm


Morcegos


Imagem: Infoescola/Google



O Lima chegou bêbado às dezessete em ponto, perguntando por Isaías. A Maga estava ocupada com os morcegos pendurados no teto do quarto dos fundos, por ser sombrio "como o Isaías", a Maga pensou. - Isto dá azar - disse o Lima com aquela voz esganiçada de bêbado. Um balbucio. - Deixe de ser bobo, os morcegos são criaturas dóceis e fazem bem ao meio ambiente. E a Regina, como vai, Lima? - Acendendo velas coloridas, riscando o chão com carvão, para receber o Pena Branca. Você conhece a Regina. - Ah como conheço, gente boa. Mas não fale alto, Lima, qualquer barulho, lá vem mensagem da Flora, pedindo silêncio. Morar parede-meia dá nisso, tira a liberdade da gente. Mas o Lima não ouviu a fala de Maga, pois dormira no sofá. Enquanto admirava os morcegos "será um casal?, espero que não sejam carnívoros e não ataquem o Joel, mas fossem hematófagos bem que podiam sugar o sangue do Isaías". Bateu com o nós dos dedos três vezes na madeira. "Que é isso Maga, Isaías é niilista, mas é do bem", concluiu em pensamento.
Nesse exato momento Isaías encontrava-se na praça dos Três Poderes, analisando a estátua da Justiça: "A balança, pende para um lado; o martelo, ó pobre Têmis, olhos vendados, mas enxerga o que deseja; e esta espada, a quem protege? Quantos símbolos para cegar os olhos da multidão...".



Pesquisa:

*  O morcego é um animal mamífero que possui a capacidade de voar.
*  Alimentam-se, principalmente, de frutas, insetos, sangue de animais (poucas espécies hematófagas), peixes, néctar e pólem.

Ao voar a noite, utilizam um sistema de localização conhecido como biosonar (emissão de ondas ultra-sônicas através das narinas ou boca) Algumas espécies se orientam através dos ecos.
Dependendo da espécie, a vida de um morcego vai de 10 a 25 anos de idade.

Fonte: http://www.todabiologia.com/zoologia/morcego.htm


No mundo, 70% dos morcegos se alimentam se insetos. No Brasil, 50% se alimentam principalmente de plantas, podendo comer também outras coisas. Das espécies de morcegos que existem no mundo, apenas três se alimentam de sangue, sendo que apenas uma ataca outros mamíferos. De acordo com a comida preferida, podemos classificar os morcegos em três grandes grupos: animalívoros, fitófagos e onívoros.
 * Animalívoros - comem insetos, pequenos vertebrados (como ratos, pássaros, lagartos) e até outros morcegos. Dentre os animalívoros, há cinco subgrupos principais:
 * Insetívoros - alimentam-se de insetos, principalmente mosquitos, besouros, gafanhotos e mariposas. Por isso, têm importante papel no controle de pragas agrícolas. Insetívoros muito comuns em cidades são os membros da família Molossidae.
 * Carnívoros - comem vários tipos de pequenos vertebrados, incluindo aves, roedores, lagartos e até mesmo outros morcegos.
 * Piscívoros - comem pequenos peixes, como sardinhas, lambaris e barrigudinhos. No Brasil, este hábito é exclusivo dos Noctilionidae, os morcegos-pescadores.
 * Ranívoros - comem rãs e sapos. Contudo, nenhuma espécie de morcegos alimenta-se exclusivamente de anfíbios.
 * Hematófagos - são os famosos morcegos-vampiros. Eles se alimentam exclusivamente do sangue de vertebrados. Há apenas três espécies no Mundo, que ocorrem apenas nas Américas.
 * Fitófagos - alimentam-se de diferentes partes de plantas, sendo subdivididos em:
 * Frugívoros - comem os mais variados frutos, como mangas, bananas, amêndoas, figos, mamões, goiabas e principalmente frutos selvagens. É muito comum vê-los em cidades, se alimentando em mangueiras e amendoeiras. São importantíssimos dispersores de sementes.
 * Nectarívoros - Polinívoros - são morcegos que, como os beija-flores (aves), se alimentam do néctar e do pólen produzidos por flores, como o maracujá-de-restinga e o pequi, entre outras. Às vezes, estes morcegos podem ser vistos bebendo água com açúcar colocada em bebedouros de pássaros.
 * Folívoros - consomem folhas de diversas plantas, para complementarem suas dietas.
 * Granívoros - alimentam-se de sementes, além de comerem também a polpa dos frutos que as contém.
 * Onívoros - comem tanto animais, quanto plantas, em proporções similares.


Fonte: http://www.casadosmorcegos.org/#!ecologia/ckra


A Maga e o Isaías se desentendem. Metafisicamente.

- Isaías - disse a Maga, coçando o nariz -, a vida é uma dádiva da Criação. A flor que desabrocha, cachoeiras, matas, borboletas, você acha que toda esta beleza veio do nada? - Uma beleza que fenece. É absurdo. É bom o seu café. É maravilhoso fazer sexo com você. No sentido hedonista eu concordo. E mesmo considerando, hipoteticamente, que Deus exista e que a alma seja imortal, mais absurdo ainda.
A Maga segura carinhosamente a mão de Isaías: - Milagres Isaías!
- Ah, que é isso? Tenha paciência. Esse teto, a rua, uma casa atrás da outra, apartamentos apertados, barulho lá fora. Isto é tangível.
A Maga recolheu o Joel, colocou-o na palma da mão: - Isto é real, sinta-o, um ser. Veja como ele te olha com olhos cândidos. Este sapo, Isaías tem sentido. A natureza nos ensina o tempo todo. Absurdo é tudo virar pó.
- Metafisicamente, Maga, ontologicamente, se preferir, o hedonismo é que nos mantém de pé. A ciência também não tem resposta, mas está mais próxima da verdade do que estas ilações.
- Um chato, é isso que você é. Não sei como consigo conviver com você, que desqualifica minhas ideias.
- A gente faz sexo gostoso. Quanto as suas ideias, convenhamos...
- À merda, tô perdendo o tesão. Quero amor, entende? A transcendência do ego. O niilista é... é...
- Vamos, desembucha, fala! Não tente me rotular.
- Você sempre estraga tudo. Exceto o sexo, concordo, a gente se dá bem. Não me rotule, não me rotule, bah, vive rotulando todo mundo com os piores rótulos. Melhor pararmos por aqui, vamos acabar brigando. Fique com sua ideologia.
- Estou além do bem e do mal, estou séculos além.
- Idiota!



Amigas inseparáveis


Lucas não imaginava, que ao dividir o apartamento com Francisca teria de suportar a algaravia de Lorena, a maritaca de estimação.
Lorena, definitivamente, não gostava de Lucas. Talvez por ciúmes de Xica. Sempre o atacava pelas costas, bicando e o arranhando com suas garras afiadas. Reclamou com a amiga, que fez ouvidos moucos. - Ah, Lucas, não seja chato, Lorena te ama. - Imagina se não amasse, respondeu, completando: - Se você não tomar providências, pode arranjar outro lugar pra morar. Francisca deu de ombros, após constatar as marcas das bicadas de Lorena no pescoço e nas orelhas do amigo. Constatou, também, as falhas nos cabelos, provocadas pelas bicadas. Xica prometeu tomar uma atitude. Travou um diálogo ríspido, incompreensível para Lucas, com a amiga inseparável.
Mas Lorena era sagaz. Emitiu sinais, que Francisca traduziu ao amigo, de que o deixaria em paz. Em seguida fez carícias no cocoruco, dizendo "muito bem minha garota", e beijou-lhe o bico. E saiu para trabalhar, depois de colocar a ração.
Ao retornar, à noite, encontrou Lucas deitado no sofá, com sangue escorrendo dos olhos.
Lorena subtraíra a visão de Lucas.



Pesquisa:

O pássaro maritaca é originário das regiões onde o cerrado é predominante, comumente é possível encontrar essa aves que fazem parte da família dos psitacídeos nos estados do Piauí, Alagoas, Pernambuco, Moto Grosso do Sul, Goiás e até mesmo em outros países, como por exemplo, no Paraguai.

Seu habitat natural são as matas altas e ciliares e também os pinheirais, mas atualmente muitos habitantes das grandes cidades têm adquirido o pássaro para tê-lo como um animal de estimação, criando-os fora do seu local de origem.

Fonte: http://portalbrasil10.com.br/passaro-maritaca/

Maritaca é um termo genérico para designar uma ave que emite um ruído um tanto quanto desagradável.
O sexo da maritaca não é visível. Para identificá-lo é preciso um exame de sexagem, ou de DNA (por gotas de sangue ou com quatro ou cinco penas), ou ainda por laparoscopia onde se visualiza o órgão sexual que é interno.

Fonte: http://www.maenatureza.net/natureza/96-maritacas.html


Os elefantes são vegetarianos

Dormiríamos numa barraca, camuflada de folhas e troncos, em plena savana africana. O guia nos alertara o perigo, e nós retrucamos não nos importarmos de sermos alimentos para guepardos, onças, leões e outras feras. Estávamos convictos de que os elefantes nos protegeriam. Após deixar os suprimentos na barraca auxiliar, ele se despediu nos desejando boa sorte, depois de nos obrigar a assinar um termo de responsabilidade. O Lima ficaria encarregado de fazer a ronda, pois queria filmar o comportamento das espécies notívagas. A Maga ficou bem no meio, entre eu e Arnóbio, sob o argumento de sentir-se mais segura. Minha desconfiança de que a Maga sentia um forte atração por Arnóbio só crescia. Aquiesci, afinal não poderia cair em contradição com os meus valores, demonstrando ciúme. Arnóbio sussurrava algo no ouvido de Maga, que respondia com um sorriso abafado. Dormi em seguida, sob os auspícios de sons noturnos da natureza. Lá fora o Lima certamente baforava seu cachimbo, com o rifle ao lado. Lá pelas tantas o Lima nos tirou do sono, para avisar que passos fortes se dirigiam em nossa direção. O que podemos fazer? A pergunta foi de retórica, pois só podíamos esperar para saber. Era uma manada de elefantes se aproximando. Esses gigantes não dormem? a Maga perguntou. Três horas no máximo, à noite, respondeu Arnóbio, óbvio, exibindo-se para a Maga. Exibiram suas trombas, abanaram as orelhas e deitaram em volta das barracas. Eles são a nossa proteção, garantiu o Lima, que foi dormir na barraca auxiliar, enquanto a Maga e Arnóbio tiravam fotos e os acariciavam. Venha Isaías, eles são dóceis. Sabia que são vegetarianos, como eu? Que bobagem, Maga, respondi e voltei pra barraca. A Maga e o Arnóbio preferiram passar a noite acordados, segundo me disseram no dia seguinte, para gravar o sono dos elefantes. Infelizmente não foi possível, pois a bateria da câmera descarregara.



Pesquisa:

* Os elefantes vivem em manadas, sendo que cada uma é dividida em famílias.

-* Na África, o habitat dos elefantes são os territórios do Quênia, Tânzania e Uganda. Vivem em regiões de florestas e nas savanas.

-* É o maior animal terrestre do mundo.

-* São animais herbívoros, ou seja, alimentam-se de folhas de árvores, ervas, raízes, frutos e de gramas.

-* Um animal adulto ingere, em média, 100 quilos de alimento por dia.

 * Um filhote de elefante pode nascer com até 80 quilos.

* Por volta de 60 anos de idade, o elefante perde seus dentes molares (presas) impossibilitando sua alimentação e levando-o a morte.

* A caça indiscriminada do elefante africano tem levado a diminuição desta espécie, que atualmente está correndo risco de extinção.


Fonte: http://www.suapesquisa.com/mundoanimal/elefante.htm


A toca do lobo


Porque Naja não se decidia ir à toca do lobo, só ela poderia saber. Talvez nem ela soubesse. A Maga, que se guia pela intuição, guardava silêncio. Para ela, Naja teme o amor, com base na tradição de que amar é sofrer. Para romper o medo teria de enfrentar feras, suas feras internas, que impulsionam e repulsam.
Isaías nunca fora um transtorno, comia em suas mãos. Mais ajuda que atrapalha. Isaías é minha válvula de escape, uma sublimação, dizia com sinceridade. Naja tem medo de ser abatida, por isso adia a ida à toca do lobo.
Jerusa faz uma avaliação diferente. Para ela Naja não quer mais ser prisioneira de querências libidinosas.



Pesquisa:

Os lobos são capazes de percorrer longas distâncias com uma velocidade média de 10 quilômetros por hora e são conhecidos por atingir velocidades próximas a 65 quilômetros por hora durante uma perseguição
Os lobos possuem uma audição bastante apurada, a ponto de serem capazes de ouvir a queda de folhas das árvores durante o outono. Sua visão noturna é a mais aguçada da família dos canídeos.
O acasalamento ocorre, geralmente, entre os meses de janeiro e abril. Quanto maior a latitude, mais tarde ocorre. Uma alcateia produz, em média, uma única ninhada, salvo nos casos em que os reprodutores machos se relacionam com uma ou mais fêmeas subordinadas

Fonte: Wikipédia.


Papagaio bipolar

A Maga estava convicta de que Joel* e Jael formariam uma dupla de amigos inseparáveis. O dilema era ter de enfrentar o mal humor de Isaías, que, com muito custo aceitou Joel. Mas assim como antes, a Maga estava certa que sua vontade prevaleceria. A velha tática de acariciar os cabelos do parceiro e dizer-lhe, com palavras suaves, a necessidade de proteger os seres frágeis da natureza, sempre funciona. De mais a mais, Isaías, apesar de rabugento, tem um bom coração.
Quando Isaías chegou, foi atacado pelo papagaio falador. Não fosse a intervenção de Maga, as penas de Jael se espalhariam pela casa, pois o agredido pegou uma vassoura, para defender-se. Jael empoleirou-se na geringonça preparada por Maga e gritava feito louco. - Mas que bosta é esta, Maga? Isso aqui vai virar um zoológico. - Calma Isaías - respondeu a Maga -, o veterinário alertou-me, que Jael é portador de transtorno afetivo bipolar, ou seja, tem mudanças de humor, ora fica irritado, ora triste. É isso, Jael é bipolar. Somos nós, humanos, que causamos mal a esses bichinhos fofinhos. Já que o tiraram do seu habitat, só nos resta cuidar. É bom mesmo ir se acostumando, só não entrar em sintonia com ele. Tem hora que ele ficará tão pra baixo, disse-me o veterinário, que a gente vai junto. De repente ele fica eufórico e lá vamos nós. Basta a gente lembrar que o bipolar aqui é o papagaio, embora eu tenha cá minhas dúvidas sobre qual é o seu transtorno, Isaías.


* Joel é o sapo domesticado por Maga. Leia A Maga e o Joel.

Pesquisa:

Expectativa Vida: Os papagaios vivem muito tempo. Se forem bem cuidados tornam-se "eternos" companheiros, pois vivem até 80 anos!
Alimentação: Na natureza, alimentam-se de frutos, sementes, nozes, bagas, flores e brotos, que procuram no topo das árvores. Em cativeiro são oferecidos, além da ração comercial, frutos, sementes e vegetais.

Esta espécie ocorre no interior do Brasil, desde o nordeste (Piauí, Pernambuco e Bahia) até o Rio Grande do Sul, passando pelo Brasil central (Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso). Também ocorre no Paraguai, Bolívia e norte da Argentina.

São aves muito procuradas como animais de estimação. Isto se deve ao fato de serem muito inteligentes e perceptivas, além de possuírem uma grande habilidade na arte de repetir palavras.

Algumas espécies: Papagaio-verdadeiro (o da imagem); Papagaio-tucumã; Papagaio-papa-cacau; Papagaio-moleiro; Papagaio-do-mangue; Papagaio-de-ombro-amarelo; Papagaio-de-cara-roxa, entre outras.

Fonte: http://www.casadopapagaio.com.br/#!papagaio/c1y2r


Beija-flor


Imagem: Google




Isaías observava a Maga sentada em posição transcendental, no centro do jardim, com uma flor vermelha e outra amarela, na boca. Aproximou-se, mas afastou-se imediatamente ante o olhar severo da mulher. Na realidade não tinha o menor interesse, sabia bem o que ela queria: atrair beija-flores. Ecce woman, disse para si, enquanto caminhava, sem saber aonde ia. E completou, crucifique-a. Sentou-se atrás de uma pilastra, pensando em Nietzsche e em Pôncio Pilatos. Enquanto refletia sobre sua vida pregressa, a Maga continuava lá, sentada, em conluio com as forças da natureza. Absorvido pela ontologia, aquietou-se na inquietude da busca do sentido de ser no mundo.
Enquanto isso a Maga permanecia sentada, com as duas flores de hibiscos na boca, à espera de beija-flores. Depois de algum tempo surgiu um, com suas asinhas agitadas. E beijou a flor na boca de Maga, que permaneceu inflexível como uma estátua, para não assustar a ave.
- Você é um racionalista imbecil, praguejou a Maga, por Isaías ironizá-la em se manter nesta posição ridícula. E completou: - Ridículo é você, ateu com medo de assombração.
- Tudo bem, amor, o mundo não vai acabar, por hora. E eu não sou ateu, agnóstico ou outra coisa qualquer. Sou o que sou.
- Seu besta, respondeu a Maga, abraçando-o.



Pesquisa:

Nome Científico: Trochilus
Classe: Aves
Ordem: Trochiliformes
Família: Trochelidae
Habitat: É uma espécie solitária da mata virgem e secundária.
Nome popular: Beija-flor ou Colibri


Características: Os beija flores apresentam bico longo e tubular. Mede cerca de 16 centímetros e pode voar em ponto fixo pairando no ar.
Alimentam-se de néctar de flores e pequenos animais.
Na época do acasalamento os colibris costumam fazer o voo nupcial com trajetos que variam de acordo com cada espécie.
As fêmeas são as mais trabalhadeiras. São elas que constroem os ninhos, chocam os ovos e protegem os filhotes, sem contar com qualquer manifestação dos machos. Os filhotes abrem os olhos com quatro dias após o nascimento e saem do ninho com após quatro semanas. Apresenta-se em uma variedade de cores, tamanhos, tipos de plumagem e formato de bicos.
A grande variedade desses pequenos animais constitui uma riqueza do mundo animal, com aproximadamente trezentas espécies, formando uma das maiores famílias de pássaros do mundo.

Fonte: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/beijaflor.htm


Serpentes

Jerusa chegou em casa e foi logo desabafando:
- Honestamente, a Flora é uma tremenda de uma chata. Que coisa!
Agora deu para implicar comigo por causa de minhas músicas. Ah, porque você coloca o som alto, Jerusa. Saco! Tem razão o Isaías de dizer que ela é uma serpente peçonhenta!
- Também acho - concordou Suzana -, mas não se esqueça, o Isaías bem que bate as asinhas pra ela!
- Será? O Isaías é tão demodé! Niilista. Não sei como a Maga aguenta.
- Tem gosto pra tudo neste mundo, miga. Mas ele tem charme. É um intelectual, fi-ló-so-fo! Disse Suzana, com ironia.
- Inteligente ele é sim. Às vezes fico com pena da Maga. Isaías não tem limites. Ele confunde liberdade com libertinagem - completou Jerusa, tomando as dores de Maga.
- A Maga é uma bruxa, sabe se defender. Quero ver você se defender da serpente aí do lado.
- Ah, melhor esquecer a Flora, melhor deixarmos as serpentes em paz. Mas que o Isaías bate as asinhas pra ela, ah, isso bate. A Maga que não abra os olhos.
- Faz o seguinte, Jerusa - sugeriu Suzana -, coloca um CD do Chico, a vizinha gosta de sertanejo universitário.
- Boa ideia! Mas devagar com a serpente, porque ela pica. Brincadeira, a serpente do lado não é venenosa. É do bem. Vou coar um café. E pode ir me contando as novidades...



Pesquisa:


As serpentes são répteis pertencentes à ordem Squamata. São também conhecidas como cobras e apresentam como principal característica a ausência de pernas, que perderam durante o processo evolutivo.

- Algumas espécies de serpentes são peçonhentas, ou seja, possuem a capacidade de produzir veneno, através de glândulas na boca. Estas serpentes venenosas injetam o veneno nas presas, usando dentes inoculadores (específicos para tal tarefa)

Existem no Brasil, aproximadamente, setenta espécies de serpentes venenosas (peçonhentas). Muitas delas são extremamente perigosas, pois o veneno pode até levar uma pessoa à morte.

Curiosidades:

- A maior serpente do mundo é a píton, cujo comprimento pode atingir até 10 metros. Porém, a maior serpente venenosa do mundo é a surucucu, que pode atingir até quatro metros e meio de comprimento. Tem como habitat as florestas da Amazônia e a Mata Atlântica.

Fonte: http://www.todabiologia.com/zoologia/serpentes.htm


Karen e os carrapatos

Ao chegar na casa do Lima, a agente de saúde Karen deparou-se com uma cena, que a deixou com um misto de náusea e medo: o Lima catava carrapatos do corpo, esmagando um a um com as unhas.
-  Um momento, Karen, a casa está infestada.
-  Voltarei depois, Lima.
- De forma alguma, preciso falar com você, quero marcar uma consulta com a médica cubana.
- Sem problema. Credo Lima - disse no limiar da porta - você está com marcas horríveis na pele. Como isso aconteceu? Quer que chame uma ambulância?
- Foi aquela bruxa, a Maga, que me pediu pra buscar umas folhas de erva de santa maria, será que ela está grávida?, dizem que é abortiva, eu fui com a maior boa vontade, preocupe não Karen, a pele vermelha é por causa da alergia. Além dos carrapatos, esbarrei nas folhas da aroeira, que merda!
- Não seria melhor ir ao posto? - sugeriu a Karen -, de repente isso aí piora...
- Bobagem, sabe como são os carrapatos, estes aqui então, miudinhos, vão picando a gente por todo lado. Será que o Isaías sabe que a Maga está grávida?
- Deixa de ser fuxiqueiro, Lima. Erva de santa maria é usada para vários tratamentos, inclusive para eliminar gases, ah nem, volto depois, isso aqui tá horrível - disse tapando o nariz com as mãos. Não é necessário marcar a consulta, vá ao PSF e ela te atende. Tchau.
Depois de catar os carrapatos, tomou uma ducha e foi levar as folhas à Maga. Ao chegar, perguntou: - Ô Maga, porque você quer estas folhas? A Maga olhou bem nos olhos do Lima: - É o seguinte, que fique entre nós... É para fumar, idiota!
O Lima saiu de fininho.



Pesquisa:

Um carrapato ou carraça é um artrópode da ordem dos ácaros, classificado nas famílias Ixodidae ou Argasidae. São ectoparasitas hematófagos, responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças. Registros fósseis sugerem sua existência há pelo menos 90 milhões de anos, com mais de 800 tipos. Fonte: Wikipédia

"(...) Possuem hábitos noturnos e durante o dia, escondem-se em fendas nas paredes e pisos, vivem nos galinheiros, estábulos, pocilgas, pombais, habitações humanas e em outros locais que apresentam a possibilidade de se esconderem. São extremamente resistentes à fome, podendo viver até cinco anos sem se alimentarem (...)" (Débora Carvalho Meldau).

Erva de Santa Maria

É usado pela população Indígena e na medicina popular do Brasil, Belize, Equador, Haiti, México, Panamá, Peru, Trinidad-Tobago, Venezuela, EUA, Turquia e China há centenas de anos. Abortiva, anti-inflamatória, anti-helmíntica, antitumoral antiviral, antiasmática, antiespasmódica, antipalúdica, aromática, anti-ulcerosa. Em alta dose é extremamente tóxica , podendo causar a morte.

Fonte:http://www.plantasquecuram.com.br/ervas/erva-de-santa-maria.html#.V-BkoIgrLIU


O grilo de Flora


Flora é sem dúvida uma moça honesta e atraente. Tem lá seus grilos, como toda gente. Perde o sono com frequência e reclama de Jerusa, principalmente quando o som está ligado depois das 22h e Jerusa é notívaga. De resto é uma pessoa educada e em alguns momentos, bem humorada.
Flora não tinha animais em casa. Animais domésticos, lógico, porque não temos como evitar a entrada de bichos, como baratas, ratos, aranhas, pernilongos e... adivinhem: grilos. E não é que Flora adotou um grilo, um grilo verde, que segundo reza a lenda, traz sorte. Conhecido, também por esperança, que Flora tem, de encontrar o amor de sua vida.
Jerusa soube do grilo por intermédio de Suzana, que a-do-ra provocar a amiga, quando se trata da vizinha insone.
- Imagina, Jerusa, domesticar um grilo!
- Ah Suzana - retrucou Jerusa -, isto é normal em algumas culturas.
- Não vejo nada demais nisso - continuou Jerusa - , talvez ela o tenha como estimação, na esperança de encontrar o amor de sua vida. Você mesma, Suzana, andou enfiando facas em bananeiras, até encontrar o Fernando. É bom ter alguém do lado, que a gente ame. Mesmo um chato, como o Isaías. Pergunte a Maga.
Com esta resposta, Suzana enfiou a viola no saco e mudou de assunto.



Pesquisa:

Somente os grilos machos produzem sons e o fazem para atrair as fêmeas para a reprodução. Para tanto, os machos possuem uma série de pelos nas bordas de suas asas, alinhados como pentes, e produzem os sons roçando uma asa contra a outra.

Assim cada espécie produz um canto peculiar que varia com a época do ano, e que é mais intenso para atrair a fêmea e mais suave quando ela já está presente e se inicia a fase do cortejo.
Existem cerca de 900 espécies de grilos ao redor do mundo

Em algumas culturas os grilos são tomados como animais de estimação. Na China, o pouso de um grilo em uma pessoa significa muita sorte, e em várias partes do mundo eles são consumidos como alimento.

Os grilos são encontrados em diversas partes do mundo, e a criação em cativeiro é feita há mais de mil anos em países como a China, Japão, África do Norte, e Europa Ocidental.

Fonte: Wikipédia


As moscas


A Naja consultou Arnóbio se deveria intervir na relação de Isaías e Maga, que andavam às turras, embora, civilizadamente. - Interessante o seu raciocínio Naja - interveio Jerusa, carne e unha com a Maga -, guerra é guerra, menina, como assim, às turras civilizadamente?
Naja fez ouvidos moucos e esperou pela resposta de Arnóbio: - Naja, querida, prefiro não me meter. Isaías e Maga são adultos, que se entendam. Não comprometo a minha liberdade por nenhuma causa. Estou mais para Agaménon, não aquele personagem de Sófocles, mas o de Sartre em As Moscas. E a Maga é para mim, como Electra, irmã de Orestes.
- Então, caro Arnóbio, sou Júpiter e te ordeno libertar a Maga do jugo de Isaías, este Egisto da era tecnológica. Você tem ascendência sobre o casal.
- Comparar Isaías com Egisto é de uma maldade, Júpter, digo, Naja. Isaías é um altruísta, no fundo carregaria todas as moscas, como Orestes, para defender a Maga e Argos. Sei não, acho que você quer tomar o lugar de Clitemnestra - completou Arnóbio com um sorriso irônico.
 A conversa encerrou-se ali, ninguém disse  nem tico nem teco.


Pesquisa:

1
Peça

Dividida em três atos, esta peça de Sartre dá-nos o drama de cada personagem: Egisto é a encarnação do político ansioso por governar e submeter o povo de Argos a uma opressão que se prolongará por muitos anos. Egisto assassina Agaménon, casa depois com Clitemnestra, a mulher daquele, e submete a jovem Electra, irmã de Orestes, ao papel de escrava.
Num reino imoral e miserável, em que impera a crença na espantosa força de Júpiter, Egisto toma o lugar de Agaménon no trono, protegido por Júpiter, deus dos deuses e que julga ser também o deus dos homens. Por sua vez, Electra, educada na cidade natal, espera sempre pelo regresso de seu irmão Orestes para vingar a morte de Agaménon e assim libertar o povo de Argos da tirania de Egisto. Mas Orestes foi educado na própria irresponsabilidade e longe da família e quando regressa na companhia de Pedagogo não é para se interessar pela situação do povo de Argos, e diz-lhe: Eu sou livre!?

2
O inseto:

"Este inseto possui apenas um par de asas membranosas correspondente às asas anteriores. Estes insetos apresentam metamorfose completa, isto é, apresentam as fases de ovo, larva, pupa e adulto.

Pode-se reconhecer as moscas pela cabeça, nitidamente distinta e móvel, com dois grandes olhos facetados. Algumas possuem o aparelho bucal com capacidade para absorver líquidos enquanto que em outras o aparelho bucal é do tipo picador.

Do ponto de vista benéfico algumas são importantes para o homem, tais como as espécies que são utilizadas como animais experimentais principalmente para estudos genéticos. Algumas espécies são utilizadas como agentes de controle biológico de plantas daninhas bem como de insetos pragas. Outras já são prejudiciais ao homem pois provocam doenças e servem de hospedeiros para agentes patogênicos (...)"

Algumas espécies:

Mosca do figo; mutuca de cavalo; mosca do chifre; mosca doméstica; varejeira azul; mosca caçadora, etc.

Fonte: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/moscas.htm


Bactérias

Lamentações 3:5
Ele me sitiou e me cercou
de amargura e de pesar.



Cortar as unhas grossas dos pés, tornara-se um momento de reflexão filosófica de Isaías. Um ritual, na maioria das vezes, amargo. Por isso adiado ao máximo. Só as cortava, quando era alvo dos olhares acintosos de Flora e Jerusa, ou quando a Maga reclamava das ranhuras em suas pernas. Irritou-se, certa vez com a Regina, que ao ver suas unhas, disse, com uma sonora gargalhada: - Vai precisar de uma Makita pra cortar os cascos.
Ao cutucar as bactérias que se espalham sob as unhas, lembra que seu corpo, um dia será alimento de vermes. Que elas estão ali, alojadas, à espera do seu último estertor, para dar início à comilança. Neste segundo sábado de um dezembro chuvoso, meditava sobre se a "essência precede a existência". Concordou que Sartre interpretara corretamente, pois, o homem precisa existir primeiro, descobrir-se no mundo, para em seguida se definir. Mas como definir o homem, se o nada é indefinível!

“Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)

  Ao cortar as unhas, seu ego virava uma bola murcha e lamentava-se consigo, resmungava, pois, perante as pessoas, jamais admitia fraquezas. Nestas horas, o homem do meio-dia transformava-se no homem da zero hora.


Pesquisa:

"(...) As bactérias são os seres vivos mais antigos na natureza "(evidências encontradas em rochas de 3,8 bilhões de anos).

"(...) Elas são microscópicas, unicelulares, sem núcleos e sem clorofila e se reproduzem por divisão binária

"(...) uma única bactéria pode gerar cinco milhões de outras num período de apenas onze horas.

"(...) Na indústria alimentícia, inclusive, algumas bactérias são usadas na preparação de comidas ou bebidas fermentadas

"(...) Entre milhares de outras, as principais doenças causadas por bactérias são: a tuberculose, a hanseníase (lepra), a difteria, a coqueluche, a pneumonia bacteriana, a sinusite bacteriana, a escarlatina, o tétano, a leptospirose, o tracoma, a gonorreia ou blenorragia, a sífilis, a meningite (...)"

Fonte: www.abc.med.br ›


Joaninhas



Imagem: Recreio/Google


Jerusa e Isaías decidiram ir ao zoo botânico ver tamanduá-bandeira e outras espécies de animais. A Maga recusou-se, alegando indisposição.
Por favor, Isaías, disse Jerusa, não me venha com a sua metafísica, quero apenas contemplar a natureza. Tudo bem Jerusa, satisfaço-me contemplando a sua natureza, mas meu espírito (sempre que falava de espírito, fazia gestos com os dedos, sinalizando aspas) é naturalmente inquieto. Agora, por exemplo, estes transeuntes, o que se passa na cabeça de cada um? Estas coisas não te intrigam, gostosa?, disse, acariciando os cabelos de Jerusa, ao entrar no zoo, indo direto a estufa das joaninhas. Todos temos nossas reflexões íntimas, Isaías, respondeu Jerusa, coquete, ante as carícias de Isaías.
Jerusa não parava de emitir um oh, que maravilha da natureza! Isaías observava a amiga, mais que as joaninhas coloridas. Tocou seus cabelos suavemente. Jerusa virou o rosto em sua direção e o beijo foi inevitável.
- Nossa Isaías, isso não podia ter acontecido. A Maga é a minha melhor amiga - disse Jerusa se recompondo.
- Minha relação com a Maga é aberta, mas se você preferir, não direi nada a ela.
- Ah por favor, não diga.
- Tudo bem - respondeu Isaías, tentando mais um beijo, que Jerusa negou.


Pesquisa:

* As joaninhas são um tipo de besouro.
* Podem medir de 1 a 10 milímetros.
* Podem viver até 180 dias.
* As joaninhas vivem em jardins ao redor do mundo.
* As joaninhas alimentam-se de outros insetos, que são considerados pragas agrícolas, como os pulgões, afídeos, moscas da fruta, piolhos da folha, entre outros insetos.
* Durante toda a sua vida, uma joaninha pode comer até 5 mil pulgões.
* Há cinco mil espécies diferentes de joaninhas no mundo.
* São consideradas besouros sagrados desde a Idade Média.
* Não são tóxicas para os seres humanos.
* Elas hibernam no inverno, pois são de sangue frio.


Fonte:http://www.insetos.org/2015/09/20-curiosidades-sobre-as-joaninhas.html


Cães e gatos


Imagem: Metrópolis





A rua fora tomada pelos cães.
O que era um tormento para Ana Paola, para Naja, motivo de alegria. - Cães latindo na noite silenciosa é como uma orquestra, faz bem aos ouvidos - comemorava a Naja. Por outro lado, Ana insurgia: - Cães latindo à noite perturbam o meu sono. Quem será dono destes animais? - perguntava, com um misto de indignação e amor. E completava: - Eles não têm culpa, coitados.
Concepções opostas, polêmica na certa.
Para aumentar a polêmica, gatos e gatas, também, começaram a fazer a festa. Subiam no telhado das casas e lá ficavam naquela agonia amorosa.
- O ritual amoroso parece mais um velório, com carpideiras barulhentas - disse o Lima, aproximando-se das amigas, com seu tradicional bafo de cachaça.
- Ô Lima, por favor, não seja enxerido, não basta estes animais e a Naja talhando o meu sangue?
-  Está bem, Ana, não está mais aqui quem falou. Fui -. E lá se foi o Lima, trocando as pernas.
-  Aposto que está indo pra casa da Maga! - disse a Ana Paola
- Ou vai pedir conselhos ao Isaías. Ah, Paola, voltando aos cães, que perturbam seu sono, eles são uns dengos e não pegam dengue, sabia?
- Dengos, sei! Não perturbam só a mim. Perturbam ao Arnóbio, a Wanda, ao Heitor...
 A Naja e a Ana não chegaram mesmo a um consenso sobre os cães e os gatos, depois de um intenso debate. Sem problemas, pois estavam unidas pelos laços da amizade e pelo respeito à divergência de pensamentos.



Pesquisa:

Cães

1. Um cachorro adulto tem 42 dentes
2. Os cães são onívoros, eles precisam comer mais do que apenas carne.
3. O olfato dos cachorros é 1 milhão de vezes melhor do que o dos seres humanos. O olfato dos cães é um dos melhores da natureza. Se as membranas situadas no nariz dos cães fossem estendidas, elas seriam maiores que o próprio cão.
4. A audição dos cachorros é 10 vezes melhor do que a dos humanos
5. Castrar seu cachorro pode ajudar a prevenir vários tipos de câncer.
6. As cachorras carregam seus bebês na barriga por 60 dias antes deles nasceram.
7. Cães de guarda são mais suscetíveis a atacar um estranho correndo, que um que esteja parado. Ao se deparar com um cão bravo, não corra.

Fonte: http://tudosobrecachorros.com.br/curiosidades-caninas/

Gatos

A vida secreta dos gatos é o resultado de uma pesquisa realizada com 50 gatos na cidade de Surrey, no Reino Unido. Os felinos foram vigiados 24 horas por dia com coleiras equipadas com GPS e “cat-cams”, câmeras especialmente projetadas para acompanhar os bichanos em suas atividades diárias.
Ao observar os detalhes do dia a dia de cada gato, os pesquisadores reuniram dados surpreendentes sobre seu comportamento quando não estamos por perto.

Conheça as cinco conclusões do estudo:

1. Caçam menos do que pensamos

Quando os gatos perambulam pela rua ou pela vizinhança, não costumam caçar roedores e outros animais pequenos na quantidade prevista. O estudo sugere que a vida doméstica ocasionou mudanças comportamentais nos gatos, que gradualmente perderam parte de seus instintos, como a caça. De fato, acredita-se que os gatos continuarão a levar uma vida estritamente doméstica.

2. Tentam evitar confrontos

Uma das observações mais interessantes do estudo revelou que os gatos possuem um complexo sistema de marcações e sinais para indicar a outros felinos que estão ou estiveram em um lugar, evitando confrontos diretos. Embora os pesquisadores tenham observado disputas e brigas ferozes entre os gatos, na maioria dos casos esse sistema de sinais odoríferos evitava conflitos.

3. Roubam comida de outras casas

Os gatos do estudo tinham um lar e estavam bem alimentados, no entanto, muitos deles perambulavam pela casa de outros gatos para explorar e, em alguns casos, roubar comida. Embora o estudo tenha determinado que a maioria dos gatos prefere evitar confrontos, ter mais alimento ao seu alcance parecia ser uma grande tentação durante os passeios diários dos bichanos.

4. Percorrem distâncias mais longas

Quando os gatos saem de casa, vivem aventuras e percorrem distâncias maiores do que seus donos imaginam. Por meio do localizador GPS, instalado em cada gato, os pesquisadores observaram que eles percorreram vários quilômetros, inclusive em longos passeios noturnos, e entravam até em lugares perigosos.

5. Usam diferentes miados e ronronados para se comunicar

Quanto ao relacionamento com os humanos, o estudo concluiu que os gatos desenvolveram miados e ronronados mais ou menos complexos para comunicar diferentes sensações. Existe um ronronado comum, cotidiano, para expressar satisfação ou tranquilidade, e outros menos frequentes, com velocidades e intensidades diferentes, que expressam interesse, curiosidade ou ansiedade.

Fonte: http://www.brasil.discovery.uol.com.br/animal-planet/cinco-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-a-vida-secreta-dos-gatos/


Adoção e outras informações:

https://www.facebook.com/adote1amigobh/posts/129354533899010

https://www.facebook.com/gatonegrovegano/


A noite é dos vaga-lumes


Arnóbio recusou o convite da turma, para uma rodada de cerveja e a prosa, invariavelmente ontológica. Ninguém fez cobranças, exceto a Maga, que lamentou sua ausência.
- Fique lá, na companhia de seu mutismo filosófico... Silenciou antes de concluir, vendo o gesto negativo do amigo. Do grupo, era o que menos manifestava opinião sobre os temas debatidos. Ao ser inquirido, meneava a cabeça, num gesto de que nada tem importância, embora não despregasse os olhos das coxas de Maga.
 Arnóbio caminhou sem rumo, na tarde fria e silenciosa, pela estrada de terra de Coronel Xavier Chaves, em direção às terras dos Chaves, onde a natureza se revela em todo seu esplendor: flores silvestres, árvores, lagos, patos selvagens e um por do sol de parar a respiração.
Sentou-se à beira do lago, absorvido pela ausência de subjetividade. Assim permaneceu até a noite invadir o dia. Ao voltar a si, deitou-se sobre a grama orvalhada, pensando que a noite é o dia dormindo. E dormiu junto com a noite. Ao acordar, ele era uma tocha iluminada por centenas de vaga-lumes, que passeavam sobre seu corpo. Agora sim, ele era um homem iluminado, caminhando nas sendas de uma noite sem fim.


Pesquisa:

Os vaga-lumes são insetos que encantam muitas crianças. São animais bem pequenos, medindo entre 10 e 20 milímetros, diferenciando entre macho e fêmea.
O grande atrativo do vaga-lume é por emitirem uma luz, que serve como atrativo sexual. Esses animais se alimentam de lesmas e caracóis.

Os vaga-lumes ou pirilampos são insetos coleópteros das famílias Elateridae, Fengodidae ou Lampyridae, notório por suas emissões luminosas. As larvas alimentam-se principalmente de vegetais e outros insetos menores. A espécie mais comum no Brasil é a Lampyris noctiluca, na qual apenas os machos são alados.


Fonte: http://animais.culturamix.com/curiosidades/curiosidades-sobre-os-vagalumes-que-ninguem-sabe



Casa de João-de-Barro


Imagem: superinteressante


Francisca, como sempre esbaforida, foi entrando sem pedir licença. Encontrou a Maga dizendo a Joel - o sapo domesticado - para que não se preocupasse com Jael, o papagaio bipolar, que em suas crises, bicava o sapo: - Meu amor, fique quieto dentro da panela, vou sair com a Xica, para espairecer, contemplar a natureza, querido. Eu e a Xica iremos fazer a trilha da Cava Amarela. Qualquer coisa o Isaías (disse Isaías em voz alta) está em casa.
- Vamos embora - interrompeu Francisca -, antes que fique tarde. Você conhece bem a trilha, depois destas chuvas, deve ter crateras, troncos, pedras...
- E centenas de borboletas, jacus, árvores... Vou pegar umas frutas e água. Cadê sua matula?
- Deixei na poltrona da sala. Vamos - Disse Francisca, enxugando a testa.
- Calorão em amiga! Mudança hormonal é fogo!
- Se é. Mas não é só isso, que atiça meu fogo, sinto falta do meu escultor de pedras preferido. Miserável, entrou e saiu da minha vida assim, ó, sem anunciar!
- Esquece aquele idiota, vamos embora.
Subiram a trilha, observado as borboletas azuis. A intenção era ir até o maior jequitibá do mundo.
- Do mundo, Maga? Menos, né.
- Ah, é o maior sim.
Distraíram-se no caminho ao ver uma casa de joão-de-barro.
- Dizem que o macho empareda a fêmea no ninho, caso ela se engrace por outro macho; que são parceiros fiéis - comentou a Maga.
- Lenda, amiga, lenda, não há comprovação científica ou empírica. Mas que eles formam um belo casal e são exímios construtores, não tenho dúvidas. A natureza é mágica.
- Pena que eu e o Isaías estamos sempre às turras - lamentou a Maga.
- Isaías é boa gente, filósofo de meia tigela - ironizou Francisca.
- Ah isso não, Isaías tem muito conhecimento. Debate qualquer assunto e tem opinião própria - retrucou a Maga.
Francisca deu uma sonora e gargalhada e brincou: - Está certa, não está mais aqui quem falou. Imagino se vocês combinassem como este fiel casal de joão-de-barro...
E prosseguiram, decididas, rumo ao jequitibá.



Pesquisa:

O arquiteto perfeito

É um arquiteto perfeito. O ninho tem dois cômodos, com uma porta que dá acesso ao primeiro, que é feita na medida para que a ave entre sem precisar se abaixar. O cômodo mais interno, geralmente é forrado com penas, pelos e musgo, serve para a postura de ovos e acomodação dos filhotes. A porta de entrada é sempre estrategicamente posicionada na direção contrária à chuva e ao vento.

Fonte: http://diariodebiologia.com/2009/09/joao-de-barro-um-arquiteto-ciumento-e-vingativo/

A sua grande habilidade de manipular o barro, que dá nome ao passarinho. Outro destaque do joão-de-barro é o canto. Alto e forte, como uma gargalhada, a sua vocalização tem sequência rítmica prolongada como uma canção festiva, crescente e decrescente, e é cantada pelo casal canta nas horas mais quentes e claras do dia.

Fonte: http://www.ebc.com.br/infantil/voce-sabia/2015/09/joao-de-barro-conheca-o-passaro-construtor-e-sua-lenda-indigena

Caracterização

Mede 19 cm. Os sexos são muito parecidos, a fêmea pode ser identificada, pelo hábito de ocupar à noite, sozinha, o ninho com ovos e filhotes. Plumagem de cor parda, com cor ferrugem nas costas e especialmente na cauda.

Habitat

Campos desprovidos de vegetação mais alta, abundante nas fazendas, parques e até nas cidades.

Alimentação

Consiste de insetos e suas larvas, aranhas, opiliões e outros artrópodes, moluscos, ocasionalmente come sementes.

Fonte: http://www.faunacps.cnpm.embrapa.br/ave/joaobarr.html



Seriema Xavierense


Imagem: JEF

Paola jamais se interessara pela Serra do Retiro, enquanto Almir planejava ir ao topo e fotografar a natureza, lá do alto. Mari apenas sorria, pois conhecia bem a irmã. Houve um caloroso debate entre as irmãs e Almir, sobre coragem, medo e preguiça. Porém a conversa mudou de rumo, com a passagem da seriema, que estava sendo seguida pelo escultor de pedra, Lauriano na tentativa de fotografá-la, para esculpi-la a posteriori.
- Foto de seriema encontra-se um monte no "Google" - ironizou o Lima.
- Não se pode ir copiando imagens assim, não, Lima, tem direitos autorais. De mais a mais, não fale do que não tem conhecimento - retrucou Lauriano.
A Naja garantia ser a primeira a ter visto a seriema nas ruas do Bairro Nossa Senhora da Conceição. O escultor Lauriano não quis polemizar, mas garantiu que foi a Wanda quem a viu primeiro, no quintal da casa, com uma pequena cobra no bico. Só não soube explicar como ela entrara, pois mancava de uma perna e tinha dificuldades de alçar voo. A Naja fez ouvidos moucos, como quem estava acima de "disputas que não levam a nada". Preferiu confabular com o Lima, sobre o nome que dariam à seriema. Jerusa queria consultar a Maga.
- Que tal fazermos uma consulta popular? Perguntou a Naja.
- Pra dar um nome à seriema? Ah, para, Naja, temos mais o que fazer - respondeu Flora.
- Gente, não é bobagem. O animal ganhou a simpatia dos moradores, passeia pelas ruas. É um bom momento de criarmos um álibi, envolver os moradores no debate sobre nossa fauna, que está em extinção.
-  A Naja está certa - disse Isaías com em tom professoral -, apoio totalmente a ideia. Educação ambiental deve ser um tema recorrente.
- Preferia saber quem são os donos desses cachorros, que perturbam meu sono - reclamou Paola.
-  A seriema está indo embora - alertou Mari.
- Indo embora, como, se o lugar dela é esse eterno ir e vir - questionou Wanda -, ela tanto pode estar indo, como voltando.
O conversa foi desarticulada com a chegada do Pepê, que trazia notícias quentes do dia a dia da cidade.


Pesquisa:

NOME COMUM: Seriema também conhecida como siriema e sariema
NOME EM INGLÊS: red-legged seriema
NOME CIENTÍFICO: Cariama cristata
REINO: Animal
FILO: Chordata
CLASSE: Aves
ORDEM: gruiformes
FAMÍLIA: cariamidae
TAMANHO: de 82 a 92cm de comprimento, que vai da ponta do bico até a cauda.
PESO: 25 a 30 kg

HABITAT: áreas de cerrado, pastos e Campinas.
DISTRIBUIÇÃO: América do Sul, leste da Bolívia ao Norte da Argentina, incluindo Paraguai, Uruguai e todo o Brasil Central (Minas Gerais e Goiás) e Oriental (Piauí a Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul).
DIMORFISMO SEXUAL: os machos são mais acinzentados que as fêmeas, e estas mais amareladas.
REPRODUÇÃO: nesta época os machos lutam violentamente para disputar as fêmeas.
POSTURA: entre fevereiro e março. Os macho colaboram com as fêmeas na choca dos ovos.
OVOS: de 2 a 4 ovos

ALIMENTAÇÃO: caça todo o tipo de insetos (principalmente gafanhotos), sáurios (lagartos), pequenos mamíferos e aves que venham ao alcance de seu poderoso bico, e não gosta de se alimentar de animais mortos (...)
Se for apanhada bem pequena a seriema transforma-se facilmente num animal doméstico. Os fazendeiros costumavam criá-la em galinheiro, pois ela come pequenas cobras e dá um sinal de aviso à chegada de qualquer intruso. Hoje a seriema é protegida pelo IBAMA e é proibida sua criação em cativeiro (...)"

Fonte: http://www.saudeanimal.com.br/2015/12/10/seriema/


Aventura na Serra do Retiro



Leon e Murilo sugeriram a trupe, ir ao topo da Serra do Retiro. Lá do alto teriam uma visão esplêndida. Isaías recusou-se, ao observar a distância e a subida: - Não tenho mais idade para certas aventuras - desculpou-se. A Maga e os demais, animaram-se: - Mas como chegar até lá? - perguntou Suzana. Abraçada ao Lima, Jerusa quis saber sobre cobras venenosas. Regina sorria, enquanto Jerusa e Naja providenciavam água e lanches. - A gente leva vocês lá, prontificou-se Murilo, com olhar cúmplice ao amigo Leon, ambos interessados em conquista amorosa. - Você vem com a gente, Arnóbio? Mas ao menos dê um sorriso como resposta - arguiu Flora. Obviamente que ele iria, apesar de, contraditoriamente, sentir-se parte inorgânica da vida.
Munidos de lanches e água, iniciaram a trilha. Ao pularem o muro de pedras, depararam com um bando de anus. Sob a sombra de uma árvore frondosa, descansaram, alguns sobre o muro. A Naja e a Maga preferiram investigar o hábito dos anus. Descobriram um ninho: - Coisa mais linda estes ovinhos - exclamou a Maga. - Não toque neles - interveio a Naja -, deixe a natureza em paz, pode ser que os anus abandonem o ninho, caso percebam... - Entendi, Naja, concordo -. Leon e Murilo confabulavam com Regina e Jerusa. Arnóbio sentara-se, encostado ao tronco da árvore, imerso em seus pensamentos. Em seguida os guias improvisados convidaram a trupe a continuar a caminhada. Suzana estava entusiasmada:
-  Seria interessante a prefeitura fazer um projeto de turismo ecológico aqui. Não sei como, quem sabe construir uma trilha com calçamentos de pedras, como as da Serra São José.
-  É uma ideia, mas lá, creio, foram os escravos que deram suor e sangue - concordou Leon, de mãos dadas com a Regina.
-  Ah, não sei, com o turista, vem o lixo, detonando tudo, - contrapôs a Flora.
- Verdade - concordou Murilo -, mas o turista ecológico, geralmente é educado. Respeita o meio ambiente. As escolas estadual e municipal se preocupam com a educação ambiental dos alunos. E a prefeitura cuida da coleta seletiva. Pena não termos uma ETE.
-  Pena mesmo é não ter uma cachoeira - interrompeu Leon.
-  Nem só de cachoeiras vivem os turistas - respondeu Arnóbio.
-  Nossa, o homem fala - ironizou a Maga.
Descontraídos, chegaram ao topo, de onde avistaram São João del Rei, Resende Costa, Santa Cruz de Minas, Ritápolis, fazendas, animais pastando...
- Vocês querem cachoeira?, vejam ali - disse Leon, apontando com o dedo, o povoado de Cachoeira. E completou rindo: - É o nome do povoado. Segundo as irmãs Ana Paola e Lia, tem uma cachoeira lá, mas numa área particular.
O vento agitava as folhas e os cabelos dos trilheiros, produzindo uma imagem poética, que não escapou ao olhar e a câmera de Maga. Os longos cabelos negros de Regina esvoaçavam no topo da Serra do Retiro. O Lima abraçou-a suavemente por trás. A natureza pintara uma tela de rara beleza, emocionando a todos.
- Esta imagem valeu a caminhada - disse Arnóbio, com os olhos marejados.
Em seguida desceram a serra num silêncio sagrado, transcendente.



Pesquisa:

O anu-preto, também chamado anum-preto, é uma ave que ocorre da Flórida à Argentina e em todo o território brasileiro. Gosta de sol e toma banho na poeira (...)

Vive nas paisagens abertas com moitas e em capões entre pastos e jardins (...) Sempre anda em pequenos bandos de cinco a sete indivíduos que voam de um lugar para o outro, sempre saindo primeiramente o líder.

Alimenta-se de artrópodes como gafanhotos, percevejos, aranhas, miriápodes e pequenos vertebrados como lagartixas e camundongos, peixes, capturam pequenas cobras e rãs; periodicamente comem frutas, bagas, coquinhos e sementes (...)

Põe de quatro a sete ovos de cor azul-esverdeada com uma camada calcária. (...) Os ninhos são feitos de ramos, folhas, geralmente são coletivos e auxiliados pelos machos e filhotes das crias anteriores.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anu-preto


O voo da águia

Naquela manhã de inverno em que a luz solar interagia com as sombras produzidas pelas nuvens, a trupe reuniu-se no coreto da praça, para conversar e contemplar as esculturas de pedra. Ausente apenas o Lima, que fora com o Bateria ao deguste no Engenho Século XVIII. Isaías e a Maga aqueciam-se num caloroso abraço. Desvencilhando-se dos braços de Isaías, a Maga provocou Arnóbio, para que contasse uma história: - Por favor Arnóbio, conte-nos uma daquelas histórias mágicas, que só a sua imaginação fértil é capaz de criar. Regina soltou uma gargalhada ambivalente, ante o olhar irônico de Suzana. Pê-Pê e Karen observavam à distância.
-Tudo bem, conto sim - respondeu Arnóbio, com um misto de desconfiança e coragem -, mas não é uma criação minha. Trata-se do que aconteceu com um escultor da cidade. Todos conhecem o delírio de Michelangelo ao terminar de esculpir Moisés, pedindo para que a estátua falasse. Um evento similar aconteceu aqui em Coroas. Lauriano era um escultor talentoso, dedicado. Suas esculturas são talhadas com esmero. Fotografou águias; fez croquis; preparou marteletes e Makitas; escolheu a pedra ideal e colocou a mão na pedra. Segundo informações que colhi de alguns escultores e artesãos da cidade, ele levou cerca de dois anos, cinco meses e três dias para concluir a sua obra-prima. Ela teria ficado tão perfeita, que Lauriano, em delírio, pediu-a para voar...
- Ela voou, tenho certeza - disse a Maga extasiada.
- A Maga e suas alucinações - respondeu Isaías com ar "blasé."
- Só a Maga - disseram em uníssono a trupe.
- Por favor, continue - disse o Lima, que acabara de chegar do Engenho.
- Cadê o Bateria? - Perguntou Pê-Pê, do outro lado da rua. Mas ninguém respondeu.
- Bem, pessoal - continuou Arnóbio -, as informações sobre se voou ou não, são contraditórias. Durante vários dias, nosso escultor passava diante de sua criação, que fora afixada aqui na praça, e pedia para que ela voasse. Pois bem, numa certa manhã, como de costume, Lauriano fora visitar a águia de pedra e, para sua surpresa, não a encontrou no local. Ele ajoelhou-se e agradeceu ao céu. Concluiu que ela alçara o voo que ele tanto sonhara. Há quem afirme à boca pequena, que fora roubada e há quem afirme, que fora destruída pelos moradores, para que Lauriano recuperasse o juízo.




Pesquisa: 

"O homem, rei do mundo; ao leão, rei dos animais, à águia, rainha das aves” 
(Antônio Vieira, sermões)

- Águias são carnívoras e possuem um sistema visual muito apurado.
- Suas principais presas são: coelhos, esquilos, cobras, marmotas e outros animais, principalmente roedores, de pequeno porte. Algumas espécies alimentam-se de ovos de outros pássaros e peixes.
- Costumam fazer seus ninhos em locais altos como, por exemplo, topo de montanhas e árvores de grande porte.
- Existem diversas espécies de águias. As mais conhecidas são: Águia-de-cabeça-branca, águia-gritadeira, águia marcial, águia-malaia, águia-dourada-europeia e águia-imperial-ibérica.

Características principais:

Peso: até 6 kg
Comprimento: até 1 metro
Envergadura: até 2 metros
Ovos: até 3
Tempo de incubação: 35 dias
Velocidade: 100 km/h aproximadamente.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/mundoanimal/aguia.htm

"(...) aos 40 no auge da sua experiência de vida que ela é obrigada pela sua natureza há enfrentar, o chamado desafio dos 150 dias, que são os 5 meses mais angustiantes do animal. Ficando impedida de caçar, pois com suas unhas compridas e flexíveis, com seu bico alongado, curvo e pontiagudo não consegue capturar suas presas para se alimentar. E ainda suas longas e grossas asas apontando contra o peito, tornam a sua vida (...)"
"(...) nesse período de dificuldade, ele deve voar para o alto de uma montanha e recolher-se em um ninho em que não necessite voar.
Chegando lá a águia começa a bater com o bico contra a rocha por diversas vezes até o momento que consiga quebrar e arrancá-lo para que nasça um novo bico.
Só após o nascimento desse novo bico ela conseguirá arrancar suas unhas para que também nasça outras. E novamente ela aguarda e só quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.
Falta pouco para tudo se normalizar, mas é preciso aguardar outra vez que as novas penas cresçam para estreia-las em um voo de renovação, e torna-se a rainha novamente (...)".

Fonte> http://animais.culturamix.com/curiosidades/curiosidade-sobre-a-aguia


Jacus


Imagem: Google


"Vamos ao Bar do Lalado ou ao Yara's saborear uns salgados e tomar um suco, antes de caminharmos até o túnel?", sugeriu o Murilo. "Eu vou saborear um suco de cana", retrucou o Lima. O Bateria, que parara de beber, entendeu bem o tipo de suco desejado pelo Lima. Isaías, de novo, recusou a caminhada, dessa vez com uma boa desculpa: marcara uma reunião com a diretora da Escola Estadual Coronel Xavier Chaves, para conhecer o projeto pedagógico. A Maga, assim como Jerusa e Regina, aceitaram, dispostas. Arnóbio não iria, pois queria visitar o cemitério. Suzana e Naja ficaram na praça, observando as esculturas de granito. A Flora e a Francisca foram à Casa da Cultura, pedir a chave da Igrejinha de Pedras.
A tarde prometia. O céu estava limpo, com um sol pálido, quando o grupo se juntou, próximo ao PSF. A Karen acenou, desejando-lhes uma boa caminhada, "mas cuidado com a cascavel". "Obrigada, tenho pavor de cobras", agradeceu Suzana, sob o olhar complacente de Naja. E lá se foi o grupo, animado, rumo ao túnel.
Ao passar sob o viaduto da via férrea, encontrou um bando de jacus. A Maga não se conteve: "Meu Deus, coisa mais linda, são urubus?", perguntou. O Bateria esclareceu. O Lima bebeu uma dose da Beata. Regina pegou a garrafa e tomou um gole, depois de jogar um pouco para o "santo". O Lima pegou a garrafa de volta, "deixe que eu tomo conta dessa Beata". Enquanto isso os jacus observavam, desconfiados, a trupe. "Que bicho besta, sô", disse Suzana, completando: "Eu pensava que jacu fosse o caipira, o capiau, jeca, roceiro". Murilo, o guia improvisado, morador da cidade, não gostou dos modos da moça referir-se aos seus pares e retrucou: "São esses jacus, que plantam e colocam alimento em nossas mesas, Dona Suzana, bom ter mais consideração por eles". Suzana desculpou-se: "Não falo por malícia, Murilo. Apenas um modo de dizer, sem conotação negativa. O caipira está incorporado em nossa cultura, como personagem. Amacio Mazzaropi fez filmes com o tema jeca-tatu. 'A cultura caipira vivenciou a ascensão e a consolidação do modelo capitalista de economia, impulsionado pela revolução industrial, que concorreu para grandes transformações no modo de vida tanto do homem urbano como rural, manifestando os sintomas da crise social e cultural pelo qual ainda vive a sociedade. Assim, o caipira desse segundo momento histórico passou por grandes mudanças. Primeiro, como pequeno agricultor, não conseguia mais prover por inteiro as próprias necessidades alimentares, pondo fim ao regime de autossuficiência, devendo recorrer aos estabelecimentos comerciais da vila, incorporando assim, o sistema comercial das cidades e a necessidade de acumulação de capital para aquisição de bens materiais e novas tecnologias que facilitavam o trabalho no campo. A cultura caipira foi ainda marcada por uma vida lúdico-religiosa bastante intensa e importante dentro de sua organização social. As festas e as idas às igrejas nos finais de semana favoreciam o convívio social sinalizado por hábitos alimentares e religiosos, dialeto e músicas bastante peculiares a esse grupo' *". Murilo sentiu-se desculpado e satisfeito com as informações. Após fotografarem os jacus, a caminhada prosseguiu até o túnel. O trem, carregado de minério apitou. A Maga fez questão de filmar. Murilo propôs atravessarem o túnel, para conhecerem a mina d'água, mas a trupe preferiu retornar, por ser o último dia de visita a Coronel Xavier Chaves. "Isaías e Arnóbio, a esta hora devem estar nervosos com a nossa demora", disse a Naja. Francisca concordou. O Bateria apenas esboçava um sorriso e seguiu o grupo.
   Ao retornarem, foram ao Bar do Dirceu e molharam a garganta com a Santo Grau, exceto Isaías, motorista da van. Despediram-se dos presentes e seguiram rumo a novas aventuras. Regina reclamou por não ter ido a Resende Costa, comprar mantas e tapetes, mas alegre de saber que iriam apreciar a beleza das cachoeiras de Carrancas. "Nossa próxima parada - disse Francisca - será em São João del Rei". A Ana completou: "Em seguida Tiradentes, Bichinho, Prados e vamos que vamos"...


Pesquisa:


O jacu é mais uma das espécies avistadas em viagens pelo Brasil.

A ave assustada e arredia consegue facilmente se camuflar e dispersar por entre as árvores e folhagens desparecendo em meio à mata. Por conta de seu jeito disperso, seu nome é usado como adjetivo pejorativo e sinônimo de caipira, tosco e jeca. É um pássaro típico de floresta, mas que tem hábitos no chão, onde passa um bom tempo também.


O Jacu também é conhecido como Penélope e é nativo das florestas latino-americanas. Só no Brasil são sete espécies diferentes.

O pássaro chega a alcançar até um metro de comprimento por vezes parecendo uma galinha com grande rabo e grandes asas. Alimenta-se de folhas, frutos e brotos, mas com hábitos diferentes em diferentes habitats.
Este pássaro, a exemplo de um gato do mato na Sumatra (Indonésia) é responsável pela produção de um dos principais cafés de exportação Brasileira, o Jacu Coffee.



http://www.olharturistico.com.br/jacu-ou-penelope-o-passaro-das-florestas-brasileiras-que-produz-cafe-de-qualidade-tipo-exportacao/

Sinônimos: capiau, casca-grossa, jeca, roceiro, sertanejo, jeca-tatu...

Fonte> http://www.dicionarioinformal.com.br/sinonimos/jacu/

* https://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_caipira



A hora dos ruminantes*



Imagem: G1


Não é fácil ser boi de corte, disse Isaías enquanto cortava a cabeça de uma cebola, para temperar o bife.  Nem me fale, respondeu Maga. Ah, falo sim, devolveu Isaías. Não, por favor, respondeu a companheira , agora não. É você quem contribui para o sofrimento dos animais, sou vegana.  Por favor, não diz nada!
Isaías estava mais pra sincero, que pra masoquista, falou: - Você sabia, minha querida, o tanto de sofrimento, que o gado de corte passa, antes do abate? São imprensados nas carrocerias de caminhões e se machucam nos solavancos, pisam uns nos outros, se ferem.  Com fome e sede, muitos morrem durante o transporte. A Maga responde, sem tirar os olhos do livro de José J Veiga,  indignada: - Há de chegar o dia em que esses frágeis animais irão reagir. Vez ou outra morre um toureiro em Madri.  Esse sofrimento não acontece apenas com os bois.  Acontece com porcos, frangos, gansos e tantos outros não humanos. Ô Isaías, toma tento, pare de comer carne! Ah, Maga, responde o companheiro, com um misto de tristeza e ironia: - Não evolui o suficiente, para uma decisão dessa natureza. 

* Título de um livro de José J Veiga


Pesquisa:

Constituem uma subfamília de mamíferos artiodáctilos bovídeos, distribuídos por todos os continentes e com enorme importância econômica como fonte de leite e carne para o homem. O grupo inclui cerca de 24 espécies agrupadas em nove gêneros.

Fonte: Wikipédia

Tais animais são herbívoros ruminantes. Eles se alimentam, principalmente, de pastagens, capins, fenos, cana-de-açúcar, e rações feitas de milho, sorgo, farelos, soja, dentre outros. Eles pertencem à Família Bovidade, assim como ovelhas, cabras, antílopes e bisontes.

Fonte: Google



Burro de carga



Imagem: Google

 

Sou um verdadeiro burro de carga, desabafou Isaías diante de uma montanha de vasilhas sobre a pia. Tô morrendo de pena, respondeu a Maga, seguida de uma risada, rir é o melhor remédio, como costuma dizer Suzana Barbi.  E emendou: Pena de verdade tenho dos burros, cavalos, éguas puxando carroças pelas ruas e estradas, lotadas de entulhos produzidos pelos tais cidadãos civilizados. Minha querida Maga, os animais são importante fonte de renda pra muita gente. Tem a sua importância social, disse Isaías. Mas não precisam de maus-tratos, retrucou a Maga, sem pestanejar. Não é assim que a banda toca, Maga. Eles recebem ração, água e carinho de seus donos...  Maga não esperou a conclusão de seu companheiro: - Você sabia, que esses seres indefesos são cegados em um olho, para que não se assustem com o barulho do trânsito, nas grandes cidades?  Seus sentidos são alterados. Um absurdo, nem Kafka, nem José J Veiga imaginaram  algo tão surreal. Nem o Lima, querida, observou Isaías, enxugando a louça.
 

Pesquisa:

  Burro é o nome dado ao filhote macho do cruzamento entre o jumento, também chamado de asno ou jegue (Equus asinus), com a égua, ou cavalo fêmea (Equus caballus). Quando se trata de uma fêmea resultante desse cruzamento, falamos em mula.
Como são indivíduos resultantes do cruzamento entre espécies com número de cromossomos diferentes, apresentando número ímpar de cromossomos, burros e mulas tendem a nascer estéreis.

Fonte:  Mundo Educação (UOL)

O cavalo (Equus ferus caballus), o jumento (Equus africanus asinus) e o burro (Equus asinus x Equus cabalus) podem até contar com semelhanças em suas aparências, mas são de espécies distintas. Eles possuem certo grau de parentesco no mundo animal, além de terem em comum o fato de serem vertebrados (possuem cabeça e crânio ao redor do chamado encéfalo, este último sendo o centro do sistema nervoso), mamíferos (se alimentam do leite materno para crescer na infância) e herbívoros (comem material vegetal na vida adulta).

Fonte: https://www.dgabc.com.br/Noticia/3025102/qual-a-diferenca-entre-cavalo-jumento-e-burro



Mosquitos morrem cedo






Não quero morrer, disse a Maga ao Isaias, no café da manhã, .  Mas vai morrer, querida, respondeu o companheiro, com a xícara de café suspensa. 
     Por pouco o debate sobre a vida e a morte acabava em conflito, pois a Maga não se conformou com o pragmatismo de Isaías, que a olhava com ar irônico.  Mas o casal sempre chegava a um consenso, apesar das diferenças.  Ambos amam a vida e o desejo mútuo de vida longa e saudável prevalecem. 
     A Maga, que tem a cabeça nas nuvens e o coração nas mãos, disse temer a morte, quer viver mais de duzentos anos.  Pelo menos, pe-lo me-nos - frisou. 
     Isaías, mais pé no chão, diz a amada para se conformar com, no máximo cem,  pois é raro alguém ultrapassar essa marca. 
      - É muito pouco - retruca a companheira. 
     - Muito pouco é o tempo de vida do mosquito, que vive apenas cerca de trinta e poucos dias. Já imaginou o aedes aegypti, em pouco tempo faz um estrago à saúde humana, vivendo vinte, trinta anos?  Deus escreve certo por linhas tortas...
      - Olha aí, a ateu falando o nome de Deus! 
     - Você sabe bem que não sou ateu. Estou agnóstico. Mas falando sério, se o ser humano vivesse uns quatro séculos, já pensou no estrago que faria?  É a espécie mais predatória!
     - Também é a que mais preserva, não seja pessimista. Você sabe que sou incapaz de matar uma barata, mas de pernilongo não tenho um pingo de dó. Zika e chikungunya não faz parte do meu dicionário -  acrescentou a Maga.
     - Agora me deixa terminar meu desjejum, pois tenho de inspecionar o quintal, ver se tem água parada. 
     - Vá, meu amor, a saúde em  primeiro lugar!  E não se esqueça, quero viver duzentos anos, PE-LO ME-NOS.
       - Vai sonhando.  Ah, estava esquecendo do mosquito palha. Fui!


Pesquisa

Aedes Aegypti

Aedes aegypti é o nome da principal espécie que transmite os vírus da dengue, o vírus causador da febre chikungunya e o Zika vírus. Essa espécie tem como característica a presença de marcações brancas nas pernas e no dorso (em formato de uma lira).
Essa espécie é mais frequente em áreas urbanas, onde há aglomeração de pessoas e grande disponibilidade de locais propícios para os depósitos de ovos. A temperatura climática e pluviosidade são outros fatores importantes que influenciam na infestação pelo Aedes. Para evitar a proliferação do mosquito, é preciso que sejam adotadas medidas permanentes de controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de criadouros. Toda a população tem um papel importante no enfrentamento à dengue, chikungunya e Zika, através do controle do Aedes.

Fonte: Ministério da Saúde

Mosquito Palha




Leishmaniose Visceral é transmitida por meio da picada de insetos conhecidos popularmente como mosquito palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. Estes insetos são pequenos e têm como características a coloração amarelada ou de cor palha e, em posição de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas.

Fonte: Sesab - Secretaria de saúde da Bahia





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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Córrego Bom Jesus




Imagem: Maria Antonieta

Imagem: Maria Anonieta

Nas margens do Bom Jesus alguém plantou uma árvore, 
nas margens do Bom jesus.
Passou o sanhaço e o tiziu,
Passou o joão-de-barro 
Cantou o canário da terra,
E o olho d'água se abriu. 
E a torrente caudalosa
Correu, saiu da nascente
Contornou a taboa e o brejo
Atravessou a estrada e um transeunte que passava
Encantado com a beleza 
Da natureza, sorriu!
Nacional, Pedra Azul, Bom Jesus, Vale da Orquídeas, que riqueza, ele falou!
‐ Olha que coisa linda, escuta o canto da passarinhada! Tem que cuidar disso aqui, gente!
Senão acaba!


João Basílio

João Basilio/2023




quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Um novo laboratório da luta de classes?


Felipe Campos Mello/Fotos Públicas



 Julice Salvagni em entrevista a ao IHU


O contexto brasileiro de informalidade e desemprego é um dos fatores que têm favorecido a proliferação de plataformas digitais no Brasil e trabalhos associados a elas, como o crescente número de entregadores e motoristas que atuam por intermediação dessas empresas. Segundo Julice Salvagni, “como há uma demanda grande de pessoas precisando trabalhar, não se questiona a falta de direitos porque as pessoas têm uma necessidade básica prioritária que é se manter, se sustentar”.


Julice Salvagni, juntamente com Rafael Grohmann, é autora do livro recém-lançado Trabalho por plataformas digitais: do aprofundamento da precarização à busca por alternativas democráticas (Sesc, 2023), que analisa uma série de atividades trabalhistas executadas por meio das plataformas digitais. Uma delas são as fazendas de cliques, bastante comuns nos países periféricos. Na entrevista a seguir, concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU via WhatsApp, a pesquisadora relata que essas fazendas também “existem no Brasil e dão conta das demandas de celebridades, políticos, pessoas do meio artístico ou empresas que querem ter seguidores e engajamentos nas redes sociais, mas não querem pagar por robôs porque isso fica evidente”.



Na avaliação dela, o trabalho por plataforma pode ser compreendido como “um laboratório de luta de classes porque a questão da reivindicação por direitos também acontece nesse formato. Como o fenômeno da plataformização é algo relativamente recente, estamos observando se ele também vai criar outras formas de luta. Por exemplo, se antigamente o vínculo entre os trabalhadores era estabelecido pelos sindicatos nas indústrias, hoje em dia esse não é mais o maior ou único caminho para a organização dos trabalhadores”. 


Julice Salvagni é doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e graduada em Psicologia pela Unisinos. Leciona no Departamento de Ciências Administrativas da UFRGS, na área de Estudos Organizacionais e credenciada no PPG em Políticas Públicas da mesma instituição.


Confira a entrevista. 

No livro, vocês abordam o problema conceitual do “trabalho por plataformas digitais”. Como interpretam as noções de “praticidade”, “eficiência”, “inovação”, “disrupção” à luz da realidade prática, econômica e social dos trabalhadores?


Entendemos que o trabalho nas plataformas digitais é mais uma etapa do sistema produtivo, que corresponde a outro processo de trabalho. Nesse sentido, é como se tivéssemos o fordismo, toyotismo, taylorismo e a plataformização, que reorganiza a maneira como o processo de trabalho está colocado. Com isso, existem diferentes cenários. A eficiência e a inovação se mostram como formas facilitadas do trabalho acontecer porque vêm mediadas pelas tecnologias, uma vez que as plataformas são grandes estruturas tecnológicas apresentadas por meio do próprio aplicativo. Não que o processo de plataformização dependa de uma infraestrutura tecnológica para acontecer porque existem situações em que a plataformização acontece não necessariamente vinculada à plataforma. Esse processo é anterior ao advento da plataforma ou das tecnologias que envolvem essa organização do trabalho, mas trazem vários benefícios, sobretudo para quem é consumidor. Nós não inauguramos o delivery com as plataformas. Sempre pedimos comida por meio do telefone ou de outras formas. A questão é que a plataforma sistematiza e organiza isso para o consumidor de uma maneira diferente. A organização desse processo tem várias facilidades e os avanços tecnológicos que vieram para beneficiar o nosso dia a dia não devem ser ignorados. Hoje, não nos imaginamos vivendo sem o smartphone e todos os recursos que essa tecnologia nos trouxe.


Agora, o problema é justamente a questão da realidade dos trabalhadores que estão por trás dessas plataformas, ou seja, daqueles que estão operando esses serviços para que possamos ter acesso a tudo isso. Se antigamente existia uma maioria de entregadores que tinha carteira assinada com os estabelecimentos comerciais, esses trabalhadores, à medida que passam a operar por intermédio das plataformas, acabam ficando totalmente desamparados. Eles trabalham à própria sorte e não têm respaldo das plataformas para que possam ser assistidos em alguma situação. Essas infraestruturas criam várias instâncias que permitem que se ocultem certos quesitos importantes das relações de trabalho que sempre existiram.


Mesmo com todo o contexto de informalidade que o Brasil acumula historicamente, a questão da remuneração sempre ficou clara. Uma pessoa que trabalhava de maneira informal colocava o preço no serviço de pintura, de corte de cabelo, de cuidado, de entrega de alguma mercadoria. Hoje, o mecanismo pelo qual essas plataformas operam não permite que o trabalhador saiba o quanto está ganhando ou qual é a porcentagem que vai ganhar referente àquele serviço ou entrega. Esse novo processo produtivo do capitalismo surge com uma série de agravantes no sentido de ocultar as relações de direito entre os trabalhadores e as organizações.


Por que consideram “o trabalho por plataformas um laboratório da luta de classes”? Como esse laboratório se manifesta no Brasil, nos diferentes setores que hoje atuam via plataformas digitais?


Consideramos que o trabalho por plataforma é um laboratório de luta de classes porque a questão da reivindicação por direitos também acontece nesse formato. Como o fenômeno da plataformização é algo relativamente recente, estamos observando se ele também vai criar outras formas de luta. Por exemplo, se antigamente o vínculo entre os trabalhadores era estabelecido pelos sindicatos nas indústrias, hoje esse não é mais o maior ou único caminho para a organização dos trabalhadores. Temos visto uma série de associações, outros sindicatos que se organizam de modo autônomo, alguns grupos de trabalho, coletivos, que se organizam em prol de questionar e pressionar as plataformas por condições mais dignas de trabalho. A greve dos apps foi um evento emblemático em 2020, organizado por uma série de associações, sobretudo de entregadores, mas existem muitos coletivos, inclusive organizados via WhatsApp. Se o trabalho agora é mediado pelas tecnologias, a organização também tem ganhado espaço nesses ambientes virtuais. Ou seja, existem aspectos distintos em relação à organização dos trabalhadores na década de 1980, 1990, que era em sua maior parte sindical, e o arcabouço de lutas dos trabalhadores que hoje estão fazendo frente à plataformização.



No livro, vocês mencionam os diferentes termos utilizados para nomear o fenômeno do trabalho por plataformas digitais, a saber, gig economy, indústria 4.0, trabalho digital, economia compartilhada, uberização e plataformização. O que esses diferentes nomes designam acerca do que se entende por “trabalho por plataformas digitais”? Qual conceito melhor caracteriza a realidade do trabalho por plataforma no Brasil?


Essa questão é importante em relação ao que diz respeito às terminologias. Existe a designação “trabalho digital”, que é um conceito mais amplo e não interfere na questão de vínculos. Ou seja, eu posso ter um trabalho digital mesmo sendo servidora pública porque esse trabalho não interfere na questão do vínculo empregatício. A gig economy é o modo como esse fenômeno começou a ser tratado sobretudo na produção do Norte. A gig economy, na realidade brasileira, que é uma economia de “bicos”, não é exatamente uma novidade. No contexto europeu, que tem um histórico de subemprego, as vagas de subocupação são ocupadas por imigrantes. Na realidade brasileira a situação é diferente porque quem trabalha na gig economy é uma população que pouco viu a carteira assinada ao longo dos últimos tempos. Ou seja, esse fenômeno é marcado pela ausência de vínculos, que no Brasil não chega a ser uma novidade. Historicamente, a questão do trabalho, assim colocada, é uma economia de “bicos”, uma grande gig economy. A plataformização exponencializa esse processo e acrescenta outros contornos à essa exploração, sobretudo na medida em que as plataformas atuam como mediadoras da exploração do trabalho, o que não existia no contexto da informalidade.


A indústria 4.0 é outro conceito importante, referente a um grupo específico de autores que entendem a questão de uma outra revolução tecnológica no que diz respeito às esferas produtivas. É uma análise relevante para pensar como as relações foram, junto com o desenvolvimento das tecnologias, se transformando ao longo do tempo.


Os conceitos de uberização e plataformização são sinônimos; eles não se distinguem em essência. Mas, ao contrário de colegas que preferem se referir à uberização, nós assumimos o conceito de plataformização por compreender, em primeiro lugar, que não se trata de um fenômeno restrito ao Uber, assim como o fordismo não era um processo de trabalho que aparece somente na Ford, ainda que tenha se iniciado nessa empresa. A uberização que vai tomando contornos significativos com a Uber está longe de acontecer somente na dinâmica da Uber. Então, usamos o conceito de plataformização justamente para caracterizar a quantidade de empresas e corporações que têm utilizado esse processo de trabalho dentro da sua lógica produtiva de exploração e dominação. Também por entender que uma plataforma é uma estrutura de trabalho de comunicação e por entender que se trata de uma plataforma que vai além da interface de um aplicativo. Ou seja, trata-se, acima de tudo, de uma empresa, uma corporação transnacional que está presente na maior parte dos países, como é o caso da Uber, e que tem funções específicas alinhadas a si, como a questão de criar e ter espaços de trabalho.


Vocês chamam atenção para o fato de que “muitos termos nascem como progressistas”, mas “acabam por ser cooptados pelos patriarcas do capitalismo digital”. Como isso tem ocorrido no desenvolvimento do trabalho por plataformas digitais? Pode nos dar alguns exemplos?


Essa questão sobre os termos que nascem como progressistas e acabam sendo cooptados por patriarcas do capitalismo pode ser exemplificada no caso da corrente que tentou tratar o fenômeno da plataformização como uma economia de compartilhamento. Esse foi um dos primeiros termos a colar no fenômeno da plataformização porque se entendia que as plataformas estariam se colocando como mediadoras entre pessoas que têm imóveis parados e aqueles que querem alugá-los, entre pessoas que poderiam usar o carro particular para transportar pessoas no tempo livre e outras que precisariam ser transportadas. Ou seja, a plataformização apareceu como uma ideia de compartilhamento, em que a plataforma faria a intermediação. Mas, conforme as coisas foram acontecendo, vimos que, na verdade, não era disso que se tratava. Ou seja, não era uma simples plataforma de compartilhamento, mas algo que extrai valor do trabalhador, extrai uma quantia significativa do motorista que está colocando seu carro para trabalhar e não tem feito isso simplesmente no seu tempo livre, mas enquanto uma jornada ampla e restrita de trabalho. Essas plataformas se colocaram, inicialmente, com o discurso de que estariam sendo as mediadoras entre as pessoas. Essa mediação seria algo muito progressista no sentido de compartilhar os tempos ociosos e teria uma lógica colaborativa. Entretanto, isso logo se mostrou uma fachada porque nada mais era do que a recriação dos mesmos modos históricos de exploração que sempre aconteceram no âmbito do capitalismo.


No Brasil, constata-se que o trabalho por plataformas digitais tem sido uma alternativa para muitos trabalhadores que estavam desempregados ou buscam alternativas aos seus empregos formais. Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores carecem de direitos trabalhistas. O que isso indica sobre o desenvolvimento desse tipo de trabalho no país?


As plataformas se proliferaram muito rapidamente no Brasil justamente por causa do contexto histórico de informalidade e desemprego. Como há uma demanda grande de pessoas precisando trabalhar, não se questiona a falta de direitos porque as pessoas têm uma necessidade básica prioritária que é se manter, se sustentar. A ausência de vínculos trabalhistas não gera um impacto tão significativo na realidade brasileira, historicamente marcada pela informalidade, assim como gera em outros países onde há um histórico de direitos trabalhistas mais consistente. A realidade brasileira foi e ainda é um campo fértil para a instalação dessas plataformas, que encontram aqui uma demanda de trabalho e apoio popular. Essa é outra questão importante. O consumidor com restrição financeira tem, nessas plataformas, uma opção de ter acesso ao transporte com um valor mais em conta ou ter acesso a um lanche com um valor de entrega mais em conta ou grátis; isso é atraente. Percebemos que as pessoas não questionam as condições de trabalho desses trabalhadores. Entretanto, uma pesquisa que encomendamos mostrou que 70% das pessoas estariam dispostas a pagar mais pelos serviços, considerando que os trabalhadores pudessem ter mais direitos associados a essa atividade de trabalho.


As click farm (fazendas de cliques) presentes no Sudeste Asiático também são uma realidade no Brasil. O que são e como atuam as fazendas de cliques no país?


As fazendas de cliques têm uma atuação mais acentuada em países periféricos. Elas existem no Brasil e dão conta das demandas de celebridades, políticos, pessoas do meio artístico ou empresas que querem ter seguidores e engajamentos nas redes sociais, mas não querem pagar por robôs porque isso fica evidente. As fazendas disparam convites de oferta de trabalho para as pessoas via WhatsApp e redes sociais, e as pessoas que estão sem condição de trabalhar veem nessa atividade uma possibilidade de trabalho a partir de casa.


Uma entre as várias questões colocadas sobre as fazendas de cliques é que a remuneração inicial é, ainda que baixa, um pouco atraente, mas, depois ela vai diminuindo muito. Além disso, é uma atividade desgastante porque a pessoa fica o dia todo administrando várias contas nas redes sociais; é uma atividade mecânica e repetitiva. Como é um trabalho que acontece a partir de casa, que tem contornos menos públicos do que as atividades de entrega, algumas pesquisas têm indicado que elas podem estar cooptando trabalho infantil. Não temos ideia de quem está neste espaço privado trabalhando nas fazendas de cliques. Podem ser crianças que fazem isso em um período significativo do dia. Existem vários problemas colocados nessa questão das fazendas e isso é algo que precisa ser discutido, pesquisado e tratado do ponto de vista da regulamentação dessa atividade, a qual deve ser combatida.


Quais as características do cooperativismo por plataforma? Qual é o perfil dos trabalhadores cooperados?


O cooperativismo de plataforma não é um fenômeno novo. No contexto brasileiro, existem arranjos colaborativos na história do país, sobretudo no Rio Grande do Sul, onde há marcas do cooperativismo bastante acentuadas. Assim como nascem as plataformas, nascem também esses espaços de resistências. Os arranjos colaborativos são um deles. É um importante espaço de organização dos trabalhadores em atividades de plataformas, mas geridas pelos próprios trabalhadores. Há um crescimento do cooperativismo de plataforma no país. Em Barcelona também há um incentivo para isso. São maneiras colaborativas de se inserir no trabalho de plataforma sem ter que ficar dependente das grandes plataformas. O perfil de trabalhadores é de pessoas que, na maior parte das vezes, passaram por experiências traumáticas com a plataforma, ou por terem sido bloqueadas ou por terem ficado desprotegidas em determinadas situações, e que tentam recriar colaborativamente espaços alternativos de trabalho. O cooperativismo de plataforma tem esse caráter associativista, com pessoas que precisam trabalhar juntas, dentro de uma lógica de autogestão, de pensar a organização sem as hierarquias de uma plataforma capitalista e, por isso, demanda uma coesão do grupo para buscar alternativas que sejam colaborativas.


Existem vários problemas colocados em torno do colaborativismo de plataforma, que tem sido chamado de outros nomes. O conceito desse tipo de atividade está em disputa, mas o cooperativismo tem encontrado dificuldades pela ausência de políticas públicas que deem suporte a esses negócios. Às vezes, as pessoas nem sequer têm capital inicial para montar o seu empreendimento, não têm suporte para gestão, para o desenvolvimento do negócio. Então, a receita do cooperativismo como política pública de fomento à cooperação, com as universidades atuando junto com esses empreendimentos enquanto incubadoras, precisa ser retomado e repensado do ponto de vista das plataformas.


Em que medida o cooperativismo pode ser uma alternativa ao trabalho por plataforma, tal como é desenvolvido hoje? Até que ponto os cooperados reproduzem as práticas das grandes empresas e inovam?


A grande questão está na questão das decisões coletivas. Nada é imposto; tudo é conversado e discutido de maneira coletiva e conjunta. Hoje, ainda existem poucos empreendimentos colaborativos e eles são feitos por poucas pessoas. Essa é uma alternativa interessante de ter outra forma de trabalho organizado em torno das plataformas, mas a questão que se coloca é a necessidade das plataformas se reproduzirem e crescerem.


A maior parte das cooperativas são de entregadores e motoristas e elas seguem mais ou menos a mesma lógica das plataformas, mas elas não têm regras abusivas e lógica de exploração e controle do ponto de vista de quem trabalha. As decisões são todas colaborativas e a remuneração para o trabalhador é clara, precisa e justa. Uma plataforma que atua em São Paulo, organizada a partir do MTST, trabalha com pessoas disponíveis do movimento MTST para serviços gerais de limpeza, de pintura e obras. A plataforma disponibiliza o contato das pessoas para qualquer um que tenha interesse em contratar esses serviços. Ao contrário das plataformas capitalistas que cobram por fazer essa intermediação, essa plataforma não cobra e consegue oportunizar o encontro entre as pessoas que estão precisando de trabalho e aquelas que estão precisando do serviço, sem gerar custos para o trabalhador e o contratante, que decidem o valor do serviço de modo autônomo e conjunto. É uma lógica diferente no sentido de que a plataforma não atua como atravessador, ganhando dinheiro em cima do trabalho humano.


Deseja acrescentar algo?


Estudar as plataformas de trabalho é relevante e é algo que precisamos fazer. Não quer dizer que as plataformas inauguraram a exploração do trabalho, mas elas recriam essa exploração sob contornos sutis que precisam ser entendidos e estudados para produzir uma resposta da sociedade frente aos descasos da intensificação da precariedade que as plataformas têm produzido.


Fonte> https://outraspalavras.net/outrasmidias/um-novo-laboratorio-da-luta-de-classes/


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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A Tristeza


Imagem: Google



Numa manhã em que o sol se anuncia nas frestas de sua janela, você acorda triste, sem saber o motivo.  Pode, acontecer, também, no decorrer do dia, ao anoitecer. A tristeza chega sem avisar. 

     Mas, você, questionador, que faz autocrítica, convoca seu detetive interior, para tentar desvendar esse súbito aperto no peito.  Pode ter sido apenas um sonho ruim, ou um mau presságio, como pode ser uma mudança hormonal; a morte ou doença de um ente querido. E por outros tantos motivos.

     Ai o seu detetive interior avisa, que você tem visto muita televisão, jornais, então; tem ficado muito nas redes sociais, locais em que as notícias de um cotidiano violento prolifera. Notícias de assaltos; ônibus e pessoas queimadas; notícias falsas, as tais fake news. E de muitos comerciais. E você já não consegue separar o joio do trigo; a verdade da mentira.  Os algoritmos conduzindo sua vida.

     Você continua vendo, lendo e ouvindo gente sem escrúpulo, com sede de lucro, queimando e desmatando florestas, destruindo as bacias hidrográficas por meio do  garimpo ilegal.  No meio de toda essa muvuca virtual, você acaba entrando num grupo de tios e tias do zap, que financiam movimentos fascistas. Seu detetive interior diz pra você pular fora disso.  Descobre, finalmente,  porque acordou triste. 

     Ah, estava me esquecendo das guerras em que corpos inocentes são dilacerados por bombas de fósforo branco. Os fascistas espreitam. Atacam. 

     Você descobre que não tem como fugir dessa realidade.  Dá um chute na tristeza, que o imobiliza e vai à luta, porque a vida é pra ser vivida. Coletivamente. 


J Estanislau Filho


Fósforo branco sobre Gaza


Desde que o samba é samba

[Caetano Veloso e Gilberto Gil]


A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora


Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora


A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora


Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora


O samba ainda vai nascer
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer
Veja, o dia ainda não raiou
O samba é o pai do prazer
O samba é o filho da dor
O grande poder transformador


A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora


Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora


Cantando eu mando a tristeza embora
Cantando eu mando a tristeza embora
Cantando eu mando a tristeza embora
Cantando eu mando a tristeza embora



quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Palestina



Imagem: Google



"Pensem nas crianças mudas, telepáticas
Pensem nas meninas cegas,  inexatas
Pensem nas mulheres rotas, alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas"

[Rosa de Hiroshima - Vinicius de Moraes]


Lembrem das crianças  mortas na Palestina
Não se esqueçam nunca os mutilados
Lembrem das explosões em Gaza
Pensem nos idosos aniquilados
Não esqueçam o Estado de Israel
Do primeiro ministro Netanyahu
E de seu exército cruel


Não se esqueçam que o mundo dá voltas
Que de cada túmulo um morto renascerá
Para assombrar tiranos


Não esqueçam da rosa de Hiroshima 
Lembrem de  Hitler e Netanyahu
Não esqueçam os mortos da Palestina 

Imagem: Google

J Estanislau Filho

domingo, 5 de novembro de 2023

Aninha e suas pedras



Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.



Imagem: Google


Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Amigo
Vamos conversar
como dois velhos que se encontram
no fim da caminhada.
Foi o mesmo nosso marco de partida.
Palmilhamos juntos a mesma estrada.

Eu era moça.
Sentia sem saber
seu cheiro de terra,
seu cheiro de mato,
seu cheiro de pastagens.

É que havia dentro de mim,
no fundo obscuro de meu ser
vivências e atavismo ancestrais:
fazendas, latifúndios,
engenhos e currais.

Mas… ai de mim!
Era moça da cidade.
Escrevia versos e era sofisticada.
Você teve medo.
O medo que todo homem sente
da mulher letrada.
Não pressentiu, não adivinhou
aquela que o esperava
mesmo antes de nascer.
Indiferente
tomaste teu caminho
por estrada diferente.
Longo tempo o esperei
na encruzilhada,
depois… depois…
carreguei sozinha
a pedra do meu destino.
Hoje, no tarde da vida,
apenas,
uma suave e perdida 




Cora Coralina

sábado, 4 de novembro de 2023

Quem Mandou Matar Teori Zavascki?

 FICÇÃO


Imagem: Google


     Assim que a aeronave decolou do Campo de Marte, Osmar Rodrigues sentiu um arrepio premonitório. Rodrigues, piloto experiente, não obedeceu a intuição, sugerindo-lhe retornar à pista. Fez o sinal da cruz e beijou a imagem de Nossa Senhora de Loreto, enquanto dizia para si: - Deus é mais! Continuou a viagem, levando à bordo Teori Zavascki, relator da Lava Jato, Carlos Alberto Filgueiras e uma bela mulher, não identificada por Osmar.

     Enquanto isso, em Nova Iorque, seis agentes do FBI se deslocavam rumo ao subsolo do esplendoroso edifício Trump, para monitorar o voo de uma aeronave prefixo PR-SOM Hawker Beech Craft King. O agente Been, coordenava a operação, planejada com o mesmo rigor de quando chefiara a operação, que levara à morte do terrorista Bin Laden.

       Nem mesmo Filgueiras, proprietário da aeronave entendia a razão de a misteriosa mulher fazer parte da tripulação. Aceitou, sem questionar,  as explicações do Delegado da PF de que ela era a segurança desconhecida de Teori. A bela mulher, cabelos longos e óculos escuros, levantou-se da poltrona, assim que a aeronave decolou, para ir ao banheiro, onde tirou da bolsa uma pistola Magnum 357, para checar. Oito cartuchos, perfeita. Voltou e sentou-se novamente,  agora em outra poltrona, porém, mais próxima do Juiz. Tirou o celular e começou a digitar. Teori Zavascki começou a ler uns processos,  que em breve teria de dar sentenças, quando veio um aviso da cabine. Osmar Rodrigues comunicava que a aeronave dava sinais de pane, que todos se mantivessem calmos. Filgueiras não se conteve e rezou um padre-nosso e uma ave-maria. A bela mulher se manteve serena teclando o celular. Teori guardou os documentos numa pasta, protegidos por plásticos resistentes, fechou e disse, com voz firme vamos morrer, é chegada a nossa hora. eu sabia que de um modo ou de outro seria assassinado, só lamento o fato de vocês irem comigo e o juiz parcial vai esca...não teve tempo de concluir. A aeronave, depois de vários solavancos, veio a pique. 

       Lá no subsolo do elegante edifício Trump, os seis agentes do FBI brindavam o sucesso da operação. 


Imagem: Google



FATOS


Haja coincidência! Moro só poderia garantir a prisão de Lula, se Teori saísse de cena. Teori, ministro do Supremo, era crítico da Lava Jato. Ele poderia reconhecer a inocência de Lula, mas sofreu o único acidente de avião em 2017. O delegado da PF que investigava a morte de Teori foi assassinado por um frequentador do Clube de Tiro .38, o mesmo clube que os Bolsonaros frequentam.  Adélio, autor da facada, foi a este mesmo clube no mesmo dia que Carlos Bolsonaro. Adélio estava desempregado, mas teve dinheiro para pagar 600 reais por uma hora no Club, e ficar hospedado por vários dias em Florianópolis, e depois viajar para Juiz de Fora pagando 400 reais em dinheiro vivo para se hospedar numa pensão. Após estar no mesmo local de Adélio, Carlos Bolsonaro também foi para Juiz de Fora acompanhar uma passeata do pai, coisa que ele nunca fazia. Uma semana depois da facada, a dona da pensão morreu e também um outro antigo hóspede foi encontrado morto. O Assassino de Marielle é vizinho de Bolsonaro na Barra. Os filhos de Bolsonaro já prestaram inúmeras homenagens a policiais milicianos condenados pela Justiça, acusados de matarem a Juíza Patrícia Acioli em São Gonçalo, que era rigorosa com a milícia. A família Bolsonaro contratou vários desses milicianos e seus familiares como assessores. Moro prende Lula em segunda instância em acordo com os desembargadores do TRF4 em tempo recorde e sem provas, inviabilizando a sua candidatura. A prisão é ilegal, mas Moro atropela a Constituição e faz valer o interesse político. A seis dias do segundo turno das eleições, Moro divulga o conteúdo de parte da delação de Palocci que foi desprezada pelo MP por falta de consistência e provas, com acusações contra Lula, interferindo no andamento da eleições.   Moro torna-se Ministro do governo Bolsonaro. Moro recebe promessa de indicação de Bolsonaro à próxima cadeira do STF ainda no exercício do cargo de juiz. As informações acima foram amplamente publicadas na mídia.

Imagem: Google

J Estanislau Filho