Acordei ao som do alarme do celular às seis, com o coração batendo sossegado. A paz invadira os meus sentidos. Abri a janela e vi o sol, que surgia. O dia prometia calor intenso. Meus pensamentos voltaram para os meus parentes e pessoas queridas. Apesar da distância, que nos separa, os vínculos não foram rompidos. Vez em quando a gente se fala pela câmera. Aos mais íntimos não falta uma mensagem de bom dia. Até com os conservadores, tem um olá, tudo bem? Na verdade, com alguns é uma reaproximação. Nos afastamos por divergências ideológicas, assim que a extrema direita chegou ao poder da república. O distanciamento, pelo menos num primeiro momento, foi inevitável. As conversas ficaram tensas. Agora as coisas estão começando a fluir, numa distensão. O campo progressista, majoritário, dialoga com os conservadores, com cautela.
Acordei assim, disposto ao amor e ao perdão. Desisti de entender porque pessoas tão próximas, que pensava conhecer, tornaram-se raivosas. Feitas as exceções de praxe, parentes, amigas e amigos não são racistas, homofóbicos, nazistas, menos ainda. Tempos atrás tentei trazê-los à realidade, mas me diziam que o cego era eu. Contrapunham com argumentos sofistas, numa inversão de valores. Para preservar a relação, a opção foi não falarmos de política, coisa difícil, pois tudo é política, inclusive não falar. Em nossos encontros a gente conversa sobre temas irrelevantes, cantamos parabéns, bebemos e comemos. E quando o assunto acaba, a gente olha para o céu e pergunta: Será que vai chover?
J Estanislau Filho




Stan, cuidado com os raios. Adorei. Darta
ResponderExcluirAcho que vai chover kkkkk
ResponderExcluirAqui tá chovendo!!! Como dizia meu amigo... anistia é os meus ovos!!!
ResponderExcluirInteressante, acontece por aqui tambem, penso que em quase todas as familias no mundo, o mundo está assim...pelo menos é o que percebo, . Gostei da solução, embora deixe uma lacuna...3 de fato, aqui uma chuvinha de verão, pré carnavalesca...Estarei ausente até próxima semana viajando...
ResponderExcluirTenho tentado me lembrar que as frentes de batalha não são a mesa do jantar. Pelo menos ainda não...
ResponderExcluirLindas fotos! Encontros e lembranças em família são sempre momentos agradáveis e o melhor é evitar assuntos que possam causar polêmicas e brigas. Agora há pouco caiu uma tempestade aqui. Abraço Nádia
ResponderExcluirMeu irmão e a esposa, um sobrinho... O que mais me impressiona é a agressividade para defender suas opiniões. Meu irmão é mais comedido e temos um pacto silencioso: não falamos sobre o tema, ou, se ele fala, apenas escuto (não adianta contra-argumentar, infelizmente) mas o meu sobrinho, destila veneno nas redes sociais escancaradamente, raivosamente, acintosamente. O perfil: "bombado" e com fotografias treinando na academia, como que a desafiar a todos com o seu porte musculoso, apesar da pouca idade. E outro importantíssimo detalhe (porque não poderia ser diferente e, falo sem generalizações): é evangélico.Como não temos uma relação muito estreita, nem dou bola para o que ele diz, quando o encontro - porque rede social já não frequento há tempos. O que me parece é que eles criaram uma "cartilha comportamental" para defenderem sua "crença em pneus" e já partem para o ataque antes de qualquer crítica. Lamento pelas minhas pequeninas sobrinhas, no caso do meu irmão... Péssima formação receberão. Gostaria de não precisar do "será que vai chover", se essa situação perdurar! Ótimo texto, J.! Abraço
ResponderExcluir