segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Das belezas da vida





Eu tive um tio que, já bem velhinho, nos anos 50, adorava contar seus sonhos para a cidade toda. Sempre tinha sonhos premonitórios e outros de beleza rara. Já naqueles tempos sonhava colorido. Meu tio nunca foi ao cinema nem nunca saiu de Pompéu, mas criava verdadeiras obras de arte em seus maravilhosos sonhos. E como era bom contador de causos transmitia a beleza onírica em detalhes para os ouvintes. Imagino de onde ele tirava tantos sonhos. Muita imaginação.
Eu que viajei bastante conheço lugares belos e fascinantes, tenho sonhado sonhos especiais para retransmitir-me um pouco das belezas que conheci e muitas mais que invento durante o sono. Tenho vontade de sonhar com o Raso da Catarina, primeira reserva biológica do país, cheia histórias, lendas, fauna e flora. Percorri a reserva um dia inteiro a caminhar com uma cartucheira no ombro sem dar um tiro.
Nesta última noite, sonhei com o Parque das Mangabeiras aqui de Belo Horizonte, em que aparecia uma extensa reserva de muricis do mato, aquele amarelo e grandalhão que cheira à distância. Para quem já teve a felicidade de deliciar aquela frutinha colhida bem ali no pé do arbusto há de saber do que me refiro. Neste sonho de hoje, no diálogo, quase sempre comigo mesmo, eu dizia que todo lugar tem beleza. Eu argumentava que os visitantes e turistas em geral descobrem-na e levam imagens nos olhos e nas máquinas para mostrar por aí afora. E quando acordei me repreendi por não ter incluído em meu sonho o Museu Inhotim. Talvez porque reprove a origem do dinheiro ali investido.
O fato é que há alguns anos aprendi a ver – na vida real - a beleza da nossa capital até mesmo em arvores das ruas como a Quaresmeira de diversos matizes que oferece a beleza maior durante a quaresma como é pertinente.
Há a época da florada dos coloridos Ipês e outras flores tão lindas que permanecem no anonimato, mesmo trazendo a beleza sempre renovada. 
Nossos parques são maravilhosos. É preciso estimular a população a frequentar mais de 50 parques só em Belo Horizonte e cada qual com uma beleza própria. Tive oportunidade de fazer trabalhos nos parques de Venda Nova e sonho com o Parque (projetado) do Bairro Lagoa naquela Região. O Parque Municipal, em que pese os badulaques que nossos alcaides acrescentam em seu meio, ainda tem muita beleza para ver. O Parque das Mangabeiras também me serviu de espaço para lazer com meu filho e está lá agora mais em meus momentos oníricos e lembranças reais.
Acredito que o poder público precisa criar uma política de frequência a tantas belezas. Criar infraestrutura e apoio e divulgação para que a população usufrua e leve visitantes a conhecerem lugares tão bonitos e agradáveis
Nos anos 70, eu trouxe colegas que estudavam comigo em Brasília e amigos de outras cidades para visitar Belo Horizonte e as cidades históricas. Ficaram fascinados. Acabávamos de inaugurar uma das mais belas estações rodoviárias de todo o país. A gruta de Maquiné ainda tinha apoio e era visita obrigatória. Na época, a Feira Hippie fazia o maior sucesso com a essência do artesanato da Capital. Hoje é um centro comercial comum, mas, aqui e ali, ainda achamos objetos diferentes que encantam os compradores.
Os transportes interurbanos ficaram mais rápidos e é possível visitar cidades históricas e, mais recentemente, o Museu de Arte Contemporânea do Inhotim. Imperdíveis.
Falo de Minas Gerais, especialmente de Belo Horizonte e cidades metropolitanas.
Mas, repito o que disse no sonho da última noite: todos os lugares têm atrativos. Basta abrir os olhos para o belo e agradável e deleitar-se com o que a própria natureza, de vez em quando, ajudada pela mão humana, quer nos oferecer.
Como diz na minha querida Pompéu: Tire a bunda da cadeira e vá apreciar as belezas do mundo. Mexa-se. Vamos, hoje mesmo, agendar uma visita ao “caçulinha” Parque da Serra do Curral. Já foi lá?



Sebastião Verly 
Escrito em 13-04-14
Obrigado Verly, por tornar o meu blog mais bonito.

Imagem: Parque Mangabeiras - Belo Horizonte-MG

2 comentários:

  1. Puxa vida. Que surpresa agradável. Fico muito feliz com esta amizade através de irmão caçula que considero como filho. Você foi presente que ele me deu. SebasTião Verly

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    1. E você, Sebastião, um presente que seu irmão me deu. Felicidades.

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