Acordei ao som do alarme do celular às seis, com o coração batendo sossegado. A paz invadira os meus sentidos. Abri a janela e vi o sol, que surgia. O dia prometia calor intenso. Meus pensamentos voltaram para os meus parentes e pessoas queridas. Apesar da distância, que nos separa, os vínculos não foram rompidos. Vez em quando a gente se fala pela câmera. Aos mais íntimos não falta uma mensagem de bom dia. Até com os conservadores, tem um olá, tudo bem? Na verdade, com alguns é uma reaproximação. Nos afastamos por divergências ideológicas, assim que a extrema direita chegou ao poder da república. O distanciamento, pelo menos num primeiro momento, foi inevitável. As conversas ficaram tensas. Agora as coisas estão começando a fluir, numa distensão. O campo progressista, majoritário, dialoga com os conservadores, com cautela.
Acordei assim, disposto ao amor e ao perdão. Desisti de entender porque pessoas tão próximas, que pensava conhecer, tornaram-se raivosas. Feitas as exceções de praxe, parentes, amigas e amigos não são racistas, homofóbicos, nazistas, menos ainda. Tempos atrás tentei trazê-los à realidade, mas me diziam que o cego era eu. Contrapunham com argumentos sofistas, numa inversão de valores. Para preservar a relação, a opção foi não falarmos de política, coisa difícil, pois tudo é política, inclusive não falar. Em nossos encontros a gente conversa sobre temas irrelevantes, cantamos parabéns, bebemos e comemos. E quando o assunto acaba, a gente olha para o céu e pergunta: Será que vai chover?
J Estanislau Filho




Stan, cuidado com os raios. Adorei. Darta
ResponderExcluirAcho que vai chover kkkkk
ResponderExcluirAqui tá chovendo!!! Como dizia meu amigo... anistia é os meus ovos!!!
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