quinta-feira, 23 de abril de 2015

O Voo da Borboleta



Ao voar para aquele terceiro encontro, a borboleta, que saíra do casulo em plenilúnio, estava convencida de que seria o último, como conjeturara em seus minúsculos ouvidos uma profetisa. Sentimento introjetado voou em sua própria direção.
          Não foi um pouso suave como prometera à flor de cacto, áspera de natureza.
          A flor, ainda assim, mostrou-lhe a paisagem esplendorosa, ofertou-lhe o néctar, que a borboleta sorveu em êxtase. Confessou ter provado o melhor néctar de toda a sua efêmera existência.
          Contudo os campos não seriam polinizados, pois a borboleta e o cacto  desarvoraram-se.
          Dizem que a borboleta voltou ao casulo, para não mais sair.


J Estanislau Filho

Do livro Crônica do Amor Virtual e Outros Encontros - página 27.


23 comentários:

  1. E quando é que eu vou poder ler o livro inteiro???????

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  2. Este texto é um primor! Gosto de refletir sobre a mensagem inserida nas entrelinhas. É bem você. Parabéns Stan!!!!

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  3. Que beleza e criatividade expressa nas entrelinhas. O livro então, deve ser espetacular. Parabéns poeta. Abçs!!

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    1. Obrigado, Diná. Seja bem-vinda, sempre. Abraço.

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  4. As flores de mandacaru são belíssimas! E as borboletas se encantam. Linda crônica. O meu carinho.

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  5. MUITO BOM TEXTO! GOSTEI BASTANTE, ÀS VEZES O BELO É ÁSPERO!

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  6. Assim, nas diferentes situações, o amor prevalece quando se faz mais forte em meio aos espinhos. Parabéns, caro poeta, J Estanislau. Abraço amigo.
    (Giovanni Pelluzzi)

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    1. Verdade Giovanni, também acredito que o amor vença. Valeu a presença. Abraços.

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  7. Amo este texto, triste e profundo.Abraços José.

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  8. Esta crônica é triste, me vi assim por estes dias com um mal estar que parecia um casulo onde alí permaneceria,Graças a Deus passou estou de volta a prestigiar e encantar com lindas poesias que embelezam o meu dia.Um ótimo dia a ti meu nobre poeta!

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  9. Eis que o amor é para os corajosos e arrojados; há que se ter disposição para superar as adversidades e perceber que espinhos nem sempre significam dor, mas apenas uma maneira de se proteger nos testar. Bela, como sempre, Meu abraço

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    1. Obrigada, gentil e carinhosa, como sempre. Abraço meu.

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  10. " Há gente que nasce poesia" ( Manoel de Barros ). Você é uma destas... e ainda desmistifica o mistério da vida contido num simples casulo. Parabéns, amigo
    drnelsonantonio@gmail.com

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  11. Parabéns Estanislau. Tendo o prazer de reler essa bela obra poética.
    Um fraterno abraço.

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