terça-feira, 22 de julho de 2014

JULIETA

              O amor por Julieta foi a essência de tempestade que necessitava naqueles dias obscuros. Um turbilhão de sentimentos desordenados o levou até ela, que o acolheu, como quem também precisava de estímulos, para despachar carências e medos. A tempestade era só uma cobertura frágil, um glacê que se desmancha ao suave toque de mãos inocentes; vidro que se quebra com a aragem.
     Estava convencido que Julieta o tiraria daquela morbidez. Traçou tática e estratégia de conquista. Ela era poeta, a melhor poeta do planeta naqueles dias em que o sol começou a penetrar nas frestas de seu muro. Uma poeta! Poetisa não era a forma adequada de nomear aquela mulher encantadora. Acessava diariamente a página da musa inspiradora, para ver suas fotos. Passava horas contemplando, imaginando um encontro... e se derretia como manteiga em frigideira sob o fogo da paixão incomensurável. Tecia longos elogios aos poemas e à poeta distante. Contudo, Julieta não deu azo à sua fértil imaginação. Como Florentino Ariza jurou esperá-la enquanto lhe restasse um sopro de vida. Até o dia em que Julieta parou de responder as suas mensagens. Caiu em si. Doeu fundo a perda de seu primeiro amor virtual. 
     Não, ele não a perdeu, pois nunca a teve.



J Estanislau Filho

Do livro Crônica do Amor Virtual e Outros Encontros.
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13 comentários:

  1. O que não temos, permanece impregnado na memória, como um sonho distante, porém, quase palpável. Maravilhosa esta crônica Stan. Já havia lido no livro. Beijo.

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  2. Imagina se Julieta abre-se para ele...logo seria descartada como carta coringa. Tua crônica perfeita...quantas vezes nos enganamos, mas quantas vezes surge um amor de verdade em meio a estes dias obscuros e tempestades. Talvez Julieta seja tão só no sentimento dela mesma que não poderia jamais corresponder. Parabéns meu amigo por este texto tão bem produzido. Beijoss, Junya

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  3. Bom demais te ler..abraços querido!

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    1. Obrigado, Luiza De Marillac Bessa Luna Michel.

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  5. Olá amigo J. Estanislau. Obrigada pelo convite. Gostei de ler a sua crônica muito bem narrada, é isso poeta; se nos enganamos com uma situação real, imagine no virtual, mesmo assim o amor acontece.
    Abçs e bom findi!
    Diná

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    1. Obrigado, Diná. Vamos interagindo e aprendendo. Abraço.

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  6. Nada como sonhar com um amor exato e viver na esperança de realizá-lo! Mas... por ser criado por nossas expectativas, a realidade bate a nossa porta e nos acorda, às vezes, no melhor do sono!!!!! Maravilhosa crônica, amigo poeta! Um abraço! Angela Lara

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    1. Com dizia Raul, sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só; sonho que se sonha junto é realidade. Obrigado, Angela, pela generosa leitura. Volte sempre. Abraço.

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    2. Com dizia Raul, sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só; sonho que se sonha junto é realidade. Obrigado, Angela, pela generosa leitura. Volte sempre. Abraço.

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