terça-feira, 11 de novembro de 2014

CRÔNICA DE ITACARÉ


Os dias que passei em Itacaré foram contraditórios. Não, não foram os dias nem a beleza ao redor. Os dias são como são. A ambivalência é que emergiu das profundezas do meu ser.
     Era para ser apenas um passeio. Ver o mar, que há anos não via. Foi o desejo de ver novas paisagens. Queria ficar só, dialogando com as minhas incertezas. Impossível em Itacaré, com tanto chamamento. Convites irrecusáveis. O mar e seus mistérios; moquecas e bobós; a rua Pituba nos convida ao consumo; e o forró em vários pontos: Mar & Mel, Bistrô...
     Foi diante da imensidão do mar, que o amor se revelou, enquanto a brisa acariciava minha pele. Havia também os coqueiros, que continuam lá. O mar é um poema imenso. Uma odisseia e não deu a mínima às minhas dúvidas. Me perdi em devaneios em meu revoltoso mar interior. Ao lado estava uma mulher calada. Olhei-a discretamente de soslaio. Cabelos negros e longos, pele azeitonada, mirava o mar sem notar a minha presença. Deixei-a em sua quietude e continuei refletindo sobre o amor. Por um tempo impossível de ser medido eu amei esta mulher e talvez a amasse para sempre. Enquanto isso as ondas iam e vinham. Fortes e suaves. Como deve ser o amor.
     Havia um mar dentro de mim.


J Estanislau Filho

21 comentários:

  1. primeiro ri, depois sorri, uma pequena lagrima, lindo de morrer por ser tocante. Que coisa...parecia uma crônica tao sem graça rsss
    Parabéns, veio a que se propositou. Um abraço!

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  2. Uau! Linda crônica. Nem sempre vivemos o que buscamos. Os mistérios do nosso mar nos traem no encontro com as praias da realidade. Mas este poeta experimentou poesia em cada canto deste canto do Brasil. Abraço querido. Olynda

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  3. Os mares nos levam a grandes voos amorosos e líricos, parabéns poeta amigo! Abraço da Luiza

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    1. Obrigado pela leitura e pelo comentário generoso, Luiza. Abraço.

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  4. O mar sempre nos inquieta, nos provoca e nos convida a sonhar. Amor e mar:eis uma combinação perfeita. Sempre surpreendendo agradavelmente, caro Stan.
    Realmente o passeio na paradisíaca Itacaré apurou mais e mais sua inspiração.
    Meus aplausos.
    Abraços

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    1. Obrigado Beth, pelas palavras amáveis. Abraços.

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  5. É sempre um encantamento para os olhos e o coração o reencontro com belas paisagens e com o magnetismo indescritível do mar. E seu passeio na bela Itacaré trouxe-lhe inspirações iluminadas para regozijo de seus privilegiados leitores. Parabéns, JEstanislau, e um grande abraço.

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    1. Obrigado pela leitura e pelo gentil comentário, Antenor. Abraço fraterno.

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  6. Meu Sheik apaixonado. Sempre foi. Simplesmente apaixonante. Beijão

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  7. Não há quem não se encante com o mar de Itacaré e de quem não sonhe com o amor amante naquele paraiso.

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  8. O mar em em mim compreendeu o mar que habitou você, naqueles dias.E que o mar permaneça em sua memória de afetos mais caros, pois eu te desejo o mar sempre: um mar de saudades, um mar de tranquilidade, um mar de vida plena, aí mesmo nas montanhas de Minas.Fiquei com pena, pois me lembrei que não mergulhei em Itacaré pois o mar de Ilhéus me aguardava, com pressa.Sua crônica é intensa e bela, marcas do ótimo poeta que é.Beijos.

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  9. Stan que maravilha este passeio que fiz junto com voce ao te ler.
    O mar sempre nos atraia e nos enleva com suas ondes, ai o amor
    aproveita nossa distração e nos envolve o coração. Muito lindo.Bjs.
    sandra abreu

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  10. Como já disse na obra Chega: as ondas do mar são implacáveis, vão e vêm em sua translúcida aparência e rebentam em brilhantes espumas brancas que se dissolvem em serenas lembranças. E no caso, desse belíssimo texto as ondas se dissolvem despertando o amor. O amor quem sabe, inesgotável, próprio de um poeta. Um amor mágico e geralmente platônico. parabéns, sempre Stan.

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    1. A Lúcia Borges é assim: quando menos se espera ela aparece, como num toque mágica. Abraço, amiga, a casa é sua.

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  11. CrônicaTocante, porque escrita com alma...Como o imenso Mar que a todos pertence e de ninguém é dono, assim é o poeta..Bravoo!!

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